{"id":20787,"date":"2026-06-07T07:07:10","date_gmt":"2026-06-07T06:07:10","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=20787"},"modified":"2026-04-20T12:20:32","modified_gmt":"2026-04-20T11:20:32","slug":"sabes-leitor-30-marca-de-agua-do-livro-de-daniel-cohen-uma-muito-breve-historia-da-economia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/sabes-leitor-30-marca-de-agua-do-livro-de-daniel-cohen-uma-muito-breve-historia-da-economia\/","title":{"rendered":"Sabes, leitor&#8230; | 30 | Marca de \u00e1gua do livro de Daniel Cohen, &#8216;Uma [Muito] Breve Hist\u00f3ria da Economia&#8217;"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: right;\">Rubrica \u2018Sabes, leitor, que estamos ambos na mesma p\u00e1gina\u2019** | <em>Marca de \u00e1gua de livros que deixam marcas profundas<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Parceria:<a href=\"https:\/\/www.federacaopelavida.pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> <em>Federa\u00e7\u00e3o Portuguesa pela Vida<\/em><\/a> e<em> Comiss\u00e3o Diocesana da Cultura<\/em><\/h6>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Lu\u00eds Manuel Pereira da Silva*<\/strong><\/p>\n<pre style=\"padding-left: 80px;\"><strong>O(s) autor(es) e a obra<\/strong><\/pre>\n<h5 style=\"text-align: right; padding-left: 200px;\">Daniel Cohen, Uma [Muito] Breve Hist\u00f3ria da Economia, Lisboa, Penguin Random House Grupo Editorial, 2025.<\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel Cohen foi um muito prol\u00edfico e destacado economista franc\u00eas, nascido em junho de 1953, na Tun\u00edsia. Sendo autor de uma vast\u00edssima obra do \u00e2mbito da economia, n\u00e3o deixa de ser curioso verificar que lhe s\u00e3o atribu\u00eddos, pelos sites portugueses de livros, t\u00edtulos de um outro autor franc\u00eas hom\u00f3nimo. \u00c9-lhe, erradamente, atribu\u00eddo o livro \u2018Os genes da esperan\u00e7a\u2019, da autoria de um outro Daniel Cohen, m\u00e9dico e geneticista que liderou o projeto \u2018Genoma\u2019.<br \/>\nN\u00e3o precisa, por\u00e9m, o \u2018nosso\u2019 Daniel Cohen de obras suplementares, pois \u00e9 suficientemente vasto e relevante o seu labor de escrita, abruptamente interrompido, em agosto de 2023, pouco tempo depois de completar setenta anos, a idade em que o \u2018U\u2019 que configura a curvatura da felicidade volta a subir, como refere no \u00faltimo cap\u00edtulo deste seu livro.<br \/>\nConfesso que descobri Daniel Cohen (o economista) com a leitura deste livro. E fico com pena de n\u00e3o lhe poder dizer, nesta vida, quanto isso me agradou. Terei de esperar (porque assim o espero\u2026) pela eternidade (porque sou algu\u00e9m que, como ele pede, no final do livro, acredito em \u2018alguma coisa\u2019\u2026) para lho assegurar.<br \/>\nEsta \u00e9, por isso, uma obra p\u00f3stuma que ele deixara alinhavada e que, em boa hora, a fam\u00edlia decidiu levar ao prelo, ainda que sendo de aguardar que, como diz o irm\u00e3o, Michel Cohen, no posf\u00e1cio, esta obra venha a ser vertida para vers\u00e3o em banda desenhada, lembrando o que j\u00e1 tem ocorrido com outros ensaios.<br \/>\nNeste livro, Cohen mostra grande erudi\u00e7\u00e3o e verve. Escreve e pensa muito bem. Domina, com a simplicidade dos especialistas (s\u00f3 um especialista consegue dizer, de modo simples, a complexidade dos gr\u00e3os do conhecimento que a m\u00f3 do tempo ajuda a mastigar e transformar em fina farinha).<br \/>\nIlustra estas minhas palavras uma constata\u00e7\u00e3o muito simples. Eu comprara esta obra, no dia 27 de mar\u00e7o, na feira do livro realizada na minha escola. Tomei-a em m\u00e3os, ap\u00f3s ler excertos dos \u2018escritos de teologia\u2019, de Rahner, no dia 9 de abril, terminando a leitura no dia seguinte, 10 de abril. Deixei-me levar pela m\u00e3o de Cohen em apenas dois dias. E fiquei tomado pela capacidade que revela de p\u00f4r a economia ao servi\u00e7o da transforma\u00e7\u00e3o do mundo.