{"id":3862,"date":"2018-04-21T10:33:19","date_gmt":"2018-04-21T09:33:19","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=3862"},"modified":"2018-04-21T10:33:19","modified_gmt":"2018-04-21T09:33:19","slug":"rosto-de-misericordia-maria-ferreira-dos-santos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/rosto-de-misericordia-maria-ferreira-dos-santos\/","title":{"rendered":"Rosto de miseric\u00f3rdia: Maria Ferreira dos Santos"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400; text-align: right;\"><em><strong>ROSTO DE MISERIC\u00d3RDIA<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>MARIA FERREIRA DOS SANTOS<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><strong>Pe. Georgino Rocha<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>Maria Ferreira dos Santos (Mariazinha Capela neste registo evocativo da sua vida apost\u00f3lica) \u00e9 a filha mais nova do casal<\/strong>\u00a0<strong>Francisco dos Santos Carrancho e Regina dos Santos Ferreira, nasce em S. Salvador\u00a0 de \u00cdlhavo a 18 de Novembro de 1930, onde vem a falecer a 1 de Dezembro de 2017. Cresce com dois irm\u00e3os no seio de uma fam\u00edlia \u00edntegra e trabalhadora. Faz o percurso normal da vida crist\u00e3, tendo como p\u00e1roco da Igreja matriz o P. Bas\u00edlio Ferreira Jorge e outros que lhe sucederam auxiliados por coadjutores jovens e din\u00e2micos. Participa e vem a ser respons\u00e1vel no apostolado paroquial, designadamente na Juventude Oper\u00e1ria Cat\u00f3lica, sec\u00e7\u00e3o da Vista Alegre, na catequese e, a partir de 1967, na equipa de visitadores de doentes. Solteira, por op\u00e7\u00e3o, consagra a sua vida ao bem dos outros, sendo apoiada pelas associa\u00e7\u00f5es de piedade a que pertencia e animada pelos organismos apost\u00f3licos de que era membro. Costureira de profiss\u00e3o, faz do trabalho um meio privilegiado de irradia\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica no contacto com as pessoas que a procuram. Em casa procura aliar a arte \u00e0 virtude, e ao desejo da perfei\u00e7\u00e3o a delicadeza paciente.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>Os longos anos da vida proporcionam-lhe uma s\u00e9rie de acontecimentos marcantes que acompanha com enorme curiosidade evang\u00e9lica e not\u00f3ria aten\u00e7\u00e3o crist\u00e3. V\u00ea nascer e morrer na sua par\u00f3quia sec\u00e7\u00f5es da Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, florescer e murchar o entusiasmo de movimentos novos, germinar e adquirir consist\u00eancia, apesar da fragilidade humana, equipas de servi\u00e7o e de anima\u00e7\u00e3o. Conhece muitas pessoas influentes na renova\u00e7\u00e3o da Igreja com as quais se vai relacionando ao longo dos anos. Vive momentos hist\u00f3ricos da sociedade portuguesa que deixam marcas profundas e colidem com a sua forma\u00e7\u00e3o moldada em movimentos cat\u00f3licos abertos \u00e0 renova\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>O perfil de Mariazinha Capela surge, nesta mem\u00f3ria aben\u00e7oada, discreto e irradiante, nobre na humildade e edificante na mansid\u00e3o. Faz lembrar a revis\u00e3o de vida que Jesus tem com os disc\u00edpulos, ap\u00f3s o regresso da primeira miss\u00e3o, revis\u00e3o bem ilustrada na ora\u00e7\u00e3o final: \u201c<\/strong><em><strong>Eu Te bendigo<\/strong><\/em><strong>,\u00a0<em>\u00f3 Pai<\/em>, Senhor do c\u00e9u e da terra, porque escondeste estas verdades aos s\u00e1bios e aos inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, \u00f3 Pai, porque isto foi do teu agrado\u201d (Lc<\/strong>\u00a0<strong>10, 21-24). O testemunho da sobrinha Margarida adianta que foi \u201csempre muito humilde, com poucas posses mas de cora\u00e7\u00e3o grande de tempo para os outros\u201d. Vamos apresentar alguns tra\u00e7os vincados, servindo-nos de breves relatos de quem a conheceu de perto.