{"id":3812,"date":"2018-04-10T09:43:30","date_gmt":"2018-04-10T08:43:30","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=3812"},"modified":"2018-04-10T09:43:30","modified_gmt":"2018-04-10T08:43:30","slug":"juntos-discernir-a-opcao-a-tomar-e-o-caminho-a-seguir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/juntos-discernir-a-opcao-a-tomar-e-o-caminho-a-seguir\/","title":{"rendered":"Juntos, discernir: a op\u00e7\u00e3o a tomar e o caminho a seguir"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">JUNTOS, DISCERNIR<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">A OP\u00c7\u00c3O A TOMAR E O CAMINHO A SEGUIR<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Pe. Georgino Rocha<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O recurso ao discernimento como ci\u00eancia de ac\u00e7\u00e3o pastoral vem merecendo aten\u00e7\u00e3o crescente. O mesmo acontece noutras \u00e1reas do agir humano. A complexidade das situa\u00e7\u00f5es a urgir respostas acertadas e oportunas, a consci\u00eancia da dignidade das pessoas envolvidas ou a envolver, o impacto das tecnologias e dos processos educativos, a aplica\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o racional de recursos, a par de muitos outros factores suscitam uma nova sensibilidade social e apost\u00f3lica. E assim, ganha for\u00e7a o aforismo antigo: O que a todos diz respeito por todos deve ser resolvido. Como? \u00c9 pergunta que deixa em aberto o desafio de saber organizar a participa\u00e7\u00e3o a todos os n\u00edveis em que a sociedade se organiza e a Igreja se configura. O Esp\u00edrito Santo quer precisar das nossas media\u00e7\u00f5es humanas para agir livremente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O recurso \u00e0 experi\u00eancia dos povos, designadamente entre n\u00f3s aos estudos b\u00edblicos, constitui uma fonte de inspira\u00e7\u00e3o que abre horizontes rasgados a quem \u201cnavega nestas \u00e1guas\u201d. N\u00e3o falta literatura qualificada sobre esta mat\u00e9ria. O programa pastoral 2017\/18 da diocese de Aveiro tem como refer\u00eancia fundante o texto de Marcos 6, 34-44. Texto com uma densidade humana rica e grande alcance simb\u00f3lico. Cont\u00e9m o n\u00facleo germinal do discernimento como ac\u00e7\u00e3o pastoral concertada, organizada. Com natural espontaneidade e alguma reflex\u00e3o, surgem alguns passos que conv\u00e9m destacar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus e os acompanhantes deparam-se com uma situa\u00e7\u00e3o preocupante: A multid\u00e3o, em emerg\u00eancia alimentar. Face a isto, a pergunta normal ser\u00e1: Como se manifesta e configura? Que se observa de mais relevante? O texto descreve as suas principais caracter\u00edsticas: As pessoas estavam como ovelhas sem pastor, isto \u00e9 entregues a si mesmas, expostas a tudo, cansadas, sem alimento. Mais elementos s\u00e3o apresentados pelos outros evangelistas. S\u00f3 a partir do conhecimento da realidade \u00e9 que se pode avan\u00e7ar na ac\u00e7\u00e3o, de modo inteligente. Para conhecer a realidade \u00e9 preciso ver a verdade, sem lentes redutoras ou coloridas, e deixar-se envolver pela compaix\u00e3o. Quanto trabalho espiritual se torna necess\u00e1rio para cultivar a liberdade interior e a lucidez mental! Quanta arte se exige para gerir emo\u00e7\u00f5es precipitadas pelo \u201cj\u00e1 pensei e agora dizei v\u00f3s\u201d, as generaliza\u00e7\u00f5es abstractas e aproxima\u00e7\u00f5es deformantes! A refer\u00eancia a \u201ccasos\u201d parecidos nesta fase do processo pode ser perigosa e redutora. A limpidez do olhar e a abertura \u00e0 perspectiva do outro constituem regras de ouro de todo o discernimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 a realidade sentida com compaix\u00e3o nos faz assumir como nossa a causa dos outros, sobretudo se est\u00e3o em grave necessidade. E nos impele a querer ajudar a resolv\u00ea-la por raz\u00f5es expl\u00edcitas: a comum humanidade, a solidariedade, a coer\u00eancia entre o que se diz como mensagem e o que se faz como pr\u00e1tica, a vontade positiva de encontrar uma solu\u00e7\u00e3o \u00e9tica vi\u00e1vel. Outras h\u00e1, com certeza. \u00c9 indispens\u00e1vel ter consci\u00eancia das raz\u00f5es do nosso agir e explica-las a fim de motivar as pessoas envolvidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O processo de discernimento pode ser influenciado por factores exteriores. No texto b\u00edblico mencionam-se o cair da tarde e o local deserto. Mas h\u00e1 tamb\u00e9m a press\u00e3o interior que se manifesta no conselho dos disc\u00edpulos a Jesus: despede o povo; ele que se arranje; v\u00e1 aos campos e \u00e0s povoa\u00e7\u00f5es. E o pobre povo ficaria por a\u00ed errante e faminto. Esta n\u00e3o \u00e9 