{"id":4236,"date":"2018-06-26T15:23:49","date_gmt":"2018-06-26T14:23:49","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=4236"},"modified":"2018-06-26T15:23:55","modified_gmt":"2018-06-26T14:23:55","slug":"dizer-a-verdade-a-jesus-cura-e-liberta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/dizer-a-verdade-a-jesus-cura-e-liberta\/","title":{"rendered":"Dizer a verdade a Jesus cura e liberta"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><b>DIZER A VERDADE A JESUS CURA E LIBERTA<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\" align=\"right\"><b>Pe. Georgino Rocha<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus \u00e9 recebido por uma grande multid\u00e3o que o aguardava ap\u00f3s a travessia do Lago de Tiber\u00edades. Enquanto se det\u00e9m \u00e0 beira-mar, chega Jairo, chefe da sinagoga local. Vem muito aflito. A sua filha est\u00e1 a morrer. Procura ajuda, a \u00faltima, pois as outras n\u00e3o haviam resultado. Ao ver Jesus, suplica-lhe com insist\u00eancia: \u201cVem impor-lhe as m\u00e3os, para que se salve e viva\u201d. E Jesus foi com ele, acompanhado pela multid\u00e3o que o apertava, afirma a narra\u00e7\u00e3o de Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que cena maravilhosa! Jesus, sem guarda-costas, completamente \u00e0-vontade, no meio da multid\u00e3o. A sofrer empurr\u00f5es de todos os lados. A olhar pessoalmente cada pessoa. A atender as urg\u00eancias inadi\u00e1veis. Sem pensar em si ou na sua comodidade, sem medir perigos nem dist\u00e2ncias. Movia-o a paix\u00e3o por aliviar o sofrimento humano, por enxugar l\u00e1grimas sentidas, por salvaguardar a vida. Que exemplo estimulante nos deixa como legado em heran\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caminho, acontece o inesperado. A surpresa vem de uma mulher que sofria de fluxos de sangue, de feridas secretas, \u00edntimas. Est\u00e1 \u201cnas \u00faltimas\u201d. Havia tentado tudo. Havia gasto o que possu\u00eda. E o resultado era nulo. Mas o seu cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o dormia e uma secreta confian\u00e7a lhe advinha de Jesus de Nazar\u00e9 de quem ouvira falar. Decidida, lan\u00e7a a aventura, quebrando todas as barreiras: a dos disc\u00edpulos que rodeavam o Mestre, a das leis higi\u00e9nicas e religiosas que proibiam o andar no meio das outras pessoas, a comitiva de Jairo que, apressada, guiava Jesus para casa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mulher sofrida mostra um proceder humano admir\u00e1vel. Proceder que S\u00e3o Greg\u00f3rio de Nissa, no livro sobre \u00aba perfei\u00e7\u00e3o da vida crist\u00e3\u00bb sistematiza deste modo: \u201cH\u00e1 tr\u00eas coisas que revelam e distinguem a vida do crist\u00e3o: a ac\u00e7\u00e3o, a palavra e o pensamento. Entre estas, vem em primeiro lugar o pensamento; em segundo lugar, vem a palavra, que manifesta e exprime, por meio dos voc\u00e1bulos, o pensamento concebido e impresso no esp\u00edrito; depois do pensamento e da palavra, vem a ac\u00e7\u00e3o, que p\u00f5e em pr\u00e1tica o que o esp\u00edrito pensou\u201d.\u00a0\u00a0Bela s\u00edntese que brilha na atitude desta mulher: pensa que pode surgir uma oportunidade; d\u00e1-lhe nome pessoalizado; e, depois, age de acordo com o \u201cplano\u201d gizado. \u00c9 t\u00e3o rica esta cena que nos vamos deter nos seus elementos principais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mulher preocupa-se com a cura da fonte do seu sofrimento. N\u00e3o basta o recurso ocasional para remediar os seus efeitos. Indica claramente um caminho a percorrer para os cuidadores de sa\u00fade, volunt\u00e1rios e profissionais, para a medicina convencional ou alternativa. Manifesta, sem alarde, que muitos tratamentos levam a consumir os bens das pessoas sem resultado e a beneficiar quem assume o encargo de os fazer convenientemente. Denuncia, sem o dizer, as situa\u00e7\u00f5es desumanas que ocorrem nesta \u00e1rea t\u00e3o sens\u00edvel de uma sociedade humanizada que quer garantir o servi\u00e7o de sa\u00fade a todos\/as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mulher manifesta o valor da sa\u00fade integral: a do f\u00edsico e emocional, a da mente