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>Militante da Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>A diocese de Aveiro regista, na d\u00e9cada de 60, uma animada movimenta\u00e7\u00e3o dos organismos da Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica. A par\u00f3quia de \u00cdlhavo marca uma presen\u00e7a not\u00e1vel. O P. Sebasti\u00e3o Rendeiro \u00e9 assistente diocesano, ele que havia estado em \u00cdlhavo v\u00e1rios anos e a esta par\u00f3quia voltaria, ap\u00f3s a nomea\u00e7\u00e3o do prior J\u00falio Rebimbas para bispo do Algarve. Duas sec\u00e7\u00f5es da Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica: a da JOC\/F na Vista Alegre e a da JAC\/F no Vale de \u00cdlhavo v\u00eam formando jovens e irradiando o seu movimento nos ambientes locais h\u00e1 v\u00e1rios anos. Destas sec\u00e7\u00f5es partiram dirigentes diocesanos e nacionais. Por aqui anda a Mariazinha.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>\u201cA Celebra\u00e7\u00e3o do Dia da JOC Internacional\u201d, pode ler-se na tese de doutoramento do P. Georgino Rocha, \u00e9 feita em \u00cdlhavo a 24 de Julho de 1966, como coroamento da campanha do ano em que participam cerca de 2.000 jovens provindos dos quatro cantos da Diocese\u201d. E o relato afirma ser uma jornada-acontecimento em que \u00abos jovens cantam, rezam, comungam, tocam, dan\u00e7am, confraternizam entusiasmados pelo calor da amizade, fascinados por ideais que os enchem at\u00e9 ao \u00edntimo\u00bb. \u00cdlhavo vem \u00e0 rua e vive intensamente esta Dia. Assim muitos outros jovens s\u00e3o atingidos e despertos para valores novos que a JOC vive e promove. (Volume II, p\u00e1g 145).<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>Doada ao Senhor Jesus para servir com liberdade<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>\u201cE agora?, pergunta ao confessor. Por limite de idade tenho de deixar a JOC. N\u00e3o fiquei solteira para me acomodar. Conhece algum movimento ou associa\u00e7\u00e3o em que me possa integrar?\u201d E o jovem padre responde cheio de bom senso e de ousadia confiante: \u201cCertamente que j\u00e1 tentou, n\u00e3o \u00e9 verdade? Mas eu, se n\u00e3o conhecer, procuro; e se n\u00e3o existir, vamos inici\u00e1-lo. O seu desejo cont\u00e9m um g\u00e9rmen que augura coisas novas. Conv\u00e9m estarmos atentos ao que o Esp\u00edrito Santo nos quer propor\u201d. E n\u00e3o demorou muito. A realidade estava a clamar nas necessidades verificadas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>Cofundadora dos visitadores dos doentes ao domic\u00edlio<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>Deus surpreende sempre, mesmo quando se est\u00e1 em busca. \u201c\u00c9 de salientar o movimento surgido em \u00cdlhavo, em 1967 por iniciativa de Maria Capela, de Maria Vizinho e do P. Georgino Rocha, narra Jos\u00e9 Carlos Costa no seu livro \u00abPeda\u00e7os de Sa\u00fade: Para um bem integral\u00bb p\u00e1g. 251, iniciativa que vinha a fermentar j\u00e1 h\u00e1 alguns meses e se materializa na prepara\u00e7\u00e3o mais intensa para este servi\u00e7o. E o relato continua aduzindo factos, de que se salienta a participa\u00e7\u00e3o no congresso promovido pelo Centro Internacional \u00abVoluntari de la Sofferenza\u00bb, em F\u00e1tima. A tem\u00e1tica tem como n\u00facleo central \u201cO doente ao servi\u00e7o da comunidade crist\u00e3, \u00e0 luz dos ensinamentos de Paulo VI e do II Conc\u00edlio do Vaticano\u201d.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>Outras iniciativas de vulto se seguiram. O objectivo era\/\u00e9 o de avivar na pessoa doente a sua dignidade e valor; de acompanhar as fam\u00edlias que o desejem e n\u00e3o apenas fazer visitas; de motivar o doente para \u201cser ap\u00f3stolo\u201d de outros doentes.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>A Mariazinha \u00e9 a primeira respons\u00e1vel juntamente com o Prior P. Urbino, em \u00cdlhavo, at\u00e9 2000 e colabora com o P. Georgino nos servi\u00e7os pastorais da diocese procurando difundir e organizar o movimento e apoiando dona Armanda Guedes, entretanto nomeada coordenadora.