{"id":244,"date":"2017-03-02T10:18:42","date_gmt":"2017-03-02T10:18:42","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=244"},"modified":"2017-05-19T14:05:02","modified_gmt":"2017-05-19T14:05:02","slug":"um-padre-detetive","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/um-padre-detetive\/","title":{"rendered":"Um padre detetive"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>Um livro que diverte, ao correr do pensamento, e faz pensar, enquanto diverte!<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Lu\u00eds Manuel Pereira da Silva<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-245\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/Contos_Brown.jpg\" alt=\"\" width=\"340\" height=\"340\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/Contos_Brown.jpg 340w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/Contos_Brown-150x150.jpg 150w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/Contos_Brown-300x300.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Os melhores contos do Padre Brown<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Gilbert Keith Chesterton<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Ass\u00edrio e Alvim | 2010 | 233 p\u00e1ginas<\/p>\n<p>Chesterton \u00e9 um g\u00e9nio. E, como todos os g\u00e9nios, tem o cond\u00e3o de poder ser lido de muitos modos, tantos quantos os que dele se abeirarem.<\/p>\n<p>A genialidade de Chesterton evidencia-se, n\u00e3o s\u00f3 na multiplicidade de facetas com que deixou o seu nome na hist\u00f3ria (como romancista, contista, ensa\u00edsta, polemista, biografista, etc.), mas tamb\u00e9m na capacidade \u00edmpar de dizer o que estava \u00e0 vista de todos, mas que uma qualquer cegueira teimava em ocultar. Quem l\u00ea Chesterton n\u00e3o precisa de que se lhe diga quem \u00e9 o autor. A escrita \u00e9 inconfund\u00edvel. Os paradoxos e surpresas s\u00e3o \u00fanicos. Eis Chesterton no seu melhor, aqui nas p\u00e1ginas de <em>Ortodoxia<\/em>: \u00abNingu\u00e9m considera o meu caso mais rid\u00edculo do que eu pr\u00f3prio; leitor algum poder\u00e1 acusar-me de tentar fazer pouco dele: eu sou a pessoa de quem esta hist\u00f3ria faz pouco, e rebelde algum me expulsar\u00e1 desse trono. N\u00e3o tenho pejo em confessar que tive todas as ambi\u00e7\u00f5es idiotas do s\u00e9culo XIX.\u00bb ou \u00abo que produz a insanidade \u00e9 precisamente a raz\u00e3o. N\u00e3o s\u00e3o os poetas que enlouquecem; s\u00e3o os jogadores de xadrez. [\u2026] O poeta pretende apenas meter a cabe\u00e7a nos c\u00e9us. \u00c9 o l\u00f3gico que quer meter os c\u00e9us na cabe\u00e7a. E \u00e9 a cabe\u00e7a do l\u00f3gico que rebenta.\u00bb ou, ainda, \u00abas pessoas que come\u00e7am a lutar contra a Igreja em nome da liberdade e da humanidade acabam por combater a liberdade e a humanidade para poderem lutar contra a Igreja\u00bb.<\/p>\n<p>Neste livro, que colige uma s\u00e9rie de contos policiais em que o protagonista, Padre Brown, desempenha a fun\u00e7\u00e3o de um detetive insuspeito, esses paradoxos emergem quando menos se espera. Assim, no meio de uma barafunda em que o crime em investiga\u00e7\u00e3o est\u00e1 mais enredado do que a pr\u00f3pria realidade faria suspeitar, a narrativa leva-nos pela m\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o a profundas reflex\u00f5es sobre a condi\u00e7\u00e3o humana ou sobre mat\u00e9rias que o \u00abSherlock holmes cat\u00f3lico\u00bb entenda ser oportuno. Propositadamente, recuperamos essa outra figura da narrativa policial universal. Brown n\u00e3o teve o mesmo reconhecimento que o seu cong\u00e9nere brit\u00e2nico, que sa\u00edra da pena de Conan Doyle, mas s\u00f3 por teimosia da hist\u00f3ria, pois o m\u00e9rito n\u00e3o \u00e9 menor. Talvez, at\u00e9, a capacidade com que o Pe. Brown consegue concluir as suas \u2018investiga\u00e7\u00f5es\u2019, atrav\u00e9s da an\u00e1lise dos tra\u00e7os de personalidade, pudesse ter-lhe valido um lugar maior na hist\u00f3ria da literatura. Com Brown, n\u00e3o apenas nos deliciamos a acompanhar a descoberta de quem ser\u00e1 o autor de mais um qualquer \u00abcrime\u00bb como, inclusive, nos vemos enredados pela descoberta mais fundamental de que todos poder\u00edamos ter sido o autor daquele crime, pois \u00abnenhum homem \u00e9, na verdade, muito bom at\u00e9 conhecer o mal que h\u00e1 em si, ou que poder\u00e1 haver\u00bb, uma vez que os criminosos de quem Pe. Brown se abeira s\u00e3o, afinal, tipologias da condi\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>Chesterton confere ao Padre Brown a condi\u00e7\u00e3o de um agente da sua reflex\u00e3o sobre a exist\u00eancia humana, marcada pela sua vis\u00e3o crist\u00e3 de que somos todos marcados pelo limite, pelo pecado original que chancela toda a nossa a\u00e7\u00e3o. \u00abPodemos julgar que um crime \u00e9 horr\u00edvel porque jamais o poder\u00edamos ter cometido. Eu julgo-o horr\u00edvel por saber que poderia t\u00ea-lo cometido.\u00bb.<\/p>\n<p>Chesterton \u00e9 um tardio convertido ao Catolicismo (nascido em 1874, converte-se em 1922, com 48 anos, morrendo em 1936) que assume a defesa da identidade cat\u00f3lica como uma causa pessoal, na convic\u00e7\u00e3o profunda de que \u00abeu sei que as pessoas acusam a Igreja de diminuir a raz\u00e3o, mas o que sucede \u00e9 o inverso. Na Terra, somente a Igreja atribui verdadeira supremacia \u00e0 raz\u00e3o. Na Terra, somente a Igreja afirma que o pr\u00f3prio Deus est\u00e1 sujeito \u00e0 raz\u00e3o.\u00bb Padre Brown dixit! Chesterton placet!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um livro que<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":469,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11,46,9,55],"tags":[],"class_list":["post-244","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-acontece","category-autores","category-programa-diocesano-de-livros-e-leituras","category-luis-manuel-pereira-da-silva"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/244","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=244"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/244\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":470,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/244\/revisions\/470"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/469"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=244"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=244"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=244"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}