{"id":3308,"date":"2018-02-01T10:39:19","date_gmt":"2018-02-01T10:39:19","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=3308"},"modified":"2018-02-01T10:39:19","modified_gmt":"2018-02-01T10:39:19","slug":"jesus-quer-curar-te-aceita-e-colabora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/jesus-quer-curar-te-aceita-e-colabora\/","title":{"rendered":"Jesus quer curar-te. Aceita e colabora"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">JESUS QUER CURAR-TE. ACEITA E COLABORA<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Pe. Georgino Rocha<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus est\u00e1 no in\u00edcio da sua vida p\u00fablica. Como bom judeu, vai \u00e0 sinagoga onde fala abertamente da novidade que traz em nome de Deus e \u201climpa\u201d os esp\u00edritos de pessoas que manifestavam sinais de for\u00e7as estranhas e mal\u00e9ficas. Participa na ora\u00e7\u00e3o oficial, assume o direito \u00e0 palavra e prega com autoridade. Da sinagoga, espa\u00e7o religioso, desloca-se para a casa de Sim\u00e3o e Andr\u00e9. Desloca\u00e7\u00e3o indicativa das suas prefer\u00eancias pela vida quotidiana: encontros no lago, em casas de fam\u00edlia, nos caminhos p\u00fablicos, em refei\u00e7\u00f5es, em di\u00e1logos pessoais e locais silenciosos. Desloca\u00e7\u00e3o que se mant\u00e9m como refer\u00eancia para os disc\u00edpulos: conjugar a ora\u00e7\u00e3o como rela\u00e7\u00e3o com Deus Pai e a ac\u00e7\u00e3o de bem-fazer como rosto do querer deste bom Deus. Jesus, desde o in\u00edcio, deixa-nos este belo exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A casa de Sim\u00e3o Pedro \u00e9 \u201cuma vivenda de tipo cl\u00e3, onde habitavam v\u00e1rias fam\u00edlias com parentesco pr\u00f3ximo, distribu\u00eddas por quartos\/salas em torno a dois p\u00e1tios interiores com comunica\u00e7\u00e3o entre si\u2026 Neles, decorria a vida do cl\u00e3\u2026 Quantas imagens bebeu Jesus dessa vida cheia de colorido para ilustrar as suas catequeses sobre o Reino de Deus!\u201d. Sirva de refer\u00eancia o fermento que leveda a massa e a moeda perdida que \u00e9 encontrada e provoca grande alegria. (Guia de Tierra Santa, Hist\u00f3ria-arqueologia-b\u00edblia, Verbo Divino, p. 325).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao regressar a casa, Jesus ouve falar da doen\u00e7a da sogra de Pedro. Vai ao seu encontro, aproxima-se da doente, toma-a pela m\u00e3o e levanta-a. N\u00e3o diz palavra. O gesto fala por si e constitui um modelo de rela\u00e7\u00e3o sanadora. Parece um ritual de curas, sem magias nem exorcismos. O guia de ac\u00e7\u00e3o est\u00e1 bem delineado por Marcos (1, 29-39): Ir aonde a se encontra a pessoa doente, colocar-se ao seu n\u00edvel, sobretudo da disposi\u00e7\u00e3o com que vive o sofrimento e a dor, tocar-lhe como quem comunica a sa\u00fade integral de que \u00e9 portador, agarrar a m\u00e3o para a erguer na vida, ajudando-a recuperar a dignidade de poder desempenhar as suas fun\u00e7\u00f5es normais. O que faz \u00e0 sogra de Pedro, faz Jesus a tantos outros, como bem registam os Evangelhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ac\u00e7\u00e3o de Jesus desvenda a nobreza de quem cuida das pessoas doentes, dos profissionais biom\u00e9dicos, dos fil\u00f3sofos que buscam sentido para a dor, a fragilidade humana, a morte. Manifesta tamb\u00e9m o alcance da reflex\u00e3o teol\u00f3gica que tem a cargo fazer compreender, dentro do poss\u00edvel, a presen\u00e7a da dimens\u00e3o transcendente e o seu impacto no ser humano e em toda a realidade social. Deixa a claro a solicitude dos disc\u00edpulos mission\u00e1rios que, pelo testemunho de vida, acompanham at\u00e9 ao limite quem sofre e procura alento e esperan\u00e7a de