{"id":225,"date":"2017-02-17T12:22:03","date_gmt":"2017-02-17T12:22:03","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=225"},"modified":"2019-05-02T11:52:34","modified_gmt":"2019-05-02T10:52:34","slug":"17-mil-abortos-por-ano-um-problema-de-saude-publica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/17-mil-abortos-por-ano-um-problema-de-saude-publica\/","title":{"rendered":"17 mil abortos por ano &#8211; um problema de sa\u00fade p\u00fablica"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\">Discurso de abertura da \u00abTert\u00falia \u00e0 quarta\u00bb<\/h2>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>\u00ab17 mil abortos por ano &#8211; um problema de sa\u00fade p\u00fablica\u00bb &#8211; Com Professor Doutor Walter Osswald<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>CUFC | 15 de fevereiro de 2017<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-205\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/Foto-Prof-Walter-Osswald_CROP-1024x754.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"736\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/Foto-Prof-Walter-Osswald_CROP-1024x754.jpg 1024w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/Foto-Prof-Walter-Osswald_CROP-300x221.jpg 300w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/Foto-Prof-Walter-Osswald_CROP-768x565.jpg 768w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/Foto-Prof-Walter-Osswald_CROP-407x300.jpg 407w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/p>\n<p>(Discurso proferido por Lu\u00eds Manuel Pereira da Silva &#8211; Presidente da Comiss\u00e3o Diocesana da Cultura)<\/p>\n<p><strong>O professor Walter Osswald<\/strong><\/p>\n<p>Professor Walter, estive muito indeciso sobre como deveria apresent\u00e1-lo. Descrever o seu extenso curr\u00edculo seria insensato, por estarmos a dizer o que de todos \u00e9 conhecido. Seria, ainda, indelicado! N\u00e3o apresentamos quem bem conhecemos e que sentimos como um de n\u00f3s, com afeto, orgulho e singular considera\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>Optei, por isso, por apresentar-lhe a si mesmo quem \u00e9 para n\u00f3s.<\/p>\n<p>O professor Walter \u00e9, antes de mais, um s\u00e1bio. Um dos gigantes da bio\u00e9tica, em Portugal, com um reconhecimento que excede os limites da na\u00e7\u00e3o. Atestam-no o reconhecimento com a Gr\u00e3-Cruz da Ordem de Sant\u2019Iago da Espada (4 de novembro 2008) atribu\u00edda pelo sr. Presidente da Rep\u00fablica, Prof. An\u00edbal Cavado Silva, na gloriosa companhia de outros gigantes: Prof. Daniel Serr\u00e3o, Dr. Jorge Biscaia e Prof. Lu\u00eds Archer; com a Comenda da Ordem de S\u00e3o Greg\u00f3rio Magno, atribu\u00edda pela Santa S\u00e9, com doutoramento Honoris Causa, pela Universidade de Coimbra, ou, mais recentemente, com o Pr\u00e9mio \u00c1rvore da Vida-Padre Manuel Antunes, pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, em 2016.<\/p>\n<p>Devemos-lhe a cria\u00e7\u00e3o do Instituto de Bio\u00e9tica da Universidade Cat\u00f3lica (de que sou um muito grato benefici\u00e1rio de um Mestrado de singular qualidade, conclu\u00eddo em 2007) correspondendo \u00e0 vanguardista iniciativa da cria\u00e7\u00e3o de Institutos de Bio\u00e9tica de matriz personalista, o registo e paradigma em que se situa e cuja salvaguarda muito lhe devemos nestes tempos t\u00e3o marcados por uma dilui\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia da espec\u00edfica dignidade humana.