{"id":303,"date":"2017-03-24T15:24:48","date_gmt":"2017-03-24T15:24:48","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=303"},"modified":"2017-05-19T14:03:55","modified_gmt":"2017-05-19T14:03:55","slug":"eu-fui-lavei-me-e-comecei-a-ver","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/eu-fui-lavei-me-e-comecei-a-ver\/","title":{"rendered":"EU FUI, LAVEI-ME E COMECEI A VER"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>Georgino Rocha (texto)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Ant\u00f3nio Bracons (Foto)\u00a0<em>fasciniodafotografia.wordpress.com \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<\/em><\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-239 alignleft\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/GRocha-e1491040938520.jpg\" alt=\"\" width=\"174\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/GRocha-e1491040938520.jpg 445w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/GRocha-e1491040938520-209x300.jpg 209w\" sizes=\"auto, (max-width: 174px) 100vw, 174px\" \/>A clareza da afirma\u00e7\u00e3o deixa perceber a grandeza do acontecido. A simplicidade da resposta reenvia o sentido da pergunta. A brevidade da frase indicia o in\u00edcio de um longo processo. A cura do cego operada por Jesus de Nazar\u00e9 manifesta as maravilhas de Deus e gera um dinamismo interpelante em c\u00edrculos humanos progressivamente alargados. Surge um novo modo de ver que marca a caminhada na f\u00e9 de quem faz o itiner\u00e1rio de inicia\u00e7\u00e3o ao baptismo, \u00e0 vida crist\u00e3. (Jo 9, 1-41).<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jesus anda em miss\u00e3o. Encontra um cego de nascen\u00e7a. Os disc\u00edpulos que o acompanhavam ficam inquietos e querem saber o por qu\u00ea da situa\u00e7\u00e3o. Pensam que, de acordo com a moral judaica, a doen\u00e7a \u00e9 fruto do pecado, que tem de haver algu\u00e9m respons\u00e1vel e era preciso repor a justi\u00e7a ferida. N\u00e3o descortinam outros horizontes nem alvitram novas hip\u00f3teses.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jesus tem outro olhar. Em vez do por qu\u00ea, responde com o para qu\u00ea. N\u00e3o est\u00e1 voltado para o passado, mas aberto ao futuro. E por isso desliga do pecado o sucedido e de quem o possa ter cometido, e desvenda o sentido real do que est\u00e1 em causa: ser oportunidade para se manifestarem as obras de Deus. E exorta os disc\u00edpulos a estarem atentos ao que acontece, a discernirem na sua complexidade o sentido que veiculam, a captarem a mensagem que transmitem, a saberem adoptar a atitude \u00e9tica coerente, a sonharem outras ousadias.<\/strong><\/p>\n<p><strong>&#8220;Eu hoje quero pedir-lhe (a S\u00e3o Jos\u00e9), declara o Papa Francisco, que d\u00ea a todos n\u00f3s a capacidade de sonhar, porque quando sonhamos coisas grandes, coisas bonitas, nos aproximamos do sonho de Deus, das coisas que Deus sonha para n\u00f3s. Que aos jovens d\u00ea, porque ele era jovem, a capacidade de sonhar, de arriscar e assumir as tarefas dif\u00edceis que viram nos sonhos. E d\u00ea a todos n\u00f3s a fidelidade que geralmente cresce num comportamento justo, e ele era justo, cresce no sil\u00eancio, poucas palavras, e cresce na ternura que \u00e9 capaz de proteger as pr\u00f3prias fraquezas e as dos outros\u201d. Bela e auspiciosa exorta\u00e7\u00e3o!<\/strong><\/p>\n<p><strong>O desenrolar da cena visualiza muito bem o prop\u00f3sito de Jesus, feito recomenda\u00e7\u00e3o. Toma a iniciativa, aproxima-se do cego, prepara o lodo da un\u00e7\u00e3o, e mando-o ir lavar-se \u00e0 piscina de Silo\u00e9, que quer dizer \u00abEnviado\u00bb. Confiante, o homem cumpre e volta curado. Saboreia o primeiro dia de luz. V\u00ea as pessoas e enxerga as coisas. Contempla rostos e admira sorrisos. Que felicidade!