{"id":20941,"date":"2026-05-19T11:11:44","date_gmt":"2026-05-19T10:11:44","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=20941"},"modified":"2026-05-19T11:11:44","modified_gmt":"2026-05-19T10:11:44","slug":"bioetica-e-sociedade-carlos-costa-gomes-o-dia-da-familia-e-um-sinal-etico-da-humanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/bioetica-e-sociedade-carlos-costa-gomes-o-dia-da-familia-e-um-sinal-etico-da-humanidade\/","title":{"rendered":"Bio\u00e9tica e sociedade | Carlos Costa Gomes &#8211; O DIA DA FAM\u00cdLIA \u00e9 um sinal \u00e9tico da humanidade"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: right;\">Bio\u00e9tica e sociedade<br \/>\n(Parceria com o Centro de Estudos de Bio\u00e9tica)<\/h6>\n<hr \/>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Carlos Costa Gomes*<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">O DIA DA FAM\u00cdLIA \u00e9 um sinal \u00e9tico da humanidade \u2013 apagar o dia do pai e da m\u00e3e nas escolas \u00e9 um retrocesso civilizacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Promover todas as fam\u00edlias \u00e9 um sinal \u00e9tico de humanidade. Apagar o dia do pai e da m\u00e3e n\u00e3o \u00e9 inclus\u00e3o, \u00e9 substitui\u00e7\u00e3o cultural. Escolas que apagam o dia do pai e da m\u00e3e, trocam a sensibilidade pedag\u00f3gica por uma vis\u00e3o e imposi\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica e cultural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A an\u00e1lise \u00e9tica desta quest\u00e3o pode ser feita a partir de v\u00e1rios princ\u00edpios fundamentais: verdade antropol\u00f3gica, inclus\u00e3o, justi\u00e7a simb\u00f3lica, responsabilidade educativa e bem comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1. \u00c9tica do reconhecimento humano: Eticamente, pai e m\u00e3e n\u00e3o s\u00e3o apenas fun\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas. Representam experi\u00eancias humanas profundas ligadas ao cuidado, prote\u00e7\u00e3o, autoridade, perten\u00e7a e forma\u00e7\u00e3o da identidade. Mesmo quando essas fun\u00e7\u00f5es s\u00e3o exercidas de modo imperfeito \u2014 ou por outras pessoas \u2014 continuam a ter um significado simb\u00f3lico forte. Por isso, eliminar refer\u00eancias \u00e0 maternidade e \u00e0 paternidade pode ser visto como uma forma de empobrecimento simb\u00f3lico da linguagem humana. A \u00e9tica exige reconhecer a realidade tal como ela existe, e a realidade mostra que as figuras paterna e materna t\u00eam peso hist\u00f3rico, psicol\u00f3gico e cultural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2. \u00c9tica da inclus\u00e3o: Ao mesmo tempo, h\u00e1 um dever \u00e9tico de proteger crian\u00e7as que vivem situa\u00e7\u00f5es familiares dif\u00edceis: luto; abandono; div\u00f3rcio; viol\u00eancia; aus\u00eancia parental; ado\u00e7\u00e3o; fam\u00edlias n\u00e3o tradicionais. Uma escola n\u00e3o deve expor crian\u00e7as \u00e0 humilha\u00e7\u00e3o emocional ou criar momentos de exclus\u00e3o. O impulso para criar um \u201cDia da Fam\u00edlia\u201d nasce muitas vezes dessa preocupa\u00e7\u00e3o leg\u00edtima. Eticamente, esse objetivo \u00e9 defens\u00e1vel: evitar sofrimento desnecess\u00e1rio e reconhecer diferentes contextos familiares. Incluir nunca deveria significar apagar. Uma sociedade madura consegue reconhecer todas as realidades familiares sem destruir os s\u00edmbolos humanos que ajudaram gera\u00e7\u00f5es a crescer. H\u00e1 crian\u00e7as criadas por m\u00e3e e pai, s\u00f3 pela m\u00e3e, s\u00f3 pelo pai, pelos av\u00f3s, por fam\u00edlias adotivas ou por outras estruturas de amor e cuidado. Todas merecem respeito, dignidade e acolhimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3. O problema \u00e9tico da substitui\u00e7\u00e3o: A quest\u00e3o moral mais controversa surge quando inclus\u00e3o deixa de significar \u201cacrescentar\u201d e passa a significar \u201csubstituir\u201d. H\u00e1 diferen\u00e7a entre: ampliar reconhecimento e apagar refer\u00eancias anteriores. Se uma institui\u00e7\u00e3o transmite implicitamente que pai e m\u00e3e s\u00e3o categorias dispens\u00e1veis ou irrelevantes, entra-se numa posi\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica espec\u00edfica sobre fam\u00edlia e identidade humana. Nesse ponto, j\u00e1 n\u00e3o estamos apenas perante sensibilidade pedag\u00f3gica, mas perante uma vis\u00e3o cultural e ideol\u00f3gica sobre o que \u00e9 a fam\u00edlia. A \u00e9tica p\u00fablica exige prud\u00eancia quando institui\u00e7\u00f5es educativas alteram s\u00edmbolos fundamentais sem amplo consenso social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4. Neutralidade e ideologia: Uma escola dificilmente \u00e9 neutra em tudo. Mas existe uma diferen\u00e7a \u00e9tica