{"id":20269,"date":"2026-01-24T07:00:04","date_gmt":"2026-01-24T07:00:04","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=20269"},"modified":"2026-01-22T10:05:35","modified_gmt":"2026-01-22T10:05:35","slug":"tiago-ramalho-xxxvi-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/tiago-ramalho-xxxvi-3\/","title":{"rendered":"Tiago Ramalho | XXXVI | 3 | Glosas a &#8216;Br\u00e8ve apologie pour un moment catholique&#8217;, de Jean-Luc Marion (cont.)"},"content":{"rendered":"<div dir=\"ltr\">\n<h6 style=\"text-align: right;\"><strong>GLOSAS<\/strong> &#8211; <em>Espa\u00e7o de coment\u00e1rio a obras que interpelam o tempo presente<\/em><\/h6>\n<hr \/>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Glosas a Br\u00e8ve apologie pour un moment catholique<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u2013 Adresse: La croix sans la banni\u00e8re \u2013<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>(pp. 7-14)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">(Cont.)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0[Primeiro texto: <a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/tiago-ramalho-xxxiv-glosas-a-breve-apologie-pour-un-moment-catholique\/\">aqui<\/a>.]<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Tiago Azevedo Ramalho<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8211; 4. <u>Uma s\u00edntese da proposta crist\u00e3.<\/u> \u2013 <\/em>Do ponto de partida da obra j\u00e1 se deu conta (n.\u00ba 2): a crescente incompreens\u00e3o a respeito do que \u00e9 pr\u00f3prio da f\u00e9 crist\u00e3, especialmente na sua viv\u00eancia cat\u00f3lica. \u00c0s suspeitas sobre o que pensam, e como vivem, os crist\u00e3os, pretende Marion responder com um contra-questionamento, colocando a hip\u00f3tese de aquela incompreens\u00e3o resultar de uma fantasm\u00e1tica perspectiva imagin\u00e1ria sobre o que \u00e9 a pr\u00e1tica crist\u00e3, sem conhecimento efectivo do modo como realmente se estrutura: ser aquela incompreens\u00e3o, em suma, um fruto precipitado da ignor\u00e2ncia (p. 8). Come\u00e7a-se, pois, por colocar em causa as raz\u00f5es de ci\u00eancia que estariam na base daquela suspei\u00e7\u00e3o, abalando a aparente firme posi\u00e7\u00e3o do advers\u00e1rio, e denunciando-se ao mesmo tempo a licen\u00e7a p\u00fablica para livremente ignorar o que \u00e9 pr\u00f3prio da viv\u00eancia crist\u00e3:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abSejamos s\u00e9rios (\u2026) ningu\u00e9m ousaria com uma tal boa consci\u00eancia exibir a sua ignor\u00e2ncia sobre um qualquer outro assunto (nem em economia, nem em pol\u00edtica, nem em literatura, nem em pintura, nem em m\u00fasica, nem mesmo em enologia, nem, claro, sobre o amor, isto para nos atermos ao essencial). Por que se nos \u00e9 permitido quando se trata de Deus e da f\u00e9 dos cat\u00f3licos?\u00bb (p. 9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abalados os fundamentos daquela suspei\u00e7\u00e3o, pergunta-se: quem s\u00e3o, afinal, os cat\u00f3licos? Antes de responder, talvez se imponha, a t\u00edtulo preventivo, afastar a leviana caricatura que deles se possa fazer, e que afinal impede que se escute a resposta, qualquer que ela seja:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abN\u00e3o tenhais, pois, medo de n\u00f3s, guardai o vosso medo para as verdadeiras amea\u00e7as, que n\u00e3o faltam. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o nos continueis a subestimar. N\u00e3o nos tomeis por retardados ou ressabiados [<em>revanchards<\/em>]. Esquecei por um minuto os clich\u00e9s e os <em>slogans<\/em>: os cat\u00f3licos n\u00e3o se dividem em n\u00e3o crentes potenciais (bom!) ou em integristas identit\u00e1rios (mau!), em humanistas indefinidos (aceit\u00e1vel!) ou militantes de uma contra-sociedade (intoler\u00e1vel!).\u00bb (p. 9)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Limpo o campo, pode voltar a perguntar-se: quem s\u00e3o, afinal os cat\u00f3licos? O que os move <em>ainda<\/em>, n\u00e3o obstante os movimentos de cultura de longo alcance que os lan\u00e7am para uma clara periferia do espa\u00e7o p\u00fablico? Por que n\u00e3o desapareceram j\u00e1, conforme seria suposto?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segue-se uma p\u00e1gina de ouro de apolog\u00e9tica:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abSobra uma hip\u00f3tese, convenho que surpreendente, mas a \u00fanica plaus\u00edvel: devem eles ter alguns motivos, quer dizer, <em>raz\u00f5es <\/em>para se comportarem como dizem pretender. E, para conhecer estas raz\u00f5es, \u00e9 bastante instruir-se acerca de <em>Cristo, <\/em>uma vez que, tudo visto, os crist\u00e3os (e por isso <em>tamb\u00e9m <\/em>os cat\u00f3licos) tiram o seu nome de Cristo: \u201cFoi em Antioquia que, pela primeira vez, os disc\u00edpulos come\u00e7aram a ser tratados pelo nome de \u2018crist\u00e3os.