{"id":346,"date":"2017-04-03T16:30:46","date_gmt":"2017-04-03T16:30:46","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=346"},"modified":"2017-05-19T13:58:41","modified_gmt":"2017-05-19T13:58:41","slug":"rostos-de-misericordia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/rostos-de-misericordia\/","title":{"rendered":"ROSTOS DE MISERIC\u00d3RDIA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>ALICE CAVADINHA MAGALH\u00c3ES E ARM\u00c9NIO ALVES DA COSTA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><br \/>\nGeorgino Rocha<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong style=\"font-size: 1.8rem;\">Alice Cavadin<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-239 alignleft\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/GRocha.jpg\" alt=\"\" width=\"149\" height=\"215\" \/>ha Magalh\u00e3es e Arm\u00e9nio Alves da Costa nascem no Brasil, respectivamente no Rio de Janeiro e em Bel\u00e9m no in\u00edcio do s\u00e9culo vinte, filhos de emigrantes do Porto, v\u00eam depois para Portugal com as suas fam\u00edlias, conhecem-se e casam, e v\u00e3o morar para S. Jer\u00f3nimo de Real, par\u00f3quia de Braga. S\u00e3o pais\u00a0de uma fam\u00edlia numerosa, nascendo a primeira filha em 1927.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Era o tempo do\u00a0fim da primeira rep\u00fablica, com o General Gomes da Costa a levantar-se em armas e a promover a revolu\u00e7\u00e3o de resgaste da dignidade nacional ferida pela situa\u00e7\u00e3o de mis\u00e9ria vivida e de pol\u00edtica criada. Era o tempo de a Igreja, pela voz dos seus Bispos, \u201ctocar a rebate\u201d para convocar os cat\u00f3licos a e<br \/>\nmpreenderem a reconquista crist\u00e3, consignada no Conc\u00edlio Plen\u00e1rio Portugu\u00eas e na Pastoral Colectiva que o promulga. Era o tempo da crise econ\u00f3mica internacional e da ascens\u00e3o ao poder de partidos que vieram a revelar-se totalitaristas. Era o tempo de Pio XI com o seu magist\u00e9rio luminoso a pretender intervir em \u00e1reas decisivas, designadamente na compreens\u00e3o da fam\u00edlia e das pol\u00edticas relacionadas com ela.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Em Real, o casal Alice e Arm\u00e9nio encontra um ambiente social marcado pela indiferen\u00e7a, frio nas rela\u00e7\u00f5es de vizinhan\u00e7a, desordeiro e violento. Ainda se faziam sentir os \u201cares belicosos\u201d dos regressados da I Grande Guerra que ali se acolheram. \u201cA autoridade era um militar que, muitas vezes, se passeava a cavalo\u201d, atesta o P. Valdemar em depoimento no livro \u201cSinfonia\u201d, de que adiante se falar\u00e1. A vida crist\u00e3, por factores v\u00e1rios, de que se destaca a frequente mudan\u00e7a de p\u00e1roco, ia perdendo for\u00e7a, em quantidade de praticantes e em qualidade de devo\u00e7\u00f5es. As tradi\u00e7\u00f5es religiosas mais arreigadas mantinham-se como \u201cpatrim\u00f3nio\u201d comum e enchiam de brio quem promovia as respectivas festas. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Os vizinhos, primeiro, e depois a popula\u00e7\u00e3o vai, gradualmente, dando conta do comportamento do casal e das atitudes das crian\u00e7as que iam nascendo. E dispensa-lhe grande considera\u00e7\u00e3o. \u201cMeus pais bem cedo se evidenciaram pela educa\u00e7\u00e3o e pela proximidade para com toda a gente. Eram muito respeitados, por todos e, sobretudo a partir da minha m\u00e3e\u201d, confessa a filha Assun\u00e7\u00e3o em texto escrito para o presente trabalho.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Passos auspiciosos do Casal<\/strong><\/p>\n<p><strong>A forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 de Alice era s\u00f3lida e abrangente. Beneficiada por um forte testemunho de f\u00e9 dos pais, \u00e9 educada num col\u00e9gio cat\u00f3lico no Porto. A de Arm\u00e9nio vai crescendo progressivamente, sobretudo a partir do exemplo da esposa e da fam\u00edlia, da participa\u00e7\u00e3o num Cursilho de Cristandade e do aproveitamento de outras oportunidades surgidas e procuradas. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Com a ac\u00e7\u00e3o conjunta de ambos, cada um a seu modo, e cultivando um constante e renovado esp\u00edrito de iniciativa, os seus passos \u201cestariam a ser os primeiros e fundamentais passos dos futuros filhos\u201d, confessa o P. Valdemar, que adianta: \u201cAdivinharam-no, sentiram-no e alegraram-se com a maior humildade e satisfa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Alice e Arm\u00e9nio sabem ajudar-se a crescer como casal e geram uma numerosa fam\u00edlia. Os filhos, \u00e0 excep\u00e7\u00e3o de Olinda, Concei\u00e7\u00e3o e Jos\u00e9 que morrem cedo, fazem o percurso normal da exist\u00eancia, cultivando os dons recebidos e valorizados e tomando op\u00e7\u00f5es de realiza\u00e7\u00e3o pessoal abertas ao servi\u00e7o do pr\u00f3ximo: no casamento e no celibato. Dois s\u00e3o ordenados padres diocesanos &#8211; O Valdemar e o Arm\u00e9nio &#8211; e desempenham fun\u00e7\u00f5es pastorais relevantes.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fam\u00edlia: uma \u201cbet\u00e2nia\u201d em Aveiro \u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>A fam\u00edlia, por raz\u00f5es de trabalho, vem para Aveiro em 1947, ficando a viver em Esgueira. Aqui estabelece-se uma forte rela\u00e7\u00e3o de proximidade com o p\u00e1roco, tanto pela colabora\u00e7\u00e3o em alguns servi\u00e7os paroquiais, como tamb\u00e9m influenciada pela presen\u00e7a dos filhos Valdemar e Arm\u00e9nio, seminaristas em Braga. Gra\u00e7as ao grande desejo do p\u00e1roco para que eles viessem para Aveiro, D. Jo\u00e3o Evangelista assume esta causa e consegue do Arcebispo Primaz a transfer\u00eancia. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Passa, depois, a residir junto ao Pa\u00e7o Episcopal, na Vera Cruz, proporcionando um agrad\u00e1vel ambiente familiar a quem lhes bate \u201c\u00e0-porta\u201d para um ser\u00e3o ou uns momentos de s\u00e3 conviv\u00eancia, j\u00e1 iniciados em Esgueira. \u201cEra para mim como que uma \u201cbet\u00e2nia\u201d, no fim dos afazeres di\u00e1rios\u201d reconhece Jo\u00e3o Gaspar, ao tempo secret\u00e1rio de D. Domingos Fernandes. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Procurando dar os tra\u00e7os biogr\u00e1ficos do P. Arm\u00e9nio, no livro \u201cSinfonia\u201d elaborado por D. Manuel Trindade, a pedido do Centro Universit\u00e1rio F\u00e9 e Cultura, o P. Valdemar apresenta as caracter\u00edsticas principais da sua fam\u00edlia afirmando ser uma fam\u00edlia crist\u00e3, numerosa, marcada pelo chamamento de Deus, onde os g\u00e9rmenes iniciais atingiram uma realiza\u00e7\u00e3o admir\u00e1vel de vida, f\u00e9 e cultura, \u201cna qual o Padre Arm\u00e9nio tem uma posi\u00e7\u00e3o bem distinta\u201d. E ao descrever cada uma destas caracter\u00edsticas, destaca em primeiro lugar os \u201cpais, profundamente crentes, traduzindo na vida o mist\u00e9rio da presen\u00e7a de Deus e dos valores de retid\u00e3o; capacidade do servi\u00e7o dos outros e honestidade de vida que derivam do Evangelho\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ALICE CAVADINHA MAGALH\u00c3ES<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":349,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,13,50,15],"tags":[],"class_list":["post-346","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-olhares","category-pe-georgino-rocha","category-rostos-de-misericorida"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/346","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=346"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/346\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":360,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/346\/revisions\/360"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/349"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=346"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=346"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=346"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}