<\/p>\n<p>Reconhecemos-lhe, tamb\u00e9m, o m\u00e9rito de ser um erudito cultor da l\u00edngua portuguesa e dotado de um inteligente humor fino. Confesso-lhe que tenho, no final de alguns dos seus livros, destaques onde registo aquilo a que chamo \u00abHumor de Osswald\u00bb (como aquela passagem em que recorda que, segundo a sua av\u00f3, o senso comum tem uma designa\u00e7\u00e3o errada, por ser, afinal, incomum\u00bb. Subtilezas de um germ\u00e2nico com influ\u00eancias latinas!) Perdoar-me-\u00e1 esta familiaridade.<\/p>\n<p>Vemos em si, ainda, a autoridade. A verdadeira autoridade, aquela que deriva de \u00abaugere\u00bb, \u00abfazer crescer\u00bb, \u00abaumentar\u00bb. Crescemos quando o ouvimos, quando o lemos, quando beneficiamos das suas decis\u00f5es\u2026 A sua autoridade \u00e9 a que vem da for\u00e7a do argumento e nunca do argumento da for\u00e7a. Ali\u00e1s, a sua foi sempre uma palavra de cuidado para com a fragilidade e a vulnerabilidade.<\/p>\n<p>E \u00e9 por isto tudo que esta noite \u00e9 singular. T\u00ea-lo connosco \u00e9 estar a realizar hist\u00f3ria, \u00e9 ser privilegiado.<\/p>\n<p>Como costumo recordar a prop\u00f3sito do meu encontro, em 2002, com o Papa Jo\u00e3o Paulo II, quando me perguntam \u00abViste o Papa?\u00bb.<\/p>\n<p>Costumo dizer \u00abIsso n\u00e3o \u00e9 novidade. Vemo-lo muitas vezes. Novidade \u00e9 que o Papa me tenha visto a mim e eu possa ter passado pela sua vida uns demorados segundos!\u00bb<\/p>\n<p>Novidade \u00e9 que, por estarmos aqui, diante de si (parafraseando o t\u00edtulo de um dos \u00faltimos livros do Professor Daniel Serr\u00e3o, que tamb\u00e9m assim homenageamos), possamos ser brindados com a honra de, por breves momentos, nos cruzarmos com a sua hist\u00f3ria. Depois desta noite, saberemos que estivemos diante de um gigante que nos levou aos ombros.<\/p>\n<p>E bem precisamos de quem nos alargue os horizontes, pois, ao longo dos \u00faltimos 10 anos, os horizontes andaram estreitos e rasos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A problem\u00e1tica da tert\u00falia<\/strong><\/p>\n<p>No passado dia 11 de fevereiro, cumpriram-se 10 anos sobre o segundo referendo ao abortamento volunt\u00e1rio (vulgarmente designado como \u00ababorto\u00bb e eufemisticamente referido como \u00abinterrup\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria da gravidez\u00bb). O anterior referendo tinha ocorrido em 28 de junho de 1998. Em ambos os casos, a elevada absten\u00e7\u00e3o redundou na verifica\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter n\u00e3o vinculativo das consultas.<\/p>\n<p>O legislador decidiu, por\u00e9m, vincular-se ao resultado minorit\u00e1rio do segundo referendo. Ali\u00e1s, tudo fazia crer que, se, mais uma vez, n\u00e3o se deliberasse no sentido do que pretendiam os defensores do sim, haveria de se insistir at\u00e9 que o cansa\u00e7o das popula\u00e7\u00f5es as levasse a baixar os bra\u00e7os.<\/p>\n<p>Decorridos dez anos sobre esses tempos de combate, j\u00e1 poucos se recordar\u00e3o dos argumentos que ent\u00e3o se invocaram para a legaliza\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica que passou a ser sem quaisquer condi\u00e7\u00f5es, at\u00e9 \u00e0s dez semanas, j\u00e1 que, desde 1984 se praticava, a coberto da lei, o abortamento em circunst\u00e2ncias e prazos definidos como a malforma\u00e7\u00e3o, o perigo de vida para a m\u00e3e e o atentado contra a autodetermina\u00e7\u00e3o individual. Recordar esses argumentos seria interessante, at\u00e9 para se constatar como j\u00e1 n\u00e3o se est\u00e1 no ponto inicial.