{"id":3095,"date":"2018-01-02T10:35:29","date_gmt":"2018-01-02T10:35:29","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=3095"},"modified":"2018-01-02T10:35:29","modified_gmt":"2018-01-02T10:35:29","slug":"solenidade-da-epifania-do-senhor-ano-b","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/solenidade-da-epifania-do-senhor-ano-b\/","title":{"rendered":"Solenidade da Epifania do Senhor (Ano B)"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Solenidade da Epifania do Senhor (Ano B) <\/strong><\/h2>\n<h3 style=\"text-align: center;\">Pe. Franclim Pacheco<\/h3>\n<p><strong>\u00a0O texto \u2013 Mt 2,1-12<\/strong><\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-3096 aligncenter\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/0001-15-1024x926.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"579\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/0001-15-1024x926.jpg 1024w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/0001-15-300x271.jpg 300w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/0001-15-768x694.jpg 768w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/0001-15-600x542.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/strong><\/p>\n<p>Breve coment\u00e1rio<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A solenidade da Epifania encerra o ciclo da celebra\u00e7\u00e3o natal\u00edcia, na data em que a Igreja Ortodoxa celebra o Natal; o domingo do Baptismo do Senhor abre um novo ciclo dos domingos comuns (domingos de cor verde). O textos da Epifania ajudam-nos a compreender esta celebra\u00e7\u00e3o como a manifesta\u00e7\u00e3o (= epifania) de Jesus Messias a todos os povos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Todo o cap\u00edtulo II do evangelho de Mateus \u00e9 composto por quatro epis\u00f3dios que formam uma unidade: a visita dos magos, a matan\u00e7a das crian\u00e7as de Bel\u00e9m e consequente fuga para o Egipto de Jos\u00e9 com Maria e Jesus; o quarto epis\u00f3dio \u00e9 o seu regresso depois da morte de Herodes, texto que j\u00e1 foi lido este ano na festa da Sagrada Fam\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Trata-se duma pequena recolha de textos b\u00edblicos, com muitas refer\u00eancias a Antigo Testamento, uma narra\u00e7\u00e3o de tipo \u00abmidrashico\u00bb que apresenta a catequese primitiva acerca do chamamento \u00e0 f\u00e9 dos povos pag\u00e3os, em que se misturam hist\u00f3ria, poesia, teologia, apolog\u00e9tica e pol\u00e9mica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Evangelho de Mateus, escrito originariamente para uma comunidade judeo-crist\u00e3 e em pol\u00e9mica com a sinagoga, p\u00f5e a claro logo desde o in\u00edcio que o acolhimento de Jesus por parte dos seus n\u00e3o foi nada triunfal, pelo contr\u00e1rio, encontrou hostilidade ou indiferen\u00e7a (S. Jo\u00e3o escrever\u00e1 mais tarde: \u00abVeio para o que era seu e os seus n\u00e3o O receberam\u00bb). A nota negativa inicial acentua-se no decurso do evangelho, anunciando-se que \u00abos filhos do reino ser\u00e3o lan\u00e7ados fora nas trevas\u00bb (Mt 8,12); filhos degenerados, presentes simbolicamente na par\u00e1bola dos vinhateiros homicidas (cf. Mt 21,33-44) e realisticamente quando \u00abtodos eles responderam: seja crucificado\u00bb (Mt 27,22).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os magos s\u00e3o personagens misteriosos, talvez peritos em astrologia ou uma casta sacerdotal e funcion\u00e1rios reais; v\u00eam do Oriente, indica\u00e7\u00e3o demasiado vaga, que poderia indicar a P\u00e9rsia ou a Mesopot\u00e2mia, ou at\u00e9 a Ar\u00e1bia ou o deserto s\u00edrio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Admira, \u00e0 primeira vista, a presen\u00e7a de magos, referidos com toda a naturalidade, quando em toda a Sagrada Escritura eles s\u00e3o condenados. A nossa narra\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem nada de condena\u00e7\u00e3o: \u00e9 sobretudo um delicad\u00edssimo canto \u00e0 Provid\u00eancia que guia os Magos ao encontro de Cristo. S\u00e3o as prim\u00edcias da futura profecia de