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Amarrados pela lei, os familiares e vizinhos, os fariseus e judeus, n\u00e3o se concentram na maravilha realizada, mas convergem na mesma quest\u00e3o: quem o fez transgrediu a lei\u00b4; \u00e9 pecador, merece castigo. E o processo \u201cjudicial\u201d arrasta-se, percorrendo todas as inst\u00e2ncias formais e acaba inconclusivo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Os pais, questionados sobre o cego, garantem ser seu filho e, por medo, dizem nada\u00a0mais saberem. Os vizinhos, interrogados sobre o que fazia antes da cura a fim de o identificarem, n\u00e3o chegam a qualquer conclus\u00e3o. Os fariseus apressam-se a sentenciar: quem faz curas ao s\u00e1bado n\u00e3o vem de Deus, embora alguns sentissem o \u201caguilh\u00e3o\u201d da d\u00favida. Os judeus, insatisfeitos com o desenrolar do processo, chamam de novo o cego curado, e repetem-lhe as perguntas j\u00e1 feitas, que obt\u00eam as mesmas respostas.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o a desconsidera\u00e7\u00e3o chega ao insulto e \u00e0 expuls\u00e3o. \u201cTrata-se, afirma J. M. Castillo, de um processo de crescente solid\u00e3o: abandono da sociedade, rejei\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia, expuls\u00e3o da religi\u00e3o\u201d. \u00c9 terr\u00edvel!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Sozinho e enxovalhado, entregue \u00e0 dor que lhe trouxe a nova situa\u00e7\u00e3o em contraste com a alegria contida, a \u201cdar voltas\u201d a sentimentos e pensamentos contrastantes, v\u00ea Jesus que se aproxima e lhe pergunta: \u201cTu acreditas no Filho do homem?\u201d O cego curado responde: \u201cQuem \u00e9, Senhor, para que eu acredite n\u2019Ele\u201d. \u201c\u00c9 quem est\u00e1 a falar contigo\u201d. Ent\u00e3o, prostrou-se e exclamou: \u201cEu creio, Senhor\u201d. Em ti, o Filho do homem, em quem brilha a luz divina.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Acreditar em Jesus \u00e9 acreditar no ser humano, como ele sempre faz. Em todas as circunst\u00e2ncias. Tirando partido das mais diversas situa\u00e7\u00f5es. E viver uma f\u00e9 confiante na pessoa, seja quem for, \u00e9 \u201creproduzir\u201d o exemplo deixado pelo Mestre da Galileia.<\/strong><\/p>\n<p><strong>O santo bispo Te\u00f3filo de Antioquia afirma num dos seus escritos:\u00a0\u201cSe tu me dizes: \u00abMostra-me o teu Deus\u00bb, eu posso responder-te: \u00abMostra-me o homem que h\u00e1 em ti, e eu te mostrarei o meu Deus\u00bb. Mostra-me, portanto, como v\u00eaem os olhos da tua mente e como ouvem os ouvidos do teu cora\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A cegueira humana d\u00e1 lugar \u00e0 luz da f\u00e9, ainda que inicial. O itiner\u00e1rio n\u00e3o est\u00e1 isento de obst\u00e1culos, sempre superados. Ap\u00f3s a aproxima\u00e7\u00e3o de Jesus, a confian\u00e7a e a coopera\u00e7\u00e3o \u201cvarrem\u201d a indiferen\u00e7a e a exclus\u00e3o, o amor \u00e0 verdade libertadora vence os medos e as amea\u00e7as, a alegria da f\u00e9 em Jesus compensa o desconforto provocado pelos familiares e respons\u00e1veis religiosos. A firmeza da convic\u00e7\u00e3o, qual rocha gran\u00edtica, atesta a ades\u00e3o cordial e o sentido novo da op\u00e7\u00e3o tomada.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u201cEu fui, lavei-me e comecei a ver\u201d, reconhece o cego curado. \u00c9 esta a nossa esperan\u00e7a desde o in\u00edcio da vida crist\u00e3, no baptismo.\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Georgino Rocha (texto)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":304,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"imagem","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,13,50,14],"tags":[],"class_list":["post-303","post","type-post","status-publish","format-imagem","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-olhares","category-pe-georgino-rocha","category-temas-para-debate","post_format-imagem"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/303","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=303"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/303\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":366,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/303\/revisions\/366"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/304"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=303"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=303"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=303"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}