{"id":21173,"date":"2026-07-04T07:00:23","date_gmt":"2026-07-04T06:00:23","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=21173"},"modified":"2026-07-02T09:17:38","modified_gmt":"2026-07-02T08:17:38","slug":"tiago-ramalho-lvi-23-glosas-a-breve-apologie-pour-un-moment-catholique-lutilite-de-la-communion","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/tiago-ramalho-lvi-23-glosas-a-breve-apologie-pour-un-moment-catholique-lutilite-de-la-communion\/","title":{"rendered":"Tiago Ramalho | LVI | 23 | Glosas a Br\u00e8ve apologie pour un moment catholique &#8211; L\u2019utilit\u00e9 de la communion &#8211;"},"content":{"rendered":"<div dir=\"ltr\">\n<h6 style=\"text-align: right;\"><strong>GLOSAS<\/strong> &#8211; <em>Espa\u00e7o de coment\u00e1rio a obras que interpelam o tempo presente<\/em><\/h6>\n<hr \/>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Glosas a Br\u00e8ve apologie pour un moment catholique<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>&#8211; L\u2019utilit\u00e9 de la communion &#8211;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>(pp. 83-119)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">(Cont.)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0[Primeiro texto: <a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/tiago-ramalho-xxxiv-glosas-a-breve-apologie-pour-un-moment-catholique\/\">aqui<\/a>.]<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; 25. \u00ab<u>Envio\u00bb<\/u>. \u2013 Em nota epilogar (\u00abEnvio: Um momento cat\u00f3lico\u00bb), apresenta-se uma recapitula\u00e7\u00e3o de algumas linhas de for\u00e7a do escrito: a impossibilidade de identificar \u00abos cat\u00f3licos\u00bb como um grupo homog\u00e9neo, n\u00e3o se encontrando nenhum outro denominador comum que n\u00e3o a confiss\u00e3o de f\u00e9 em Jesus Cristo; a op\u00e7\u00e3o por essa via de f\u00e9 sem ser por \u00abvirtude, nem por hero\u00edsmo, nem por mania\u00bb, mas apenas por lhes parecer a melhor das decis\u00f5es; e a identifica\u00e7\u00e3o da oportunidade de um \u00abmomento cat\u00f3lico\u00bb, que nada tem que ver com uma \u00abreconquista\u00bb, mas como o peso de uma responsabilidade que se assume (Gl\u00f3ria?), um servi\u00e7o que se presta (Liturgia?), na falta de quem esteja pronto para voltar a tecer um rela\u00e7\u00f5es sociais rasgadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; 26. <u>Uma aprecia\u00e7\u00e3o de conjunto<\/u>. \u2013 Imp\u00f5e-se concluir. Escrevia-se ao princ\u00edpio destas <em>Glosas: <\/em>estamos diante de um texto invulgar: esclarecido, provocat\u00f3rio, teologicamente bem nutrido, cheio de <em>esprit,<\/em> escrito com uma fina aten\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 N\u00e3o \u00e9 preciso acompanhar todos as op\u00e7\u00f5es de um texto para dele fazer o mais positivo dos ju\u00edzos. Chegados ao seu termo, n\u00e3o deixa, com efeito, de se notar uma omiss\u00e3o. Numa Igreja que pretende ser \u00absinal de contradi\u00e7\u00e3o\u00bb e n\u00e3o \u00abcontradi\u00e7\u00e3o do sinal\u00bb, e que a si se diz como \u00abinstrumento da \u00edntima uni\u00e3o com Deus e da unidade de todo o g\u00e9nero humano\u00bb (<em>Lumen Gentium <\/em>1), teria sido bom que a reflex\u00e3o se voltasse tamb\u00e9m para a oportunidade de um <em>moment catholique <\/em>para a pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o eclesial. Com efeito, em virtude daquela identidade com que a Igreja se autopresenta, a sua disciplina particular \u2013 quer dizer, o que consente ou o que pro\u00edbe \u00e0queles que a integram e que em comunh\u00e3o com ela procuram viver a respectiva voca\u00e7\u00e3o \u2013 n\u00e3o constitui quest\u00e3o menor ou puramente secund\u00e1ria, mas atinge dimens\u00f5es essenciais da vida crente. N\u00e3o \u00e9 bastante \u2013 e de novo o cristianismo antigo nos serve de refer\u00eancia \u2013 reduzir a centralidade do contributo da Igreja \u00e0 dispensa\u00e7\u00e3o sacramental entendida em sentido muito escrito. Bom seria que tamb\u00e9m este ponto houvesse sido objecto de reflex\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas n\u00e3o se dever\u00e1 medir a for\u00e7a de um texto pela sua capacidade em resistir ao que indevidamente se escreveu, ou indevidamente