{"id":3904,"date":"2018-05-01T17:24:03","date_gmt":"2018-05-01T16:24:03","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=3904"},"modified":"2018-05-01T18:58:00","modified_gmt":"2018-05-01T17:58:00","slug":"a-alegria-do-senhor-e-a-nossa-amizade-fraterna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/a-alegria-do-senhor-e-a-nossa-amizade-fraterna\/","title":{"rendered":"A alegria do Senhor \u00e9 a nossa amizade fraterna"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">A ALEGRIA DO SENHOR \u00c9 A NOSSA AMIZADE FRATERNA<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Pe. Georgino Rocha<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A despedida \u00faltima de pessoas amigas est\u00e1 sempre recheada de confid\u00eancias, desabafos e recomenda\u00e7\u00f5es. \u00c9 humano, uma exig\u00eancia do cora\u00e7\u00e3o e da experi\u00eancia de vida em rela\u00e7\u00e3o. \u00c9 humano, uma garantia de mem\u00f3ria feliz no tempo de aus\u00eancia e de priva\u00e7\u00e3o. \u00c9 humano, um elo de liga\u00e7\u00e3o entre quem parte e quem fica. \u00c9 humano, \u00e9 comunh\u00e3o.<br \/>\nJesus vive integralmente a sua humanidade. O ser quem \u00e9, Deus humanado, em nada o priva de desvendar horizontes novos ao homem\/mulher, \u00e0 rela\u00e7\u00e3o interpessoal, \u00e0 sexualidade humana, ao respeito e cuidado da cria\u00e7\u00e3o e das criaturas. E como o rio que se mostra no caudal que corre para o mar e lan\u00e7a bra\u00e7os pela terra, originando enseadas e irrigando campos, Jesus faz-nos remontar \u00e0 fonte primeira do amor, seiva nutriente da comunh\u00e3o e de toda a rela\u00e7\u00e3o humanizada. Jo\u00e3o, o disc\u00edpulo amado, guia hoje a nossa reflex\u00e3o na peregrina\u00e7\u00e3o a este manancial divino e a alguns dos seus rostos humanos, salientando atitudes fundamentais. (Jo 15, 9-17).<br \/>\nA contraluz, fica em realce o que podemos observar na sociedade actual e nos m\u00faltiplos escaparates dos centros de interesses que a movem, especialmente na \u00e1rea dos afectos e dos gostos, das causas e dos efeitos, da opini\u00e3o publicada e da mentalidade a querer sobrepor-se como ideologia predominante. Salvas muitas e honrosas excep\u00e7\u00f5es, por vezes her\u00f3icas, o que se destaca na imagem social s\u00e3o sinais de atra\u00e7\u00e3o f\u00e1cil e sedutora, de gostos de ocasi\u00e3o, prazeres moment\u00e2neos e utilidade funcional, de interesses ao alcance da m\u00e3o, privilegiando os meios e esquecendo os fins, como lembra Einstein, pr\u00e9mio Nobel de f\u00edsica, e tantas outras coisas. Este ilustre pensador acrescenta: \u201cMinha condi\u00e7\u00e3o humana me fascina\u2026Gostaria de dar tanto quanto recebo, e n\u00e3o paro de receber\u201d.<br \/>\n\u201cComo o Pai me amou, tamb\u00e9m Eu vos amei\u201d, afirma Jesus aos disc\u00edpulos. A medida est\u00e1 definida. O amor de Jesus por n\u00f3s tem o selo de Deus Pai. Ele \u00e9 a fonte de todo o amor. E n\u00f3s somos chamados a acolher, a apreciar, a viver e testemunhar este amor, na medida poss\u00edvel, sempre prontos a aumentar as suas margens. Jo\u00e3o, na sua narrativa, destaca pontos fundamentais do amor humano recheado de seiva divina. Vamos deter-nos perante alguns, os mais emblem\u00e1ticos.<br \/>\nGuardar os mandamentos, \u00e9 o primeiro requisito do amor. De contr\u00e1rio, surge o desvio, o desligar a corrente, o andar por conta pr\u00f3pria, sempre arriscada. Obedecer a quem nos ama \u00e9 aderir a quem nos quer bem e aponta v\u00f4os de liberdade. \u00c9 confiar e acompanhar. \u00c9 crescer em sabedoria e maturidade. \u00c9 ter regras, conhecer e respeitar o todo da pessoa. \u201cComo Eu tenho guardado os mandamentos de Meu Pai\u201d, diz-nos Jesus. Bendita obedi\u00eancia que nos liberta de impulsos caprichosos e abre horizontes de esperan\u00e7a e de plenitude.