importante entre: ensinar respeito por diferentes realidades e promover uma redefini\u00e7\u00e3o cultural profunda sem debate transparente. Quando s\u00edmbolos tradicionais s\u00e3o removidos em vez de coexistirem com novas formas de reconhecimento, muitas pessoas interpretam isso como uma imposi\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica e n\u00e3o apenas uma pol\u00edtica de inclus\u00e3o. Essa perce\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 irracional. Porque s\u00edmbolos t\u00eam for\u00e7a moral e cultural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5. O princ\u00edpio da proporcionalidade: Uma solu\u00e7\u00e3o \u00e9tica equilibrada normalmente procura: proteger crian\u00e7as vulner\u00e1veis; reconhecer diferentes fam\u00edlias; sem negar o valor espec\u00edfico da maternidade e da paternidade. Do ponto de vista \u00e9tico, coexist\u00eancia tende a ser mais razo\u00e1vel do que elimina\u00e7\u00e3o: manter Dia do Pai e Dia da M\u00e3e; acrescentar iniciativas de celebra\u00e7\u00e3o familiar mais amplas; adaptar atividades com sensibilidade humana. Itso evita dois extremos: exclus\u00e3o social e apagamento simb\u00f3lico. A verdadeira inclus\u00e3o n\u00e3o elimina diferen\u00e7as \u2014 integra-as. N\u00e3o apaga palavras, hist\u00f3rias ou pap\u00e9is fundamentais para evitar desconforto institucional. Uma escola deve ensinar o respeito por todas as fam\u00edlias, mas tamb\u00e9m honestidade cultural e humana: h\u00e1 um valor pr\u00f3prio no de ser m\u00e3e e ser pai, mesmo quando a vida concreta nem sempre permite que estejam presentes da forma ideal. Transformar tudo isto em conceitos neutros pode parecer moderno. Mas uma sociedade sem refer\u00eancias claras torna-se simbolicamente mais pobre e eticamente mais injusta. A diversidade fortalece-nos, mas quando queremos enfatizar essa diversidade apagando diferen\u00e7as, humanidade tende a ficar mais fr\u00e1gil e mais vulner\u00e1vel a tend\u00eancias ideol\u00f3gicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6. Conclus\u00e3o \u00e9tica: \u00c9 eticamente leg\u00edtimo promover o respeito por todas as estruturas familiares. Contudo, torna-se moralmente discut\u00edvel quando essa inclus\u00e3o implica desvalorizar ou tornar invis\u00edveis os pap\u00e9is paterno e materno. Uma \u00e9tica equilibrada n\u00e3o exige negar diferen\u00e7as humanas fundamentais para acolher novas realidades. A maturidade moral est\u00e1 mais em integrar do que em substituir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2022 Reconhecer a diversidade n\u00e3o exige fingir que a figura do pai e da m\u00e3e perderam significado.<br \/>\n\u2022 Pai e m\u00e3e n\u00e3o s\u00e3o meros \u201cr\u00f3tulos ideol\u00f3gicos\u201d.<br \/>\n\u2022 Pai e m\u00e3e representam v\u00ednculos humanos profundos, refer\u00eancias afetivas, educativas e culturais que marcaram a constru\u00e7\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o e da experi\u00eancia humana.<br \/>\n\u2022 Uma escola justa promove a fam\u00edlia e quem lhe d\u00e1 origem \u2013 o pai e a m\u00e3e.<br \/>\n\u2022 Uma escola inclusiva n\u00e3o promove a inclus\u00e3o quando a reboque de quest\u00f5es ideol\u00f3gicas, a realidade natural de ser pai e m\u00e3e precisam s\u00e3o silenciadas.<br \/>\n\u2022 O DIA DA FAM\u00cdLIA \u00e9 um sinal \u00e9tico da humanidade, mas apagar o dia do pai e da m\u00e3e nas escolas \u00e9 um retrocesso civilizacional.<\/p>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right;\"><i><b>* Presidente do Centro de Estudos de Bio\u00e9tica | P\u00f3s-Doc e PhD em Bio\u00e9tica\u00a0<\/b><\/i><\/h6>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Por Gustav Klimt [1862-1918]- Google Art Project, Dom\u00ednio p\u00fablico, https:\/\/commons.wikimedia.org\/w\/index.php?curid=38827275<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bio\u00e9tica e sociedade<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":20942,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[72,136],"tags":[],"class_list":["post-20941","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-bioetica-e-sociedade","category-carlos-costa-gomes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20941","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20941"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20941\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20943,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20941\/revisions\/20943"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20942"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20941"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20941"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20941"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}