{"id":2253,"date":"2017-10-08T17:09:35","date_gmt":"2017-10-08T16:09:35","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=2253"},"modified":"2017-10-08T17:09:42","modified_gmt":"2017-10-08T16:09:42","slug":"rosto-de-misericordia-joao-almiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/rosto-de-misericordia-joao-almiro\/","title":{"rendered":"Rosto de miseric\u00f3rdia: Jo\u00e3o Almiro"},"content":{"rendered":"<p><em>ROSTO DE MISERIC\u00d3RDIA<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>JO\u00c3O ALMIRO DE MELO MENESES E CASTRO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Pe. Georgino Rocha<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o Almiro de Melo Meneses e Castro (de agora em diante Jo\u00e3o Almiro) nasce no seio de uma fam\u00edlia crist\u00e3, a 24 de Junho de 1926, em Canas de Santa Maria, Tondela. Tem v\u00e1rios irm\u00e3os. O pai era m\u00e9dico e exercia uma grande influ\u00eancia no filho Jo\u00e3o que pretendia seguir-lhe os passos. Mas foi dissuadido por ele, pois j\u00e1 havia na fam\u00edlia \u201cm\u00e9dicos suficientes\u201d. Em Coimbra especializa-se em farm\u00e1cia, exercendo a profiss\u00e3o de farmac\u00eautico durante muitos anos com entusiasmo e compet\u00eancia. Casa catolicamente e tem sete filhos. Na rela\u00e7\u00e3o com eles, aprende a ser pai e, levado pelo cora\u00e7\u00e3o, alarga o amor a quem a vida n\u00e3o bafeja nem sorri, aos exclu\u00eddos sociais, por tend\u00eancias desviantes, por influ\u00eancias negativas ou por press\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es desumanas envolventes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dotado de uma rica personalidade em que sobressai a bondade e a gentileza, a coer\u00eancia de atitudes e o s\u00e1bio uso dos bens, Jo\u00e3o Almiro realiza uma obra not\u00e1vel de benefic\u00eancia e recupera\u00e7\u00e3o, de educa\u00e7\u00e3o e reinser\u00e7\u00e3o social, de pai providente a muitos \u00f3rf\u00e3os de amor e de dignidade. A sua longa vida, morre aos 91, torna-o testemunha de acontecimentos de grande projec\u00e7\u00e3o, de teorias que se afirmam como verdades \u201cabsolutas\u201d e se desfazem como nuvens de outono, de ideologias que se afogam na sua pr\u00f3pria arrog\u00e2ncia. E compadecido perante tudo o que v\u00ea e sente, adopta como consigna definitiva do seu modo de ser e de estar na vida: \u201cAprendam a amar\u201d.\u00a0\u201cMetade da minha vida \u00e9 feita a amar e a outra metade amando\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Empreendedor l\u00facido e corajoso<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A paix\u00e3o pela profiss\u00e3o e pelo servi\u00e7o de bem-fazer leva-o a iniciativas e compromissos, a empreendimentos e a sonhos que tem a felicidade de transformar em realidade conseguida. Configura assim o seu perfil plurifacetado e vivo. No r\u00e9s-do-ch\u00e3o da sua casa, abre a farm\u00e1cia onde exerce um aut\u00eantico servi\u00e7o de atendimento ao p\u00fablico, de investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e de estudo dos casos que lhe iam chegando. Realiza assim a paix\u00e3o que d\u00e1 sentido ao seu esp\u00edrito empreendedor: estudar para ter mais compet\u00eancias e servir melhor. No entanto, reconhece que estar ao balc\u00e3o lhe reduz muito os horizontes. E procura outra medida. \u00abPara estar ao balc\u00e3o \u00e9 preciso ser rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas\u00bb, brinca como quem quer dar uma explica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assume cargos p\u00fablicos: Vereador na C\u00e2mara Municipal de Tondela e presidente da Junta de Freguesia de Campo de Besteiros, v\u00e1rias vezes. Cria a Labesfal, Laborat\u00f3rio de Especialidades Farmac\u00eauticas, empresa de medicamentos gen\u00e9ricos, que entrega aos filhos porque confessa enternecido: \u00abAgora tenho uma riqueza maior. S\u00e3o estes homens e estas mulheres que vivem comigo\u00bb. \u00c9 reconhecido como \u201cempres\u00e1rio, autarca e humanista filantropo, pelas grandes causas que abra\u00e7ou na sua vida&#8221;, declara o presidente da C\u00e2mara de Tondela, a prop\u00f3sito do luto municipal aquando da morte de Almiro a 28 de Setembro de 2017.\u00a0&#8220;A Labesfal \u00e9 o que \u00e9 hoje devido \u00e0 sua vis\u00e3o empreendedora e ao seu sentido apurado enquanto farmac\u00eautico para a investiga\u00e7\u00e3o e para o desenvolvimento desse projeto&#8221;, afirma o autarca tondelense.