{"id":21104,"date":"2026-06-23T07:07:43","date_gmt":"2026-06-23T06:07:43","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=21104"},"modified":"2026-06-21T11:39:20","modified_gmt":"2026-06-21T10:39:20","slug":"25-alberto-ferreyra-mysterios-lusitanos-contos-texto-e-locucao-misterio-na-casa-do-cruzeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/25-alberto-ferreyra-mysterios-lusitanos-contos-texto-e-locucao-misterio-na-casa-do-cruzeiro\/","title":{"rendered":"25 | Alberto Ferreyra | Myst\u00e9rios lusitanos [contos &#8211; texto e locu\u00e7\u00e3o] | Mist\u00e9rio na casa do cruzeiro"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: right;\"><em>Myst\u00e9rios lusitanos<\/em> | A vinte e tr\u00eas (23) de cada m\u00eas, habitamos o mundo pelo imagin\u00e1rio de Alberto Ferreyra&#8230;<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right;\">(Nos ramos da escrita, repousam, vezes sem conta, as gralhas da distra\u00e7\u00e3o, ocultas, sob m\u00faltiplos disfarces, at\u00e9 que algu\u00e9m as enxote. Alberto Ferreyra contou com o fino olhar da sua amiga Teresa Correia, detentora do segredo da sua identidade, para afastar ou ca\u00e7ar o grasnar das gralhas. Est\u00e1-lhe, por isso, muito grato&#8230;)<\/h6>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Alberto Ferreyra*<\/strong><\/p>\n<p><iframe title=\"25 Mist\u00e9rio na casa do cruzeiro\" width=\"640\" height='480' src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gNkLnbRdqpE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, a casa do cruzeiro \u00e9 um suspenso monte de escombros \u00e0 espera de se desmoronar logo que o permitam as teias de aranha.<br \/>\nMas n\u00e3o foi sempre assim. A casa, de um andar, foi lugar muito vivo. Vivia, ali, a ti\u2019 Carolina, mulher de ombros largos e olhar atento. Reservara-lhe o destino cuidar de uma sobrinha, esquiva, que, ao primeiro vento de amores, se aventurou por terras de Fran\u00e7a. E por l\u00e1 ficou.<br \/>\nMuita vida houvera ali, portanto\u2026<br \/>\nOutrora, n\u00e3o estava ali o cruzeiro. Ap\u00f3s empenos e quedas provocadas que transformavam, repetidas vezes, o transepto em escabelo de p\u00e9s blasfemos, encontrou, naquela curva sombria, o sossego desejado. Hoje, eleva-se ligeiramente acima do n\u00edvel da estrada e resplandece, solenemente.<br \/>\nSaber qual \u00e9 a casa do cruzeiro \u00e9, por isso, tarefa simples. Restaurada, a tinta fresca, a inscri\u00e7\u00e3o recupera a novidade do primeiro momento: A.L.P. \u2013 1899.<br \/>\nAli descansam, em tarde de ver\u00e3o de calor abafado, J. e M. em f\u00e9rias na casa dos av\u00f3s, pr\u00f3xima da casa do cruzeiro. Contou-lhe o av\u00f4 que morara, naquilo que, hoje, s\u00e3o paredes inseguras, uma bela mulher, de nome Carolina, que morrera, cega, ao cair pelas escadas interiores. Encontraram-na em dia de Santa Luzia.<br \/>\nOuviram-lhe contar, tamb\u00e9m, e ao pai, as aventuras passadas naquela casa que servira de sala de baile, nos tempos de escola.<br \/>\nDecidem-se a subir. For\u00e7am a porta, presa por heras que parecem mais antigas do que a cria\u00e7\u00e3o do mundo, e sobem por umas rangentes escadas presas \u00e0 parede oposta ao cruzeiro.<br \/>\nO primeiro andar \u00e9 feito de soalho carcomido pelo tempo. Param, no cimo das escadas, para apreciar. A janela maior, sobranceira ao cruzeiro, est\u00e1 entreaberta. J\u00e1 n\u00e3o tem vidros. S\u00f3 madeira retorcida pelo secar e humedecer das sucess\u00f5es das horas. A um canto, entre as duas \u00fanicas janelas daquele amplo sal\u00e3o, um ba\u00fa robusto, como que ali depositado na v\u00e9spera, para que J. e M. o descobrissem.<br \/>\n&#8211; Parece ali posto para n\u00f3s. \u2013 Atalhou a curiosa M.<br \/>\n&#8211; E se nos reserva uma serpente das \u00edndias, tendo-se o estafeta esquecido de trazer o respetivo encantador? N\u00e3o contes comigo para lhe assobiar ao ouvido!<br \/>\nM. soltou uma espont\u00e2nea gargalhada, prontamente interrompida pela escuta de passos, no exterior da casa. Apesar das grossas paredes, as frinchas na pedra e as janelas partidas faziam daquela sala uma aut\u00eantica caixa-de-resson\u00e2ncia. Tudo se ouvia.<br \/>\nOuviram os passos a afastarem-se\u2026<br \/>\nRetomaram, c\u00famplices, a conversa.