{"id":3759,"date":"2018-04-03T17:26:43","date_gmt":"2018-04-03T16:26:43","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=3759"},"modified":"2018-04-03T17:26:43","modified_gmt":"2018-04-03T16:26:43","slug":"aleluia-jesus-o-senhor-convive-connosco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/aleluia-jesus-o-senhor-convive-connosco\/","title":{"rendered":"Aleluia! Jesus, o Senhor, convive connosco"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><strong>Aleluia!<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><strong>JESUS, O SENHOR, CONVIVE CONNOSCO<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><strong>Pe. Georgino Rocha<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>\u00c9 ao cair da tarde. Em Jerusal\u00e9m, cidade onde h\u00e1 dias havia ocorrido a morte por crucifix\u00e3o de Jesus de Nazar\u00e9. A noitinha est\u00e1 prestes a chegar. Come\u00e7am a rarear os \u00faltimos clar\u00f5es de luz. A hora do tempo marca o ritmo do cora\u00e7\u00e3o e indicia o estado de \u00e2nimo dos disc\u00edpulos: Esperan\u00e7a muito em baixo. Refugiados em casa, est\u00e3o cheios de medo e com as portas trancadas. Sobretudo as do esp\u00edrito encerrado ao futuro imediato. O desfecho dos seus sonhos, que duraram quase tr\u00eas anos, deixou-os em estado de choque. O Rabi, o Mestre em quem haviam depositado total confian\u00e7a, teve morte tr\u00e1gica. V\u00edtima de um processo in\u00edquo, em que se empenharam as for\u00e7as religiosas e pol\u00edticas. A hora era de trevas e nem sequer os sem\u00e1foros da esperan\u00e7a estavam ligados e a funcionar. J\u00e1 s\u00f3 restava a saudade avolumada pela revisita\u00e7\u00e3o das suas atitudes na ceia de despedida, no jardim das Oliveiras e na agonia, na pris\u00e3o e em outros passos dados a caminho do Calv\u00e1rio. Retinham, como mem\u00f3ria emblem\u00e1tica, a liberdade de Jesus, a dignidade do seu comportamento, a determina\u00e7\u00e3o e firmeza dos seus gestos. Viviam a vibra\u00e7\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es sentidas e o sabor amargo da deslealdade e da debandada. Estavam abatidos e procuram seguran\u00e7a numa casa, onde se protegiam uns aos outros enquanto surgiam perguntas angustiadas: E agora, que vai ser de n\u00f3s? Ser\u00e1 conhecido o nosso esconderijo? Vir\u00e3o \u00e0 nossa procura? Que nos far\u00e3o? E muitas outras.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>Jesus apresenta-se no meio deles. De modo simples. Sempre Ele a tomar a iniciativa, a surpreender. E sa\u00fada-os amigavelmente: \u201cA paz esteja convosco\u201d. Jo\u00e3o, o narrador do epis\u00f3dio (Jo 20, 19-31), n\u00e3o faz alus\u00e3o a qualquer censura pelo passado recente. Apenas refere que lhes mostra as m\u00e3os e o lado, com as cicatrizes da paix\u00e3o, sinais da sua identidade de crucificado. N\u00e3o haja d\u00favidas. \u00c9 Ele mesmo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>Uma nova aurora come\u00e7a a despontar: O esp\u00edrito desanuvia-se, a esperan\u00e7a renasce e o cora\u00e7\u00e3o enche-se de alegria. Este movimento interior \u00e9 estimulado por Jesus ressuscitado que prossegue: \u201cA paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, tamb\u00e9m Eu vos envio a v\u00f3s\u201d. E para os guiar na miss\u00e3o e garantir a fidelidade na comunica\u00e7\u00e3o da mensagem, acrescenta: \u201cRecebei o Esp\u00edrito Santo. \u00c0queles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-\u00e3o perdoados; e \u00e0queles a quem os retiverdes, ser-lhes-\u00e3o retidos\u201d. Que contraste de atitudes! Que confian\u00e7a acrescida e credenciada! Que tesouro lhes deixa em pobres \u201cm\u00e3os de barro\u201d!<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>E a miss\u00e3o come\u00e7a pelos de casa. Tom\u00e9, o ausente, recebe a boa not\u00edcia: \u201cVimos o Senhor!\u201d. E reage com prud\u00eancia. O an\u00fancio vinha de quem se tinha \u201cportado mal\u201d, negando-o e fugindo. A novidade ultrapassa a imagina\u00e7\u00e3o, o que a raz\u00e3o humana pode alcan\u00e7ar. \u00c9 arriscado aceitar, sem provas, o testemunho dado. A cautela \u00e9 a melhor conselheira, reconhece o disc\u00edpulo prudente. Por isso quer ver o sinal dos cravos, quer meter a m\u00e3o no peito aberto pela lan\u00e7a, quer fazer a experi\u00eancia dos sentidos, tocando as cicatrizes das chagas. E este desejo, vai ser satisfeito.