<br \/>\n\u00c9 uma leitura muito recomend\u00e1vel.<br \/>\nUma s\u00edntese que penso fazer justi\u00e7a ao que Cohen evidencia neste seu livro \u00e9 a que poderemos reunir na ideia de que a economia deve ser pensada como um instrumento, um meio de realiza\u00e7\u00e3o humana e nunca como um fim em si mesma. Uma ideia que, sendo comum na \u00e9tica personalista e crist\u00e3 (que sempre sublinha que s\u00f3 a pessoa \u00e9 fim; tudo o mais \u00e9 meio ao seu servi\u00e7o\u2026), n\u00e3o deixa de ser interessante encontrar num autor que n\u00e3o se presumindo ser crist\u00e3o (n\u00e3o o perguntei, ao ler o livro, nem me deixei condicionar pela busca de o confirmar), poderia muito bem, na linha de Karl Rahner \u2013 que eu lera, antes desta incurs\u00e3o por \u2018Uma [Muito] Breve Hist\u00f3ria da Economia\u2019 -, ser assumido como um \u2018crist\u00e3o an\u00f3nimo\u2019\u2026<\/p>\n<pre style=\"text-align: justify; padding-left: 80px;\"><strong>Marcas de \u00e1gua <\/strong>\r\n\r\n<strong>(o que fica depois de se deixar o livro)<\/strong><\/pre>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este \u00e9 um livro de economia. Mas n\u00e3o \u00e9, apenas, um livro de economia. \u00c9 um livro sobre a vida dos humanos de que fala a economia.<br \/>\nDeixa transparecer esta singela conclus\u00e3o reparar que come\u00e7a com a frase \u2018O crescimento econ\u00f3mico \u00e9 a religi\u00e3o do mundo moderno\u2019 (na Introdu\u00e7\u00e3o) e termina com \u2018Compete-nos agora repensar a ideia que temos de um mundo em harmonia consigo mesmo, que nos fa\u00e7a sentir \u00abo pren\u00fancio da felicidade e da paz\u00bb\u2019.<br \/>\nDe facto, Cohen mostra n\u00e3o ser um economista que se basta em projetar sobre o seu objeto de estudo e an\u00e1lise a t\u00e9cnica e a ci\u00eancia adquiridas. Pretende, com elas, criar condi\u00e7\u00f5es para o surgir de um mundo melhor.<br \/>\nCuriosamente, \u00e9 exatamente o que pode constatar-se ao ver que o lema da \u2018Paris School of Economics\u2019, de que foi um dos fundadores, \u00e9 \u2018a ci\u00eancia econ\u00f3mica ao servi\u00e7o da sociedade\u2019.<br \/>\nVislumbra-se este mesmo esp\u00edrito, nos t\u00edtulos das suas obras: \u2018homo numericus\u2019, \u2018homo oeconomicus\u2019, \u2018a prosperidade do v\u00edcio: uma introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 economia\u2019, etc. Obras que n\u00e3o se resumem a descrever economia, mas a ler o seu impacto na vida dos humanos.<br \/>\nMarcas omnipresentes nestes fascinante ensaio (de 158 p\u00e1ginas) onde, a pretexto da descri\u00e7\u00e3o da sum\u00e1ria hist\u00f3ria da economia, em que n\u00e3o se esquiva a desmontar preconceitos (como o de que as sociedades recolectores n\u00e3o tinham a ideia de acumula\u00e7\u00e3o de riqueza \u2013\u00e0 maneira das conce\u00e7\u00f5es de Rousseau e outros que vincaram, entre os nossos mais frequentes mitos, o do \u2018bom selvagem\u2019, totalmente desprendido e sem qualquer v\u00ednculo aos bens terrenos e ef\u00e9meros), Cohen lan\u00e7a um fino olhar sobre as rela\u00e7\u00f5es humanas, desvirtuadas do n\u00facleo que deveria ser compreendermo-nos como pessoas e n\u00e3o objetos. E n\u00e3o deixa de olhar, enquanto percorre o fio da hist\u00f3ria, para as mais \u00edntimas rela\u00e7\u00f5es (inclusive as de natureza sexual) alertando para o custo de, por efeito da inveja e da digitaliza\u00e7\u00e3o afetiva, a viv\u00eancia da sexualidade passar a acontecer sem atender \u00e0 \u00abbagagem emocional do outro\u00bb.