e relacional, a do ambiente e espiritual. Sa\u00fade integral que se enra\u00edza numa correcta compreens\u00e3o do corpo humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Papa Francisco, ao falar, no dia 25 de Junho de 2018, na \u00abAcademia para a Vida\u00bb lembra a \u201csabedoria que deve inspirar a nossa atitude\u201d chamada a considerar a qualidade \u00e9tica e espiritual da vida em todas as suas fases. E designa esta atitude por \u201cecologia humana\u201d. E prossegue referindo-se ao nosso corpo \u201cque nos situa numa rela\u00e7\u00e3o directa com o ambiente e com os outros seres vivos. A aceita\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio corpo como dom de Deus \u00e9 necess\u00e1ria para acolher e aceitar o mundo inteiro como dom do Pai e casa comum, enquanto uma l\u00f3gica de dom\u00ednio sobre o pr\u00f3prio corpo se transforma numa l\u00f3gica, \u00e0s vezes subtil, de dom\u00ednio sobre a cria\u00e7\u00e3o\u201d. E, em jeito de conclus\u00e3o, o Papa adianta: \u201cAprender a receber o pr\u00f3prio corpo, a cuidar dele, e a respeitar os seus significados, \u00e9 essencial para uma verdadeira ecologia humana. Tamb\u00e9m a valora\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio corpo na sua feminilidade ou masculinidade \u00e9 necess\u00e1ria para se reconhecer a si mesmo no encontro com o diferente\u201d(<em>Laudato Si<\/em>&#8216;, n\u00ba 155).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mulher provoca o\u00a0sil\u00eancio dos acompanhantes de Jesus. Tal o inusitado. Sil\u00eancio que \u00e9 indiciador do que havia surgido: um novo olhar sobre a mulher, o corpo humano e sua condi\u00e7\u00e3o sexuada, sobre a pessoa como indiv\u00edduo aberta \u00e0 rela\u00e7\u00e3o de reciprocidade masculina e feminina; um novo olhar sobre a sociedade de seres humanos iguais em dignidade, diferentes em capacidades e complementares no desempenho de fun\u00e7\u00f5es; um novo olhar que emerge do olhar de Jesus que v\u00ea a multid\u00e3o que o rodeia e aperta, identifica a mulher que o tocou e, assustada, vem dizer-lhe a verdade do que havia acontecido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mulher empreende a sua ousadia, ap\u00f3s dialogar com a sua consci\u00eancia, de fazer o balan\u00e7o entre a necessidade e o risco, entre a dor da inibi\u00e7\u00e3o e a alegria da exposi\u00e7\u00e3o, da previs\u00edvel satisfa\u00e7\u00e3o. Grande atitude: a cautela e a pondera\u00e7\u00e3o d\u00e3o as m\u00e3os e aconselham a melhor op\u00e7\u00e3o. Avan\u00e7ou e acertou. E recebeu de Jesus o reconhecimento p\u00fablico da sua ousadia: \u201cMinha filha, a tua f\u00e9 te salvou\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcos, o narrador, n\u00e3o indica nada sobre o que teriam dito os disc\u00edpulos, os amigos de Jairo, os outros acompanhantes. O relato deixa em aberto essa atitude para as gera\u00e7\u00f5es seguintes poderem parar, saborear, quebrar barreiras, mergulhar na bondade de Jesus que, prossegue, incansavelmente nos caminhos da miss\u00e3o, a testemunhar um rosto diferente do nosso Deus que se espelha no cuidado integral do corpo humano. Prossegue tamb\u00e9m por meio de n\u00f3s, como cidad\u00e3os crist\u00e3os, na Igreja e na sociedade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DIZER A VERDADE<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4238,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,91,50,14],"tags":[],"class_list":["post-4236","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-olhares-ii","category-pe-georgino-rocha","category-temas-para-debate"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4236","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4236"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4236\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4239,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4236\/revisions\/4239"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4238"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4236"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4236"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4236"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}