<br \/>\nAmar sem condi\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias. Gratuitamente. De prefer\u00eancia os mais fr\u00e1geis e dependentes. Das periferias ou dos centros. Cheios de si ou vazios de nada. Com voz na pra\u00e7a p\u00fablica ou remetidos ao sil\u00eancio dos gemidos. \u201c\u00c9 este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei\u201d. A qualidade est\u00e1 indicada. A palavra e o agir de Jesus constituem o padr\u00e3o de refer\u00eancia. Palavra que, em resposta a Filipe, fica como perp\u00e9tua mem\u00f3ria: \u201cEu sou o caminho, a verdade e a vida\u201d. Agir que no lava-p\u00e9s e na \u00faltima ceia, a da institui\u00e7\u00e3o da eucaristia, tem o selo mais aut\u00eantico e expressivo. Gestos coroados com o mandato: \u201cFazei isto em Minha mem\u00f3ria\u201d.<br \/>\nConhecer a Palavra de Deus. O que Jesus disse\/diz e fez\/faz constitui o cume da revela\u00e7\u00e3o de Deus, fica como memorial na Palavra e nos sacramentos, e como marcos de ilumina\u00e7\u00e3o para a leitura crist\u00e3 da vida corrente e dos acontecimentos do mundo. A familiaridade com as Escrituras converte-se em amor a Jesus, em luz de ajuda preciosa \u00e0 consci\u00eancia que aspira sempre a tomar decis\u00f5es livres e fundamentadas. \u201cSe algu\u00e9m me ama, guarda a Minha palavra, meu Pai o amar\u00e1\u2026e faremos nele a Nossa morada\u201d.<br \/>\nSaber-se escolhido para dar fruto. De alegria e paz, de servi\u00e7o e prece, de amor e miss\u00e3o, de verdade no falar e de coer\u00eancia moral no agir. Fruto de se fazer pessoa, de ter sempre no horizonte o desenvolvimento integral, do bem comum, do \u201chomem novo\u201d, Jesus Cristo. De ser amigo.<br \/>\nNa mensagem aos Jovens, a 23 de Junho de 2017, o Papa Francisco afirma que \u201c hoje, a palavra \u00abamigo\u00bb tornou-se um pouco desgastada\u201d e garante \u201cque um conhecimento superficial n\u00e3o \u00e9 suficiente para ativar aquela experi\u00eancia de encontro e de proximidade \u00e0 qual a palavra \u00abamigo\u00bb faz refer\u00eancia\u201d; que \u201cs\u00f3 h\u00e1 verdadeira amizade quando o encontro me leva a participar na vida do pr\u00f3ximo, at\u00e9 ao dom de mim mesmo\u201d. E, cheio de compreens\u00e3o emp\u00e1tica valorativa, adianta: \u201cFaz-nos bem pensar no modo como age um amigo: acompanha-me com discri\u00e7\u00e3o e ternura no meu caminho; ouve-me profundamente e sabe ir al\u00e9m das palavras; \u00e9 misericordioso em rela\u00e7\u00e3o aos defeitos, \u00e9 livre de preconceitos; sabe partilhar o meu percurso, levando-me a sentir a alegria de n\u00e3o estar sozinho; n\u00e3o me favorece sempre mas, exatamente porque quer o meu bem, diz-me com sinceridade aquilo que n\u00e3o compartilha; est\u00e1 pronto para me ajudar a levantar, cada vez que eu caio\u201d.<br \/>\nA palavra e o exemplo de Jesus s\u00e3o a melhor garantia de que viver em amizade fraterna \u00e9 poss\u00edvel, desej\u00e1vel e necess\u00e1rio. A M\u00e3e de sangue, que hoje carinhosamente evocamos, \u00e9 a certeza de que o amor \u00e9 mais forte do que a morte. A aspira\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o humano \u00e9 satisfeita pela doa\u00e7\u00e3o divina. Obrigado, Senhor Jesus!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ALEGRIA DO<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3905,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,91,50,14],"tags":[],"class_list":["post-3904","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-olhares-ii","category-pe-georgino-rocha","category-temas-para-debate"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3904","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3904"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3904\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3907,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3904\/revisions\/3907"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3905"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3904"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3904"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3904"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}