<br \/>\n\u00c9 interessante, ainda, o modo como o faz. Cohen tem p\u00e1ginas repletas de dados, hist\u00f3rias, curiosidades, que acompanham, de um modo muito pl\u00e1stico, o que vai dizendo. Suscita uma dupla curiosidade: a de saber e a de informar. Cohen estruturou um ensaio cheio de dinamismo, em que recupera as li\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria (como a que concerne \u00e0 do desenvolvimento e queda da ilha da P\u00e1scoa) para nos projetar para um futuro em que, tendo superado a lei de Malthus (que nos assegurava que, em per\u00edodos de crescimento, a popula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m cresceria, criando nova fase de quebra \u2013 vivemos um per\u00edodo de inverno demogr\u00e1fico), somos confrontados com o paradoxo de Easterlin, que nos evidencia que, apesar de estarmos mais ricos, n\u00e3o estamos mais felizes.<br \/>\nTalvez Cohen possa, com o conte\u00fado destas p\u00e1ginas, facultar-nos um oportuno contributo para que possamos encontrar, pela via da humaniza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es, a aut\u00eantica felicidade, via com que poder\u00edamos, finalmente, construir as mais s\u00f3lidas \u2018leis da nossa casa\u2019. A aut\u00eantica \u2018economia\u2019 (\u2018lei da casa\u2019).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<pre style=\"text-align: justify; padding-left: 80px;\"><strong>Na mesma p\u00e1gina que o autor (cita\u00e7\u00f5es)<\/strong><\/pre>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018[\u2026] ao perdermos as rela\u00e7\u00f5es humanas, perdemos a raz\u00e3o de ser das nossas atividades e, sem d\u00favida, a nossa pr\u00f3pria raz\u00e3o de ser. Um rob\u00f4 de pele bem macia nunca ser\u00e1 capaz de substituir uma enfermeira que cuida com carinho de uma pessoa idosa.\u2019 (Do Pref\u00e1cio, p. 15)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Em vez de desesperarmos com a ideia de que, se os chineses e os norte-americanos n\u00e3o mudarem de comportamento, \u00e9 in\u00fatil mudarmos o nosso, devemos come\u00e7ar por mudar o que podemos mudar, \u00e0 nossa escala. E isso n\u00e3o s\u00f3, ou talvez nem sequer primordialmente, para mudarmos o mundo exterior, mas sobretudo para nos mudarmos a n\u00f3s pr\u00f3prios. \u2019 (Do Pref\u00e1cio, p. 15)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018[\u2026] Keynes afirmava destemidamente que, em 2030, as pessoais poderiam trabalhar tr\u00eas horas por dia e dedicar-se \u00e0s tarefas verdadeiramente importantes: arte, cultura, metaf\u00edsica. Infelizmente, a cultura e os problemas metaf\u00edsicos n\u00e3o se tornaram as quest\u00f5es principais do nosso tempo. As sociedades modernas continuam a buscar mais do que nunca a prosperidade material, apesar de se terem tornado seis vezes mais ricas do que na altura em que Keynes escrevia.\u2019 (Da Introdu\u00e7\u00e3o, p. 22)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018O crescimento deixou de ser um meio para atingir um fim, para se tornar um fim em si mesmo, que permite \u00e0s pessoas escaparem do tormento da exist\u00eancia.\u2019 (Da Introdu\u00e7\u00e3o, p. 22)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Para sair do subemprego, o rem\u00e9dio keynesiano \u00e9 [\u2026] simples: temos de gastar, gastar a todo o curso, mesmo que seja necess\u00e1rio contratar desempregados para, \u00e0 tarde, taparem os buracos que eles pr\u00f3prios abriram nesse dia de manh\u00e3.\u2019 (pp. 66-67)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n\u2018No auge da guerra, Churchill encomenda, em novembro de 1940, um relat\u00f3rio para combater tanto as consequ\u00eancias sociais da crise dos anos 1930 como as provocadas pela guerra. O relat\u00f3rio ser\u00e1 tornado p\u00fablico em 1942. William Beveridge define os princ\u00edpios que hoje em dia s\u00e3o os nossos. O Estado tem a responsabilidade de lutar contra as cinco pragas da humanidade: \u00aba doen\u00e7a, a ignor\u00e2ncia, a depend\u00eancia, a decad\u00eancia e os bairros de lata\u00bb.\u2019 (p. 67)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Numa empresa das d\u00e9cadas de 1950 e 1960, o refeit\u00f3rio, a vigil\u00e2ncia, a limpeza e a contabilidade estavam a cargo de funcion\u00e1rios da mesma. Com a revolu\u00e7\u00e3o financeira dos anos 1980, nenhum destes servi\u00e7os continua a ser prestado internamente, ficando os prestadores de servi\u00e7os sujeitos \u00e0s leis da concorr\u00eancia. Sonha-se com empresas sem funcion\u00e1rios.