{"id":20687,"date":"2026-04-03T22:16:19","date_gmt":"2026-04-03T21:16:19","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=20687"},"modified":"2026-04-03T22:18:19","modified_gmt":"2026-04-03T21:18:19","slug":"documentos-homilia-de-d-antonio-moiteiro-celebracao-da-paixao-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/documentos-homilia-de-d-antonio-moiteiro-celebracao-da-paixao-do-senhor\/","title":{"rendered":"Documentos | Homilia de D. Ant\u00f3nio Moiteiro: Celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o do Senhor"},"content":{"rendered":"<h3 class=\"blog-title\" style=\"text-align: center;\">Homilia | Celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o do Senhor<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1.<\/strong>\u00a0<strong>A pris\u00e3o de Jesus: entrega-se livremente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Meditamos a paix\u00e3o de Jesus segundo o Evangelho de S. Jo\u00e3o. O evangelista pode comparar-se a um diretor de cinema que em cada cena do filme procura dar uma perspetiva nova aos acontecimentos que est\u00e1 a narrar. N\u00e3o muda os factos da paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, mas ajuda-nos a v\u00ea-los de um modo novo, e ao mudar o olhar, muda tamb\u00e9m o seu significado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando o v\u00eam prender, Jesus n\u00e3o foge nem se esconde. E pergunta-lhes: \u201c<em>Quem procurais?<\/em>\u201d. Quando respondem que \u00e9 Jesus, o Nazareno, ele diz simplesmente \u201c<em>Sou Eu<\/em>\u201d. N\u00e3o \u00e9 somente uma forma de se identificar, mas uma express\u00e3o que o identifica com o pr\u00f3prio Deus. A revela\u00e7\u00e3o do nome de Deus a Mois\u00e9s, no Monte Sinai \u2013 \u201c<em>Eu sou aquele que sou<\/em>\u201d, \u00e9 a mesma de Jesus quando afirma \u201c<em>Eu sou a luz do mundo<\/em>\u201d, \u201c<em>Eu sou a ressurrei\u00e7\u00e3o e a vida<\/em>\u201d. Perante a incredulidade dos seus ouvintes, quando ensinava no templo de Jerusal\u00e9m, Jesus afirma: \u201c<em>Quando tiverdes levantado o Filho de Homem, ent\u00e3o sabereis que \u2018Eu Sou\u2019<\/em>\u201d (<em>Jo<\/em>\u00a08,28). \u00c9 como dizer: O que eu sou \u2013 e, por isso, \u201co que Deus \u00e9\u201d \u2013 ser\u00e1 conhecido somente a partir da cruz. A express\u00e3o \u201cser levantado\u201d, no Evangelho de Jo\u00e3o, refere-se sempre ao acontecimento da cruz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos diante de uma total invers\u00e3o da ideia humana de Deus e, em parte, tamb\u00e9m a do Antigo Testamento. Jesus n\u00e3o veio para retocar ou aperfei\u00e7oar a ideia que os homens fizeram de Deus, mas, em certo sentido, invert\u00ea-la e revelar o verdadeiro rosto de Deus. Mais tarde, o ap\u00f3stolo Paulo ir\u00e1 ensinar aos crist\u00e3os da comunidade de Corinto que \u201c<em>de facto, pela sabedoria de Deus, o mundo n\u00e3o foi capaz de reconhecer a Deus por meio da sabedoria, mas, por meio da loucura da prega\u00e7\u00e3o, Deus quis salvar os que creem. Com efeito, enquanto os judeus pedem sinais e os gregos buscam sabedoria, n\u00f3s pregamos Cristo crucificado, esc\u00e2ndalo para os judeus e loucura para os gentios. Para os que s\u00e3o chamados, por\u00e9m, tanto judeus como gregos, Cristo \u00e9 poder de Deus e sabedoria de Deus\u00a0<\/em>(<em>1Cor<\/em>\u00a01,21-24).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que para o mundo \u00e9 derrota, o evangelista Jo\u00e3o contempla-o como glorifica\u00e7\u00e3o. A crucifix\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma execu\u00e7\u00e3o, mas manifesta\u00e7\u00e3o de quem \u00e9 realmente Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2.