<\/p>\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 a enuncia\u00e7\u00e3o desse argument\u00e1rio que nos traz aqui, mas sim confrontarmo-nos com uma interroga\u00e7\u00e3o de fundo: 145 mil abortos praticados a coberto da mudan\u00e7a de 2007 n\u00e3o deveriam inquietar-nos? N\u00e3o estaremos perante um real problema de sa\u00fade p\u00fablica ou, no limite, de crise de sensibilidade \u00e9tica, nesta sociedade l\u00edquida, marcada por uma esp\u00e9cie de cegueira moral, para invocar os alertas deixados pelo pensador polaco Zigmunt Bauman?<\/p>\n<p>Antes de passar a palavra ao Professor Walter, n\u00e3o poderei deixar de recordar uma mudan\u00e7a do \u00e2mbito da jurisprud\u00eancia europeia que veio dar outra for\u00e7a e legitimidade aos que sempre defenderam que o aborto \u00e9 um atentado contra a vida humana.<\/p>\n<p>Recordo-me bem de, em numerosos debates em que participei, quer em 1998, quer em 2007, ter ouvido defender que a legitimidade da legaliza\u00e7\u00e3o do aborto decorria de um hipot\u00e9tico direito da mulher a abortar, que parecia suportar-se na declara\u00e7\u00e3o universal dos direitos humanos. Ora, o que \u00e9 certo \u00e9 que, ap\u00f3s ter-se combatido, durante cerca de uma d\u00e9cada (entre 1998 e 2007), a dura luta da defesa da vida humana no ventre materno, o Tribunal Europeu dos Direitos humanos deliberou, sem possibilidade de recurso, em 16 de dezembro de 2010, com 11 votos a favor e 6 contra, que o aborto n\u00e3o \u00e9 um direito humano e, por isso, \u00e9 leg\u00edtimo que os Estados o penalizem.<\/p>\n<p>\u00c9 aqui que estamos:<\/p>\n<p>-169 mil abortos depois,<\/p>\n<p>&#8211; perante um aparente sil\u00eancio comprometido ou j\u00e1 inconsciente da imprensa e da comunidade em geral,<\/p>\n<p>&#8211; perante as 29% de interrup\u00e7\u00f5es repetidas realizadas em 2015 ( de um total de cerca de 16 mil \u2013 15873),<\/p>\n<p>&#8211; face a um Tribunal Europeu dos Direitos Humanos que vem reconhecer que o aborto n\u00e3o \u00e9 um direito e<\/p>\n<p>&#8211; perante o efeito de plano inclinado que come\u00e7a na suposta compaix\u00e3o e acaba na insensibilidade ou at\u00e9 na persegui\u00e7\u00e3o de quem ainda protege a vida (vejam-se os dois casos recentes ocorridos em Fran\u00e7a \u2013 em que se impediu a divulga\u00e7\u00e3o de um filme que fazia o elogio da vida marcada pela defici\u00eancia ou a tentativa do Parlamento franc\u00eas de penalizar as institui\u00e7\u00f5es de defesa da vida),<\/p>\n<p>Como n\u00e3o reconhecer que estamos perante um problema grave de sa\u00fade p\u00fablica?<\/p>\n<p>Professor Walter, \u00e9 aos ombros de gigantes que os an\u00f5es se tornam grandes. Estamos a precisar dos seus ombros\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Discurso de abertura<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":812,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[28,115,10,121,123],"tags":[],"class_list":["post-225","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-httpdiocese-aveiro-ptculturaa-comissao","category-atividades-da-comissao","category-noticias","category-tertulias","category-tertulias-2017"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/225","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=225"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/225\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":811,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/225\/revisions\/811"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/812"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=225"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=225"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=225"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}