{"id":20569,"date":"2026-03-19T09:45:51","date_gmt":"2026-03-19T09:45:51","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=20569"},"modified":"2026-03-19T09:45:51","modified_gmt":"2026-03-19T09:45:51","slug":"luis-manuel-p-silva-os-carros-na-polonia-nao-tem-buzina-ecos-de-uma-visita-a-cracovia-e-auschwitz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/luis-manuel-p-silva-os-carros-na-polonia-nao-tem-buzina-ecos-de-uma-visita-a-cracovia-e-auschwitz\/","title":{"rendered":"Lu\u00eds Manuel P. Silva | Os carros, na Pol\u00f3nia, n\u00e3o t\u00eam buzina: ecos de uma visita a Crac\u00f3via e Auschwitz"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: center;\">Lu\u00eds Manuel Pereira da Silva*<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acabo de regressar de visita de estudo \u00e0 Pol\u00f3nia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(N\u00e3o pretendo, por\u00e9m, fazer deste um texto de literatura de viagem. Antes, uma esp\u00e9cie de p\u00e1gina rasgada de um di\u00e1rio de mem\u00f3rias\u2026)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ir aos locais confere-nos experi\u00eancias que nenhum livro (apesar de os ter como meus fi\u00e9is companheiros) poder\u00e1, alguma vez, replicar ou substituir. Os cheiros, os ritmos, a l\u00edngua falada, os tempos e os modos, s\u00e3o irreplic\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Curiosamente, por\u00e9m, o odor, esse sentido que logo coloco em alerta quando me desloco a um novo destino, desta vez, foi escassamente convidado a manifestar-se. O tempo de inverno adormece as flores e anoitece os alvoreceres perfumados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas muito havia a descobrir, para al\u00e9m do que nos reserva o olfato, esse sentido t\u00e3o carnal e corp\u00f3reo que nenhuma intelig\u00eancia artificial ousar\u00e1 replicar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fui a Crac\u00f3via e a Auschwitz. Reservarei, para um segundo momento, a emo\u00e7\u00e3o deste lugar singular. Deter-me-ei, primeiramente, nas impress\u00f5es de Crac\u00f3via.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Levava-me a expectativa de ver quanto de S. Jo\u00e3o Paulo II se guarda, na mem\u00f3ria dos lugares daquela cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Percebe-se que, Crac\u00f3via, tendo no seu hist\u00f3rico cidad\u00e3o mundial, o arcebispo Karol que, um dia, chegou a Sumo Pont\u00edfice, talvez o seu mais reputado e amado cidad\u00e3o (ainda que tivesse nascido em Wadowice), a profundidade da f\u00e9 cat\u00f3lica, que define a gen\u00e9tica daquele povo, suplanta a densidade da import\u00e2ncia de uma s\u00f3 pessoa. Surpreende perceber-se a catolicidade de que se faz aquela cidade. Uma catolicidade que se torna efetiva na capacidade de universalidade que se vislumbra na import\u00e2ncia do seu rei her\u00f3i, o grande monarca Casimiro, aquele que soube acolher os abandonados desses tempos, entre eles, os sempre rejeitados judeus. Ser\u00e1, ali\u00e1s, dessa mem\u00f3ria que falar\u00e3o os que sumamente os quiseram extinguir, os nazis. Numa tristemente c\u00e9lebre cena evocada no \u00edmpar filme \u2018Lista de Schindler\u2019, Amon Goeth, o terr\u00edvel chefe do campo de concentra\u00e7\u00e3o de Plaszow, quando se preparava para esvaziar o gueto de Crac\u00f3via (tamb\u00e9m ele um lugar visitado em dia de comemora\u00e7\u00e3o dos 83 anos do seu encerramento \u2013 uma coincid\u00eancia que nos permitiu assistir \u00e0s cerim\u00f3nias adiadas por um dia, por motivo de, na efetiva data, ser S\u00e1bado \u2013 dia sagrado para os judeus) recorda que Casimiro, o Grande, dera aos judeus a liberdade que ele, Amon, se propunha, agora, extinguir para sempre. E perto estiveram os nazis de o conseguir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dessa terr\u00edvel, tem\u00edvel e hedionda efic\u00e1cia fala Auschwitz-Birkenau\u2026 A esse lugar \u2018n\u00e3o-lugar\u2019 regressarei, mais adiante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Volto a Crac\u00f3via.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ir ao lugar, habitar, por algum tempo, com os que dele fazem o seu tempo, permite-nos, com a dist\u00e2ncia de quem habita e faz tempo noutros lugares, vislumbrar sinais da singularidade de cada morada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crac\u00f3via \u00e9 uma cidade bela. \u00c9 uma cidade ampla, aberta, de espa\u00e7os onde se pode peregrinar pela hist\u00f3ria sem se desistir do presente. \u00c9 uma cidade que surpreende porque \u00e9 ampla, como a planura da Pol\u00f3nia. N\u00e3o via montanhas. S\u00f3 plan\u00edcies. As plan\u00edcies que t\u00e3o apetec\u00edvel tornam este pa\u00eds e que podem ajudar a explicar porque t\u00e3o dif\u00edceis foram, ao longo da hist\u00f3ria, as rela\u00e7\u00f5es de vizinhan\u00e7a com alem\u00e3es e russos, os seus \u2018arqui-inimigos\u2019 que muito ganhariam em, de vez, unir esfor\u00e7os, em vez de os dividir. A Hist\u00f3ria deste povo \u00e9 a hist\u00f3ria de uma luta contra os apetites vorazes dos que os rodeiam. \u00c9, por