{"id":336,"date":"2017-04-02T16:19:21","date_gmt":"2017-04-02T16:19:21","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=336"},"modified":"2017-05-19T13:58:41","modified_gmt":"2017-05-19T13:58:41","slug":"carta-aberta-a-lazaro-de-betania-amigo-de-jesus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/carta-aberta-a-lazaro-de-betania-amigo-de-jesus\/","title":{"rendered":"CARTA ABERTA A L\u00c1ZARO DE BET\u00c2NIA, AMIGO DE JESUS"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>Georgino Rocha (Texto)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Ant\u00f3nio Bracons\u00a0(Foto) \u00a0\u00a0<em>fasciniodafotografia.wordpress.com \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p><strong>Senhor L\u00e1zaro<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-239 alignleft\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/GRocha.jpg\" alt=\"\" width=\"140\" height=\"201\" \/><\/strong><\/p>\n<p><strong>Desculpe a minha ousadia, mas tenho necessidade de expressar os meus sentimentos a prop\u00f3sito do seu reviver a<br \/>\np\u00f3s a morte. O Evangelho de Jo\u00e3o faz um belo relato, mas n\u00e3o regista nenhuma palavra sua. Indica apenas atitudes. Reina um sil\u00eancio que parece ser a linguagem \u00fanica que emerge da gruta\u00a0 onde esteve sepultado. Ou, ent\u00e3o, um convite a que n\u00e3o se perca o fundamental: Jesus de Nazar\u00e9, seu especial Amigo, tem poder sobre a morte e antecipa um sinal da ressurrei\u00e7\u00e3o que ir\u00e1 viver, ap\u00f3s a morte por crucifix\u00e3o no Calv\u00e1rio.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Expresso a minha necessidade como padre cat\u00f3lico. Vivo em Portugal, um cantinho da Europa junto ao Atl\u00e2ntico. Estudo as Escrituras h\u00e1 muitos anos e encontro sempre dimens\u00f5es novas nos textos sagrados. O que se refere \u00e0 sua fam\u00edlia desperta-me especial interesse. Aprecio o ambiente de Bet\u00e2nia e admiro a mensagem que brilha na rela\u00e7\u00e3o fraterna com as suas irm\u00e3s, especialmente quando cai doente. Quantos cuidados n\u00e3o teriam consigo e que solicitude em avisar o Amigo comum. Bem sei que o autor do relato, na altura em que o escreve, tem em conta o que aconteceu para destacar e sublinhar algumas caracter\u00edsticas da comunidade crist\u00e3 e do estilo de vida dos seus membros.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Realmente, sou levado a pensar que a vossa amizade nascia n\u00e3o apenas da simpatia humana, nem do conforto psicol\u00f3gico que sentiam, mas de uma profunda sintonia espiritual. Jesus de Nazar\u00e9 oferecia o que satisfazia as aspira\u00e7\u00f5es mais genu\u00ednas do vosso cora\u00e7\u00e3o e encontrava em v\u00f3s o acolhimento receptivo de que tanto precisava. Certamente o seu cansa\u00e7o provinha dos percursos da miss\u00e3o, mas sobretudo da incompreens\u00e3o ingrata e da persegui\u00e7\u00e3o declarada de fariseus e saduceus.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Senhor L\u00e1zaro, acho muito estranho que o seu Amigo demore tanto tempo em reagir \u00e0 mensagem de suas irm\u00e3s. Isto \u00e0 primeira vista, porque Ele j\u00e1 nos habituou \u00e0 capacidade de surpreender. E f\u00ea-lo, mais uma vez. A morte, na sequ\u00eancia da doen\u00e7a, \u00e9 oportunidade para fazer brilhar as maravilhas de Deus. Na viagem para Bet\u00e2nia, aproveita para abrir horizontes \u00e0 mente dos disc\u00edpulos e de suas irm\u00e3s. Diz-lhes coisas admir\u00e1veis. Conversa com total franqueza. Declara-lhes a sua rela\u00e7\u00e3o com a morte e a vida, fases do mesmo processo humano. Afirma: \u201cEu sou a ressurrei\u00e7\u00e3o e a vida\u201d. Garante que \u201cquem acreditar em Mim, viver\u00e1 para sempre\u201d. Deixa assim a chave do futuro nas nossas m\u00e3os, na atitude que cada um assumir`, na rela\u00e7\u00e3o que cultivar, na coer\u00eancia que observar. Conversa e emociona-se, chora l\u00e1grimas de saudade, n\u00e3o de desespero mas de serenidade, pergunta onde foi sepultado, apressa-se a chegar. O amor tem ritmos que a hora de Deus acelera. A presen\u00e7a de tantas visitas que acompanhavam suas irm\u00e3s refor\u00e7ava a urg\u00eancia da novidade a anunciar. Supera avisos de cautela \u201chigi\u00e9nica\u201d. Tenta dissipar as \u00faltimas d\u00favidas, personificadas na sua irm\u00e3 Marta. Ordena que removam a pedra de resguardo da entrada do seu t\u00famulo. O ambiente estava criado para a surpresa radical.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Senhor L\u00e1zaro, que emo\u00e7\u00e3o sinto ao narrar o epis\u00f3dio do seu reviver, ap\u00f3s a morte. Cada pormenor \u00e9 um s\u00edmbolo para todos os tempos. Cada palavra, uma mensagem. Cada reparo, uma advert\u00eancia. Cada an\u00fancio, uma certeza a germinar sementes de esperan\u00e7a para sempre.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jesus, o seu Amigo, levanta os olhos ao C\u00e9u, d\u00e1 gra\u00e7as a Deus seu Pai e brada com voz forte: \u00abL\u00e1zaro, sai para fora\u00bb. E v\u00f3s, o morto, ouvistes e recuperastes a vida, deixastes \u201ca regi\u00e3o sombria\u201d e viestes para o meio dos presentes, a companhia dos mortais que exultam de alegria, embora alguns tenham ficado furiosos. E, depois, voltando-se para os mais pr\u00f3ximos, acrescenta: \u00abDesligai-o e deixai-o ir\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Que maravilha! Finalmente liberto de todas as amarras. A percorrer os caminhos da vida. Em sil\u00eancio contagiante. A proclamar a novidade da morte f\u00edsica vencida, sinal do triunfo da vida definitiva, a vida eterna. A abrir sepulcros de frieza e indiferen\u00e7a. A garantir o \u201cinteresse\u201d de Deus que sempre ajuda o ser humano quando este Lhe d\u00e1 espa\u00e7o e quer conviver. Obrigado pela mensagem bela do seu sil\u00eancio!<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Georgino Rocha (Texto)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":337,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,13,50,14],"tags":[],"class_list":["post-336","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-olhares","category-pe-georgino-rocha","category-temas-para-debate"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/336","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=336"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/336\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":363,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/336\/revisions\/363"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/337"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=336"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=336"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=336"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}