{"id":3342,"date":"2018-02-06T21:14:45","date_gmt":"2018-02-06T21:14:45","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=3342"},"modified":"2018-02-06T21:14:45","modified_gmt":"2018-02-06T21:14:45","slug":"jesus-compadecido-cura-o-leproso-aprecia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/jesus-compadecido-cura-o-leproso-aprecia\/","title":{"rendered":"Jesus, compadecido, cura o leproso. Aprecia"},"content":{"rendered":"<h4 align=\"center\">JESUS, COMPADECIDO, CURA O LEPROSO. APRECIA<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: center;\" align=\"right\">Pe. Georgino Rocha<\/h4>\n<h4 align=\"right\"><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">Um leproso vem ter com Jesus. Ousa transgredir regras muito rigorosas de higiene p\u00fablica. Exp\u00f5e-se e corre riscos de morte. O cont\u00e1gio era f\u00e1cil e perigoso. A sociedade protegia-se. Al\u00e9m disso, a lepra como outras doen\u00e7as, tinha conota\u00e7\u00e3o religiosa. Fazia a pessoa impura, com uma rela\u00e7\u00e3o negativa com Deus, culpada por algo que tivesse feito, amaldi\u00e7oada. Devia ser evitada a todo o custo.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">Que experi\u00eancia dolorosa e humilhante! Apesar disso, exp\u00f5e-se e transgride, avan\u00e7a no desejo de recuperar a dignidade perdida e a liberdade cerceada. Ousa o inacredit\u00e1vel e, cheio de coragem e confian\u00e7a, aproxima-se, ajoelha e suplica: \u201cSe quiseres, podes curar-me\u201d. Que for\u00e7a interior move as suas energias e alenta a sua esperan\u00e7a. Que firmeza de convic\u00e7\u00f5es manifesta e transmite. Que expectativas alimenta nos passos que d\u00e1 para realizar o seu sonho: Ser algu\u00e9m com nome pr\u00f3prio, ir ao culto religioso na sinagoga, ser membro da sociedade e poder andar em p\u00fablico sem restri\u00e7\u00f5es.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">O leproso \u00e9 tamb\u00e9m um s\u00edmbolo de grandes maiorias humanas que se arrastam na vida por car\u00eancias sem conta: desnutri\u00e7\u00e3o por fome, migra\u00e7\u00f5es for\u00e7adas por guerras impostas e altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, falta de \u00e1gua e de outros bens indispens\u00e1veis \u00e0 sa\u00fade, conflitos e viol\u00eancias, persegui\u00e7\u00f5es \u00e9tnicas e religiosas. Ou ainda nas sociedades de \u201cbem-estar\u201d o isolamento e a solid\u00e3o, as desigualdades irritantes, o individualismo ego\u00edsta, a exclus\u00e3o e marginaliza\u00e7\u00e3o das minorias, a \u201cditadura\u201d das ideologias e, por vezes, da opini\u00e3o publicada. Tudo isto, e muito mais, apesar dos avan\u00e7os admir\u00e1veis em tantas \u00e1reas da nossa humanidade.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">Marcos, o autor do relato (Mc 1, 40-45), adopta um estilo diferente do habitual na narrativa. Deixa em aberto a identidade do leproso. N\u00e3o se sabe quem \u00e9, nem donde vem, nem o local do encontro. Para ele, o importante \u00e9 a atitude de Jesus, a for\u00e7a sanadora que possui, a compaix\u00e3o que sente e o gesto que faz. Para ele, o importante \u00e9 que os disc\u00edpulos saibam que a lacuna n\u00e3o \u00e9 esquecimento, mas oportunidade, para cada um fazer o encontro pessoal com Jesus, nas situa\u00e7\u00f5es mais sofridas da vida, sem medo prudente a \u201csujar as m\u00e3os\u201d, nem a perigos de cont\u00e1gio.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">O Papa Francisco, ao falar \u00e0 multid\u00e3o no domingo passado, sublinha que, durante a maior parte da sua vida p\u00fablica, Cristo est\u00e1 \u201cno meio da multid\u00e3o, no meio do povo\u201d, pregando o Evangelho \u201cno meio da gente\u201d. \u201c\u00c9 uma humanidade marcada por sofrimentos, cansa\u00e7os e pobrezas. A essa pobre humanidade \u00e9 dirigida a a\u00e7\u00e3o poderosa, libertadora e renovadora de Jesus\u201d. E adianta que o \u201can\u00fancio do Reino de Deus, por parte de Jesus, encontra o seu lugar adequado na rua\u201d. Ele \u201cn\u00e3o veio trazer a salva\u00e7\u00e3o num laborat\u00f3rio\u201d. E lembra que \u201ca rua, como lugar do an\u00fancio alegre do Evangelho, coloca a miss\u00e3o da Igreja sob o signo do andar, do movimento, nunca est\u00e1tica\u201d. \u201cA cura do corpo destina-se \u00e0 cura do cora\u00e7\u00e3o\u201d.