isso, uma hist\u00f3ria de resist\u00eancia ao perigo do desaparecimento. Uma resist\u00eancia vis\u00edvel na unicidade da sua l\u00edngua &#8211; participei em missa dominical de que percebi pouco mais do que \u2018ef\u00e9sios\u2019, \u2018Jesus\u2019, \u2018Jerusal\u00e9m\u2019 e muito pouco mais (Mas a virtualidade dos rituais \u00e9 que a sua simb\u00f3lica os torna transparentes para quem participa da sua sem\u00e2ntica). Mas se se ousasse olhar quanto de significativo aqui se reserva! A Pol\u00f3nia teve, entre 1573 e 1795 reis que eram eleitos. E n\u00e3o se pense que s\u00f3 o podiam ser os que provinham das linhagens. Foram eleitos franceses, h\u00fangaros, leigos e bispos, reis e rainhas, numa diversidade que surpreende e evidencia a originalidade deste povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E no viver tamb\u00e9m se torna not\u00f3ria esta particularidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Surpreende a serenidade quotidiana de uma cidade com cerca de 700 mil habitantes que, n\u00e3o sendo exuberantes nos modos (n\u00e3o ouvi gargalhadas ou apar\u00eancias de \u2018piadas\u2019, tanto ao gosto dos latinos. Na verdade, a \u00fanica gargalhada e volumosa troca de conversas provinha de um grupo que, quando passou por mim, percebi ser de italianos\u2026), se respeita e acolhe. Na estrada, n\u00e3o ouvi uma \u00fanica buzinadela. Entrecruzam-se carros, el\u00e9tricos, bicicletas e pe\u00f5es, sem que se atropelem e cedendo, espontaneamente, a passagem como se uma qualquer lei suposta tivesse demitido a presun\u00e7\u00e3o de que se \u2018tem sempre raz\u00e3o\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sofrimento da hist\u00f3ria talvez explique a capacidade de n\u00e3o valorizar excessivamente o que n\u00e3o o merece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um sofrimento de que a c\u00e9lebre entrada de Birkenau (com a sua linha f\u00e9rrea dirigida ao abismo da Hist\u00f3ria) ou o lema de Auschwitz (\u2018arbeit macht frei\u2019) evocar\u00e3o, para sempre e para todo o sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dicion\u00e1rio de Auschwitz-Birkenau eclipsa-se um voc\u00e1bulo: \u2018turista\u2019. Outro preenche o seu lugar: \u2018peregrino\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 imposs\u00edvel passar por ali como quem sobrevoa um lugar. Os nossos p\u00e9s ficam enlameados e presos na terra empapada de sangue.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A entrada, demorada e prolongada, antes de nos abeirarmos do port\u00e3o encimado pela tristemente c\u00e9lebre frase feita do sarcasmo nazi (\u2018o trabalho liberta\u2019), faz-nos percorrer um longo corredor onde, pausadamente, uma voz nos sussurra nomes. Um de cada vez, para que penetre, profundamente, em cada um, a mem\u00f3ria viva de quem se quis apagar at\u00e9 o pr\u00f3prio nome, substituindo-o por um n\u00famero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somos esmagados. Um nome. Outro nome. Outro nome\u2026 Nomes, apenas. Porque aquele percurso fora feito em sentido contr\u00e1rio: com o intuito de apagar qualquer nome.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo em Auschwitz \u00e9 maldade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para um judeu, que quer ser inumado, enterrado, para que possa ser devolvido \u00e0 terra donde proveio, como Ad\u00e3o, ser cremado \u00e9 a derradeira humilha\u00e7\u00e3o. Dessa humilha\u00e7\u00e3o falam os fornos cremat\u00f3rios. Esses definitivos \u2018n\u00e3o-lugares\u2019 e \u2018n\u00e3o-tempos\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eram o \u00faltimo ato de sarcasmo nazi. Depois de despirem os rec\u00e9m-chegados aos campos, de os gasearem (em in\u00fameros casos) a pretexto de lhes proporcionarem banho, de os reduzirem a um n\u00famero, de os dividirem uns contra os outros (os colaboracionistas e violentos tinham \u2018benesses\u2019 que recrudesciam as a\u00e7\u00f5es de uns para com os outros), de os desumanizarem at\u00e9 ao mais baixo poss\u00edvel (Birkenau \u00e9 um campo composto por barracas que se destinavam a animais, transformadas em lugares para \u2018amontoados de pessoas\u2019), reduzir a fogo e cinza era o derradeiro grito sarc\u00e1stico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A humilha\u00e7\u00e3o pura, gratuita, decadente, desumanizante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Auschwitz-Birkenau \u00e9 sil\u00eancio. O sil\u00eancio que se abate sobre n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sil\u00eancio que nos deve despertar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como recordava a guia, de nome \u2018Aneta\u2019, isto s\u00f3 foi poss\u00edvel porque o \u2018mal e o bem se confundiram\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, como me recordava algu\u00e9m muito pr\u00f3ximo, quando lhe disse onde estivera, \u2018Auschwitz cheira a morte\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Li, durante os dias em que fiz esta \u2018peregrina\u00e7\u00e3o interior\u2019, o livro de Bernard Michal, \u2018os julgamentos de