{"id":2216,"date":"2017-10-06T14:17:48","date_gmt":"2017-10-06T13:17:48","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=2216"},"modified":"2017-11-01T19:58:51","modified_gmt":"2017-11-01T19:58:51","slug":"aveirense-ilustre-manuel-freitas-fundador-do-museu-do-ouro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/aveirense-ilustre-manuel-freitas-fundador-do-museu-do-ouro\/","title":{"rendered":"Aveirense ilustre &#8211; Manuel Freitas, fundador do Museu do Ouro"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><em>Aveirense Ilustre<\/em><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Manuel Freitas, fundador do Museu do Ouro<\/h2>\n<p style=\"text-align: center;\">Cardoso Ferreira (Textos)<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">Natural de Requeixo, no ano de 1940, Manuel Rodrigues Freitas fixou resid\u00eancia em Viana do Castelo, cidade geminada com Aveiro, onde se notabilizou como ourives e fundador do Museu de Ourivesaria Tradicional Portuguesa.<\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">Manuel Rodrigues de Freitas nasceu em Requeixo, concelho de Aveiro, no ano de 1940, numa fam\u00edlia humilde e rural, sendo filho de uma m\u00e3e analfabeta e de um pai surdo-mudo, tal como uma irm\u00e3. Os pais, no entanto, tudo fizeram para dar um futuro melhor aos filhos, como este mesmo reconheceu ao afirmar numa entrevista publicada no \u201cDi\u00e1rio de Not\u00edcias\u201d: \u201cA minha m\u00e3e fez o que podia para me ajudar, mas era muito rigorosa. Venderam muitas leiras para eu poder estudar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante a escola prim\u00e1ria, ainda em Aveiro, Manuel Freitas era \u201cdos piores alunos\u201d, por causa da \u201cpersegui\u00e7\u00e3o\u201d dos colegas. Foi precisamente a\u00ed que encontrou a professora Sara, que lhe transformou a vida. \u201cPuxou por mim e, em 15 dias, escondidos de todos, deu-me explica\u00e7\u00f5es de matem\u00e1tica. A partir da\u00ed, tornei-me sempre no melhor aluno\u201d, disse na referida entrevista, na qual tamb\u00e9m recordou a ajuda que dava em casa: \u201c(\u2026) Tinha de preparar o estrume. Era feito, entre outras coisas, com nen\u00fafares. Por isso \u00e9 que nunca encontrei batatas como as daquela terra noutro lugar\u201d,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir dos 10 anos de idade, as f\u00e9rias eram passadas em Viana do Castelo, na ourivesaria Freitas, propriedade do tio, a trabalhar na ourivesaria, iniciando a aprendizagem de uma arte em que, anos mais tarde, se tornou um mestre de renome nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De Aveiro passou para Tondela, onde continuou os estudos no Col\u00e9gio Tom\u00e1s Ribeiro. A etapa seguinte foi passada em Mo\u00e7ambique, onde esteve pouco mais de dois anos, como militar, durante a guerra colonial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>De Aveiro para\u00a0\u00a0<\/strong><strong>Viana do Castelo <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Manuel Freitas \u00e9 um bom exemplo do esp\u00edrito de irmandade que une as cidades irm\u00e3s de Aveiro e de Viana do Castelo, j\u00e1 que nasceu na primeira e fixou resid\u00eancia na segunda, onde j\u00e1 estavam familiares seus, nomeadamente o seu tio Joaquim Sim\u00f5es de Freitas, que, no ano de 1920, abriu a Ourivesaria Freitas, dando seguimento a uma outra fundada em 1880 por um seu familiar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas f\u00e9rias de ver\u00e3o que passou em Viana do Castelo, Manuel Freitas n\u00e3o s\u00f3 aprendeu a arte de trabalhar o ouro, como tamb\u00e9m foi a\u00ed que conheceu a mulher que viria a ser a sua esposa, Filomena Costa Freitas, licenciada em filologia-rom\u00e2nica e em hist\u00f3rico-filos\u00f3ficas pela Universidade de Coimbra, que foi professora na Escola Comercial e Industrial de Viana e depois no antigo Liceu de Viana do Castelo. Desse casamento nasceram dois filhos, a Marisa e o Eduardo, ambos j\u00e1 falecidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Manuel Freitas licenciou-se em economia, na Universidade do Porto, ainda que o seu desejo inicial fosse o de ser engenheiro. Terminado o curso, ingressou no ent\u00e3o Banco Pinto Magalh\u00e3es, como inspetor, e mais tarde, garante, recusou um convite para gerir uma delega\u00e7\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois da atividade banc\u00e1ria, passou a lecionar economia e contabilidade na Escola Comercial de Viana do Castelo, fun\u00e7\u00f5es a que p\u00f4s termo ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o