{"id":20251,"date":"2026-01-18T19:39:33","date_gmt":"2026-01-18T19:39:33","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=20251"},"modified":"2026-01-18T19:40:19","modified_gmt":"2026-01-18T19:40:19","slug":"no-oitavario-de-oracao-pela-unidade-dos-cristaos-declaracao-conjunta-sobre-a-doutrina-da-justificacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/no-oitavario-de-oracao-pela-unidade-dos-cristaos-declaracao-conjunta-sobre-a-doutrina-da-justificacao\/","title":{"rendered":"[No oitav\u00e1rio de ora\u00e7\u00e3o pela unidade dos crist\u00e3os] | DECLARA\u00c7\u00c3O CONJUNTA SOBRE A DOUTRINA DA JUSTIFICA\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.christianunity.va\/content\/unitacristiani\/en\/dialoghi\/sezione-occidentale\/luterani\/dialogo\/documenti-di-dialogo\/1999-dichiarazione-congiunta-sulla-dottrina-della-giustificazion\/en\/pt.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Recolhida do Dicast\u00e9rio para a Promo\u00e7\u00e3o da Unidade dos Crist\u00e3os<\/a><\/h4>\n<hr \/>\n<h4 style=\"text-align: center;\">DECLARA\u00c7\u00c3O CONJUNTA SOBRE A \u00a0DOUTRINA DA JUSTIFICA\u00c7\u00c3O<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: center;\">[31 de outubro de 1999]<\/h4>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><i>Pre\u00e2mbulo<\/i><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">1.<b>\u00a0<\/b>A doutrina da justifica\u00e7\u00e3o teve import\u00e2ncia central para a Reforma luterana do s\u00e9culo XVI. Era considerada o &#8220;primeiro e principal artigo&#8221; [1] e simultaneamente &#8220;regente e juiz sobre todas as partes da doutrina crist\u00e3&#8221; [2]. A doutrina da justifica\u00e7\u00e3o foi particularmente sustentada e defendida em sua express\u00e3o reformat\u00f3ria e sua relev\u00e2ncia especial face \u00e0 teologia e \u00e0 Igreja cat\u00f3lica romana de ent\u00e3o as quais, por sua vez, sustentavam e defendiam uma doutrina da justifica\u00e7\u00e3o com caracter\u00edsticas diferentes. Aqui, segundo a prospectiva reformat\u00f3ria, residia o cerne de todas as confronta\u00e7\u00f5es. Elas resultaram em condena\u00e7\u00f5es doutrinais nos escritos confessionais luteranos [3] e no Conc\u00edlio de Trento da Igreja cat\u00f3lica romana. Essas condena\u00e7\u00f5es vigoram at\u00e9 hoje e t\u00eam efeito divisor entre as Igrejas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2. Para a tradi\u00e7\u00e3o luterana a doutrina da justifica\u00e7\u00e3o conservou essa relev\u00e2ncia especial. Por isso, desde o in\u00edcio, ela tamb\u00e9m ocupou um lugar importante no di\u00e1logo oficial luterano-cat\u00f3lico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3. Remetemos em especial aos relat\u00f3rios &#8220;O evangelho e a Igreja&#8221; (1972) [4] e &#8220;Igreja e justifica\u00e7\u00e3o&#8221; (1994) [5], da Comiss\u00e3o Mista cat\u00f3lica romana\/evang\u00e9lica luterana internacional, ao relat\u00f3rio &#8220;Justifica\u00e7\u00e3o pela f\u00e9&#8221; (1983) [6], do di\u00e1logo cat\u00f3lico-luterano nos Estados Unidos, e ao estudo &#8220;Condena\u00e7\u00f5es doutrinais &#8211; divisoras das Igrejas?&#8221; (1986) [7], do Grupo de Trabalho Ecum\u00eanico de te\u00f3logos evang\u00e9licos e cat\u00f3licos na Alemanha. Alguns destes relat\u00f3rios de di\u00e1logo obtiveram recep\u00e7\u00e3o oficial. Exemplo importante constitui o posicionamento compromissivo emitido pela Igreja Evang\u00e9lico-Luterana Unida da Alemanha, juntamente com as outras Igrejas pertencentes \u00e0 Igreja Evang\u00e9lica na Alemanha, com o m\u00e1ximo grau poss\u00edvel de reconhecimento eclesi\u00e1stico do estudo sobre as condena\u00e7\u00f5es doutrinais (1994) [8].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4. Todos os relat\u00f3rios de di\u00e1logo citados, bem como os posicionamentos a seu respeito, revelam em seu tratamento da doutrina da justifica\u00e7\u00e3o, alto grau de orienta\u00e7\u00e3o e ju\u00edzos comuns. Por isso est\u00e1 na hora de fazer um balan\u00e7o e de resumir os resultados dos di\u00e1logos sobre a justifica\u00e7\u00e3o, de modo a informar nossas Igrejas, com a devida precis\u00e3o e brevidade, sobre o resultado geral desse di\u00e1logo e de dar-lhes, ao mesmo tempo, condi\u00e7\u00f5es de se posicionarem de modo compromissivo a respeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5. \u00c9 isso o que pretende a presente Declara\u00e7\u00e3o Conjunta. Ela quer mostrar que, com base no di\u00e1logo, as Igrejas luteranas signat\u00e1rias e a Igreja cat\u00f3lica romana [9] est\u00e3o agora em condi\u00e7\u00f5es de articular uma compreens\u00e3o comum de nossa justifica\u00e7\u00e3o pela gra\u00e7a de Deus na f\u00e9 em Cristo. Esta Declara\u00e7\u00e3o Comum\u00a0<i>(DC)\u00a0<\/i>n\u00e3o cont\u00e9m tudo o que \u00e9 ensinado sobre justifica\u00e7\u00e3o em cada uma das Igrejas, mas abarca um consenso em verdades b\u00e1sicas da doutrina da justifica\u00e7\u00e3o e mostra que os desdobramentos distintos ainda existentes n\u00e3o constituem mais motivo de condena\u00e7\u00f5es doutrinais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6. Nossa\u00a0<i>DC\u00a0<\/i>n\u00e3o \u00e9 uma exposi\u00e7\u00e3o nova e independente, ao lado dos relat\u00f3rios de di\u00e1logo e documentos j\u00e1 existentes, nem