Nuremberga\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Densificou-se em mim a convic\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o podemos estar certos de n\u00e3o se repetir a inumanidade de que fala Auschwitz. Exige-se que n\u00e3o se deixem adormecer os \u2018n\u00e3o-violentos\u2019. Exige-se que n\u00e3o deixemos de agitar a cinza sob a qual repousa o brilho. Exige-se que continuemos a ver o humano que refulge sob as rugas dos tempos e debilidades. Exige-se que mantenhamos a certeza da humanidade onde a ideia que desumaniza pretende prevalecer. Exige-se que nos mantenhamos atentos, em atitude de sentinela. A alvorada verdadeira s\u00f3 ser\u00e1 a do sol, n\u00e3o a dos holofotes sinistros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os tempos s\u00e3o de exigente aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem ser\u00e3o, hoje, os novos \u2018judeus\u2019?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os de sempre, bem certo, e tantos novos\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os que ningu\u00e9m quer porque ainda n\u00e3o s\u00e3o; porque j\u00e1 n\u00e3o parecem ser; porque nunca poder\u00e3o ser; porque serem incomoda; porque serem perturba; porque j\u00e1 n\u00e3o merecem a esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem s\u00e3o os novos \u2018judeus\u2019?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em mem\u00f3ria dos judeus de todos os tempos exige-se que despertemos e honremos a mem\u00f3ria dos esmagados pelas botas de ferro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somos todos humanos, fragilidade de Ad\u00e3o e s\u00f3 na eternidade seremos como o Eterno. At\u00e9 l\u00e1, fazemo-nos de \u2018terra\u2019, de caminho juntos, de olhar que v\u00ea o humano que a defici\u00eancia habita. O verdadeiro poder n\u00e3o \u00e9 o da humilha\u00e7\u00e3o, mas o do perd\u00e3o que cresce e faz crescer; que acolhe e respeita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Schindler recorda-o, no celeb\u00e9rrimo filme, em di\u00e1logo com Amon Goeth. O maior poder dos imperadores, diz Schindler, n\u00e3o era o de matar; mas o de perdoar quando o destino apontara a morte como fatalidade intranspon\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse \u00e9 o maior poder: o de perdoar. O de se reconhecer pequeno como e com os pequenos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como os de Crac\u00f3via, n\u00e3o precisamos de \u2018buzinar\u2019 porque nos respeitamos, reciprocamente. O outro n\u00e3o nos estorva: vive connosco e crescemos, juntos, com a singularidade de cada um, sem a qual somos mais pobres. A nossa verdadeira riqueza s\u00e3o os outros. O que \u00e9 novo n\u00e3o nasce de n\u00f3s: recebemo-lo dos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Auschwitz \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o disto; \u00e9 a recusa do outro e a sua redu\u00e7\u00e3o \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de estorvo a abater.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, sem o outro, sem o tu que o outro \u00e9, morre, tamb\u00e9m, sob a ilus\u00e3o de vit\u00f3ria, o pr\u00f3prio eu. Permanece na sua loucura narc\u00edsica. Torna-se uma massa informe. A massa amorfa e sem identidade que pretendiam os nazis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 por isso que Auschwitz ter\u00e1 de permanecer, para sempre, como aguilh\u00e3o doloroso na pele de todos: ningu\u00e9m seremos, se n\u00e3o \u2018formos\u2019 com os outros, \u00fanicos e singulares.<\/p>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right;\">*Professor, Presidente da Comiss\u00e3o Diocesana da Cultura<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Autor de &#8216;Bem-nascido&#8230; Mal-nascido&#8230; Do &#8216;filho perfeito&#8221; ao filho humano&#8217;, &#8216;Ensaios <em>de<\/em> liberdade&#8217; e de &#8216;Teologia, ci\u00eancia e verdade: fundamentos para a defini\u00e7\u00e3o do estatuto epistemol\u00f3gico da Teologia, segundo Wolfhart Pannenberg&#8217;<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Foto do autor: Muro do gueto de Crac\u00f3via<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lu\u00eds Manuel Pereira<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":20570,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[146,55],"tags":[],"class_list":["post-20569","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-letra-viva-valores-de-uma-cultura-que-cuida-e-nao-mata","category-luis-manuel-pereira-da-silva"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20569","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20569"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20569\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20571,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20569\/revisions\/20571"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20570"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20569"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20569"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20569"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}