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">A s\u00faplica do leproso encontra resson\u00e2ncia de compaix\u00e3o em Jesus. Faz remexer as suas entranhas de miseric\u00f3rdia. Assume a situa\u00e7\u00e3o problem\u00e1tica, sintoniza com o desejo expresso e reage com prontid\u00e3o espont\u00e2nea. Que segredo desvenda esta atitude. \u00c9 uma constante no seu agir. Nada o det\u00e9m: nem olhares de controlo farisaico ou receios do que possa acontecer. E Marcos na sua narra\u00e7\u00e3o adianta: \u201cEstendeu a m\u00e3o, tocou-lhe e disse: \u00abQuero, fica limpo\u00bb \u201d. E a lepra deixou-o. Ele ficou limpo. Que brecha introduz no sistema social e religioso de exclus\u00e3o e marginaliza\u00e7\u00e3o! Que que caminhos de liberdade abre a quem vier a ser disc\u00edpulo mission\u00e1rio! Gesto belo, arriscado, escandaloso. Mas a pessoa est\u00e1 primeiro. Nada no mundo tem o seu valor.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">Que vibra\u00e7\u00f5es interiores ter\u00e1 vivido o rec\u00e9m curado! De novo, com os seus. De novo, em liberdade. De novo, a dispor de si. De novo, a assumir atitudes respons\u00e1veis. Agora, parece ter uma \u00fanica preocupa\u00e7\u00e3o. Diz Marcos: \u201cLogo que partiu, come\u00e7ou a apregoar e a divulgar o que acontecera\u201d. Agora, predomina a for\u00e7a do testemunho da ac\u00e7\u00e3o sanadora que o beneficiou e que n\u00e3o pode calar. Ainda que esquecendo a obriga\u00e7\u00e3o de se apresentar no Templo ao sacerdote e fazer a sua oferta para ter um certificado oficial de cura. Agora, a gra\u00e7a supera a lei e d\u00e1-lhe um novo sentido.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">Hoje, celebra-se o Dia Mundial do Doente. Na sua mensagem, o Papa Francisco afirma que:\u201dJesus deixou, como dom \u00e0 Igreja, o seu poder de curar\u2026 Ao dom de Jesus corresponde o dever da Igreja, bem ciente de que deve pousar, sobre os doentes, o mesmo olhar rico de ternura e compaix\u00e3o do seu Senhor. A pastoral da sa\u00fade permanece e sempre permanecer\u00e1 um dever necess\u00e1rio e essencial, que se h\u00e1 de viver com um \u00edmpeto renovado come\u00e7ando pelas comunidades paroquiais at\u00e9 aos centros de tratamento de excel\u00eancia. N\u00e3o podemos esquecer aqui a ternura e a perseveran\u00e7a com que muitas fam\u00edlias acompanham os seus filhos, pais e parentes, doentes cr\u00f3nicos ou gravemente incapacitados. Os cuidados prestados em fam\u00edlia s\u00e3o um testemunho extraordin\u00e1rio de amor pela pessoa humana e devem ser apoiados com o reconhecimento devido e pol\u00edticas adequadas. Portanto, m\u00e9dicos e enfermeiros, sacerdotes, consagrados e volunt\u00e1rios, familiares e todos aqueles que se empenham no cuidado dos doentes, participam nesta miss\u00e3o eclesial. \u00c9 uma responsabilidade compartilhada, que enriquece o valor do servi\u00e7o di\u00e1rio de cada um\u201d.\u00a0Tamb\u00e9m o teu. Aprecia e gera dinamismos de cura.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>JESUS, COMPADECIDO, CURA<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3344,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,91,50,14],"tags":[],"class_list":["post-3342","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-olhares-ii","category-pe-georgino-rocha","category-temas-para-debate"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3342","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3342"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3342\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3345,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3342\/revisions\/3345"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3344"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3342"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3342"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3342"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}