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>Passados oito dias, Jesus mostra-se de novo. Agora, Tom\u00e9 est\u00e1 no grupo, na comunidade reunida. Faz a sauda\u00e7\u00e3o da paz e dirige-se a ele, dizendo: \u201cP\u00f5e aqui o teu dedo e v\u00ea as minhas m\u00e3os; aproxima a tua m\u00e3o e mete-a no meu lado e n\u00e3o sejas incr\u00e9dulo, mas crente\u201d. A oferta supera a exig\u00eancia, o amor aproxima a dist\u00e2ncia e a miseric\u00f3rdia faz-se compaix\u00e3o. E Tom\u00e9 nem precisa de tanta solicitude. A exclama\u00e7\u00e3o sai-lhe espont\u00e2nea e convicta: \u201cMeu Senhor e meu Deus!\u201d. \u00c9 a f\u00e9 de aceita\u00e7\u00e3o incondicional, superadas as d\u00favidas leg\u00edtimas. \u00c9 a resposta humana razo\u00e1vel tocada pela luz divina. \u00c9 o encontro pessoal de quem faz uma experi\u00eancia marcante geradora de novos dinamismos de rela\u00e7\u00e3o filial e de adora\u00e7\u00e3o contemplativa.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>O Evangelho de Jo\u00e3o \u00e9 escrito para os crist\u00e3os que n\u00e3o viram Jesus, mas est\u00e3o chamados a ser disc\u00edpulos, a viver a alegria da f\u00e9. \u201cFelizes os que acreditam sem terem visto\u201d, afirma Jesus abrindo horizontes de bem-aventuran\u00e7a a todas as gera\u00e7\u00f5es de fi\u00e9is seguidores, a n\u00f3s portanto. Que maravilha! Vale a pena meditar esta verdade interpelante e consoladora.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>Jo\u00e3o conclui a narra\u00e7\u00e3o dando a garantia de que Jesus fez muitas outras coisas que n\u00e3o est\u00e3o escritas no seu livro, mas estas ficam como registo de factos ao servi\u00e7o da f\u00e9 em Jesus, o Filho de Deus, o Messias que d\u00e1 a vida a quem acredita em seu nome. E desde ent\u00e3o, a hist\u00f3ria mostra tantas maravilhas que o Senhor Jesus realiza por meio de quem O segue com fidelidade criativa. E tamb\u00e9m muitas omiss\u00f5es e desvios que, no dizer do Papa Francisco, nos devem causar vergonha e esperan\u00e7a.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>No final da Via Sacra, no Coliseu em Roma, a 30 de Mar\u00e7o de 2018, reza dirigindo-se a Jesus Crucificado: \u201cSenhor Jesus, a v\u00f3s dirigimos o nosso olhar cheio de vergonha, de arrependimento e de esperan\u00e7a&#8230; Vergonha, por deixarmos aos jovens um mundo dilacerado e dividido, devorado pelas guerras, pelo ego\u00edsmo, pela marginaliza\u00e7\u00e3o. Enfim, vergonha por termos perdido a vergonha. Senhor, dai-nos sempre a gra\u00e7a da santa vergonha!\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><b style=\"font-weight: 400;\">E prossegue a sua ora\u00e7\u00e3o cheia de emo\u00e7\u00e3o confiante: \u201cEsperan\u00e7a, porque o vosso sacrif\u00edcio continua, ainda hoje, a exalar o perfume do amor divino, que acaricia os cora\u00e7\u00f5es de tantos jovens, que ainda vos consagram as suas vidas, tornando-se exemplos vivos de caridade e <\/b><b>gratuitidade<\/b><b style=\"font-weight: 400;\">\u00a0neste nosso mundo devorado pela l\u00f3gica da explora\u00e7\u00e3o e do ganho f\u00e1cil; esperan\u00e7a, porque tantos mission\u00e1rios e mission\u00e1rias continuam a arriscar suas vidas para servir-vos\u2026 esperan\u00e7a, porque a vossa Igreja continua a iluminar, encorajar, aliviar e dar testemunho do vosso amor incomensur\u00e1vel.<\/b><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>A santa esperan\u00e7a nasce da cruz e da Ressurrei\u00e7\u00e3o; elas nos ensinam que o amor de Jesus \u00e9 a nossa esperan\u00e7a! Senhor Jesus, livrai-nos da arrog\u00e2ncia! Senhor Jesus, dai-nos sempre a gra\u00e7a da santa esperan\u00e7a!\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>A nova presen\u00e7a de Jesus acontece, segundo Jo\u00e3o, nos sinais que narra e em muitos outros. No texto de hoje, destaca a passagem do medo \u00e0 paz do esp\u00edrito, a comunidade reunida e aberta \u00e0 novidade do perd\u00e3o, a escuta da Palavra testemunhada, a reconcilia\u00e7\u00e3o fraterna, fruto da penit\u00eancia sacramental dos pecados, a celebra\u00e7\u00e3o da eucaristia e o amor ao domingo, dia escolhido por Ele para se manifestar aos seus amigos, o envio do Esp\u00edrito, garante da miss\u00e3o confiada \u00e0 sua Igreja.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>Jesus, o Senhor, est\u00e1 ao alcance do nosso olhar; procura v\u00ea-lo nos sinais que nos deixa e corresponder-Lhe na ora\u00e7\u00e3o e no servi\u00e7o; est\u00e1 no meio de n\u00f3s, sempre que nos reunimos em seu nome; est\u00e1 e convive connosco nos esfor\u00e7os de cada um\/a por uma vida digna de todos\/as, na alegria dos que irradiam o amor com que Deus Pai nos ama. Aleluia!<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aleluia! 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