{"id":20402,"date":"2026-02-14T07:00:18","date_gmt":"2026-02-14T07:00:18","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=20402"},"modified":"2026-02-13T21:18:28","modified_gmt":"2026-02-13T21:18:28","slug":"tiago-ramalho-xxxix-6-glosas-a-breve-apologie-pour-un-moment-catholique-de-jean-luc-marion-cont","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/tiago-ramalho-xxxix-6-glosas-a-breve-apologie-pour-un-moment-catholique-de-jean-luc-marion-cont\/","title":{"rendered":"Tiago Ramalho | XXXIX | 6 | Glosas a &#8216;Br\u00e8ve apologie pour un moment catholique&#8217;, de Jean-Luc Marion (cont.)"},"content":{"rendered":"<div dir=\"ltr\">\n<h6 style=\"text-align: right;\"><strong>GLOSAS<\/strong> &#8211; <em>Espa\u00e7o de coment\u00e1rio a obras que interpelam o tempo presente<\/em><\/h6>\n<hr \/>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Glosas a Br\u00e8ve apologie pour un moment catholique<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>&#8211; Catholique et fran\u00e7ais &#8211;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>(pp. 15-47)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">(Cont.)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0[Primeiro texto: <a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/tiago-ramalho-xxxiv-glosas-a-breve-apologie-pour-un-moment-catholique\/\">aqui<\/a>.]<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Tiago Azevedo Ramalho<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; 8. <em><u>Cont.<\/u><\/em> \u2013 Um qualquer desejo de restaura\u00e7\u00e3o de uma maioria social crist\u00e3 \u00e9, assim, objecto de uma aguda cr\u00edtica teol\u00f3gica: \u00abO que significaria para os cat\u00f3licos constitu\u00edrem em Fran\u00e7a (de novo ou porventura pela primeira vez) uma maioria? Que significaria para a Igreja <em>ser bem-sucedida? <\/em>Estabelecer um reino crist\u00e3o sobre a terra, instaurar uma Jerusal\u00e9m subindo da terra e n\u00e3o descendo dos c\u00e9us? Integrar numa \u201csinfonia\u201d perfeita a ordem espiritual e a ordem natural? Basta formular estas palavras para ver a inadequa\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica manifesta, para nelas dever denunciar os \u00eddolos e as blasf\u00e9mias. De resto, Cristo, ele pr\u00f3prio, n\u00e3o vem a ser <em>bem-sucedido<\/em> neste sentido: e n\u00e3o vem porque nunca o quis; pelo contr\u00e1rio, denuncia esta muito humana e muito pol\u00edtica \u201crestaura\u00e7\u00e3o do reino de Israel\u201d (<em>Actos <\/em>1, 6) como a tenta\u00e7\u00e3o e o contrasenso mais contr\u00e1rios \u00e0 proclama\u00e7\u00e3o de que o \u201cReino de Deus est\u00e1 muito pr\u00f3ximo, est\u00e1 entre v\u00f3s\u201d (<em>Lucas <\/em>10, 9 e 11). Seremos n\u00f3s, ent\u00e3o, maiores do que o nosso mestre (<em>Jo\u00e3o <\/em>13, 16)? O que queremos n\u00f3s, o que por fim esperamos, a sua vontade ou a nossa?\u00bb (pp. 26-27).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Daqui se transita para um recentramento cr\u00edstico da eclesiologia e da pastoral crist\u00e3. \u00c9 a Igreja que se tem de pensar a partir da miss\u00e3o que lhe \u00e9 dada, e de quem cr\u00ea \u2013 por vias, sabe-se bem, que se afiguram insond\u00e1veis \u2013 que se encontra ao respectivo leme; cabe-lhe assumir a miss\u00e3o que lhe \u00e9 confiada, n\u00e3o definir a sua pr\u00f3pria miss\u00e3o: \u00abCerto, [Cristo] prometeu \u00e0 Igreja que as portas do inferno n\u00e3o prevalecer\u00e3o contra ela. Mas nunca lhe assegurou que se tornaria maiorit\u00e1ria ou dominante no mundo: apenas lhe pediu que passasse pela mesma cruz onde conquistou a Ressurrei\u00e7\u00e3o\u00bb (p. 27).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E por isso \u2013 e que provoca\u00e7\u00e3o! \u2013 pode mesmo o bom crist\u00e3o despreocupar-se com a arquitectura das institui\u00e7\u00f5es eclesi\u00e1sticas: \u00abo fiel s\u00e9rio que pratica a f\u00e9 <em>esquece-se <\/em>de se interessar pela reforma das institui\u00e7\u00f5es eclesi\u00e1sticas (tarefa que, voluntariamente, bem abandona aos trabalhadores especializados nas repara\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas). A Igreja n\u00e3o importa ao baptizado de base sen\u00e3o como a distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua importa ao habitante de uma cidade: desde que a \u00e1gua do Esp\u00edrito que eu deva beber passe sempre nos canais, desde que o sistema de dispensa\u00e7\u00e3o dos sacramentos me doe a vida do Esp\u00edrito, a minha primeira preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 beber, n\u00e3o refazer o sistema de condu\u00e7\u00e3o de \u00e1gua\u00bb (pp. 27-28).