pretende, muito menos, substitui-los. Ela se reporta, antes, a esses textos e sua argumenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7. Assim como os pr\u00f3prios di\u00e1logos, tamb\u00e9m esta\u00a0<i>DC\u00a0<\/i>se baseia na convic\u00e7\u00e3o de que uma supera\u00e7\u00e3o de quest\u00f5es controversas e de condena\u00e7\u00f5es doutrin\u00e1rias at\u00e9 agora vigentes n\u00e3o minimiza as divis\u00f5es e condena\u00e7\u00f5es nem desautoriza o passado da pr\u00f3pria Igreja. Repousa, por\u00e9m, sobre a convic\u00e7\u00e3o de que no decorrer da hist\u00f3ria nossas Igrejas chegam a novas percep\u00e7\u00f5es e de que ocorrem desdobramentos que n\u00e3o s\u00f3 lhes permitem, mas ao mesmo tempo tamb\u00e9m exigem, que as quest\u00f5es e condena\u00e7\u00f5es divisoras sejam examinadas e vistas sob uma nova luz.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">1. A mensagem b\u00edblica da justifica\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">8.<b>\u00a0<\/b>Fomos levados a essas novas percep\u00e7\u00f5es por nossa maneira conjunta de escutar a palavra de Deus nas Escrituras Sagradas. Juntos ouvimos o evangelho de que &#8220;Deus amou o mundo de tal maneira que deu Seu Filho unig\u00eanito, para que todo o que nele cr\u00ea n\u00e3o pere\u00e7a, mas tenha a vida eterna&#8221; (<i>Jo<\/i>\u00a03, 16). Esta Boa Nova \u00e9 exposta de diferentes maneiras nas Escrituras Sagradas. No Antigo Testamento ouvimos a palavra de Deus sobre a pecaminosidade humana (cf.\u00a0<i>Sl\u00a0<\/i>51, 1-5;\u00a0<i>Dn<\/i>\u00a09, 5\u00a0s.;\u00a0<i>Ecl<\/i>\u00a08, 9\u00a0s.;\u00a0<i>Esd<\/i>\u00a09, 6\u00a0s.) e sobre a desobedi\u00eancia humana (cf.\u00a0<i>Gn<\/i>\u00a03, 1-19;\u00a0<i>Ne\u00a0<\/i>9, 16\u00a0s.26), bem como sobre a justi\u00e7a (cf.\u00a0<i>Is\u00a0<\/i>46, 13; 51, 5-8; 56, 1 [cf. 53, 11];\u00a0<i>Jr\u00a0<\/i>9, 24) e o ju\u00edzo de Deus (cf.\u00a0<i>Ecl<\/i>\u00a012, 14;\u00a0<i>Sl<\/i>\u00a09, 5\u00a0s.; 76, 7-9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">9.<b>\u00a0<\/b>No Novo Testamento os temas &#8220;justi\u00e7a&#8221; e &#8220;justifica\u00e7\u00e3o&#8221; s\u00e3o abordados de maneira diferenciada em Mateus (cf. 5, 10; 6, 33; 21, 32), em Jo\u00e3o (cf. 16, 8-11), na Ep\u00edstola aos Hebreus (cf. 5, 13; 10, 37\u00a0s.) e na Ep\u00edstola de Tiago (cf. 2, 14-26). [10] Tamb\u00e9m nas cartas paulinas o dom da salva\u00e7\u00e3o \u00e9 descrito de diferentes modos, entre outros como &#8220;liberta\u00e7\u00e3o para a liberdade&#8221; (<i>Gl\u00a0<\/i>5, 1-13; cf.\u00a0<i>Rm<\/i>\u00a06, 7), como &#8220;reconcilia\u00e7\u00e3o com Deus&#8221; (<i>2 Cor\u00a0<\/i>5, 18-21; cf.\u00a0<i>Rm\u00a0<\/i>5, 11), como &#8220;paz com Deus&#8221; (<i>Rm<\/i>\u00a05, 1), como &#8220;nova cria\u00e7\u00e3o&#8221; (<i>2 Cor\u00a0<\/i>5, 17), como &#8220;vida para Deus em Cristo Jesus&#8221; (<i>Rm\u00a0<\/i>6, 11-23) ou como &#8220;santifica\u00e7\u00e3o \u00a0em \u00a0Cristo Jesus&#8221; \u00a0(cf.\u00a0<i>\u00a01 \u00a0Cor<\/i>\u00a0\u00a01, 2; 1, 30;\u00a0<i>2 Cor<\/i>\u00a01, 1). Salienta-se entre esses conceitos a descri\u00e7\u00e3o como &#8220;justifica\u00e7\u00e3o&#8221; do pecador pela gra\u00e7a de Deus na f\u00e9 (cf.\u00a0<i>Rm\u00a0<\/i>3, 23-25), que foi destacada de maneira especial no tempo da Reforma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">10. Paulo descreve o evangelho como poder de Deus para a salva\u00e7\u00e3o do ser humano ca\u00eddo sob o poder do pecado:\u00a0 como mensagem que proclama a &#8220;justi\u00e7a de Deus de f\u00e9 em f\u00e9&#8221; (<i>Rm\u00a0<\/i>1, 16\u00a0s.) e que presenteia a &#8220;justifica\u00e7\u00e3o&#8221; (<i>Rm\u00a0<\/i>3, 21-31). Ele anuncia Cristo como &#8220;nossa justi\u00e7a&#8221; (<i>1 Cor<\/i>\u00a01, 30) ao aplicar ao Senhor ressuscitado o que Jeremias disse acerca do pr\u00f3prio Deus (cf. 23, 6). Na morte e na ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo est\u00e3o enraizadas todas as dimens\u00f5es de sua obra redentora, porque &#8220;nosso Senhor foi entregue por causa de nossas transgress\u00f5es e ressuscitou por causa de nossa justifica\u00e7\u00e3o&#8221; (<i>Rm\u00a0<\/i>4, 25). Todos os seres humanos necessitam da justi\u00e7a de Deus, &#8220;pois todos pecaram e carecem da gl\u00f3ria de Deus&#8221; (<i>Rm\u00a0<\/i>3, 23; cf.\u00a0<i>Rm\u00a0<\/i>1, 18-3.22; 11, 32;\u00a0<i>Gl\u00a0<\/i>3, 22). Nas cartas aos G\u00e1latas (cf. 3, 6) e aos Romanos (cf. 4, 3-9) Paulo entende a f\u00e9 de Abra\u00e3o (cf.\u00a0<i>Gn\u00a0<\/i>15, 6) como f\u00e9 no Deus que justifica o pecador (cf.\u00a0<i>Rm\u00a0<\/i>4, 5) e invoca o testemunho do Antigo Testamento para sublinhar seu evangelho de que aquela justi\u00e7a ser\u00e1 imputada a todos os que, como Abra\u00e3o, confiam na promessa de Deus. &#8220;O justo viver\u00e1 pela f\u00e9&#8221; (<i>Hab\u00a0<\/i>2, 4; cf.\u00a0<i>Gl\u00a0<\/i>3, 11;\u00a0<i>Rm\u00a0<\/i>1, 17). Nas cartas paulinas a justi\u00e7a de Deus \u00e9 simultaneamente o poder de Deus para cada crente (cf.\u00a0<i>Rm\u00a0<\/i>1, 16\u00a0s.). Em Cristo ele faz com que ela seja nossa justi\u00e7a (cf.