{"id":3385,"date":"2018-02-11T12:58:55","date_gmt":"2018-02-11T12:58:55","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=3385"},"modified":"2018-02-10T14:12:39","modified_gmt":"2018-02-10T14:12:39","slug":"i-domingo-da-quaresma-ano-b","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/i-domingo-da-quaresma-ano-b\/","title":{"rendered":"I Domingo da Quaresma (Ano B)"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\">I Domingo da Quaresma (Ano B)<\/h2>\n<h3 style=\"text-align: center;\">Pe. Franclim Pacheco<\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-3387 aligncenter\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/1-domingo-1024x661.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"413\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/1-domingo-1024x661.jpg 1024w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/1-domingo-300x194.jpg 300w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/1-domingo-768x496.jpg 768w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/1-domingo-600x387.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p><strong>Breve coment\u00e1rio <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto do 1\u00ba Domingo da Quaresma apresenta-nos dois quadros: a tenta\u00e7\u00e3o de Jesus e o in\u00edcio do seu minist\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na primeira parte, apesar da sua brevidade, comparando com Mateus ou Lucas, o texto, mais do que uma apresenta\u00e7\u00e3o de acontecimentos concretos, \u00e9 uma verdadeira catequese, cheia de s\u00edmbolos que devemos entender para descobrir a mensagem proposta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tenta\u00e7\u00e3o est\u00e1 intimamente ligada ao baptismo de Jesus. a cena do Baptismo (Mc 1,9-11) temos a manifesta\u00e7\u00e3o do Pai a mostrar que Jesus \u00e9 Filho de Deus. Na refer\u00eancia \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o (Mc 1,12-13) temos a manifesta\u00e7\u00e3o dos anjos e dem\u00f3nio, mostrando-nos que Jesus \u00e9 verdadeiro homem, pela tenta\u00e7\u00e3o do pecado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mesmo Esp\u00edrito, que desceu sobre Jesus para o consagrar para a miss\u00e3o que est\u00e1 para iniciar, e que outrora conduziu o povo de Israel atrav\u00e9s do deserto para o p\u00f4r \u00e0 prova, agora impele-o para o deserto onde \u00e9 tentado, isto \u00e9, posto \u00e0 prova.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por deserto entende-se o deserto da Judeia, entre Jerusal\u00e9m e Bel\u00e9m, Jord\u00e3o e Mar Morto. Por\u00e9m, o deserto, na B\u00edblia, tem 2 dimens\u00f5es: \u00e9 o lugar povoado por esp\u00edritos malignos, onde o homem tem medo de passar, o lugar da luta interior. Mas tamb\u00e9m \u00e9 o lugar do encontro com Deus, do conv\u00edvio interior com Deus. Deus revela-se face a face com o homem no deserto do Sinai: assim Israel encontrou o Senhor; mas tamb\u00e9m foi no deserto que foi tentado a escolher caminhos contr\u00e1rios aos de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo no in\u00edcio da sua miss\u00e3o Jesus, ao mesmo tempo que se encontra com Deus para discernir os seus projectos, \u00e9 tamb\u00e9m tentado a escolher o seu pr\u00f3prio caminho, isto \u00e9, a abandonar Aquele que apresentou como Pai: \u00abTu \u00e9s meu filho&#8230;\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcos diz-nos que Jesus foi tentado durante 40 dias. 40 \u00e9 um n\u00famero sagrado, de plenitude, simb\u00f3lico (\u00e9 10, n\u00famero da perfei\u00e7\u00e3o com a multiplica\u00e7\u00e3o por 4, ou seja, o n\u00famero dos pontos cardeais). A Sagrada Escritura reconhece o valor sagrado deste n\u00famero: 40 dias durou o dil\u00favio; 40 dias demoraram os israelitas a atravessar o deserto do Egipto at\u00e9 ao monte Sinai; 40 dias esteve Mois\u00e9s no alto do Sinai face a face com Deus; 40 anos demorou o povo a chegar \u00e0 terra prometida; 40 dias demorou Elias a ir da Palestina at\u00e9 ao Horeb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcos n\u00e3o diz em que consiste