{"id":2169,"date":"2017-09-27T17:02:03","date_gmt":"2017-09-27T16:02:03","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=2169"},"modified":"2017-09-27T17:28:48","modified_gmt":"2017-09-27T16:28:48","slug":"d-manuel-martins-vida-que-e-farol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/d-manuel-martins-vida-que-e-farol\/","title":{"rendered":"D. Manuel Martins: Vida que \u00e9 farol"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>D. Manuel Martins: Vida que \u00e9 farol<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Pe. Georgino Rocha<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A not\u00edcia do falecimento do bispo de Set\u00fabal, como gostava de ser chamado D. Manuel Martins, faz vir a p\u00fablico a elevada estima e admira\u00e7\u00e3o que granjeou ao longo da sua vida na realiza\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o pastoral. As vozes que se ergueram referem, com frequ\u00eancia, a sua lisura de car\u00e1cter, a transpar\u00eancia de procedimentos, a oportunidade e clareza das interven\u00e7\u00f5es, a familiaridade com quem \u00e9 v\u00edtima dos atropelos \u00e0 dignidade humana e sofre por n\u00e3o ter voz, nem vez numa sociedade surda, apesar de muitos meios de comunica\u00e7\u00e3o, e numa igreja distante da realidade que configura a vida humana e, tantas vezes, a maltrata.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNasci bispo em Set\u00fabal, agora sou de Set\u00fabal. Aqui anunciarei o Evangelho da justi\u00e7a, da paz e do amor\u201d, afirma D. Manuel Martins ao chegar \u00e0 sua nova diocese, em 1975, onde fica at\u00e9 1998 quando cessa fun\u00e7\u00f5es.Vinha do Porto, diocese a que pertencia, e ao Porto regressa ap\u00f3s a aceita\u00e7\u00e3o do pedido de resigna\u00e7\u00e3o por Jo\u00e3o Paulo II. Traz consigo a experi\u00eancia de p\u00e1roco, de professor, de vig\u00e1rio geral de D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes e de muitos outros \u201cof\u00edcios\u201d dentro do presbit\u00e9rio e no seio da Igreja diocesana. Experi\u00eancia aliada a uma vasta cultura e a uma profunda sabedoria que brota do amor entranhado a Jesus Cristo e ao Evangelho, \u00e0 Igreja e \u00e0s suas comunidades locais. Experi\u00eancia consistente que lhe serve de suporte na organiza\u00e7\u00e3o da nova diocese e no assumir dos seus m\u00faltiplos desafios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Personalidade forte e irradiante, o bispo de Set\u00fabal faz ouvir a voz dos silenciados, em situa\u00e7\u00e3o de grande precaridade e instabilidade familiar. Marca presen\u00e7a de modo inequ\u00edvoco sempre que a dignidade humana \u00e9 esquecida ou espezinhada. Toma iniciativas discretas, mas eficazes, junto de quem mais precisa, sobretudo na pen\u00ednsula de Set\u00fabal, na crise da d\u00e9cada de 80 do s\u00e9culo 20.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria de F\u00e1tima, de Le\u00e7a do Balio, terra natal de D. Manuel Martins, lembra-se de o ver levar para Set\u00fabal \u201ccarradas de roupas, batatas e couves\u201d nos tempos mais graves da crise que atingiu a regi\u00e3o. Ele tinha uma \u201cforte consci\u00eancia social\u201d, era \u201cum amigo\u201d e \u201camigo dos mais necessitados\u201d, acrescenta. Esta confid\u00eancia pode servir como \u201cbot\u00e3o de mostra\u201d do seu modo de ser e de agir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como eco \u00e0 not\u00edcia da morte, afirma o Presidente da Rep\u00fablica, Marcelo Rebelo de Sousa: \u201cSeria na Diocese de Set\u00fabal que, entre 1975 e 1998, a lealdade a esses valores mais se fez sentir, tornando D. Manuel Martins uma personalidade por todos admirada