\u00a0<i>2 Cor<\/i>\u00a05, 21). Recebemos a justifica\u00e7\u00e3o por Cristo Jesus, &#8220;a quem Deus prop\u00f4s, em seu sangue, como propicia\u00e7\u00e3o [eficaz] mediante a f\u00e9&#8221; (<i>Rm\u00a0<\/i>3, 25; cf. 3, 21-28). &#8220;Porque pela gra\u00e7a sois salvos, mediante a f\u00e9; e isto n\u00e3o vem de v\u00f3s, \u00e9 dom de Deus; n\u00e3o de obras&#8221; (<i>Ef\u00a0<\/i>2, 8\u00a0s.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">11. Justifica\u00e7\u00e3o \u00e9 perd\u00e3o dos pecados (cf.\u00a0<i>Rm<\/i>\u00a03, 23-25;\u00a0<i>At<\/i>\u00a013, 39;\u00a0<i>Lc<\/i>\u00a018, 14), liberta\u00e7\u00e3o do poder dominante do pecado e da morte (cf.\u00a0<i>Rm\u00a0<\/i>5, 12-21) e da maldi\u00e7\u00e3o da lei (cf.\u00a0<i>Gl\u00a0<\/i>3, 10-14). Ela significa acolhida na comunh\u00e3o com Deus, j\u00e1 agora, mas de forma plena no reino vindouro de Deus (cf.\u00a0<i>Rm\u00a0<\/i>5, 1\u00a0s.). Une com Cristo e sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o (cf.\u00a0<i>Rm\u00a0<\/i>6, 5). Acontece no recebimento do Esp\u00edrito Santo no batismo como incorpora\u00e7\u00e3o no corpo uno (cf.\u00a0<i>Rm\u00a0<\/i>8, 1\u00a0s., 9\u00a0s.;\u00a0<i>1 Cor\u00a0<\/i>12, 12\u00a0s.). Tudo isso prov\u00e9m somente de Deus, por amor de Cristo, por gra\u00e7a, pela f\u00e9 no &#8220;evangelho de Deus com respeito a seu Filho&#8221; (cf.\u00a0<i>Rm\u00a0<\/i>1, 1-3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">12. As pessoas justificadas vivem a partir da f\u00e9 que prov\u00e9m da palavra de Cristo (cf.\u00a0<i>Rm\u00a0<\/i>10, 17) e que atua no amor (cf.\u00a0<i>Gl\u00a0<\/i>5, 6), o qual \u00e9 fruto do Esp\u00edrito (cf.\u00a0<i>Gl\u00a0<\/i>5, 22\u00a0s.). Mas, visto que poderes e ambi\u00e7\u00f5es atribulam as pessoas crentes por fora e por dentro (cf.\u00a0<i>Rm\u00a0<\/i>8, 35-39;\u00a0<i>Gl\u00a0<\/i>5, 16-21) e elas caem em pecado (cf.\u00a0<i>1 Jo\u00a0<\/i>1, 8.10), precisam repetidamente ouvir as promiss\u00f5es de Deus, confessar seus pecados (cf.\u00a0<i>1 Jo<\/i>\u00a01, 9), participar do corpo e do sangue de Cristo e ser exortadas a viver uma vida justa em conformidade com a vontade de Deus. Por isso o ap\u00f3stolo diz \u00e0s pessoas justificadas:\u00a0 &#8220;Desenvolvei vossa salva\u00e7\u00e3o com temor e tremor; porque Deus \u00e9 quem efetua em v\u00f3s tanto o querer quanto o realizar, segundo a sua vontade&#8221;\u00a0<i>(Fl\u00a0<\/i>2, 12\u00a0s.). Permanece, por\u00e9m, a Boa Nova:\u00a0 &#8220;J\u00e1 nenhuma condena\u00e7\u00e3o h\u00e1 para os que est\u00e3o em Cristo Jesus&#8221; (<i>Rm\u00a0<\/i>8, 1) e nos quais Cristo vive (cf.\u00a0<i>Gl\u00a0<\/i>2, 20). Por interm\u00e9dio da obra justa de Cristo haver\u00e1 justifica\u00e7\u00e3o que d\u00e1 vida para todos os seres humanos (cf.\u00a0<i>Rm\u00a0<\/i>5, 18).<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">2. A doutrina da justifica\u00e7\u00e3o como problema ecum\u00eanico<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">13. No s\u00e9culo XVI, a interpreta\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o contrastantes da mensagem b\u00edblica da justifica\u00e7\u00e3o constitu\u00edram uma das causas principais da divis\u00e3o da Igreja ocidental, o que tamb\u00e9m se expressou em condena\u00e7\u00f5es doutrinais. Por isso, para superar a divis\u00e3o na Igreja, uma compreens\u00e3o comum da justifica\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental e indispens\u00e1vel. Acolhendo resultados da pesquisa b\u00edblica e percep\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria da teologia e dos dogmas, desenvolveu-se no di\u00e1logo ecum\u00eanico desde o Conc\u00edlio Vaticano II uma n\u00edtida aproxima\u00e7\u00e3o no que diz respeito \u00e0 doutrina da justifica\u00e7\u00e3o, de modo que a presente\u00a0<i>DC\u00a0<\/i>pode formular um consenso em verdades b\u00e1sicas da doutrina da justifica\u00e7\u00e3o a cuja luz as correspondentes condena\u00e7\u00f5es doutrinais do s\u00e9culo XVI n\u00e3o mais se aplicam ao parceiro de hoje.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">3. A compreens\u00e3o comum da justifica\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">14.<b>\u00a0<\/b>O ouvir comum da Boa Nova proclamada nas Sagradas Escrituras e, n\u00e3o por \u00faltimo, os di\u00e1logos teol\u00f3gicos de anos recentes entre as Igrejas luteranas e a Igreja cat\u00f3lica romana levaram a uma concord\u00e2ncia na compreens\u00e3o da justifica\u00e7\u00e3o. Ela abarca um consenso nas verdades b\u00e1sicas; os desdobramentos distintos nas afirma\u00e7\u00f5es espec\u00edficas s\u00e3o compat\u00edveis com ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">15.<b>\u00a0<\/b>\u00c9 nossa f\u00e9 comum que a justifica\u00e7\u00e3o \u00e9 obra do Deus uno e trino. O Pai enviou seu Filho ao mundo para a salva\u00e7\u00e3o dos pecadores. A encarna\u00e7\u00e3o, a morte e a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo s\u00e3o fundamento e pressuposto da justifica\u00e7\u00e3o. Por isso justifica\u00e7\u00e3o significa que o pr\u00f3prio Cristo \u00e9 nossa justi\u00e7a, da qual nos tornamos participantes atrav\u00e9s do Esp\u00edrito Santo segundo a vontade do Pai. Confessamos juntos:\u00a0 somente por gra\u00e7a, na f\u00e9 na obra salv\u00edfica de Cristo, e n\u00e3o por causa de nosso m\u00e9rito, somos aceitos por Deus e recebemos o Esp\u00edrito Santo, que nos renova os cora\u00e7\u00f5es e nos capacita e chama para as boas obras [11].