{"id":2466,"date":"2017-10-26T14:00:14","date_gmt":"2017-10-26T13:00:14","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=2466"},"modified":"2017-10-26T14:00:14","modified_gmt":"2017-10-26T13:00:14","slug":"amar-criterio-unico-da-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/amar-criterio-unico-da-vida\/","title":{"rendered":"Amar: crit\u00e9rio \u00fanico da vida"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>AMAR: CRIT\u00c9RIO \u00daNICO DA VIDA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Pe. Georgino Rocha<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus manifesta uma paz de esp\u00edrito admir\u00e1vel, transmite uma liberdade interior brilhante, reage serenamente \u00e0 provoca\u00e7\u00e3o dos fariseus em busca de uma prova acusat\u00f3ria. O epis\u00f3dio narrado por Mateus ocorre nas imedia\u00e7\u00f5es do Templo. A provoca\u00e7\u00e3o surge na forma de pergunta sobre o maior mandamento. Pergunta fundamental n\u00e3o apenas para os Judeus, mas para n\u00f3s, os seres humanos, chamados a realizar a nossa voca\u00e7\u00e3o ao amor. Mt 22, 34-40.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O amor \u00e9 a energia vital que nos humaniza e enobrece, tem a sua fonte em Deus e manifesta-se em op\u00e7\u00f5es e crit\u00e9rios, atitudes e gestos concretos. \u00c9 dinamismo de rela\u00e7\u00e3o que revigora o la\u00e7o solid\u00e1rio que nos une e recheia a considera\u00e7\u00e3o que nos dispensamos. \u00c9 alimento de esperan\u00e7a no futuro e for\u00e7a de envolvimento no presente. Sem ele, a pessoa enclausura-se no ego\u00edsmo e a sociedade empobrece no tecido por onde flui a seiva do desenvolvimento integral. Sem ele, o cora\u00e7\u00e3o faz-se insens\u00edvel e a vontade indiferente, a intelig\u00eancia r\u00edgida e o desejo fantasioso, as leis espartilhos e os mandamentos imposi\u00e7\u00f5es insuport\u00e1veis. A vida entrincheira-se no reduto autorreferencial e perde horizontes de sentido, cultivando apenas o jardim da zona de conforto individualista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os fariseus dirigem-se a Jesus e querem saber qual \u00e9 o maior mandamento, pois tinham 248 preceitos e 365 proibi\u00e7\u00f5es, ou seja 613, tal era o seu empenho em prever todas eventualidades na vida e assim cumprir a vontade divina. Preocupa\u00e7\u00e3o leg\u00edtima para um regime de religi\u00e3o controlada, de sistema vigiado, de segrega\u00e7\u00e3o de \u201cpuros e impuros\u201d. Mateus, por\u00e9m, adverte que a pergunta entranhava certa mal\u00edcia, pois era para apanhar Jesus em algo acusat\u00f3rio. A resposta surge di\u00e1fana e serena como se nada de especial estivesse a acontecer: Amar a Deus e ao pr\u00f3ximo como a ti mesmo. E para n\u00e3o haver d\u00favidas, acrescenta: Nestes dois mandamentos se encerra a Lei inteira e os profetas, ou seja toda a revela\u00e7\u00e3o conhecida da vontade de Deus. Resposta sublime. Deixa desarmados os inquisidores. Ter\u00e3o ficado satisfeitos ou amargurados, esclarecidos ou intrigados? Tudo \u00e9 poss\u00edvel. Mas n\u00e3o desarmam e as pr\u00f3ximas cenas apontam para a retalia\u00e7\u00e3o, a pris\u00e3o e a condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus p\u00f5e a claro que h\u00e1 um s\u00f3 amor que se manifesta em intensidades diferentes. Concretamente, a resposta indica tr\u00eas: Amar a Deus com doa\u00e7\u00e3o total, pois Ele toma a iniciativa de vir ao nosso encontro, amar os outros sem reservas, tendo como refer\u00eancia o bem que cada um deseja para si. Ou dito de outro modo: Aprecia o teu bem com o crit\u00e9rio de Deus, respeita e solidariza-te com o pr\u00f3ximo com a medida que usas para ti mesmo, reconhece que o amor te faz entrar e viver no circuito de amor \u00a0pr\u00f3prio de Deus, comunh\u00e3o das tr\u00eas pessoas divinas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O amor abre-nos a Deus de quem procedemos e com quem nos relaciona, faz-nos ver os outros humanos como irm\u00e3os empenhados no mesmo bem, e impele-nos a apreciar as criaturas e a cria\u00e7\u00e3o, o ambiente e a natureza como heran\u00e7a a valorizar e a transmitir \u00e0s pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es. Por isso, o amor abrange a pessoa toda e deve ser cuidadosamente apreciado como valor maior e educado como dimens\u00e3o superior da nossa comum humanidade. Outras dimens\u00f5es que certa imprensa \u201ccor-de-rosa\u201d difunde e de que se alimenta ser\u00e3o sempre pirilampos de luz intermitente a brilhar na noite escura do gosto instant\u00e2neo, do prazer descart\u00e1vel, do bibl\u00f4 de satisfa\u00e7\u00e3o imediata.