quer pelo vigor e desassombro da sua palavra, quer pela energia da sua a\u00e7\u00e3o, quer pela sua rigorosa independ\u00eancia face aos poderes institu\u00eddos\u201d. E acrescenta que ele soube projetar \u201cos valores universais do humanismo crist\u00e3o muito para l\u00e1 dos limites da sua diocese\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De facto, os meios de comunica\u00e7\u00e3o mostram-se particularmente sens\u00edveis a certos estilos de vida e de linguagem, a temas mordentes da realidade social e religiosa, a mensagens amassadas em suor e l\u00e1grimas, a rostos compassivos e a pessoas intervenientes. D. Manuel Martins satisfazia estas caracter\u00edsticas e transpirava uma natural empatia com as pessoas envolvidas. Por isso, escreve \u00e0 Madre Teresa de Calcut\u00e1, a fundadora das Filhas da Caridade e irm\u00e3zinha dos pobres, sobretudo na \u00cdndia, para vir abrir uma comunidade das suas irm\u00e3s, em Set\u00fabal. E consegue. O sonho de dar rosto comunit\u00e1rio \u00e0 solicitude de pessoa-a-pessoa realiza-se de forma convincente e atesta a dimens\u00e3o primeira da aten\u00e7\u00e3o ao outro em necessidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">D. Manuel Martins foi presidente da Comiss\u00e3o Episcopal da A\u00e7\u00e3o Social e Caritativa, bem como da Comiss\u00e3o Episcopal das Migra\u00e7\u00f5es e Turismo, na Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa; e ainda presidente da Sec\u00e7\u00e3o Portuguesa da Pax Christi e da Funda\u00e7\u00e3o SPES, criada por D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deixa a marca de quem: \u201cN\u00e3o se resigna, interv\u00e9m. N\u00e3o implora aux\u00edlio do poder, exige o que os direitos requerem. N\u00e3o adormece as consci\u00eancias, desperta-as para se darem ao respeito. N\u00e3o se contenta com reprovar, acusa e denuncia as injusti\u00e7as. N\u00e3o fala da pobreza, combate-a\u201d. Este depoimento pertence a D. Carlos Azevedo, bispo portugu\u00eas, delegado do Conselho Pontif\u00edcio da Cultura (Santa S\u00e9); depoimento escrito na p\u00e1gina do seu Facebook.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O seu exemplo de cidad\u00e3o e de crist\u00e3o bispo \u00e9 reconhecido na sociedade civil e na Igreja. e expressa-se publicamente pela atribui\u00e7\u00e3o da gr\u00e3-cruz da Ordem de Cristo durante as comemora\u00e7\u00f5es do 10 de Junho de 2007, em Set\u00fabal, e do galard\u00e3o dos Direitos Humanos da Assembleia da Rep\u00fablica, a 10 de Dezembro de 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">D. Jorge Ortiga recorda o imperativo evang\u00e9lico que mobilizava as energias de D. Manuel Martins:&#8221;Se n\u00e3o fizermos a revolu\u00e7\u00e3o com o Evangelho nas m\u00e3os, outros a far\u00e3o&#8230; mas com a foice e o martelo&#8221;. E acrescenta: \u00a0\u201cVidas que s\u00e3o far\u00f3is\u201d. Assim o reconhece tamb\u00e9m a diocese de Set\u00fabal que quer assumir o seu legado mission\u00e1rio e lembr\u00e1-lo \u201csempre e acima de tudo, como o seu Bispo, amigo e pr\u00f3ximo, desprendido de si, habituado a viver com simplicidade e a passear, a p\u00e9 ou de bicicleta, pelas manh\u00e3s de Set\u00fabal, pai, pastor e irm\u00e3o, t\u00e3o inflex\u00edvel na defesa da verdade e da justi\u00e7a, como terno, amigo e compassivo no encontro f\u00e1cil com aqueles que acolhia sorridente&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(Foto: <a href=\"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/home\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ag\u00eancia Ecclesia<\/a>)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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