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">16. Todas as pessoas s\u00e3o chamadas por Deus para a salva\u00e7\u00e3o em Cristo. Somos justificados somente por Cristo ao recebermos essa salva\u00e7\u00e3o na f\u00e9. A pr\u00f3pria f\u00e9, por sua vez, \u00e9 presente de Deus atrav\u00e9s do Esp\u00edrito Santo, que atua na palavra e nos sacramentos na comunh\u00e3o dos crentes e que, ao mesmo tempo, conduz os crentes \u00e0quela renova\u00e7\u00e3o de sua vida que Deus consuma na vida eterna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">17. Compartilhamos a convic\u00e7\u00e3o de que a mensagem da justifica\u00e7\u00e3o nos remete de forma especial ao centro de testemunho neotestament\u00e1rio da a\u00e7\u00e3o salv\u00edfica de Deus em Cristo:\u00a0 ela nos diz que como pecadores devemos nossa vida nova unicamente \u00e0 miseric\u00f3rdia perdoadora e renovadora de Deus, miseric\u00f3rdia esta com a qual s\u00f3 podemos ser presenteados e que s\u00f3 podemos receber na f\u00e9, mas que nunca &#8211; de qualquer forma que seja &#8211; podemos fazer por merecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">18.<b>\u00a0<\/b>Por isso a doutrina da justifica\u00e7\u00e3o, que assume e desdobra essa mensagem, n\u00e3o \u00e9 apenas um aspecto parcial da doutrina crist\u00e3. Ela se encontra numa rela\u00e7\u00e3o essencial com todas as verdades da f\u00e9, as quais devem ser vistas numa conex\u00e3o interna entre si. Ela \u00e9 um crit\u00e9rio indispens\u00e1vel que visa orientar toda a doutrina e pr\u00e1tica da Igreja incessantemente para Cristo. Quando luteranos acentuam a import\u00e2ncia singular desse crit\u00e9rio, n\u00e3o negam a conex\u00e3o e a import\u00e2ncia de todas as verdades da f\u00e9. Quando cat\u00f3licos se sentem comprometidos com v\u00e1rios crit\u00e9rios, n\u00e3o negam a fun\u00e7\u00e3o especial da mensagem da justifica\u00e7\u00e3o. Luteranos e cat\u00f3licos compartilham o alvo comum de confessar em tudo a Cristo, ao qual unicamente importa confiar, acima de todas as coisas, como mediador uno (cf.\u00a0<i>1 Tm\u00a0<\/i>2, 5\u00a0s.) pelo qual Deus, no Esp\u00edrito Santo, d\u00e1 a si mesmo e derrama seus dons renovadores.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">4. O desdobramento da compreens\u00e3o comum da justifica\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><i>4.1. Incapacidade e pecado humanos face \u00e0 justifica\u00e7\u00e3o<\/i><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">19. Confessamos juntos que o ser humano, no concernente \u00e0 sua salva\u00e7\u00e3o, depende completamente da gra\u00e7a salvadora de Deus. A liberdade que ele possui para com as pessoas e coisas do mundo n\u00e3o \u00e9 liberdade com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 salva\u00e7\u00e3o. Isto quer dizer que, como pecador, ele se encontra sob o ju\u00edzo de Deus, sendo por si s\u00f3 incapaz de se voltar a Deus em busca de salvamento, ou de merecer sua justifica\u00e7\u00e3o perante Deus, ou de alcan\u00e7ar a salva\u00e7\u00e3o pela pr\u00f3pria for\u00e7a. Justifica\u00e7\u00e3o acontece somente por gra\u00e7a. Porque cat\u00f3licos e luteranos confessam isso conjuntamente, deve-se dizer:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">20.<b>\u00a0<\/b>Quando cat\u00f3licos dizem que o ser humano &#8220;coopera&#8221; no preparo e na aceita\u00e7\u00e3o da justifica\u00e7\u00e3o por assentir \u00e0 a\u00e7\u00e3o justificadora de Deus, eles v\u00eaem mesmo nesse assentimento pessoal um efeito da gra\u00e7a, e n\u00e3o uma a\u00e7\u00e3o humana a partir de for\u00e7as pr\u00f3prias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">21.<b>\u00a0<\/b>Segundo a concep\u00e7\u00e3o luterana o ser humano \u00e9 incapaz de cooperar em sua salva\u00e7\u00e3o, porque como pecador ele resiste ativamente a Deus e \u00e0 sua a\u00e7\u00e3o salvadora. Luteranos n\u00e3o negam que o ser humano possa rejeitar a atua\u00e7\u00e3o da gra\u00e7a. Quando sublinham que o ser humano pode t\u00e3o-somente receber (<i>mere passive)<\/i>\u00a0a justifica\u00e7\u00e3o, rejeitam com isso qualquer possibilidade de uma contribui\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria do ser humano para sua justifica\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o negam sua plena participa\u00e7\u00e3o pessoal na f\u00e9, que \u00e9 operada pela pr\u00f3pria palavra de Deus.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><i>4.2. Justifica\u00e7\u00e3o como perd\u00e3o de pecados e ato de tornar justo<\/i><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">22. Confessamos juntos que Deus, por gra\u00e7a, perdoa ao ser humano o pecado, e o liberta ao mesmo tempo do poder escravizador do pecado em sua vida e lhe presenteia a nova vida em Cristo. Quando o ser humano tem parte em Cristo na f\u00e9, Deus n\u00e3o lhe imputa seu pecado e, pelo Esp\u00edrito Santo, opera nele um amor ativo. Ambos os aspectos da a\u00e7\u00e3o graciosa de Deus n\u00e3o devem ser separados. Eles est\u00e3o correlacionados de tal maneira que o ser humano, na f\u00e9, \u00e9 unido com Cristo que em sua pessoa \u00e9 nossa justi\u00e7a (cf.