de 25 de abril de 1974. Nessa altura, conta, \u201cacabou-se a disciplina, os alunos faziam o que queriam\u201d. \u201cDe um dia para o outro, deixei de aparecer na escola porque n\u00e3o estava para aturar aquilo. Assim o fiz e n\u00e3o voltei mais\u201d, confessou uns anos mais tarde. No entanto, desde 1969 geria a ourivesaria do tio, neg\u00f3cio que, a partir de 1974, passou a ser a sua principal profiss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Museu de Ourivesaria <\/strong><strong>Tradicional Portuguesa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 13 de agosto de 2007, Manuel Freitas abriu o Museu da Ourivesaria Tradicional Portuguesa, no qual exp\u00f4s um esp\u00f3lio de cerca de 800 pe\u00e7as antigas, de grande valor museol\u00f3gico. Esse polo museol\u00f3gico, juntamente com a ourivesaria, foi violentamente assaltado no dia 6 de setembro de 2007, tendo desaparecido grande parte das pe\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse facto, no entanto, n\u00e3o demoveu a vontade de Manuel Freitas reabrir novamente o museu, o que aconteceu no dia 16 de dezembro de 2008. \u201c[Aproveitamos] as pe\u00e7as que sobraram, outras que ainda t\u00ednhamos de reserva, outras oferecidas por vianenses e reprodu\u00e7\u00f5es se muitas das pe\u00e7as roubadas, oferecidas, na sua maioria por fabricantes\u201d, explicou. A par das joias, o museu tamb\u00e9m expunha in\u00fameros utens\u00edlios antigos de fabrico e dezenas de desenhos de joias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em julho de 2011, o Museu de Ourivesaria Tradicional Portuguesa deu lugar \u00e0 Sala do Ouro, instalada no Museu do Traje de Viana do Castelo, mudan\u00e7a que se deveu \u00e0 doa\u00e7\u00e3o de cerca de 650 pe\u00e7as que Manuel Freitas fez \u00e0 C\u00e2mara Municipal de Viana do Castelo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Manuel Freitas publicou diversas obras sobre ourivesaria, entre as quais o \u201cLivro do Museu da Ourivesaria Tradicional\u201d e \u201cOuro de Viana\u201d, sendo tamb\u00e9m colaborador de algumas revistas da especialidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a morte do seu filho, e em homenagem a ele, criou a Funda\u00e7\u00e3o Eduardo Freitas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Interven\u00e7\u00e3o c\u00edvica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com as primeiras elei\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas, Manuel Freitas tornou-se no primeiro presidente da Assembleia Municipal de Viana do Castelo. Mais tarde, assumiu fun\u00e7\u00f5es de vereador no executivo municipal. A n\u00edvel partid\u00e1rio, foi um dos fundadores do Partido Popular Democr\u00e1tico (PPD), hoje Partido Social Democr\u00e1tico (PSD), sendo dirigente local.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com ourives e autor de livros, tem sido benem\u00e9rito de institui\u00e7\u00f5es como o Ber\u00e7o de Nossa Senhora das Necessidades e o CAT do Centro Social Paroquial de Nossa Senhora de F\u00e1tima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Requeixo continua a ser uma refer\u00eancia para Manuel Freitas, terra com que mant\u00e9m la\u00e7os de familiaridade. H\u00e1 poucos anos, doou pe\u00e7as art\u00edsticas e valiosas \u00e0 Igreja Matriz de Requeixo, tendo sido tamb\u00e9m alvo de uma homenagem por parte dessa freguesia aveirense.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>\u00a0(A rubrica \u00abAveirenses ilustres\u00bb \u00e9 promovida em parceria com o jornal diocesano\u00a0<a href=\"http:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Correio do Vouga<\/a>)<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aveirense Ilustre Manuel<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2219,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,64,65,13],"tags":[],"class_list":["post-2216","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-aveirenses-ilustres","category-cardoso-ferreira","category-olhares"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2216","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2216"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2216\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2561,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2216\/revisions\/2561"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2219"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2216"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2216"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2216"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}