supera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A novidade do Evangelho de hoje \u00e9 que Jesus quer curar-nos. Servindo-se de media\u00e7\u00f5es, como faz parte da economia da salva\u00e7\u00e3o e a Igreja n\u00e3o cessa de proclamar. Curar-nos da dor sem-sentido e que, como a Job, nos impele a fazer perguntas lancinantes: \u00abCouberam-me em sorte noites de amargura. Se me deito, digo: Quando \u00e9 que me levanto? Se me levanto: Quando chegar\u00e1 a noite?; e agito-me angustiado at\u00e9 ao crep\u00fasculo\u00bb. \u201cEste tomar a palavra perante o mal que invade o seu corpo, afirma Manicardi, Coment\u00e1rio, p. 97, n\u00e3o \u00e9 sufocado por quem est\u00e1 junto do doente com exorta\u00e7\u00f5es ao sil\u00eancio, ou a \u00abn\u00e3o dizer isso\u00bb, ou a n\u00e3o perturbar, mas \u00e9 percebido como um momento importante do penoso processo de assun\u00e7\u00e3o da crise existencial que se introduziu na vida do homem\u201d. A linguagem do protesto e de contesta\u00e7\u00e3o torna-se leg\u00edtima e desvenda a condi\u00e7\u00e3o fr\u00e1gil da pessoa doente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus quer curar-nos da indiferen\u00e7a (parece que \u201cm\u00e3o invis\u00edvel\u201d imp\u00f4s um pacto de sil\u00eancio em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas que sofrem e ao mundo da dor e da morte) e fazer-nos sol\u00edcitos, pr\u00f3ximos, amigos, capazes de dar raz\u00f5es da nossa humanidade e afirmar a nossa f\u00e9. Quer curar-nos do peso da inutilidade, da sensa\u00e7\u00e3o da sobrecarga, do luto das tarefas deixadas, da estreiteza do horizonte sem esperan\u00e7a. Quer curar-nos de tantas outras feridas que agitam o nosso mundo emocional e perturbam o normal funcionamento do nosso organismo. Quer curar-nos e, embora ro\u00eddos pela dor, sabermos que Deus vela por n\u00f3s, nos envolve no seu amor e nos alenta com a sua miseric\u00f3rdia. Quer curar-nos abrindo os bra\u00e7os na cruz e mostrando as chagas do cora\u00e7\u00e3o, fruto do amor que nos tem e liberta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Papa Francisco na \u00abA Alegria do Evangelho\u00bb, lembra que: \u201c\u00c0s vezes sentimos a tenta\u00e7\u00e3o de ser crist\u00e3os, mantendo uma prudente dist\u00e2ncia das chagas do Senhor. Mas Jesus quer que toquemos a mis\u00e9ria humana, que toquemos a carne sofredora dos outros. Espera que renunciemos a procurar aqueles abrigos pessoais ou comunit\u00e1rios que permitem manter-nos \u00e0 dist\u00e2ncia do n\u00f3 do drama humano, a fim de aceitarmos verdadeiramente entrar em contacto com a vida concreta dos outros e conhecermos a for\u00e7a da ternura. Quando o fazemos, a vida complica-se sempre maravilhosamente e vivemos a intensa experi\u00eancia de ser povo, a experi\u00eancia de pertencer a um povo. (EG 270).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>JESUS QUER CURAR-TE.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3309,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,91,50,14],"tags":[],"class_list":["post-3308","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-olhares-ii","category-pe-georgino-rocha","category-temas-para-debate"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3308","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3308"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3308\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3310,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3308\/revisions\/3310"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3309"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3308"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3308"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3308"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}