Jesus: \u00abEu digo-vos que muitos vir\u00e3o do oriente e do ocidente e se sentar\u00e3o \u00e0 mesa com Abra\u00e3o, Isaac e Jacob no reino dos c\u00e9us\u00bb (Mt 8,11) e penhor da futura miss\u00e3o da Igreja: \u00abIde e ensinai todas as na\u00e7\u00f5es, baptizando-as&#8230;\u00bb (Mt 28,19). A sua viagem, os seus dons, a sua atitude, s\u00e3o express\u00f5es daquela prostra\u00e7\u00e3o-adora\u00e7\u00e3o que, como trama unificadora, serve \u00e0 teologia de Mateus para mostrar como Cristo deve ser procurado e por quem ele se deixa encontrar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A estrela que guia os magos \u00e9 muito peculiar: aparece, desaparece, anda, p\u00e1ra, move-se de norte para sul e n\u00e3o de este para oeste como as outras. \u00c9 na Sagrada Escritura que vamos encontrar este astro preanunciado pelo profeta Bala\u00e3o (Nm 24,17.19) referindo-se \u00e0 \u00abestrela que se ergue de Jacob e ao ceptro que se ergue de Israel\u00bb. Jesus \u00e9 a Estrela que conduz at\u00e9 Ele, a verdadeira Luz que ilumina todos e cada um dos homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O texto tem o seu centro ideal e teol\u00f3gico em Cristo. Ele \u00e9 apresentado como o verdadeiro Rei que merece ser procurado e adorado. A Ele v\u00eam pessoas de longe, guiadas pela luz da estrela e pelas Escrituras. Jesus \u00e9 uma crian\u00e7a, n\u00e3o diz uma palavra e, no entanto, a sua exist\u00eancia divide os homens. Sinistros ind\u00edcios atravessam a per\u00edcopa, seja na inten\u00e7\u00e3o persecut\u00f3ria de Herodes que acabar\u00e1 em trag\u00e9dia, seja na irrespons\u00e1vel atitude das pessoas de Jerusal\u00e9m, a come\u00e7ar pelos sumos-sacerdotes e escribas do povo. A morte do Messias, com a qual culminar\u00e1 a rejei\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m, lan\u00e7a a sua sombra nesta recusa inicial. Maldade e irresponsabilidade invocam renova\u00e7\u00e3o e reden\u00e7\u00e3o. O menino est\u00e1 ali para isso. \u00c9 necess\u00e1rio sab\u00ea-lo reconhecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Com este objectivo Mateus ajuda o leitor com a cita\u00e7\u00e3o b\u00edblica (Mq 5,1) e com a figura dos Magos. Com a cita\u00e7\u00e3o preanuncia-se a vinda do mais ilustre descendente de David que cuidar\u00e1 do seu povo, fazendo sua a actividade pr\u00f3pria de Deus (cf. Ez 34). A adora\u00e7\u00e3o dos Magos remete o leitor para a grandeza de Cristo, filho de David, Filho de Deus e Emanuel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A homenagem dos Magos ao rei menino \u00e9 a correcta resposta humana ao Emanuel, Deus connosco. O c. 1, apresentando a genealogia e o nascimento, ficava no mundo judaico. Com o presente texto o mundo passa a englobar todos os povos. O epis\u00f3dio dos Magos pode ser lido como uma grande profecia: oferece ind\u00edcios dum futuro inaugurado, enquanto se declara j\u00e1 iniciada a peregrina\u00e7\u00e3o dos povos anunciada por Is 60 e pelo Salmo 72. A nova comunidade \u00e9 a Igreja sem fronteiras que se deixa guiar pelos sinais e pelas palavras prof\u00e9ticas ao encontro do seu Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Solenidade da Epifania<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3097,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,18,13,54],"tags":[],"class_list":["post-3095","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-olhar-sobre-os-evangelhos","category-olhares","category-pe-julio-franclim-do-couto-e-pacheco"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3095","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3095"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3095\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3099,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3095\/revisions\/3099"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3097"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3095"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3095"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3095"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}