\u2019\u201d (<em>Actos<\/em> 11, 26). Para compreender os cat\u00f3licos, importa antes de tudo conceber quem os coloca em marcha, Cristo. E, em princ\u00edpio, eles est\u00e3o \u201c\u2026sempre dispostos a fazer a sua apologia (<em>pros apologian<\/em>) diante de quem quer que pe\u00e7a as raz\u00f5es da esperan\u00e7a que t\u00eam\u201d (<em>1 Pedro <\/em>13, 15). O resto deduz-se da\u00ed, os seus usos e costumes, as suas ideias e as suas ac\u00e7\u00f5es, mesmo os seus erros e fracassos. Em que consiste essa apologia, que eu gostaria de aqui esquissar brevemente? Eles cr\u00eaem com a dureza do ferro que vale mais dar do que receber; que conservar-se a todo o custo resulta em perder-se e, reciprocamente, que perder-se permite salvar e ser salvo; que a morte <em>pode <\/em>conduzir \u00e0 vida em plenitude. Eles cr\u00eaem-no porque o constatam <em>j\u00e1 <\/em>na sua pr\u00f3pria experi\u00eancia e sobretudo porque o viram de <em>uma certa maneira <\/em>na figura de Cristo. Bem entendido, eles experimentam-no, sem o poderem demonstrar do exterior a quem permanece no exterior deste mist\u00e9rio. Convencer outrem n\u00e3o depende deles. Depende deles, em contrapartida, realizar efectivamente, na comunh\u00e3o de crentes, o que pretendem experimentar; dito de outro modo, progredir na santidade. N\u00e3o exigem de n\u00e3o crentes, por certo, que vivam \u00e0 sua maneira, mas exigem-lhes pelo menos que n\u00e3o lhes interditem tentar praticar esta arte de viver \u2013 certamente paradoxal, nisso conv\u00eam. Porque, muito simplesmente, a quest\u00e3o coloca-se: como se vive melhor, \u00e9 possuindo e conservando-se com todas as for\u00e7as, ou \u00e9 dando-se e abandonando-se ao dom? \u201cBem-aventurados aqueles que, em esp\u00edrito, se tornam pobres, porque <em>desde j\u00e1 <\/em>o reino dos c\u00e9us \u00e9 deles\u201d, no presente (<em>Mateus <\/em>5, 1). No fim da hist\u00f3ria, mas n\u00e3o antes, far-se-\u00e1 contas.\u00bb (pp. 11-12)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; 5. <em><u>Plano da obra.<\/u> \u2013 <\/em>\u00c9 uma apologia desta presen\u00e7a cat\u00f3lica no espa\u00e7o comum que se dedica, pois, este escrito de Marion. A obra estrutura-se a partir de tr\u00eas andamentos fundamentais, dois deles retomando realiza\u00e7\u00f5es anteriores, e que correspondem aos cap\u00edtulos \u00abCat\u00f3lico e franc\u00eas\u00bb (pp. 15-47) e \u00abLaicidade ou separa\u00e7\u00e3o\u00bb (pp. 48-82), um deles in\u00e9dito, de t\u00edtulo \u00abA utilidade da comunh\u00e3o\u00bb (pp. 83-119). Segue-se-lhes um remate final, \u00abEnvio: Um momento cat\u00f3lico\u00bb (pp. 121-124), e s\u00e3o precedidos da nota introdut\u00f3ria (pp. 7-14) que se comentou nestes nn.\u00ba 1 a 5. Faltou apenas aludir ao respectivo t\u00edtulo: \u00abla croix sans la banni\u00e8re\u00bb, \u00aba cruz sem a bandeira\u00bb. Eis um pregnante modo de entrada na viv\u00eancia da identidade cat\u00f3lica que Marion d\u00e1 a partilhar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(Continua.)<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/aszak-22997580\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=8192852\">Miros\u0142aw i Joanna Bucholc<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=8192852\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GLOSAS &#8211; Espa\u00e7o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":20270,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[161,144],"tags":[],"class_list":["post-20269","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-glosas","category-tiago-azevedo-ramalho"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20269","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20269"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20269\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20273,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20269\/revisions\/20273"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20270"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20269"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20269"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20269"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}