{"id":4122,"date":"2018-06-05T15:28:41","date_gmt":"2018-06-05T14:28:41","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=4122"},"modified":"2018-06-05T15:28:41","modified_gmt":"2018-06-05T14:28:41","slug":"a-nova-familia-de-jesus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/a-nova-familia-de-jesus\/","title":{"rendered":"A nova fam\u00edlia de Jesus"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><b>A NOVA FAM\u00cdLIA DE JESUS<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\" align=\"right\"><b>Pe. Georgino Rocha<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus est\u00e1 em Cafarna\u00fam. Vem da sua terra natal, percorre a Galileia e faz-se h\u00f3spede em casa de Sim\u00e3o. Entretanto, chama disc\u00edpulos, cura doentes, entusiasma tantas pessoas que deixam tudo, o acompanham e acorrem a Ele. Est\u00e1 a ponto de nem sequer poder comer. (Mc 3, 20-35). \u00c9 impressionante este in\u00edcio da miss\u00e3o em p\u00fablico. A novidade surpreendente mobiliza e interpela. A Nazar\u00e9, chegam ecos desta actividade e os familiares p\u00f5em-se a caminho para O deter, \u201cpois diziam: est\u00e1 fora de Si\u201d. Mais tarde, Jesus volta \u00e0 sua terra natal e nela \u00e9 recebido de forma t\u00e3o hostil que querem lan\u00e7\u00e1-lo por um precip\u00edcio. Estranha reac\u00e7\u00e3o esta, a de O considerarem sem ju\u00edzo, em vez de se abrirem \u00e0 novidade, \u00e0 interroga\u00e7\u00e3o, \u00e0 busca de sentido oculto nas apar\u00eancias. E eu como me sinto? Qual a minha reac\u00e7\u00e3o face \u00e0 novidade de Jesus? N\u00e3o podemos n\u00f3s correr um risco semelhante? Conv\u00e9m estar atentos, l\u00facidos e abertos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA hostilidade e o duro ju\u00edzo dos familiares de Jesus, anota Manicardi, p. 107, iluminam um dos aspectos das suas escolhas: a sua vida itinerante e celibat\u00e1ria com uma pequena comunidade de disc\u00edpulos, prejudica economicamente a fam\u00edlia, que se v\u00ea privada n\u00e3o s\u00f3 de um dos seus membros, mas tamb\u00e9m das vantagens econ\u00f3micas e do prest\u00edgio social que a alian\u00e7a com outro grupo familiar, garantida por um casamento, teria trazido\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As not\u00edcias a respeito de Jesus espalham-se, atingem Jerusal\u00e9m, e os escribas decidem enviar uma embaixada fiscalizadora. J\u00e1 trazem o parecer formado, acusando-O de possesso que age \u00e0s ordens do grande chefe: Belzebu. Apesar disso, Jesus acolhe-os amigavelmente, chama-os para junto de si, e come\u00e7a a falar-lhes em par\u00e1bolas. Que atitude contrastante e inten\u00e7\u00e3o reveladora! Que pedagogia de Mestre que assume o n\u00edvel dos seus interlocutores para iniciar a poss\u00edvel caminhada para a verdade. E que verdade!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus faz descer a acusa\u00e7\u00e3o doutrinal para a vida pr\u00e1tica. Recorre a dois exemplos correntes: O reino e a casa. Ambos s\u00e3o objecto de tenta\u00e7\u00e3o: o reino, de divis\u00e3o; a casa, de assalto. No entanto, n\u00e3o correm perigo maior enquanto o defensor estiver vigilante e tiver for\u00e7as para resistir. Jesus fazia alus\u00e3o clara \u00e0s for\u00e7as do mal de que era acusado de estar possesso. Mas se vem algu\u00e9m mais forte e amarra com seguran\u00e7a quem tem o dever de guardar, ent\u00e3o a situa\u00e7\u00e3o altera-se profundamente. \u00c9 o que est\u00e1 a acontecer. As for\u00e7as diab\u00f3licas est\u00e3o vencidas e controladas. Marcos, o narrador da par\u00e1bola, n\u00e3o regista qualquer contesta\u00e7\u00e3o dos escribas. Por agora, calam-se, mas ficam a remoer a novidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os disc\u00edpulos acompanham a cena, v\u00eaem as atitudes, ouvem os di\u00e1logos e, possivelmente, guardam na mem\u00f3ria o que lhes pode servir de refer\u00eancia exemplar na vida futura. E n\u00e3o lhes faltar\u00e3o acusa\u00e7\u00f5es difamat\u00f3rias e de condena\u00e7\u00e3o. A hist\u00f3ria regista um esclarecedor repert\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus tem um proceder que parece estranho para com os parentes, sobretudo a M\u00e3e. E n\u00e3o \u00e9. Este momento constitui a grande revela\u00e7\u00e3o da Sua nova fam\u00edlia. Avisado de que haviam chegado e vinham \u00e0 sua procura, faz um gesto singular: \u201cOlhando para aqueles que estavam \u00e0 sua volta, disse: \u00abEis a minha M\u00e3e e meus irm\u00e3os. Quem fizer a vontade de Deus esse \u00e9 meu irm\u00e3o, minha irm\u00e3 e minha M\u00e3e\u00bb \u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Este \u00e9 o maior elogio a Maria de Nazar\u00e9, a afadigada m\u00e3e que, sabendo que o filho corria perigo, se p\u00f5e a caminho para o proteger como dom que Deus lhe confiara e nela gerara. Este \u00e9 o maior reconhecimento da dignidade de todos os que, \u00e0 imagem de Maria, aceitam pela f\u00e9 o convite para serem fecundos no apostolado. Este \u00e9 o maior desafio que fica posto aos disc\u00edpulos fi\u00e9is: situar sempre o valor da vida numa perspectiva de doa\u00e7\u00e3o incondicional, ainda que seja preciso chegar ao mart\u00edrio. Este \u00e9 a maior provoca\u00e7\u00e3o \u00e0 Igreja crist\u00e3 que, no proceder de Jesus, lan\u00e7a as ra\u00edzes est\u00e1veis para os vendavais da hist\u00f3ria. Esta \u00e9 a sabedoria que irradia: fazer das adversidades oportunidades de novas mensagens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A passagem do Evangelho da liturgia de hoje faz-nos mergulhar na revolu\u00e7\u00e3o que Jesus aporta para todo o mundo, pode ler-se no coment\u00e1rio de \u201cVers le Dimanche\u201d, n\u00ba 498, 10 de Junho de 2018, Revolu\u00e7\u00e3o que, para os s\u00e1bios da sua \u00e9poca, \u00e9 semelhante \u00e0 que a teoria de Cop\u00e9rnico desencadeou. O Esp\u00edrito age no mundo e vai ganhar ao chefe dos dem\u00f3nios. Revolu\u00e7\u00e3o que, para a fam\u00edlia de Jesus e dos que o seguiam com prazer, reveste a fisionomia de uma revolu\u00e7\u00e3o familiar: os elos de sangue s\u00e3o suplantados pelos la\u00e7os do cora\u00e7\u00e3o e da f\u00e9, que o Esp\u00edrito tece no seio da grande fam\u00edlia humana que vem reconciliar. Revolu\u00e7\u00e3o que nos quer atingir pessoalmente e nos faz olhar e reconhecer as pessoas da rua ou dos fi\u00e9is da missa como uma m\u00e3e, um irm\u00e3o ou uma irm\u00e3 potencial de Jesus. Como \u00b4cada um de n\u00f3s. E vem a pergunta crucial: Para mim, quem conta realmente na vida? De quem me sinto mais pr\u00f3ximo? Seria muito \u00fatil elaborar uma lista de nomes e, por cada um, louvar o Senhor que nos une e aproxima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fazer a vontade de Deus \u00e9 o segredo da nova fraternidade. Sem limites de espa\u00e7o, de tempo, de credo pol\u00edtico, de culturas, de sistemas econ\u00f3micos, de religi\u00e3o. Quem \u00e9 honesto com a sua consci\u00eancia iluminada pela sabedoria dos povos, codificada em senten\u00e7as ou registada em obras memor\u00e1veis; quem articula o bem pessoal com o bem comum e trabalha pela felicidade de cada pessoa concreta e de todas em conjuntos humanos; quem pratica o voluntariado em qualquer das suas express\u00f5es por amor de doa\u00e7\u00e3o; quem professa explicitamente a f\u00e9 crist\u00e3 e vive em Igreja, sendo coerente em todo o seu agir\u2026, estes est\u00e3o abrangidos pelo olhar benevolente de Jesus, o rosto misericordioso de Deus Pai, e sob a protec\u00e7\u00e3o maternal de Maria. Que olha cada um na sua situa\u00e7\u00e3o concreta e, por isso, diversificada, dando origem a um arco-\u00edris de representa\u00e7\u00f5es religiosas. Objectivamente, nem todas explicitam com a mesma intensidade o rosto do nosso Deus. Mas a diferen\u00e7a, n\u00e3o anula a realidade; antes a enriquece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja constitui, por excel\u00eancia sacramental, a nova fam\u00edlia de Jesus. Faz-nos bem reconhec\u00ea-lo no conjunto de tantas outras formas de presen\u00e7a. Faz-nos bem apreciar e viver, nas rela\u00e7\u00f5es pessoais e institucionais, o correspondente esp\u00edrito filial e fraterno.\u00a0\u00a0Somos a nova fam\u00edlia de Jesus!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A NOVA FAM\u00cdLIA<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4123,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,91,50,14],"tags":[],"class_list":["post-4122","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-olhares-ii","category-pe-georgino-rocha","category-temas-para-debate"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4122","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4122"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4122\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4124,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4122\/revisions\/4124"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4123"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4122"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4122"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4122"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}