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o palavras que t\u00eam tanto de exagerado como de l\u00facido. Exagerado, desmesurado, hiperb\u00f3lico \u2013 porque parecem reduzir a nada a urgente preocupa\u00e7\u00e3o com as estruturas eclesiais, das quais muito depende da ac\u00e7\u00e3o da Igreja, e pelas quais se h\u00e3o-de interessar os comuns crist\u00e3os. N\u00e3o se deve, com efeito, reduzir a nada a quest\u00e3o das estruturas (talvez, neste ponto, perca o discurso algum equil\u00edbrio): se a identidade crist\u00e3 tem uma dimens\u00e3o eclesial, e se a Igreja tem tamb\u00e9m uma express\u00e3o institucional, negar a possibilidade de uma activa iniciativa eclesial (e assim, como \u00e9 sabido, ocorre continuamente) amputa uma parte bem relevante da identidade crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, n\u00e3o obstante quanto se observou, s\u00e3o palavras que mant\u00e9m a sua inteira lucidez, na exacta medida da for\u00e7a daquela hip\u00e9rbole: por mais relevante, e mesmo indispens\u00e1vel, que seja a quest\u00e3o das \u00abestruturas eclesiais\u00bb, ela como nada \u00e9 diante da grandeza dos grandes lances existenciais em que se vive a vida crist\u00e3 (da\u00ed a sensa\u00e7\u00e3o \u00ab<a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/tiago-ramalho-uma-so-coisa-e-necessaria-memoria-de-s-joao-xxiii\/\">estranhamente desapontante<\/a>\u00bb de Hannah Arendt ao ler o Di\u00e1rio da Alma de S\u00e3o Jo\u00e3o XXIII: onde poderiam alguns esperar grandes voos sobre temas pol\u00edticos ou eclesi\u00e1sticos, eis que se detecta com um di\u00e1rio-raz\u00e3o do exame diuturno de consci\u00eancia). E imp\u00f5e-se, tamb\u00e9m aqui, um severo ju\u00edzo de cr\u00edtica das pr\u00f3prias possibilidades: \u00abDe resto, quem sou para pretender reformar a Igreja? Quem sou eu para a criticar? Seria necess\u00e1rio que eu fosse mais l\u00facido, corajoso e, finalmente, mais santo do que ela. Ent\u00e3o, ou tenho mesmo de fazer sil\u00eancio, ou ent\u00e3o devo agir como um santo. Os santos apenas reformam a Igreja, mas edificando-a, e n\u00e3o tomando-a, ou governando-a\u00bb (p. 28). Vem \u00e0 ideia a mem\u00f3ria de um grande reformador, Francisco (de Assis), que sua fez esta li\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja, em suma, \u00e9 um mist\u00e9rio mesmo para aqueles que a integram: \u00abS\u00f3 Cristo conhece o estado da sua Igreja (\u2026). Os membros da Igreja n\u00e3o est\u00e3o eles pr\u00f3prios a par do estado da Igreja, nem mesmo da Igreja na sua totalidade. T\u00eam apenas acesso, naquilo que n\u00e3o podem ver, ao conhecimento de Cristo e, por ele, ao Pai na vida do Esp\u00edrito\u00bb (pp. 28-29).<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(Continua.)<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/dimitrisvetsikas1969-1857980\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=4606924\">Dimitris Vetsikas<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=4606924\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GLOSAS &#8211; Espa\u00e7o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":20403,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[161,144],"tags":[],"class_list":["post-20402","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-glosas","category-tiago-azevedo-ramalho"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20402","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20402"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20402\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20407,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20402\/revisions\/20407"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20403"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20402"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20402"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20402"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}