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Participa em eventos internacionais ligados \u00e0 \u00e1rea da sua especializa\u00e7\u00e3o onde faz comunica\u00e7\u00f5es originais.Funda as institui\u00e7\u00f5es Conv\u00edvio Jovem e Casa das Andorinhas, \u201cas meninas dos seus olhos\u201d, onde o amor faz maravilhas. A f\u00e9 crist\u00e3 \u00e9 seiva que irriga o seu humanismo solid\u00e1rio. A pr\u00e1tica dominical robustece as suas profundas convic\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mestre na arte de acolher e acompanhar<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o Almiro mostra como a vida \u00e9 mestra pelas situa\u00e7\u00f5es novas que surgem, pela experi\u00eancia que proporciona, pelos avan\u00e7os e recuos que regista e pelo olhar cr\u00edtico que desenvolve. O balc\u00e3o oferece um espa\u00e7o de aprendizagem e de proximidade. E o desejo de ajudar mais e melhor leva-o n\u00e3o apenas a acolher quem o procura, mas a ir onde pressente a dor, as l\u00e1grimas, a mis\u00e9ria. Faz-se peregrino e encontrado. Oferece ajuda, lan\u00e7a apelos, adverte os renitentes, acompanha os incriminados, cria la\u00e7os familiares com os que consegue reunir nas suas institui\u00e7\u00f5es. A TVI 24 dedica-lhe a grande reportagem &#8220;At\u00e9 Voares&#8221;, programa premiado a n\u00edvel internacional, programa que visualiza o hist\u00f3rico de Almiro no seu ambiente do dia-a-dia. A revista Sa\u00fade reproduz entrevistas que desvendam constantes do seu mundo interior e real\u00e7am o contributo dado por ele \u00e0 ci\u00eancia farmac\u00eautica. E o coro de vozes alarga-se nas redes sociais em tons de grande apre\u00e7o pela vida doada em servi\u00e7o gratuito e dedica\u00e7\u00e3o exclusiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Rosto de miseric\u00f3rdia: Dar-se em amor<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSou louco, mesmo louco de amor, mas do amor que se d\u00e1 e n\u00e3o do que se recebe, como infelizmente impera na nossa sociedade moderna. A felicidade e a realiza\u00e7\u00e3o s\u00f3 s\u00e3o poss\u00edveis quando nos damos em amor, sem saber como e a quem. Metade da minha vida \u00e9 feita a amar e a outra metade amando\u201d. Bela s\u00edntese que nos lega como \u201ctestamento vital\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O percurso de Almiro leva-o aos locais onde pessoas sofrem por falta de tudo, a come\u00e7ar pelo indispens\u00e1vel \u00e0 sobreviv\u00eancia. Ele mesmo narra situa\u00e7\u00f5es de incr\u00edvel realismo e dor. E a lista regista nomes (reais ou fict\u00edcios para evitar inconfidencialides) como T\u00f3 Man\u00e9, Samuel, Marina, Betinha, Jorge, Rafael e tantos outros. E os casos t\u00eam um realismo incomodativo, que reproduzo em breves relatos extra\u00eddos da entrevista feita por Carlos Enes para a\u00a0 \u201cRevista Farm\u00e1cia de Portugal\u201d, a\u00a0 21 de Mar\u00e7o de 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAquela rapariga que eu salvei da lama, aquela rapariga que eu fui buscar ao Hotel Ibiza, a Set\u00fabal, \u00e0s duas da manh\u00e3, com 11 anos, estava na cama com um velhote de 60 anos e tinha sido vendida por 100 contos. O velhote pagou 100 contos para dormir uma noite com uma mi\u00fada virgem, com 11 anitos. H\u00e1 dinheiro que pague isso? Que me interessa o dinheiro?\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Samuel, 35 anos, trabalha hoje entre fardos de palha. Descreve uma inf\u00e2ncia de mis\u00e9ria: \u201cChegava a casa. \u2018De onde \u00e9 que tu vens, vagabundo?\u2019 Pronto, porrada em cima\u201d. Fala em gratid\u00e3o: \u201cQuando eu precisei o Dr. Almiro ajudou-me, agora \u00e9 a minha vez. At\u00e9 para caminhar temos de o segurar, Se agente lhe d\u00e1 com os p\u00e9s e vamos embora, o que \u00e9 dele sem n\u00f3s\u201d.\u00a0\u00a0O pai de Samuel, o homem de quem fugiu na inf\u00e2ncia, veio tamb\u00e9m aqui parar. Sentado na velha cadeira, v\u00ea como o filho est\u00e1 praticamente independente, com carro pr\u00f3prio carro pago com o dinheiro que ganha no matadouro de Vilar de Besteiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cUma mi\u00fada de 12 anos, veio para aqui a pedido do tribunal de Set\u00fabal. Chegou-me aqui \u00e0 noite, com a pol\u00edcia. A mi\u00fada algemada, algemada! E eu dizia-lhes: \u00abTirem-lhe as algemas!