<br \/>\n&#8211; Ainda pensam que somos almas penadas\u2026<br \/>\nM. sentia-se, sempre, a voz da imagina\u00e7\u00e3o do povo. Continuou a sua observa\u00e7\u00e3o longa do espa\u00e7o. No canto oposto ao do ba\u00fa, havia um velho toucador com espelho, sobre o qual repousava uma \u00e2nfora adequada para nelas se depositarem cinzas. Na parede confinante com a casa dos Pereiras, uma parede sem janela, havia uma j\u00e1 esconsa lareira.<br \/>\nM. encaminhou-se para o ba\u00fa. Silenciosa, meneou a cabe\u00e7a como que pedindo a ajuda de J. no erguer da pesada tampa.<br \/>\nEntre pap\u00e9is amarelecidos e &#8211; tantos deles! &#8211; ro\u00eddos, havia uma carta fechada.<br \/>\nAbriram-na.<br \/>\nAs letras pareciam mal alinhadas, como se tivessem sido escritas no escuro da noite.<br \/>\nOs olhos de J. e M. dirigiram-se para o fundo da carta.<br \/>\nTerminava, dizendo:<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&#8211; \u2018N\u00e3o sei se a ti chegar\u00e3o estas palavras, que entrego ao vento\u2026<br \/>\nTua tia,<br \/>\nCarolina.<br \/>\n12 de dezembro de 1987\u2019<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&#8211; Foi uma carta escrita pela dona desta casa.<br \/>\nJ. ficara a cismar na data.<br \/>\n&#8211; 12 de dezembro! 12 de dezembro! \u00c9 a v\u00e9spera da Santa Luzia. Segundo nos disse o av\u00f4, a ti\u2019 Carolina ter\u00e1 sido encontrada morta a 13 de dezembro, pelo que a carta foi escrita no pr\u00f3prio dia da sua morte. N\u00e3o chegou, por isso, ao seu destino.<br \/>\nE \u00e9 uma carta escrita por algu\u00e9m que j\u00e1 n\u00e3o via. Isso explica estes desalinhamentos\u2026<br \/>\nA curiosidade agigantou-se.<br \/>\n-\u2018Meu querido Afonso.<br \/>\nGuardei, no meu cora\u00e7\u00e3o, os liames com que se fez a hist\u00f3ria do teu irm\u00e3o que enegrecem a minha alma. Hoje, cega que estou, sinto n\u00e3o poder guardar para mim a verdade que o destino, teimosamente, quis contrariar.<br \/>\nBem sei que o Pedro, teu irm\u00e3o, vive, feliz, com a Francisca. Mas uma nuvem reside, como que eterna, sobre o seu lar. Uma nuvem de que n\u00e3o s\u00e3o conscientes respons\u00e1veis, mas inadvertidos culpados.<br \/>\nH\u00e1 uns dez anos, \u00e0 porta de minha casa, deu-se uma trag\u00e9dia. J\u00falio caiu, morto, no primeiro luar da noite, mesmo por baixo da minha janela. Tudo fizera crer que trope\u00e7ara na pressa de chegar a casa da Francisca, sua apaixonada.<br \/>\nUm lenho profundo na cabe\u00e7a n\u00e3o deixara d\u00favida de que, ao trope\u00e7ar, batera na esquina da casa dos Pereiras, logo ali ficando.<br \/>\nO sombrio manto da morte tomou conta de Francisca, de quem o teu irm\u00e3o Pedro veio a enamorar-se, meses mais tarde, casando e com quem teve os teus bonitos tr\u00eas sobrinhos.\u2019<br \/>\nJ. interrompeu\u2026<br \/>\n&#8211; Nestas aldeias, todos se conhecem e sabem tudo uns dos outros\u2026<br \/>\n&#8211; Deixa-me continuar. \u2013 zangou-se M.<br \/>\nE continuou a leitura. Estava tomada de desejo de concluir\u2026 Onde a levariam as palavras ca\u00eddas de ti\u2019 Carolina?<br \/>\n&#8211; \u2018Todos julgavam nada haver a dizer sobre o que ali acontecera. Mesmo por baixo da minha janela.<br \/>\nMas o tempo reservava-me surpresas.<br \/>\nQuando morreu o ti Vicente, que vinha aos bailaricos que tantas vezes aqui fiz, fui visit\u00e1-lo, nas suas \u00faltimas horas.<br \/>\nChamou-me e pediu que todos sa\u00edssem. Tinha uma confid\u00eancia a fazer-me. Pensei que fosse alguma coita de amor. Os velhotes, quando se lhes extingue o fogo da vida, sopram sobre a brasa decadente dos amores n\u00e3o vividos e como que ati\u00e7am um \u00faltimo brasido.<br \/>\nMas n\u00e3o.<br \/>\nPerguntou-me:<br \/>\n&#8211; Ainda te lembras do pobre J\u00falio? Sabes de que morreu?<br \/>\nNesse dia, estavas a dar um bailarico l\u00e1 em casa. Na tua janela, tinhas um pequeno vaso de pet\u00fanias azuis. Ca\u00edram, quando passava o desgra\u00e7ado enamorado de Francisca. Sabes quem as fez cair?<br \/>\nEstava, junto a essa janela, o Pedro, de olhos fechados, dan\u00e7ando sozinho. Sem o saber, tocou na janela entreaberta que arrastou consigo aquele vaso de pet\u00fanias azuis\u2026<br \/>\nSe todos pensavam que aquela fora uma morte sem culpado, porque haveria eu de lan\u00e7ar a suspeita sobre quem continuava, dan\u00e7ando, de olhos fechados?<br \/>\nGuardei para mim o que vi.<br \/>\nMas, agora, a morte, esse espelho em que se desnuda a consci\u00eancia, n\u00e3o me deixa partir sem to dizer. Guarda-o para ti, at\u00e9 que chegue a tua hora. Porque merece ser feliz quem n\u00e3o quis o mal de algu\u00e9m, mesmo que o tenha, inadvertidamente, provocado.