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>\u00a0Membro do Instituto Caritas Christi<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>O desejo de perfei\u00e7\u00e3o espiritual como fonte de fecundidade apost\u00f3lica impele a Mariazinha a \u201cbater \u00e0 porta\u201d do instituto Caritas Christi. Queria \u201cviver o seu \u00abSim\u00bb incondicional\u201d. Depois da inicia\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel, entra em 1966. Conta agora com novo suporte para manter em \u201calta\u201d o vigor daquele sim. E realiza diversas fun\u00e7\u00f5es, designadamente dois mandatos de respons\u00e1vel diocesana e de v\u00e1rios retiros. Quem com ela conviveu atesta ser uma \u201ctestemunha muito fiel, silenciosa, orante, dispon\u00edvel para os outros, simples, amiga de servir\u201d. (Circular Nacional, Fevereiro 2017, n\u00ba 10, p. 9).<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>Doente dependente: uma nova luz\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>A doen\u00e7a de Parkinson manifesta-se em 2005, ano em que morre Jo\u00e3o Paulo II que sofreu do mesmo tormento. A Mariazinha dizia \u201cque um dia morreria como ele sem conseguir falar ou caminhar\u201d. E assim aconteceu. Esteve dependente de terceiros durante nove anos, \u201cmas com o seu juizinho todo\u201d.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>\u201cDizia isto completamente conformada e nunca lhe conhecemos qualquer revolta perante esta cruz que Deus lhe deu no final de vida\u201d. E a referida circular termina a not\u00edcia do seu falecimento, ocorrido a 1 de Dezembro de 2017, nestes termos: \u201cAgora mais perto do Pai, rezemos-lhe para que seja nossa intercessora. Paz \u00e0 sua alma!\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>A miseric\u00f3rdia brilha no rosto da Mariazinha Capela: na vida e ac\u00e7\u00e3o, disponibilidade e servi\u00e7o, sa\u00fade e doen\u00e7a. Sob o olhar de Deus Pai, doava-se por amor. Detestava a acomoda\u00e7\u00e3o. Sentia a felicidade do estilo de vida evang\u00e9lico, o das bem-aventuran\u00e7as.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>Santos ao p\u00e9 da porta<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>O legado espiritual da Mariazinha integra-se, sem d\u00favida, na feliz designa\u00e7\u00e3o \u201csantos ao p\u00e9 da porta\u201d do Papa Francisco ao lan\u00e7ar-nos o apelo \u00e0 santidade: \u201cAlegrai-vos e exultai\u201d. Diz ele: \u201cGosto de ver a santidade no povo paciente de Deus: nos pais que criam os seus filhos com tanto amor, nos homens e mulheres que trabalham a fim de trazer o p\u00e3o para casa, nos doentes, nas consagradas idosas que continuam a sorrir. Nesta const\u00e2ncia de continuar a caminhar dia ap\u00f3s dia, vejo a santidade da Igreja militante. Esta \u00e9 muitas vezes a santidade \u00abao p\u00e9 da porta\u00bb, daqueles que vivem perto de n\u00f3s e s\u00e3o um reflexo da presen\u00e7a de Deus, ou \u2013 por outras palavras \u2013 da \u00abclasse m\u00e9dia da santidade\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ROSTO DE MISERIC\u00d3RDIA<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3863,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,91,50,15],"tags":[],"class_list":["post-3862","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-olhares-ii","category-pe-georgino-rocha","category-rostos-de-misericorida"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3862","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3862"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3862\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3864,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3862\/revisions\/3864"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3863"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3862"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3862"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3862"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}