\u00a0<i>1 Cor<\/i>\u00a01, 30):\u00a0 tanto o perd\u00e3o dos pecados quanto a presen\u00e7a santificadora de Deus. Porque cat\u00f3licos e luteranos confessam isso conjuntamente, deve-se dizer:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">23.<b>\u00a0<\/b>Quando luteranos enfatizam que a justi\u00e7a de Cristo \u00e9 nossa justi\u00e7a, querem sobretudo assegurar que ao pecador, pelo an\u00fancio do perd\u00e3o, \u00e9 representada a justi\u00e7a perante Deus em Cristo e que sua vida \u00e9 renovada somente em uni\u00e3o com Cristo. Quando dizem que a gra\u00e7a de Deus \u00e9 amor que perdoa (&#8220;favor de Deus&#8221;) [12], n\u00e3o negam com isso a renova\u00e7\u00e3o da vida do crist\u00e3o, mas querem expressar que a justifica\u00e7\u00e3o permanece livre de coopera\u00e7\u00e3o humana, tampouco dependendo do efeito renovador de vida que a gra\u00e7a produz no ser humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">24.<b>\u00a0<\/b>Quando cat\u00f3licos enfatizam que ao crente \u00e9 presenteada a renova\u00e7\u00e3o da pessoa interior pelo recebimento da gra\u00e7a, [13] querem assegurar que a gra\u00e7a perdoadora de Deus sempre est\u00e1 ligada ao presente de uma nova vida, que no Esp\u00edrito Santo se torna efetiva em amor ativo; mas n\u00e3o negam com isso que o dom da gra\u00e7a divina na justifica\u00e7\u00e3o permanece independente de coopera\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><i>4.3. Justifica\u00e7\u00e3o por f\u00e9 e por gra\u00e7a<\/i><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">25.<b>\u00a0<\/b>Confessamos juntos que o pecador \u00e9 justificado pela f\u00e9 na a\u00e7\u00e3o salv\u00edfica de Deus em Cristo; essa salva\u00e7\u00e3o lhe \u00e9 presenteada pelo Esp\u00edrito Santo no batismo como fundamento de toda a sua vida crist\u00e3. Na f\u00e9 justificadora o ser humano confia na promessa graciosa de Deus; nessa f\u00e9 est\u00e3o compreendidos a esperan\u00e7a em Deus e o amor a Ele. Essa f\u00e9 atua pelo amor; por isso o crist\u00e3o n\u00e3o pode e n\u00e3o deve ficar sem obras. Mas tudo o que, no ser humano, precede ou se segue ao livre presente da f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 fundamento da justifica\u00e7\u00e3o nem a faz merecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">26. Segundo a compreens\u00e3o luterana, Deus justifica o pecador somente na f\u00e9 (<i>sola fide).\u00a0<\/i>Na f\u00e9 o ser humano confia inteiramente em seu Criador e Redentor e est\u00e1 assim em comunh\u00e3o com ele. Deus mesmo \u00e9 quem opera a f\u00e9 ao produzir tal confian\u00e7a por sua palavra criadora. Porque essa a\u00e7\u00e3o divina constitui uma nova cria\u00e7\u00e3o, afeta todas as dimens\u00f5es da pessoa e conduz a uma vida em esperan\u00e7a e amor. Assim, na doutrina da &#8220;justifica\u00e7\u00e3o somente pela f\u00e9&#8221;, a renova\u00e7\u00e3o da conduta de vida que necessariamente se segue \u00e0 justifica\u00e7\u00e3o, e sem a qual n\u00e3o pode haver f\u00e9, \u00e9 distinguida da justifica\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9 separada dela. Com isso \u00e9 indicado, antes, o fundamento do qual prov\u00e9m tal renova\u00e7\u00e3o. Do amor de Deus, que \u00e9 presenteado ao ser humano na justifica\u00e7\u00e3o, prov\u00e9m a renova\u00e7\u00e3o da vida. A justifica\u00e7\u00e3o e a renova\u00e7\u00e3o est\u00e3o ligadas pelo Cristo presente na f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">27.<b>\u00a0<\/b>Tamb\u00e9m segundo a compreens\u00e3o cat\u00f3lica a f\u00e9 \u00e9 fundamental para a justifica\u00e7\u00e3o, pois sem f\u00e9 n\u00e3o pode haver justifica\u00e7\u00e3o. Como ouvinte da palavra e crente o ser humano \u00e9 justificado por meio do batismo. A justifica\u00e7\u00e3o do pecador \u00e9 perd\u00e3o dos pecados e ato que torna justo atrav\u00e9s da gra\u00e7a justificadora, que nos torna filhos e filhas de Deus. Na justifica\u00e7\u00e3o as pessoas justificadas recebem de Cristo f\u00e9, esperan\u00e7a e amor e s\u00e3o assim acolhidas na comunh\u00e3o com Ele. [14] Essa nova rela\u00e7\u00e3o pessoal com Deus se baseia inteiramente na graciosidade divina e fica sempre dependente da atua\u00e7\u00e3o criadora de salva\u00e7\u00e3o do Deus gracioso, que permanece fiel a si mesmo e no qual o ser humano pode por isso confiar. Por esta raz\u00e3o a gra\u00e7a justificadora nunca se converte em posse do ser humano, \u00e0 qual ele pudesse apelar diante de Deus. Quando, segundo a compreens\u00e3o cat\u00f3lica, se acentua a renova\u00e7\u00e3o da vida atrav\u00e9s da gra\u00e7a justificadora, essa renova\u00e7\u00e3o em f\u00e9, esperan\u00e7a e amor sempre depende da gra\u00e7a inescrut\u00e1vel de Deus e n\u00e3o representa qualquer contribui\u00e7\u00e3o para a justifica\u00e7\u00e3o da qual pud\u00e9ssemos orgulhar-nos diante de Deus (cf.\u00a0<i>Rm\u00a0<\/i>3, 27).<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><i>4.4. A \u00a0pessoa \u00a0justificada \u00a0como \u00a0pecadora<\/i><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">28. Confessamos juntos que no batismo o Esp\u00edrito Santo une a pessoa com Cristo, a justifica e realmente a renova. N\u00e3o obstante, a pessoa justificada durante toda a vida permanece incessantemente dependente da gra\u00e7a de Deus que justifica de modo incondicional. Tamb\u00e9m ela est\u00e1 continuamente exposta ao poder do pecado e suas investidas (cf.