{"id":20474,"date":"2026-02-28T07:00:04","date_gmt":"2026-02-28T07:00:04","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=20474"},"modified":"2026-02-26T10:08:11","modified_gmt":"2026-02-26T10:08:11","slug":"tiago-ramalho-xli-8-glosas-a-breve-apologie-pour-un-moment-catholique-de-jean-luc-marion-cont","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/tiago-ramalho-xli-8-glosas-a-breve-apologie-pour-un-moment-catholique-de-jean-luc-marion-cont\/","title":{"rendered":"Tiago Ramalho | XLI | 8 | Glosas a &#8216;Br\u00e8ve apologie pour un moment catholique&#8217;, de Jean-Luc Marion (cont.)"},"content":{"rendered":"<div dir=\"ltr\">\n<h6 style=\"text-align: right;\"><strong>GLOSAS<\/strong> &#8211; <em>Espa\u00e7o de coment\u00e1rio a obras que interpelam o tempo presente<\/em><\/h6>\n<hr \/>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Glosas a Br\u00e8ve apologie pour un moment catholique<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>&#8211; Catholique et fran\u00e7ais &#8211;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>(pp. 15-47)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">(Cont.)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0[Primeiro texto: <a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/tiago-ramalho-xxxiv-glosas-a-breve-apologie-pour-un-moment-catholique\/\">aqui<\/a>.]<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Tiago Azevedo Ramalho<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; 10. <em><u>Crise e decad\u00eancia. <\/u>\u2013 <\/em>A crise em \u00e2mbito eclesial n\u00e3o deve, portanto, ser interpretada apenas como a resposta a uma conjuntura especialmente indesejada, mas como um sinal de vigor: por crise, bem entendida, deve tomar-se o discernimento (de verbo <em>krinein<\/em>, de onde<em> krisis<\/em>) da dist\u00e2ncia entre a viv\u00eancia efectiva da Igreja e daquilo que se encontra chamada a ser, reconhecimento que a coloca em caminho de convers\u00e3o. A inquietude da crise, o empenho em determinar precisamente as suas causas, \u00e9, portanto, um sinal de especial vitalidade. Desde estas pondera\u00e7\u00f5es se compreende a afirma\u00e7\u00e3o provocat\u00f3ria de Marion: pode dar-se o caso de a Igreja ser a \u00fanica entidade que n\u00e3o se encontra \u00abem crise\u00bb (p. 34)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A afirma\u00e7\u00e3o compreende-se no contraste com a situa\u00e7\u00e3o geral das sociedades contempor\u00e2neas:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00abMas o verdadeiro e mais inquietante fen\u00f3meno encontra-se noutro lugar: quando a crise se torna um estado, e um estado que se estende \u00e0 maioria dos corpos sociais, como \u00e9 o hoje o caso desde aquilo a que cham\u00e1mos \u201cprimeiro choque petrol\u00edfero\u201d de 1974 e o fim dos \u201cTrinta Gloriosos\u201d; quando, de d\u00e9cada em d\u00e9cada, n\u00e3o se trata de mais nada do que de \u201cgerir a crise\u201d; quando a crise se torna o \u00fanico objecto de uma gest\u00e3o e n\u00e3o mais a ocasi\u00e3o de uma decis\u00e3o; quando o poder pol\u00edtico revela a sua impot\u00eancia e a sua inutilidade, porque, desapossado de todo o poder e constrangido por todas as partes, n\u00e3o pode sen\u00e3o repetir que \u201cn\u00e3o h\u00e1 nenhuma outra escolha\u201d, que n\u00e3o h\u00e1 sen\u00e3o uma pol\u00edtica poss\u00edvel; em suma, quando o poder pol\u00edtico aparece como uma impostura impotente e n\u00e3o pode sen\u00e3o repreender o povo fazendo-o pagar o pre\u00e7o, cada vez maior, da sua fal\u00eancia, ent\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o se trata de uma crise, mas de uma decad\u00eancia.\u00bb (p. 32)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diferen\u00e7a capital, pois, entre <em>crise <\/em>em que h\u00e1 o \u00edmpeto de transforma\u00e7\u00e3o e a pura e simples <em>decad\u00eancia<\/em>, em que os bra\u00e7os se baixam mesmo perante o decl\u00ednio da pr\u00e1tica da vida em comum, num indiferentismo generalizado (para o que, ali\u00e1s, o discurso religioso tem um nome: ac\u00e9dia).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De facto, n\u00e3o \u00e9 \u00abem crise\u00bb que se encontra, nem a Igreja, nem a sociedade europeia contempor\u00e2nea. A Igreja n\u00e3o est\u00e1 \u00abem crise\u00bb, mas <em>em crise<\/em>, de modo aut\u00eantico e sem aspas, em movimento de discernimento sobre como se reconfigurar.\u00a0 J\u00e1 a sociedade europeia n\u00e3o est\u00e1 \u00abem crise\u00bb, mas em longo processo de <em>decad\u00eancia<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(Continua.)<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/schroeder75-19752325\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=5973122\">Marco Schroeder<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=5973122\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GLOSAS &#8211; Espa\u00e7o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":20475,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[161,144],"tags":[],"class_list":["post-20474","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-glosas","category-tiago-azevedo-ramalho"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20474","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20474"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20474\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20477,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20474\/revisions\/20477"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20475"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20474"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20474"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20474"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}