<\/strong>\u00a0<strong>Da morte brota a vida<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Olhar a cruz de Jesus atinge o seu ponto culminante no momento da sua morte. S. Jo\u00e3o escreve que Jesus, inclinando a cabe\u00e7a, entregou o seu esp\u00edrito. N\u00e3o se diz que Jesus morreu, mas sugere-se outra realidade: Jesus comunica o Esp\u00edrito de Deus. No momento da morte come\u00e7a uma vida nova para os outros. Onde parecia que tudo tinha acabado, come\u00e7a uma nova vida e a cruz converte-se, assim, em fonte de vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto termina com um momento de esperan\u00e7a. Jos\u00e9 de Arimateia e Nicodemos, que eram disc\u00edpulos cheios de medo, quando tudo parecia perdido, o mestre morto e a hist\u00f3ria parecia que tinha terminado, d\u00e3o um passo em frente: pedem o corpo de Jesus, descem-no da cruz e sepultam-no. A morte de Jesus torna vis\u00edvel o que antes estava oculto. A f\u00e9 que permanecia escondida manifesta-se agora no momento da sepultura. Na cruz revela-se um amor que n\u00e3o se imp\u00f5e, mas que se entrega pelos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3.<\/strong>\u00a0<strong>Olhemos hoje para a cruz de Cristo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa sociedade secularizada como \u00e9 a nossa em que vivemos, a cruz pode parecer simplesmente um s\u00edmbolo religioso do passado ou uma hist\u00f3ria de fracasso. O Evangelho convida-nos a olh\u00e1-la de outra forma: a descobrirmos que nela n\u00e3o existe somente a dor, mas o amor que se entrega; n\u00e3o h\u00e1 derrota, mas uma vida que come\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta tarde em que vamos adorar Jesus que morre por cada um de n\u00f3s e pela humanidade na sua totalidade, bons e maus, acolhamos o convite que Jesus dirige ao mundo do alto da sua cruz: \u201c<em>Vinde a mim, todos v\u00f3s que estais cansados e carregados de fardos, e eu vos darei descanso<\/em>\u201d (<em>Mt<\/em>\u00a011,28).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vem tu, que \u00e9s idoso, doente e sozinho; tu, que o mundo deixa morrer na mis\u00e9ria, na fome, ou sob as bombas da guerra; tu, que pela tua f\u00e9 em mim, ou pela tua luta pela liberdade, definhas numa pris\u00e3o; venham at\u00e9 mim mulheres e homens v\u00edtimas de viol\u00eancia e da guerra; vinde a mim todas as v\u00edtimas que o mal produz no mundo e que progressivamente vamos perdendo a sensibilidade para o perd\u00e3o; venham todos, ningu\u00e9m est\u00e1 exclu\u00eddo: \u201c<em>Vinde a mim e eu vos darei descanso\u201d<\/em>, porque prometi solenemente: \u201c<em>Quando eu for elevado da terra, atrairei todos a mim<\/em>\u201d (<em>Jo<\/em>\u00a012,32).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A miss\u00e3o que Jesus recebeu do Pai foi a de revelar o mist\u00e9rio do amor de Deus na sua plenitude, porque \u00ab<em>Deus \u00e9 amor<\/em>\u00bb (<em>1Jo<\/em>\u00a04, 8.16) e \u00ab<em>Quem o v\u00ea, v\u00ea o Pai<\/em>\u00bb (cf.\u00a0<em>Jo<\/em>\u00a014,9). Este amor que se tornou vis\u00edvel e palp\u00e1vel em toda a vida de Jesus, agora, na cruz, manifestou-se de um modo superabundante. Contemplemos a Paix\u00e3o de Jesus e deixemo-nos inundar por este amor salvador, porque na cruz de Jesus tamb\u00e9m se revela a solidariedade de Deus com os crucificados de hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00e3e Dolorosa, de p\u00e9 junto \u00e0 cruz do teu Filho, ensina-nos que o amor tem sempre a \u00faltima palavra e que sempre triunfar\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">_______<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sexta-feira Santa, 3 de abril de 2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2020 Ant\u00f3nio Manuel Moiteiro Ramos,<em>\u00a0Bispo de Aveiro<\/em><\/p>\n<div class=\"bizberg_user_comment_wrapper\">\n<div class=\"bizberg_detail_user_wrapper\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia | Celebra\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":20688,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[47,12],"tags":[],"class_list":["post-20687","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-d-antonio-manuel-moiteiro-ramos","category-documentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20687","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20687"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20687\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20689,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20687\/revisions\/20689"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20688"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20687"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20687"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20687"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}