{"id":295,"date":"2017-03-22T17:03:45","date_gmt":"2017-03-22T17:03:45","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=295"},"modified":"2017-05-19T14:04:11","modified_gmt":"2017-05-19T14:04:11","slug":"rainer-maria-rilke-1875-1926-e-a-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/rainer-maria-rilke-1875-1926-e-a-morte\/","title":{"rendered":"RAINER MARIA RILKE (1875-1926) E A MORTE"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: center;\"><strong>Manuel Alte da Veiga (Texto)<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Ant\u00f3nio Bracons\u00a0(Foto)\u00a0<\/strong><strong>fasciniodafotografia.wordpress.com \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-271 alignleft\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Alte-da-Veiga-alterado.jpg\" alt=\"\" width=\"149\" height=\"198\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Alte-da-Veiga-alterado.jpg 720w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Alte-da-Veiga-alterado-225x300.jpg 225w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Alte-da-Veiga-alterado-630x840.jpg 630w\" sizes=\"(max-width: 149px) 100vw, 149px\" \/>(Excerto de uma carta ao seu tradutor polaco Witold von Hulewikz)<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>(Pessoalmente, considero uma das perspectivas mais profundamente humanas sobre o significado do cruzamento e implica\u00e7\u00e3o constantes entre morte e vida, do ponto de vista de um poeta produto do cristianismo mas que se confessa n\u00e3o crist\u00e3o. O\u00a0 poema seguinte enriquece este conceito)<\/em><\/strong><\/p>\n<p>\u00abNas <em>Elegias<\/em> (1), a afirma\u00e7\u00e3o da vida e a da morte revelam-se como uma coisa s\u00f3. Admitir uma sem a outra, \u00e9\u2026 uma limita\u00e7\u00e3o que acaba por excluir completamente o infinito. A morte \u00e9 o lado da vida que n\u00e3o est\u00e1 voltado para n\u00f3s e que n\u00f3s n\u00e3o iluminamos; precisamos de tentar realizar a consci\u00eancia mais completa da nossa exist\u00eancia, que habita nestes dois dom\u00ednios limitados e se alimenta de ambos constantemente e sem fim. A verdadeira forma da vida estende-se atrav\u00e9s dos dois dom\u00ednios, o sangue do grande circuito corre pelos dois; n\u00e3o existe um para aqu\u00e9m nem um para al\u00e9m, mas sim a grande unidade na qual os seres que nos ultrapassam, os anjos (2), se sentem em casa\u2026 N\u00f3s, os homens daqui e de hoje, n\u00e3o estamos satisfeitos nem um \u00fanico instante no mundo do tempo; nem nos fixamos nele: transbordamos sem cessar ao encontro dos homens de outrora, ao encontro da nossa origem e ao encontro daqueles que parecem vir depois de n\u00f3s. \u2026 A natureza, as coisas da nossa intimidade e as coisas que nos servem s\u00e3o provis\u00f3rias e caducas, mas tamb\u00e9m s\u00e3o, durante todo o tempo em que estamos aqui, a nossa possess\u00e3o e a nossa amizade\u2026 Portanto, n\u00e3o se trata de denegrir ou rebaixar tudo o que \u00e9 daqui, mas antes, precisamente pelo seu car\u00e1cter provis\u00f3rio, que \u00e9 o nosso, de apreender estes fen\u00f3menos e estas coisas, com a mais \u00edntima compreens\u00e3o poss\u00edvel, e de as transformar. N\u00f3s somos as abelhas do Universo. Sugamos perdidamente o mel do vis\u00edvel para encher a grande colmeia de oiro do Invis\u00edvel\u2026\u00bb<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Notas do tradutor:<\/p>\n<ul>\n<li>As ELEGIAS DE DU\u00cdNO s\u00e3o provavelmente a obra maior de R.M.Rilke. Existe uma tradu\u00e7\u00e3o bilingue em portugu\u00eas por MARIA TERESA DIAS FURTADO, Ass\u00edrio &amp; Alvim, 1993.<\/li>\n<li>Seres superiores, sem conota\u00e7\u00e3o estritamente religiosa, que j\u00e1 vivem, no Invis\u00edvel, a suprema realidade de todas as coisas vis\u00edveis.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Aveiro, 3 Fevereiro 2017.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o de Manuel Alte da Veiga, a partir da introdu\u00e7\u00e3o a R.M.Rilke por REN\u00c9 LASNE, <em>Anthologie bilingue de la po\u00e9sie allemande, de Heine \u00e0 nos jours,<\/em> Marabout Universit\u00e9, Paris, 1967.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>DO \u00abLIVRO DA HORAS\u00bb DE RAINER MARIA RILKE<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Senhor, a cada um de n\u00f3s, d\u00e1 a sua pr\u00f3pria morte.<\/p>\n<p>Aquela morte que desabrocha desta vida<\/p>\n<p>Onde conhecemos o amor, a intelig\u00eancia e a mis\u00e9ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00f3s somos apenas o revestimento e a folhagem;<\/p>\n<p>A grande morte, que cada um de n\u00f3s traz dentro de si,<\/p>\n<p>Ela \u00e9 que \u00e9 o fruto, o centro \u00e0 volta do qual giramos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 por esse fruto, que as raparigas v\u00e3o surgindo<\/p>\n<p>Em melodia, como \u00e1rvore irrompendo dum ala\u00fade,<\/p>\n<p>E os rapazes anseiam por se transformar em homens;<\/p>\n<p>E as mulheres ajudam os adolescentes<\/p>\n<p>A suportar as ang\u00fastias que s\u00f3 a elas confiam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 por esse fruto que tudo o que os olhos viram<\/p>\n<p>Se torna eterno, mesmo o que vem do mais long\u00ednquo passado<\/p>\n<p>E todo aquele que tenha formado ou constru\u00eddo alguma coisa<\/p>\n<p>Tornou-se Mundo \u00e0 volta desse Fruto, foi gelo e foi degelo<\/p>\n<p>Abateu-se sobre ele como vento e sobre ele lan\u00e7ou todo o brilho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No Fruto se dissolveu todo o calor<\/p>\n<p>Dos cora\u00e7\u00f5es, e dos c\u00e9rebros o branco ardor-:<\/p>\n<p>Mas os teus Anjos passam em bando como aves,<\/p>\n<p>E n\u00e3o encontraram nenhum fruto amadurecido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>NOTA<\/strong>: Trabalhei esta tradu\u00e7\u00e3o, com muitas e muitas tentativas, a partir do texto alem\u00e3o, numa edi\u00e7\u00e3o bilingue, mas com independ\u00eancia da tradu\u00e7\u00e3o francesa: Procurei transmitir a for\u00e7a po\u00e9tica, a profundidade e congru\u00eancia de ideias, que descubro no texto original de Rilke. Usei a seguinte obra: LASNE, Ren\u00e9, <em>anthologie bilingue de la po\u00e9sie allemande \u2013 de Heine \u00e0 nos jours .<\/em>Marabout universit\u00e9, 1967.<\/p>\n<p>Aveiro, 15 de Mar\u00e7o de 2017. Manuel Alte da Veiga.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manuel Alte da Veiga (Texto) Ant\u00f3nio Bracons\u00a0(Foto)\u00a0fasciniodafotografia.wordpress.com \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u00a0 (Excerto de uma carta ao seu tradutor polaco Witold von Hulewikz) (Pessoalmente, considero uma das perspectivas mais profundamente humanas sobre o significado do cruzamento e implica\u00e7\u00e3o constantes entre morte e 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