{"id":3745,"date":"2018-04-02T01:33:13","date_gmt":"2018-04-02T00:33:13","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=3745"},"modified":"2018-04-02T01:33:13","modified_gmt":"2018-04-02T00:33:13","slug":"a-impressionante-morte-de-jesus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/a-impressionante-morte-de-jesus\/","title":{"rendered":"A impressionante morte de Jesus"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><strong>A IMPRESSIONANTE MORTE DE JESUS<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><strong>Pe. Georgino Rocha<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>Jo\u00e3o, o ap\u00f3stolo predilecto, \u00e9 testemunha da morte de Jesus, juntamente com algumas mulheres, de que se destaca Maria, a M\u00e3e. E descreve os momentos principais dos instantes derradeiros que, com alguns elementos dos outros evangelistas, nos oferecem um quadro exemplar da \u201carte de bem morrer\u201d, da boa morte. A situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o podia ser mais dram\u00e1tica: insultos dos ladr\u00f5es crucificados, mofa dos soldados romanos, no of\u00edcio de algozes e vigias, Jo\u00e3o e a M\u00e3e de Jesus com o pequeno grupo de mulheres indefect\u00edveis. A ver o acontecimento est\u00e1 o centuri\u00e3o. A dar sinais do sucedido fica o templo e o universo. E, n\u00f3s \u00e0 dist\u00e2ncia que o cora\u00e7\u00e3o aproxima, contemplamos com devo\u00e7\u00e3o o evoluir da vida do Nazareno prestes a findar-se. Ele, o agonizante, \u00e9 o protagonista. Entregando o esp\u00edrito entre gritos e l\u00e1grimas. Com dignidade. Em liberdade. Com confian\u00e7a filial.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>Jesus toma a iniciativa. De sil\u00eancio e respeito, para com o ladr\u00e3o revoltado e injurioso; de aceita\u00e7\u00e3o benevolente do pedido do ladr\u00e3o arrependido; de entrega da M\u00e3e a Jo\u00e3o e desta \u00e0quela; de reclinar a cabe\u00e7a, antes de confiar ao Pai o seu esp\u00edrito. Que maravilha, humanamente falando! Tudo prev\u00ea em harmonia. Tudo deixa a indicar que a miss\u00e3o fora cumprida com perfei\u00e7\u00e3o. Tudo com enorme dignidade.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>E parecia ser t\u00e3o natural e humano agir de modo diferente. Ao ladr\u00e3o revoltado dizer-lhe: recebes o que mereces; ao arrependido, ainda bem que reconheces; \u00e0 M\u00e3e e a Jo\u00e3o, n\u00e3o se esque\u00e7am de mim e guardem a minha mem\u00f3ria; aos soldados vigilantes, satisfazer-lhes o desejo vencendo o desafio. Mas a atitude de Jesus manifesta a novidade do ser humano t\u00e3o diferente que \u201ctranspira\u201d de divino. N\u00e3o desce da cruz, dando provas de um amor inexced\u00edvel e da justeza da op\u00e7\u00e3o tomada livremente; n\u00e3o se preocupa pela sua mem\u00f3ria ef\u00e9mera (havia previsto outra presen\u00e7a na ceia e no mandamento novo); n\u00e3o retribui os ladr\u00f5es com repreens\u00f5es e censuras; n\u00e3o condiciona a natureza e demais elementos da cria\u00e7\u00e3o, mantendo-os fora do que lhe estava a acontecer. De facto, Deus humanado em Jesus \u00e9 totalmente diferente. O epis\u00f3dio do Calv\u00e1rio manifesta-o claramente. E fica como s\u00edmbolo emblem\u00e1tico para todo o sempre. Olhar para ele \u00e9 ver o vis\u00edvel e admirar o Invis\u00edvel. V\u00eaem-se dores, descobrem-se amores. V\u00eaem-se trevas, descobrem auroras da P\u00e1scoa. V\u00eaem-se l\u00e1grimas de desola\u00e7\u00e3o, descobrem-se sinais de j\u00fabilo e consola\u00e7\u00e3o. S\u00f3 a f\u00e9 no Crucificado\/Ressuscitado abre o acesso a esta realidade nova.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><b style=\"font-weight: 400;\">\u201cTudo est\u00e1 consumado\u201d, isto \u00e9, tem o sumo de Jesus, a sua energia vital, o seu amor de reconcilia\u00e7\u00e3o, a sua solidariedade definitiva. Em vez de divis\u00f3rias, como as do v\u00e9u do Templo e tantos outros muros e obst\u00e1culos, surgem pontes de uni\u00e3o e m\u00e3os estendidas de comunh\u00e3o; em vez de vidas acomodadas na autossufici\u00eancia, brotam atitudes de entrega generosa e <\/b><b>her\u00f3ica<\/b><b style=\"font-weight: 400;\">; em vez de horizontes fechados no tempo fugaz, desvenda-se o futuro de esperan\u00e7a que emerge no presente em gestos de caridade radical. O \u201csumo\u201d de Jesus est\u00e1 agora nas nossas m\u00e3os e pretende revitalizar as nossas energias de cansados peregrinos da vida aut\u00eantica, de sonhadores\/construtores de um mundo melhor. Ele \u00e9 verdadeiramente para n\u00f3s con-sumo.