\u00a0<i>Rm\u00a0<\/i>6, 12-14), n\u00e3o estando isenta da luta vital\u00edcia contra a oposi\u00e7\u00e3o a Deus em termos de cobi\u00e7a ego\u00edsta do velho Ad\u00e3o (cf.\u00a0<i>Gl\u00a0<\/i>5, 16;\u00a0<i>Rm\u00a0<\/i>7, 7.10). Tamb\u00e9m a pessoa justificada precisa pedir, como no Pai Nosso, a cada dia, o perd\u00e3o de Deus (cf.\u00a0<i>Mt\u00a0<\/i>6, 12;\u00a0<i>1 Jo<\/i>\u00a01, 9), \u00e9 chamada constantemente \u00e0 convers\u00e3o e ao arrependimento e recebe continuamente o perd\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">29.<b>\u00a0<\/b>Luteranos entendem isso no sentido de que a pessoa crist\u00e3 \u00e9 &#8220;ao mesmo tempo justa e pecadora&#8221;:\u00a0 ela \u00e9 totalmente justa porque Deus, por palavra e sacramento, lhe perdoa o pecado e lhe concede a justi\u00e7a de Cristo, da qual ela se apropria pela f\u00e9 e a qual em Cristo a torna justa diante de Deus. Olhando, por\u00e9m, para si mesma atrav\u00e9s da lei, ela reconhece que continua ao mesmo tempo totalmente pecadora, que o pecado ainda habita nela (cf.\u00a0<i>1 Jo\u00a0<\/i>1, 8;\u00a0<i>Rm\u00a0<\/i>7, 17.20):\u00a0 porque reiteradamente confia em falsos deuses e n\u00e3o ama a Deus com aquele amor indiviso que Deus como seu criador dela exige (cf.\u00a0<i>Dt\u00a0<\/i>6, 5;<i>\u00a0Mt\u00a0<\/i>22, 36-40). Essa oposi\u00e7\u00e3o a Deus \u00e9, como tal, verdadeiramente pecado. N\u00e3o obstante, gra\u00e7as ao m\u00e9rito de Cristo, o poder escravizante do pecado est\u00e1 rompido:\u00a0 j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 pecado que &#8220;domina&#8221; a pessoa crist\u00e3 por estar &#8220;dominado&#8221; por Cristo, com o qual a pessoa justificada est\u00e1 unida na f\u00e9; assim a pessoa crist\u00e3, enquanto vive na terra, pode ao menos em parte viver uma vida em justi\u00e7a. E, a despeito do pecado, n\u00e3o est\u00e1 mais separada de Deus, porque no retorno di\u00e1rio ao batismo ela, que renasceu pelo batismo e pelo Esp\u00edrito Santo, tem seu pecado perdoado, de sorte que seu pecado j\u00e1 n\u00e3o lhe acarreta condena\u00e7\u00e3o e morte eterna. [15] Portanto, quando luteranos dizem que a pessoa justificada \u00e9 tamb\u00e9m pecadora e que sua oposi\u00e7\u00e3o a Deus \u00e9 verdadeiramente pecado, n\u00e3o negam que, a despeito do pecado, ela est\u00e1 inseparada de Deus em Cristo e que seu pecado \u00e9 pecado dominado. Neste \u00faltimo aspecto est\u00e3o em concord\u00e2ncia com os cat\u00f3licos romanos, apesar das diferen\u00e7as na compreens\u00e3o do pecado da pessoa justificada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">30.<b>\u00a0<\/b>Segundo a concep\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica, a gra\u00e7a de Jesus Cristo concedida no batismo apaga tudo o que \u00e9 &#8220;realmente&#8221; pecado, o que \u00e9 &#8220;digno de condena\u00e7\u00e3o&#8221; (<i>Rm\u00a0<\/i>8, 1),[16] mas que permanece na pessoa uma inclina\u00e7\u00e3o (concupisc\u00eancia) proveniente do pecado e tendente ao pecado. Uma vez que, conforme a convic\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica, o surgimento dos pecados humanos sempre implica um elemento pessoal, e como este elemento falta naquela inclina\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria a Deus, cat\u00f3licos n\u00e3o v\u00eaem nela pecado em sentido aut\u00eantico. Com isso n\u00e3o querem negar que essa inclina\u00e7\u00e3o n\u00e3o corresponde ao des\u00edgnio original de Deus para a humanidade nem que \u00e9 objetivamente oposi\u00e7\u00e3o a Deus e que permanece objeto de luta vital\u00edcia; em gratid\u00e3o pela reden\u00e7\u00e3o por interm\u00e9dio de Cristo querem destacar que a inclina\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria a Deus n\u00e3o merece o castigo de morte eterna [17] e n\u00e3o separa a pessoa justificada de Deus. Quando, por\u00e9m, a pessoa justificada se separa voluntariamente de Deus, n\u00e3o basta voltar a observar os mandamentos, mas ela precisa receber, no sacramento da reconcilia\u00e7\u00e3o, perd\u00e3o e paz pela palavra do perd\u00e3o que lhe \u00e9 conferida por for\u00e7a da obra reconciliadora de Deus em Cristo.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><i>4.5. Lei e evangelho<\/i><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">31.<b>\u00a0<\/b>Confessamos juntos que o ser humano \u00e9 justificado na f\u00e9 no evangelho &#8220;independentemente de obras da lei&#8221; (<i>Rm\u00a0<\/i>3, 28). Cristo cumpriu a lei e, por sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o, a superou como caminho para a salva\u00e7\u00e3o. Confessamos ao mesmo tempo que os mandamentos de Deus permanecem em vigor para a pessoa justificada e que Cristo, em sua palavra e sua vida, expressa a vontade de Deus, que constitui padr\u00e3o de conduta tamb\u00e9m para a pessoa justificada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">32.