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O amor de Deus \u00e9 derramado em nossos cora\u00e7\u00f5es e quer irrigar as veias da humanidade e fazer surgir a correspondente civiliza\u00e7\u00e3o, espelho da nossa dignidade. A constru\u00e7\u00e3o do sociedade passa por aqui. S\u00f3 o amor edifica, garante S\u00e3o Paulo ( 1Co 13, 4-7) . Escala de valores, op\u00e7\u00f5es de vida, crit\u00e9rios de ac\u00e7\u00e3o, atitudes, sentimentos e palavras h\u00e3o-de ser reflexo acess\u00edvel nos ambientes da fam\u00edlia e da conviv\u00eancia social, do lazer e da profiss\u00e3o. H\u00e3o-de ser veiculados pela educa\u00e7\u00e3o e pela comunica\u00e7\u00e3o, pela rela\u00e7\u00e3o de proximidade benevolente e pela aten\u00e7\u00e3o sol\u00edcita a tudo o que diz respeito ao que acontece a todos, sobretudo aos mais pobres, como recomenda o livro do \u00caxodo na 1\u00aa leitura deste domingo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Inicia-se, hoje, a semana dedicada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Os nossos Bispos enviam-nos uma mensagem com o t\u00edtulo expressivo:\u00a0\u00abA Alegria do Encontro com Jesus Cristo\u00bb. \u00c9 dela que retiramos alguns par\u00e1grafos que nos fazem sentir o realismo do amor, sentido \u00fanico da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A alegria do encontro \u00e9, antes de mais, a alegria de nos sentirmos amados, de modo pleno e incondicional. Mesmo no pecado? Ent\u00e3o ainda mais!&#8230; j\u00e1 que a car\u00eancia \u00e9 maior&#8230; \u00c9 tamb\u00e9m a alegria pelo \u201cnovo horizonte\u201d e o \u201crumo novo\u201d que esse amor d\u00e1 \u00e0 nossa vida\u2026 \u00c9, enfim, a alegria de vermos a nossa vida a prolongar-se nas vidas daqueles a quem a damos: os pais nas dos filhos; os catequistas nas dos catequizandos; os professores nas dos alunos; todo o educador nas dos educandos (cf. CEP \u201cCatequese: A alegria do encontro com Jesus Cristo\u201d, IV). Uma alegria que cresce, quando tamb\u00e9m eles se d\u00e3o \u2013 a partir do encontro com Cristo, mediado por cada um de n\u00f3s, que ent\u00e3o pode, por isso, dizer: \u00c9 Cristo que vive em mim (Gl 2, 20)\u2026 Acolhamos, por tudo isso, o convite do Papa Francisco a \u201ctodo o crist\u00e3o, em qualquer lugar que se encontre, a renovar (\u2026) o seu encontro pessoal com Jesus Cristo ou, pelo menos, a tomar a decis\u00e3o de se deixar encontrar por Ele, de o procurar no dia-a-dia sem cessar\u201d (<em>A Alegria do Evangelho<\/em>, n. 3).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>AMAR: CRIT\u00c9RIO \u00daNICO<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2467,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,13,50,14],"tags":[],"class_list":["post-2466","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-olhares","category-pe-georgino-rocha","category-temas-para-debate"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2466","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2466"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2466\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2468,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2466\/revisions\/2468"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2467"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2466"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2466"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2466"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}