<\/b><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>O centuri\u00e3o e seus acompanhantes ao verem o sucedido fazem uma declara\u00e7\u00e3o de f\u00e9 reconhecida: \u201cEste era verdadeiramente Filho de Deus\u201d. Eles, os representantes do poder opressor que havia condenado Jesus como subversivo, al\u00e9m de outras raz\u00f5es invocadas pelos judeus; eles, os vigilantes das atitudes do agonizante que, em desabafo suplicante, se queixava da sede ardente que o atormentava; eles os que faziam mofa e gestos ofensivos e n\u00e3o davam quaisquer sinais de pena compassiva. O olhar levou-os mais longe e tocou-lhes o cora\u00e7\u00e3o. E o reconhecimento surge espont\u00e2neo: O Filho de Deus morre, ap\u00f3s sofrimento atroz com gritos e l\u00e1grimas de dor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>A narrativa de Jo\u00e3o, afirma L. Manicardi (no livro Coment\u00e1rios \u00e0 Liturgia, ano b, p\u00e1g. 65), \u201cmostra a paix\u00e3o daquele que \u00e9 o revelador do Pai em todos os seus gestos e atos, de modo que a paix\u00e3o se assemelha a uma entroniza\u00e7\u00e3o real; a crucifica\u00e7\u00e3o, a uma eleva\u00e7\u00e3o; e a morte, a um acontecimento glorioso\u201d.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>Vis\u00e3o grandiosa, diremos, pr\u00f3pria da f\u00e9 em Cristo Senhor que mostra a for\u00e7a do amor de doa\u00e7\u00e3o incondicional por cada um\/a de n\u00f3s, por toda a humanidade, pela cria\u00e7\u00e3o inteira. Com liberdade plena, a tudo se sujeita, tal o amor que nos tem.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>Jesus assume livremente a morte, n\u00e3o por ser inconsciente ou por vontade de sofrer por masoquismo ou vangl\u00f3ria. Mas para levar por diante a realiza\u00e7\u00e3o do projecto de salva\u00e7\u00e3o de Deus que brilha na sua rela\u00e7\u00e3o filial com Ele, na comunh\u00e3o de todos seres humanos com Deus e entre si, no respeito e cuidado pela cria\u00e7\u00e3o, obra admir\u00e1vel do Criador confiada \u00e0 solicitude do nosso cuidado. \u00c9 uma liberdade obediente, pois lan\u00e7a ra\u00edzes na verdade, sabe o que quer e prossegue-o at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias; \u00e9 uma liberdade do desejo, expressa na atitude ardente de fazer a ceia de despedida dos disc\u00edpulos e no grito da sede na agonia; \u00e9 uma liberdade de doa\u00e7\u00e3o que gera vida e comunh\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>\u201cA gl\u00f3ria do amor vence a morte e ressignifica-a, fazendo-a ocasi\u00e3o de um dom\u2026 A cruz \u00e9 eleva\u00e7\u00e3o e ju\u00edzo sobre o mundo, \u00e9 ir para o Pai, \u00e9 um \u00eaxodo em direc\u00e7\u00e3o ao Pai. Uma P\u00e1scoa, uma passagem deste mundo para o Pai\u201d, afirma Manicardi na obra citada.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>A semente para ser fecunda n\u00e3o pode continuar no celeiro, tem de ser lan\u00e7ada \u00e0 terra e passar por fases sucessivas de vida crescente. Tamb\u00e9m os seres humanos. O caminho est\u00e1 aberto. E n\u00f3s somos os caminhantes, os peregrinos que vivem j\u00e1, em prim\u00edcias, o que desejam alcan\u00e7ar. H\u00e1 trevas a superar e sil\u00eancios a viver. At\u00e9 que chegue a aurora da ressurrei\u00e7\u00e3o feliz.\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A IMPRESSIONANTE MORTE<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3746,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,91,50,14],"tags":[],"class_list":["post-3745","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-olhares-ii","category-pe-georgino-rocha","category-temas-para-debate"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3745","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3745"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3745\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3747,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3745\/revisions\/3747"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3746"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3745"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3745"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3745"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}