\u00bb, e eles, \u00abN\u00e3o, sem o senhor assinar o termo de responsabilidade, n\u00e3o tiramos\u00bb. Assinei o termo de responsabilidade. Tr\u00eas dias depois fugiu e eu apanhei-a outra vez. Era de Aveiro. A minha filha andou seis meses com a mi\u00fada num dermatologista, porque era abusada numa discoteca\u2026 Hoje est\u00e1 casada, tem um apartamento, tem marido, tem uma filha (o rosto de Jo\u00e3o Almiro ilumina-se de verdadeira felicidade). Imagine o que uma garota de 12 anos sofre. Um velhote com dinheiro. Eu prefiro n\u00e3o ter dinheiro. Eu n\u00e3o quero levar o meu caix\u00e3o cheio de dinheiro. Quero um caix\u00e3o de amor e servi\u00e7o, que dei aos outros. \u00c9 para isso que eu vivo. Estou radiante para morrer como Deus quiser, mas n\u00e3o \u00e9 com o dinheiro. \u00c9 com amor que dou a eles. E ven\u00e7o-os pelo amor\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u201cSabe como funcionam as andorinhas, n\u00e3o sabe?,\u00a0 pergunta ao entrevistador. Elas v\u00e3o e v\u00eam. Quando est\u00e3o preparadas voam, mas depois voltam. Este \u00e9 uma andorinha. Encontrou uma mi\u00fada e voou\u00bb. A explica\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Almiro ajuda a perceber a inscri\u00e7\u00e3o na varanda que d\u00e1 para a rua principal: \u00abAndorinhas\u00bb. Foi assim que o farmac\u00eautico baptizou a casa de fam\u00edlia, onde agora vive com cerca de quarenta pessoas\u201d.\u00a0 Apetece dizer: Basta de palavras. As obras falam mais alto e o amor feito servi\u00e7o \u00e9 mais convincente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Chaves de leitura da sua vida<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em ocasi\u00f5es diversas, Jo\u00e3o Almiro faz declara\u00e7\u00f5es e escreve mensagens sobre a sua vida e obra. Recolho algumas em frases que parecem prov\u00e9rbios sapienciais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O maior pr\u00e9mio do trabalho que fazemos na Casa das Andorinhas \u00e9 ver renascer os homens e mulheres que ajudamos. \u00c0s vezes, tudo o que \u00e9 preciso \u00e9 dar a m\u00e3o. H\u00e1 homens que s\u00f3 t\u00eam a rua, t\u00eam o desprezo e as tenta\u00e7\u00f5es. N\u00e3o t\u00eam ningu\u00e9m que lhes d\u00ea a m\u00e3o. E a gente d\u00e1-lhes um dedo e eles levantam-se logo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 homens t\u00e3o pobres, t\u00e3o pobres, que s\u00f3 t\u00eam dinheiro e bens materiais, aos quais est\u00e3o demasiado apegados. Experimenta dar um pouco de ti mesmo e verificar\u00e1s que recebes muito mais, para al\u00e9m da tranquilidade da tua consci\u00eancia. H\u00e1 muitos analfabetos que s\u00e3o grandes doutores e muitos doutores por polir e educar. Todos os exerc\u00edcios de paci\u00eancia consistem em actos de amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que \u00e9 que eu quero o dinheiro? Para amar, mais nada. Tornar os outros felizes iguais a mim. Dar-lhes o direito que eu tive. Eu tive um pai e uma m\u00e3e e uma fam\u00edlia, e todos t\u00eam direito a isso\u2026 Temos uma sociedade que vive de fachada. \u00c9 tudo muito bonito, custa dinheiro, queremos mandar nos outros. Eu n\u00e3o quero mandar, quero que mandem em mim. Sou o guarda deles, mas para me levantar da cama tenho de os chamar\u00a0Perguntaram-me que presente gostava de receber neste dia em que fa\u00e7o 89 anos. \u00c9 simples: comida para alimentar as pessoas que vivem comigo. Obrigado a todos pelo maravilhoso apoio que me t\u00eam dado!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O rosto de Almiro irradia felicidade. N\u00e3o de apar\u00eancia nem de fachada, mas fruto de um cora\u00e7\u00e3o que sabe amar e, por amor, pauta toda a sua vida. N\u00e3o de momentos fugazes e ef\u00e9meros, mas de coer\u00eancia comprovada na sua hist\u00f3ria pessoal e na consist\u00eancia da sua obra. N\u00e3o de ac\u00e7\u00f5es vistosas e deslumbrantes, mas de gestos familiares que desvendam novas dimens\u00f5es \u00e0 miseric\u00f3rdia compassiva pelas pessoas feridas na sua dignidade inalien\u00e1vel e se faz amizade incondicional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(Foto encontrada na p\u00e1gina <a href=\"https:\/\/pt-pt.facebook.com\/permalink.php?story_fbid=1541837192552817&amp;id=555225851213961\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ao &#8216;tom&#8217;dela<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ROSTO DE MISERIC\u00d3RDIA<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2254,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,13,50,15],"tags":[],"class_list":["post-2253","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-olhares","category-pe-georgino-rocha","category-rostos-de-misericorida"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2253","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2253"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2253\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2255,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2253\/revisions\/2255"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2254"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2253"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2253"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2253"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}