\u2019 (p. 80)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018A crise do subprime foi desencadeada por v\u00e1rias bombas-rel\u00f3gio. Em primeiro lugar, no per\u00edodo que antecedeu a crise, houve um facto que saltou rapidamente \u00e0 vista: a qualidade dos cr\u00e9ditos deteriorou-se bastante, mesmo tendo em conta a nova clientela a que se dirigiam. A solv\u00eancia dos clientes foi sistematicamente sobrevalorizada pelos intermedi\u00e1rios respons\u00e1veis pela distribui\u00e7\u00e3o dos empr\u00e9stimos. [\u2026]<br \/>\nCom a ajuda das ag\u00eancias de nota\u00e7\u00e3o, os investidores fabricaram ent\u00e3o instrumentos considerados livres de risco, classificados como AAA.\u2019 (p. 84)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018A hist\u00f3ria da China ilustra bem esta muta\u00e7\u00e3o do capitalismo moderno: \u00e9 o exemplo acabado de um pa\u00eds que foi, durante muito tempo, o mais poderoso do mundo, a seguir um dos mais pobres, e que volta a ser um dos mais ricos.\u2019 (p. 95)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Dos treze aos dezoito anos, 6 horas e 45 minutos por dia s\u00e3o dedicados a estes aparelhos [tablets e telem\u00f3veis]. Por isso, cheg\u00e1mos a um n\u00famero em que os adolescentes dedicam 40% do tempo que passam acordados em frente a um ecr\u00e3! A vida ps\u00edquica e afetiva destes jovens \u00e9 marcada por vagas de melancolia e euforia, o que se reflete em efeitos prejudiciais na alimenta\u00e7\u00e3o e em riscos frequentes de obesidade. A aten\u00e7\u00e3o dos adolescentes \u00e9 gravemente afetada pelo zapping, pela impulsividade, pela impaci\u00eancia\u2026 A leitura de um livro, que pressup\u00f5e dar o ao autor tempo para instalar personagens ou um racioc\u00ednio, \u00e9 constantemente impedida por uma rela\u00e7\u00e3o compulsiva com o telem\u00f3vel, o que torna imposs\u00edvel manter o foco em qualquer outra coisa.\u2019 (p. 116)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018A consulta compulsiva do telem\u00f3vel \u00e9 rotulada com um termo agora famoso: o FOMO, o Fear Of Missing Out, que exprime esta inquietante preocupa\u00e7\u00e3o de perder algum coisa, quer se trate de \u00abinforma\u00e7\u00e3o\u00bb, de um fofoca, de uma oportunidade. A capacidade de aten\u00e7\u00e3o dos adolescentes em rela\u00e7\u00e3o ao mundo real atingiu o seu m\u00ednimo hist\u00f3rico.\u2019 (p. 117)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018[\u2026] a sexualidade na era digital dispensa o inc\u00f3modo de ter de gerir \u00aba bagagem emocional do outro\u00bb. O sexo sem amanh\u00e3 cria um estado ps\u00edquico em que cada um dos dois parceiros se considera com total dom\u00ednio, sem depend\u00eancia do outro, o que \u00e9 quase o oposto do que uma rela\u00e7\u00e3o rom\u00e2ntica implica. O amor, de acordo com o Tinder, causa um vaio existencial que o interessado deve preencher multiplicando os encontros numa fuga para a frente, que \u00e9 perfeitamente representativa dos comportamentos de depend\u00eancia provocada pela sociedade. [\u2026] Ao distinguir radicalmente entre sexo e sentimento amoroso, a sexualidade digital faz-nos perder a capacidade de reconhecer o outro na sua integralidade, como pessoa, numa rela\u00e7\u00e3o em que todos esperam que o ente querido abra as portas de uma vida a inventar.\u2019 (pp. 119-120)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Em trinta anos, em Fran\u00e7a, o consumo de drogas psicotr\u00f3picas aumentou seis vezes. Nos Estados Unidos, os indicadores de bem-estar diminu\u00edram quase 30% em compara\u00e7\u00e3o com o n\u00edvel atingido na d\u00e9cada de 1950. Estudos sucessivos apontam para o mesmo resultado: a felicidade regride ou estagna nas sociedades ricas, em Fran\u00e7a como noutros pa\u00edses.