a atitude crist\u00e3. Pelas raz\u00f5es indicadas e por outras que fazem parte da mensagem crist\u00e3. Esta passagem \u00e9 t\u00e3o elucidativa e interpelante! Constitui um verdadeiro acicate para o nosso (poss\u00edvel) cansa\u00e7o pastoral, fonte de desinteresse antes do fim do processo de ajuda. Tamb\u00e9m \u00e9 eloquente a atitude de Jesus. Podia sozinho resolver a quest\u00e3o. F\u00ea-lo tantas vezes! Mas n\u00e3o. A habilita\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos passa por outra atitude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus \u00e9 taxativo: \u201cV\u00f3s \u00e9 que tendes de lhes dar de comer\u201d. E o di\u00e1logo prossegue com pergunta e resposta. Fase de aprofundamento da op\u00e7\u00e3o. O problema agora \u00e9 nosso. A esperan\u00e7a est\u00e1 posta em n\u00f3s. N\u00e3o podemos\/devemos defraudar as pessoas, nem substitu\u00ed-las simplesmente. Todos t\u00eam capacidades, ainda que reduzidas. S\u00f3, sendo envolvidas, podem desenvolver-se e estar aptas para assumir os desafios da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vencido o medo de gastar da bolsa comum, sempre paralisante, os disc\u00edpulos cooperam generosamente. Descobrem um rapazinho com o farnel. Motivam-no para que o ceda a Jesus. Assim acontece. Trazem-no e fazem-lhe a entrega. Que maravilha encontramos nesta ocorr\u00eancia! Um rapazinho, perdido na multid\u00e3o, converte-se em sinal de esperan\u00e7a para todos. E faz a partilha do que lhe seria indispens\u00e1vel. Vale a pena ponderar bem onde podem estar os recursos para o discernimento, que facilitam uma op\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel e reclamam uma organiza\u00e7\u00e3o eficaz. E fica para sempre o imperativo de ac\u00e7\u00e3o: Ide ver o que h\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O processo est\u00e1 em curso. Ningu\u00e9m quebra a confian\u00e7a nem obstaculiza a coordena\u00e7\u00e3o. Jesus d\u00e1 um passo mais: Manda que organizem a multid\u00e3o em grupos de pessoas; sentadas; confiantes. \u201cToma os cinco p\u00e3es e os dois peixes, ergue os olhos ao c\u00e9u, pronuncia a b\u00ean\u00e7\u00e3o, parte os p\u00e3es e ia-os dando aos disc\u00edpulos\u201d. E Marcos continua, destacando a tarefa correspondente. E o mesmo ocorre com os peixes. Assim, a comida chega a cada um e todos ficam saciados. E acontece o que parecia imposs\u00edvel. Sem ningu\u00e9m se sentir dispensado. Com o concurso de cada um. \u201cTodos ficaram satisfeitos\u201d. Que indica\u00e7\u00e3o preciosa para humanizarmos os nossos processos de comunh\u00e3o eclesial e de colabora\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica. E nada se perde. Nem o que sobrou de tanta abund\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O alcance simb\u00f3lico do proceder de Jesus abre novos horizontes. \u00c9 a Eucaristia que surge como celebra\u00e7\u00e3o festiva em que Jesus nos associa ao seu modo de ser e de proceder. H\u00e1 que ser coerentes e colher do seu exemplo a indica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica para a nossa fidelidade criativa. O discernimento impele \u00e0 ac\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica: a multid\u00e3o regressa a casa, seu primeiro espa\u00e7o de vida e miss\u00e3o; os disc\u00edpulos partem para novos territ\u00f3rios, al\u00e9m rio; Jesus recolhe-se e reza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com for\u00e7as revigoradas, d\u00e1 conta que anoitece e que os disc\u00edpulos est\u00e3o aflitos. O mar revolto amea\u00e7a a barca e eles correm perigo. Uma opera\u00e7\u00e3o de salvamento era necess\u00e1ria. E surge uma nova oportunidade de ac\u00e7\u00e3o concertada. De, juntos, discernir a op\u00e7\u00e3o operativa a tomar e o caminho sequenciado a seguir.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>JUNTOS, DISCERNIR A<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3813,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,91,50,14],"tags":[],"class_list":["post-3812","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-olhares-ii","category-pe-georgino-rocha","category-temas-para-debate"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3812","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3812"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3812\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3814,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3812\/revisions\/3814"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3813"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3812"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3812"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3812"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}