<b>\u00a0<\/b>Os luteranos sustentam que a distin\u00e7\u00e3o e a correta correla\u00e7\u00e3o de lei e evangelho \u00e9 essencial para a compreens\u00e3o da justifica\u00e7\u00e3o. A lei, em seu uso teol\u00f3gico, \u00e9 exig\u00eancia e acusa\u00e7\u00e3o \u00e0s quais est\u00e1 sujeita durante a vida inteira toda pessoa, tamb\u00e9m pessoa crist\u00e3, na medida em que \u00e9 pecadora; e a lei p\u00f5e a descoberto seu pecado para que na f\u00e9 no evangelho, ela se volte inteiramente para a miseric\u00f3rdia de Deus em Cristo, a qual unicamente a justifica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">33. Uma vez que a lei como caminho de salva\u00e7\u00e3o foi cumprida e superada pelo evangelho, cat\u00f3licos podem dizer que Cristo n\u00e3o \u00e9 um legislador \u00e0 maneira de Mois\u00e9s. Quando cat\u00f3licos acentuam que a pessoa justificada \u00e9 obrigada a observar os mandamentos de Deus, n\u00e3o negam com isso que a gra\u00e7a da vida eterna \u00e9 misericordiosamente prometida aos filhos e filhas de Deus por Jesus Cristo [18].<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><i>4.6. Certeza de salva\u00e7\u00e3o<\/i><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">34. Confessamos \u00a0juntos \u00a0que \u00a0as pessoas \u00a0crentes \u00a0podem \u00a0confiar \u00a0na \u00a0miseric\u00f3rdia e nas promiss\u00f5es de Deus. Tamb\u00e9m em face de sua pr\u00f3pria fraqueza e de muitas amea\u00e7as para sua f\u00e9, podem basear-se &#8211; gra\u00e7as \u00e0 morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo &#8211; na promessa eficaz da gra\u00e7a de Deus em palavra e sacramento e, assim, ter certeza desta gra\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">35. Isto foi acentuado de maneira especial pelos reformadores:\u00a0 em meio \u00e0 tribula\u00e7\u00e3o a pessoa crente n\u00e3o deve olhar para si mesma, mas inteiramente para Cristo e confiar somente nele. Assim, na confian\u00e7a na promiss\u00e3o de Deus, ela tem certeza de sua salva\u00e7\u00e3o, mesmo que, olhando para si mesma, nunca esteja segura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">36.<b>\u00a0<\/b>Cat\u00f3licos podem compartilhar da preocupa\u00e7\u00e3o dos reformadores de basear a f\u00e9 na realidade objetiva da promessa de Cristo, desconsiderando a pr\u00f3pria experi\u00eancia e confiando somente na palavra promitente de Cristo (cf.\u00a0<i>Mt\u00a0<\/i>16, 19; 18, 18). Com o Conc\u00edlio Vaticano II os cat\u00f3licos sustentam:\u00a0 crer significa confiar-se inteiramente a Deus, [19] que nos liberta das trevas do pecado e da morte e nos desperta para a vida eterna. [20] Neste sentido n\u00e3o se pode crer em Deus e, ao mesmo tempo, n\u00e3o considerar confi\u00e1vel a promessa divina. Ningu\u00e9m deve duvidar da miseric\u00f3rdia de Deus e do m\u00e9rito de Cristo. Mas toda pessoa pode estar preocupada com sua salva\u00e7\u00e3o quando olha para suas pr\u00f3prias fraquezas e insufici\u00eancias. Mesmo inteiramente consciente de seu pr\u00f3prio fracasso, contudo, a pessoa crente pode ter certeza de que Deus quer sua salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><i>4.7. As boas obras da pessoa justificada<\/i><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">37. Confessamos juntos que boas obras &#8211; uma vida crist\u00e3 em f\u00e9, esperan\u00e7a e amor &#8211; se seguem \u00e0 justifica\u00e7\u00e3o e s\u00e3o frutos da justifica\u00e7\u00e3o. Quando a pessoa justificada vive em Cristo e atua na gra\u00e7a recebida produz, biblicamente falando, bom fruto. Essa conseq\u00fc\u00eancia da justifica\u00e7\u00e3o \u00e9 ao mesmo tempo uma obriga\u00e7\u00e3o a ser cumprida pelo crist\u00e3o, na medida em que luta contra o pecado durante a vida toda; por isso Jesus e os escritos apost\u00f3licos admoestam os crist\u00e3os a realizar obras de amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">38.<b>\u00a0<\/b>De acordo com a concep\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica, as boas obras, tornadas poss\u00edveis pela gra\u00e7a e pela a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, contribuem para um crescimento na gra\u00e7a de tal modo que a justi\u00e7a recebida de Deus \u00e9 conservada e a comunh\u00e3o com Cristo, aprofundada. Quando cat\u00f3licos sustentam o car\u00e1ter &#8220;merit\u00f3rio&#8221; das boas obras, querem dizer que, segundo o testemunho b\u00edblico, essas obras t\u00eam a promessa de recompensa no c\u00e9u. Querem destacar a responsabilidade do ser humano por seus atos, mas n\u00e3o contestar com isso o car\u00e1ter de presente das boas obras nem, muito menos, negar que a justifica\u00e7\u00e3o como tal permanece sendo sempre presente imerecido da gra\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">39.<b>\u00a0<\/b>Tamb\u00e9m entre os luteranos existe a id\u00e9ia de uma preserva\u00e7\u00e3o da gra\u00e7a e de um crescimento em gra\u00e7a e f\u00e9. Acentuam, contudo, que a justi\u00e7a como aceita\u00e7\u00e3o da parte de Deus e participa\u00e7\u00e3o na justi\u00e7a de Cristo, sempre \u00e9 perfeita; mas dizem ao mesmo tempo que seu efeito na vida crist\u00e3 pode crescer. Quando v\u00eaem as boas obras da pessoa crist\u00e3 como &#8220;frutos&#8221; e &#8220;sinais&#8221; da justifica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o como &#8220;m\u00e9ritos&#8221; pr\u00f3prios, n\u00e3o deixam, no entanto, de entender a vida eterna, conforme o Novo Testamento, como &#8220;galard\u00e3o&#8221; imerecido no sentido do cumprimento da promessa divina aos crentes.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">5. O significado e o alcance do consenso obtido<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">40.