\u2019 (p. 137)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018O economista Richar Easterin publicou, em 1974, um estudo que teve grande repercuss\u00e3o e que iria atrair a aten\u00e7\u00e3o dos economistas [\u2026]. Acompanhando durante trinta anos as respostas \u00e0 pergunta: \u00ab\u00c9 feliz?\u00bb, mostrou que n\u00e3o se observava nenhuma varia\u00e7\u00e3o ao longo do tempo, apesar de ter havido um extraordin\u00e1rio enriquecimento durante esse per\u00edodo. \u00c9 o que os economistas denominar\u00e3o paradoxo de Easterlin. Os franceses s\u00e3o incomparavelmente mais ricos em 1975 do que em 1945, mas n\u00e3o s\u00e3o mais felizes. Porqu\u00ea?\u2019<br \/>\n[\u2026] o consumo \u00e9 viciante. O prazer que proporciona \u00e9 ef\u00e9mero, mas o desespero \u00e9 imenso quando ficamos privados dele.\u2019 (pp. 138-139)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018[\u2026] Um dos segredos da felicidade pode ser resumido de forma bastante simples: compare-se com quem tem menos.[\u2026]<br \/>\nGanhe dinheiro, mas sem fazer disso uma doen\u00e7a. [\u2026]<br \/>\nEnvelhe\u00e7a com eleg\u00e2ncia. [\u2026]<br \/>\nN\u00e3o se compare com os demais em termos de beleza. [\u2026]<br \/>\n\u00abAcredite nalguma coisa: Deus, a justi\u00e7a social ou a beleza da Natureza; \u00e9 preciso um meaning of life para ser feliz e fugir de si pr\u00f3prio.<br \/>\nAjude os demais: o altru\u00edsmo afasta-o de si pr\u00f3prio, o que \u00e9 ben\u00e9fico [\u2026]<br \/>\nControle os seus desejos. [\u2026]<br \/>\nPreserve os seus amigos: s\u00e3o os tesouros mais preciosos, mesmo que sejam os menos vis\u00edveis.<br \/>\nViva integrado num casal, porque a solid\u00e3o n\u00e3o \u00e9 ben\u00e9fica.<br \/>\nAceite quem \u00e9 e fa\u00e7a uma gest\u00e3o radical das suas fraquezas.\u2019 (pp. 149-150)<\/p>\n<hr \/>\n<h5 style=\"text-align: right;\"><strong>**(T\u00edtulo retirado de Daniel Faria, <em>Dos l\u00edquidos<\/em>, Porto, Edi\u00e7\u00e3o Funda\u00e7\u00e3o Manuel Le\u00e3o, 2000, p. 137)<\/strong><\/h5>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right;\">*Professor, Presidente da Comiss\u00e3o Diocesana da Cultura<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Autor de &#8216;Ensaios <em>de<\/em> liberdade&#8217;, &#8216;Bem-nascido&#8230; Mal-nascido&#8230; Do &#8216;filho perfeito&#8221; ao filho humano&#8217; e de &#8216;Teologia, ci\u00eancia e verdade: fundamentos para a defini\u00e7\u00e3o do estatuto epistemol\u00f3gico da Teologia, segundo Wolfhart Pannenberg&#8217;<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Imagem recolhida do site da <a href=\"https:\/\/penguinlivros.pt\/loja\/objectiva\/livro\/uma-muito-breve-historia-da-economia\/?gad_source=1&amp;gad_campaignid=21092267195&amp;gbraid=0AAAAABkFhKttxghNWxz6aLX9ErmERseif&amp;gclid=EAIaIQobChMI5JKM2ab8kwMVBJGDBx2cRDoHEAAYASAAEgJTsfD_BwE\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Penguin<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rubrica \u2018Sabes, leitor,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":20789,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[55,198],"tags":[],"class_list":["post-20787","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-luis-manuel-pereira-da-silva","category-sabes-leitor-que-estamos-ambos-na-mesma-pagina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20787","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20787"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20787\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20790,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20787\/revisions\/20790"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20789"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20787"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20787"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20787"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}