\u2019<br \/>\nJ. e M. emudeceram.<br \/>\nUma verdade assim, trazida \u00e0 luz, volvidos tantos anos, enche de negrume toda uma vida feliz.<br \/>\nMeu querido Afonso, a mulher que escolheu para si o teu irm\u00e3o Pedro perdera o seu amado para aquele que, sem o saber, lhe causara a pr\u00f3pria morte.<br \/>\n&#8211; \u2018Reserva para ti mesmo, at\u00e9 ao \u00faltimo dos teus dias, esta verdade que n\u00e3o pode contar-se, mas perpetua, em segredo, a mem\u00f3ria dela. Porque o destino n\u00e3o pode vencer-nos na sua teimosia.\u2019<br \/>\nM olhou, intensamente, para J.<br \/>\nO que fazer com aquela carta?<br \/>\nOlharam, ambos, para a \u00e2nfora, no toucador.<br \/>\nQueimaram, nas desalinhadas pedras da lareira, aquela mem\u00f3ria maldita, e depositaram, entre os restos do p\u00f3 do tempo repousados na \u00e2nfora, as cinzas da carta.<br \/>\nUm olhar de promessa fez cair, com silencioso estrondo, a certeza de tudo reduzir a poeira.<br \/>\nE desceram, entre rangidos prolongados, encaminhando-se para o solene cruzeiro, junto ao qual rezaram, demoradamente.<br \/>\nVoltaram a olhar um para o outro, com assombro. Aos p\u00e9s da cruz, havia uma pet\u00fania azul.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/tumisu-148124\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=4203628\">Tumisu<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=4203628\">Pixabay<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align: justify;\">*Alberto Ferreyra diz que as suas letras habitam a mente e saem da m\u00e3o de algu\u00e9m nascido em terras gaulesas, ainda que afirme, em sussurro, que o seu real nascimento ocorreu nas margens do Antu\u00e3, em abril de 2024. \u00c9, por isso, um prematuro autor liter\u00e1rio, germinado da inspira\u00e7\u00e3o que a realidade proporciona quando se tem a companhia, nos livros, de g\u00e9nios como Jorge Luis Borges, Miguel Torga, Gabriel Garc\u00eda Marquez ou personagens como Poirot ou Padre Brown.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Na sua escrita, cruzam-se o real e o imaginado, o fict\u00edcio e o hist\u00f3rico, numa embrenhada teia em que o leitor continua a ler, mesmo j\u00e1 depois de fechado o conto. O real continua a fecundar hist\u00f3rias na mente de quem l\u00ea Ferreyra. Cada conto, feito dos mist\u00e9rios desvelados, aproxima o tempo e distancia o espa\u00e7o, esticando-o at\u00e9 ao eterno e ao infinito. Ao ler Ferreyra, faz-se &#8216;sil\u00eancio&#8217; (&#8216;myst\u00e9rio&#8217; alude \u00e0 etimologia grega da palavra, que remete para o &#8216;fazer sil\u00eancio&#8217;, &#8216;emudecer-se&#8217;&#8230;) para que possam ecoar as palavras, para que possa desenovelar-se o enredo sucintamente desvelado.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">J. e M., protagonistas de cada um dos contos, acompanhados, em alguns deles, pelo seu periquito &#8216;branquinho&#8217;, fazem emergir, do real em que se enredam, hist\u00f3rias que, nascendo da imagina\u00e7\u00e3o de Ferreyra, permanecem como realidades poss\u00edveis, deixando a suspeita de terem mesmo ocorrido.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Se n\u00e3o foi real, Ferreyra o criar\u00e1, inspirado numa cosmovis\u00e3o que tanto deve \u00e0quela religi\u00e3o que fez do encarnado a condi\u00e7\u00e3o fundamental do existir.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A vinte e tr\u00eas (23) de cada m\u00eas, habitaremos o mundo pelo imagin\u00e1rio de Alberto Ferreyra&#8230;<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Myst\u00e9rios lusitanos |<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17814,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[208,209],"tags":[],"class_list":["post-21104","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-alberto-ferreyra","category-mysterios-lusitanos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21104","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21104"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21104\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21107,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21104\/revisions\/21107"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17814"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21104"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21104"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21104"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}