a tenta\u00e7\u00e3o, mas o facto de afirm\u00e1-lo, em atribu\u00ed-la a Satan\u00e1s, mostra que Jesus teve que enfrentar as for\u00e7as do mal logo desde o in\u00edcio da sua vida p\u00fablica e depois ao longo dela. A palavra \u00absatan\u00e1s\u00bb significa \u00abadvers\u00e1rio\u00bb. \u00c9 aquele que vai tentar levar Jesus a esquecer os planos de Deus e a fazer escolhas pessoais, que estejam em contradi\u00e7\u00e3o com os projectos do Pai, enveredando pelo caminho do messianismo pol\u00edtico e n\u00e3o por um messianismo marcado pelo amor, pelo servi\u00e7o simples e humilde, pelo dom da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A presen\u00e7a das feras e dos anjos foi vista logo nos primeiros s\u00e9culos do cristianismo como um paralelismo Cristo\/Ad\u00e3o. Com Jesus, chegou esse tempo messi\u00e2nico de paz sem fim, chegou o tempo de o mundo regressar \u00e0 harmonia que era o plano inicial de Deus. Ad\u00e3o cedeu \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de escolher caminhos contr\u00e1rios aos de Deus e criou inimizade, viol\u00eancia, conflito, escravid\u00e3o, sofrimento; Jesus escolheu viver na mais completa fidelidade aos projectos de Deus e fez nascer um mundo novo, de harmonia, de paz, de amor, de felicidade sem fim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O servi\u00e7o dos anjos tamb\u00e9m nos leva ao para\u00edso, mas dum modo contr\u00e1rio. Para o homem pecador, os anjos t\u00eam um papel de castigar o homem tentado; agora ajudam o homem tentado, mas vencedor. Cristo, tentado mas vencedor, servido pelos anjos, \u00e9 uma garantia de salva\u00e7\u00e3o. Aquele que abre as portas de acesso ao para\u00edso. \u00abJesus saiu a pregar o reino de Deus\u00bb, que \u00e9 a hip\u00f3tese de regresso ao para\u00edso da felicidade eterna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cumpriu-se o tempo&#8230;\u00bb. O \u00abtempo\u00bb (em grego, kairos) chegou ao ao seu termo, \u00e0 sua plenitude, ou seja, ao momento fixado por Deus para a vinda do seu Reino, o qual \u2013 diz Jesus \u2013 est\u00e1 j\u00e1 est\u00e1 pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 duas condi\u00e7\u00f5es para entrar neste processo do Reino: Arrepender-se (metano\u00eda) e acreditar. Arrepender-se significa arrepiar caminho, mudar o rumo para se voltar (converter) para Deus. A convers\u00e3o \u00e9 uma mudan\u00e7a radical. Deve mudar a atitude interior e a conduta exterior. Converter-se \u00e9 voltar-se para Deus em atitude de obedi\u00eancia e acolher com alegria a sua soberania. O Evangelho \u00e9 a possibilidade de experimentar alegremente a soberania de Deus na pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E \u00e9 preciso acreditar, n\u00e3o apenas em verdades, mas n\u2019Aquele que \u00e9 a Verdade, o anunciador e o pr\u00f3prio Evangelho. Acreditar \u00e9 confiar em Jesus Cristo que vem como resposta \u00e0s nossas interroga\u00e7\u00f5es.\u00a0 Para quem aceita estas duas condi\u00e7\u00f5es, o Reino oferecido de gra\u00e7a, como dom, sendo para ele realmente uma Boa Nova.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>I Domingo da<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3389,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[90,18,91,54],"tags":[],"class_list":["post-3385","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores-ii","category-olhar-sobre-os-evangelhos","category-olhares-ii","category-pe-julio-franclim-do-couto-e-pacheco"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3385","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3385"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3385\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3388,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3385\/revisions\/3388"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3389"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3385"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3385"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3385"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}