{"id":20315,"date":"2026-01-31T07:07:39","date_gmt":"2026-01-31T07:07:39","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=20315"},"modified":"2026-01-29T17:17:49","modified_gmt":"2026-01-29T17:17:49","slug":"tiago-ramalho-xxxvii-4-glosas-a-breve-apologie-pour-un-moment-catholique-de-jean-luc-marion-cont","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/tiago-ramalho-xxxvii-4-glosas-a-breve-apologie-pour-un-moment-catholique-de-jean-luc-marion-cont\/","title":{"rendered":"Tiago Ramalho | XXXVII | 4 | Glosas a &#8216;Br\u00e8ve apologie pour un moment catholique&#8217;, de Jean-Luc Marion (cont.)"},"content":{"rendered":"<div dir=\"ltr\">\n<h6 style=\"text-align: right;\"><strong>GLOSAS<\/strong> &#8211; <em>Espa\u00e7o de coment\u00e1rio a obras que interpelam o tempo presente<\/em><\/h6>\n<hr \/>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Glosas a Br\u00e8ve apologie pour un moment catholique<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>&#8211; Catholique et fran\u00e7ais &#8211;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>(pp. 15-47)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">(Cont.)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0[Primeiro texto: <a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/tiago-ramalho-xxxiv-glosas-a-breve-apologie-pour-un-moment-catholique\/\">aqui<\/a>.]<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Tiago Azevedo Ramalho<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; 6. <em><u>\u00abCat\u00f3lico e franc\u00eas\u00bb. Plano do cap\u00edtulo.<\/u> \u2013 <\/em>O primeiro dos tr\u00eas cap\u00edtulos que constituem o n\u00facleo desta <em>Br\u00e8ve apologie<\/em> tem por t\u00edtulo \u00abcat\u00f3lico e franc\u00eas\u00bb e corresponde a uma confer\u00eancia de <em>rentr\u00e9e <\/em>da <em>Acad\u00e9mie catholique de France <\/em>pronunciada no <a href=\"https:\/\/www.collegedesbernardins.fr\/\"><em>Coll\u00e8ge des Bernardins<\/em><\/a>, not\u00e1vel institui\u00e7\u00e3o eclesial francesa. O cap\u00edtulo tem por objecto a presen\u00e7a cat\u00f3lica no espa\u00e7o p\u00fablico e, de modo especial, o que a Igreja pode prestar \u00e0 Rep\u00fablica contempor\u00e2nea. O texto segue l\u00f3gica tri\u00e1dica: da (i) descri\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o da Igreja, transita para o (ii) diagn\u00f3stico da condi\u00e7\u00e3o da comunidade pol\u00edtica, culminando (iii) na identifica\u00e7\u00e3o do que aquela, a Igreja, pode a esta, \u00e0 comunidade pol\u00edtica, prestar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; 7. <em><u>O reconhecimento l\u00facido de uma presen\u00e7a.<\/u> \u2013 <\/em>No princ\u00edpio de tudo, importa precisar qual a condi\u00e7\u00e3o actual do catolicismo (p. 15). De modo decerto surpreendente, Marion tra\u00e7a um retrato muito positivo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abPodemos ent\u00e3o sustentar, contra a vulgata da imprensa e dos especialistas, que globalmente, para os cat\u00f3licos, tudo corre muito bem. Hoje, com efeito, n\u00e3o temos a reconhecer sen\u00e3o um s\u00f3 papa (perfeitamente respeit\u00e1vel e respeitado), n\u00e3o confessamos sen\u00e3o um s\u00f3 <em>Credo<\/em> (e pouco a pouco entendemo-lo no mesmo sentido), os nossos bispos (de qualidade t\u00e3o vari\u00e1vel como a nossa) s\u00e3o bem nomeados por Roma e, oficialmente pelo menos, poucos cismas declarados nos dividem. Ao que acresce que fru\u00edmos quase inteiramente de paz civil, com um n\u00edvel conveniente de liberdade religiosa, temperada por algumas oportunidades de mart\u00edrio (o que nos pode assustar, mas que n\u00e3o nos dever\u00e1 perturbar, bem pelo contr\u00e1rio).