se omitiu? Se assim \u00e9, ent\u00e3o deve reconhecer-se como poderos\u00edssimo este uso que Marion faz da palavra: palavra l\u00facida, arguta, generosa. Palavra que \u00e9 d\u00e1diva. Recordamos alguns dos acentos fundamentais da obra: a capacidade de ler a realidade a partir dos elementos fundamentais da f\u00e9 crist\u00e3, e de a apresentar desde o seu n\u00facleo; o amplo aproveitamento da grande tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, considerada nas suas realiza\u00e7\u00f5es mais vigorosas e n\u00e3o nas formas mais caducas; a profunda reconstitui\u00e7\u00e3o do <em>sentido <\/em>de palavras fundamentais de ordem pol\u00edtica, como a divisa da Rep\u00fablica ou o regime da <em>la\u00efcit\u00e9, <\/em>ou melhor, da separa\u00e7\u00e3o; a aten\u00e7\u00e3o muito pr\u00f3xima a alguns dos principais males sociais do mundo contempor\u00e2neo, \u00e0s suas causas e aos seus efeitos, em especial ao nihilismo omnipresente; a capacidade de saber discernir o que pode indevidamente ser confundido \u2013 lembra-se a distin\u00e7\u00e3o entre <em>crise <\/em>e <em>decad\u00eancia<\/em>; o discernimento de oportunidades para o servi\u00e7o dos cat\u00f3licos \u00e0s comunidades que integram; o discurso historicamente esclarecido, denunciando o logro da polem\u00edstica anti-clerical mais b\u00e1sica; o desenvolvimento de quadros conceptuais alternativos \u00e0 asfixiante l\u00f3gica do mercado e do poder, como ocorre com a \u00abl\u00f3gica da d\u00e1diva\u00bb; a recusa da reconstitui\u00e7\u00e3o de um cristianismo que combate pelo poder, pelo estandarte e pela bandeira, e pela clara asser\u00e7\u00e3o de que tais formas hist\u00f3ricas de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica apenas se podem entender como pervers\u00f5es do fundamental da proposta crist\u00e3 (proposta de \u00abautoridade\u00bb e n\u00e3o de \u00abpoder\u00bb); finalmente, a maravilhosa prosa. Que o fa\u00e7a em pouco mais de 100 p\u00e1ginas tem-se por um feito not\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u>&#8211; 27. Uma presen\u00e7a que n\u00e3o desmobiliza.<\/u> \u2013 Como se conclui a <em>Br\u00e8ve apologie, <\/em>assim se concluir\u00e1 igualmente a presente s\u00e9rie de <em>Glosas \u2013 <\/em>com uma cita\u00e7\u00e3o de Chateaubriand. Desta vez <em>sine glosa:<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 40px;\">\u00abN\u00e3o encontro outra solu\u00e7\u00e3o para o futuro sen\u00e3o no cristianismo, e no cristianismo cat\u00f3lico. (\u2026 ) Se deve haver um futuro, um futuro possante e livre, este futuro est\u00e1 ainda longe, longe por detr\u00e1s do horizonte vis\u00edvel; n\u00e3o chegaremos a ele sen\u00e3o com a ajuda desta esperan\u00e7a cujas asas crescem na medida em que tudo a parece trair, esperan\u00e7a mais longa do que o tempo e mais forte do que a desgra\u00e7a.\u00bb<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: center;\">&#8211; Fim &#8211;<\/p>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right; padding-left: 400px;\">Imagem da capa do livro de Jean-Luc Marion, <em>Br\u00e8ve apologie pour un moment catholiqu<\/em>e: recolhida de <a href=\"https:\/\/www.grasset.fr\/livre\/breve-apologie-pour-un-moment-catholique-9782246856801\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.grasset.fr\/<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GLOSAS &#8211; Espa\u00e7o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":21174,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[161,144],"tags":[],"class_list":["post-21173","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-glosas","category-tiago-azevedo-ramalho"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21173","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21173"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21173\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21175,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21173\/revisions\/21175"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21174"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21173"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21173"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21173"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}