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Certo, resta um ponto muito negativo, em Fran\u00e7a pelo menos (e na Europa ocidental): a baixa regular do n\u00famero de padres, confirmada pela de baptizados e de praticantes. (\u2026)\u00bb (pp. 16-17)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O retrato \u00e9 provocatoriamente optimista (parecendo subestimar a relev\u00e2ncia da not\u00e1vel redu\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica sacramental e o valor de certas formas de um \u00abcristianismo cultural\u00bb que, apesar de tudo, fermentava pr\u00e1tica social: a atrevida biopol\u00edtica contempor\u00e2nea mostra bem os efeitos dessa oclus\u00e3o). Mas \u00e9 ineg\u00e1vel o acerto do reconhecimento dos aspectos positivos que s\u00e3o indicados, bem como a n\u00e3o valoriza\u00e7\u00e3o em excesso de dimens\u00f5es de \u00abperda\u00bb muitas vezes destacadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com efeito, h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de que a Igreja contempor\u00e2nea beneficia que s\u00e3o praticamente in\u00e9ditas do ponto de vista hist\u00f3rico. Marion aponta para o fundamental: a unidade fundamental de f\u00e9, sem se suscitarem cis\u00f5es determinantes de ortodoxia (h\u00e1, sim, a respeito da <em>orthopraxis<\/em>), e sob uma estrutura eclesial amplamente reconhecida; e a separa\u00e7\u00e3o formal e material do poder pol\u00edtico, oferecendo \u00e0 Igreja uma singular\u00edssima posi\u00e7\u00e3o no mundo contempor\u00e2neo, simultaneamente a institui\u00e7\u00e3o mais enraizada localmente e mais abrangente em termos globais. Acrescente-se, embora Marion n\u00e3o se lhe refira, a uma not\u00e1vel restaura\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es entre o cristianismo e o juda\u00edsmo, talvez in\u00e9dita neste arco temporal bimilen\u00e1rio, reaprendendo aquele primeiro a pensar este \u00faltimo como uma dimens\u00e3o central da sua identidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, \u00e9 acertada tamb\u00e9m a n\u00e3o valoriza\u00e7\u00e3o em excesso dos aparentes sintomas de crise (p. 17). Primeiro, por o discurso triunfalista a respeito de formas hist\u00f3ricas da Igreja ignorar, em boa medida, os duros conflitos ou dificuldades por ela enfrentados nos referidos per\u00edodos (p. 17). Ora, do ponto de vista da exposi\u00e7\u00e3o aos poderes de cada momento, como o mostra, desde logo, a conturbada vida da primeira gera\u00e7\u00e3o eclesial, a condi\u00e7\u00e3o da Igreja nunca foi f\u00e1cil. Depois, por grande parte das perten\u00e7as perdidas serem meramente nominais (p. 17). Finalmente, por grande parte das raz\u00f5es da pretendida crise terem \u00edndole sociol\u00f3gica, e n\u00e3o alcance exclusivamente eclesial: a forte urbaniza\u00e7\u00e3o (com \u00eaxodo rural) ao longo do \u00faltimo meio s\u00e9culo, com forte recomposi\u00e7\u00e3o de formas de vida, exp\u00f5e a viv\u00eancia da f\u00e9 crist\u00e3 a um ambiente que ainda n\u00e3o se encontrava perfeitamente preparado para a sua express\u00e3o (p. 18).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como seja, \u00e0 data de hoje a Igreja mant\u00e9m-se como a mais relevante das institui\u00e7\u00f5es sociais (p. 18), e isto apesar dos m\u00faltiplos discursos a respeito de uma sua irrem\u00edvel \u00abcrise\u00bb. Como o explicar?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: right;\">(Continua.)<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/jerome82-11303951\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=5074421\">JEROME CLARYSSE<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=5074421\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GLOSAS &#8211; Espa\u00e7o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":20316,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[161,144],"tags":[],"class_list":["post-20315","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-glosas","category-tiago-azevedo-ramalho"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20315","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20315"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20315\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20317,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20315\/revisions\/20317"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20316"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20315"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20315"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20315"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}