<b>\u00a0<\/b>A compreens\u00e3o da doutrina da justifica\u00e7\u00e3o exposta nesta\u00a0<i>DC\u00a0<\/i>mostra que entre luteranos e cat\u00f3licos existe um consenso em verdades b\u00e1sicas da doutrina da justifica\u00e7\u00e3o. \u00c0 luz desse consenso as diferen\u00e7as remanescentes na terminologia, na articula\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica e na \u00eanfase da compreens\u00e3o da justifica\u00e7\u00e3o descritas nos par\u00e1grafos 18 a 39 s\u00e3o aceit\u00e1veis. Por isso as formas distintas pelas quais luteranos e cat\u00f3licos articulam a f\u00e9 na justifica\u00e7\u00e3o est\u00e3o abertas uma para a outra e n\u00e3o anulam o consenso nas verdades b\u00e1sicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">41. Com isso tamb\u00e9m as condena\u00e7\u00f5es doutrinais do s\u00e9culo XVI, na medida em que dizem respeito \u00e0 doutrina da justifica\u00e7\u00e3o, aparecem sob uma nova luz:\u00a0 a doutrina das Igrejas luteranas apresentada nesta Declara\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 atingida pelas condena\u00e7\u00f5es do Conc\u00edlio de Trento. As condena\u00e7\u00f5es contidas nos escritos confessionais luteranos n\u00e3o atingem a doutrina da Igreja cat\u00f3lica romana exposta nesta Declara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">42. Com isso n\u00e3o se tira nada da seriedade das condena\u00e7\u00f5es doutrinais referentes \u00e0 doutrina da justifica\u00e7\u00e3o. Algumas delas n\u00e3o eram simplesmente infundadas; elas conservam para n\u00f3s &#8220;o significado de advert\u00eancias salutares&#8221;, que devemos observar na doutrina e na pr\u00e1tica [21].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">43.<b>\u00a0<\/b>Nosso consenso em verdades b\u00e1sicas da doutrina da justifica\u00e7\u00e3o precisa surtir efeitos e comprovar-se na vida e na doutrina das Igrejas. A respeito existem ainda quest\u00f5es de import\u00e2ncia diversificada que exigem ulteriores esclarecimentos. Entre outras, por exemplo, a rela\u00e7\u00e3o entre a palavra de Deus e doutrina eclesi\u00e1stica, bem como a doutrina a respeito da Igreja, da autoridade na Igreja, de sua unidade, do minist\u00e9rio e dos sacramentos, e finalmente a doutrina da rela\u00e7\u00e3o entre justifica\u00e7\u00e3o e \u00e9tica social. Temos a convic\u00e7\u00e3o de que a compreens\u00e3o comum obtida oferece uma base s\u00f3lida para esse esclarecimento. As Igrejas luteranas e a Igreja cat\u00f3lica romana continuar\u00e3o se empenhando por aprofundar a compreens\u00e3o comum e faz\u00ea-la frutificar na doutrina e na vida eclesiais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">44.<b>\u00a0<\/b>Damos gra\u00e7as ao Senhor por este passo decisivo rumo \u00e0 supera\u00e7\u00e3o da divis\u00e3o da Igreja. Rogamos ao Esp\u00edrito Santo que nos conduza adiante para aquela unidade vis\u00edvel que \u00e9 a vontade de Cristo.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Notas<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a01) Os artigos de Esmalcalde II, 1 (<i>Livro de conc\u00f3rdia:\u00a0\u00a0<\/i>as confiss\u00f5es da Igreja Evang\u00e9lica Luterana, 3\u00aa ed., S\u00e3o Leopoldo, Sinodal, Porto Alegre:\u00a0 Conc\u00f3rdia, 1983, p\u00e1g. 312).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a02) &#8220;Rector et iudex omnia genera doctrinarum&#8221; (Edi\u00e7\u00e3o de Weimar das obras de Lutero, 39\/I, 205).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a03) Note-se que uma s\u00e9rie de Igrejas luteranas adotaram como base doutrin\u00e1ria compromissiva somente a Confiss\u00e3o de Ausburgo e o Catecismo Menor de Lutero. Estes escritos confessionais n\u00e3o cont\u00eam condena\u00e7\u00f5es doutrinais referentes \u00e0 doutrina da justifica\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Igreja cat\u00f3lica romana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a04) COMISS\u00c3O MISTA NACIONAL CAT\u00d3LICO-LUTERANA,\u00a0<i>O evangelho e a Igreja, s.d.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>\u00a05) GEMEINSAME R\u00d6MISCH-KATHOLISCHE\/EVANGELISCH-LUTHERISCHE KOMMISSION (ed.), Kirche und rechtfertigung:\u00a0\u00a0<\/i>Das Verst\u00e4ndnis der Kirche im Licht der Rechtfertigungslehre, Paderborn\/Frankfurt, 1994.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a06) Lutherish\/R\u00f6misch-Katholischer Dialog in den USA:\u00a0 Rechtfertigung durch den Glauben (1983), in:\u00a0 Harding MEYER, G\u00fcnther GASSMAN (eds.),\u00a0<i>Rechtfertigung im \u00f6kumenischen Dialog:\u00a0\u00a0<\/i>Dokumente und Einf\u00fchrung, Frankfurt, 1987, pp. 107-200. Em ingles:\u00a0\u00a0<i>Lutherans and Catholics in Dialogue,\u00a0<\/i>Minneapolis, 1985, vol. VIII.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a07)\u00a0<i>Lehrverurteilungen &#8211; Kirchentrennend?:\u00a0\u00a0<\/i>vol. I:\u00a0 Karl LEHMANN, Wolfhart PANNENBERG (eds.),\u00a0<i>Rechtfertigung, Sakramente und Amt im Zeitalter der Reformation und heute, Friburgo\/G\u00f6ttingen,\u00a0<\/i>1986.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a08) Gemeinsame Stellungnahme der Arnolshainer Konferenz, der Vereinigten Kirche und des Deutschen Nationalkomitees des Lutherischen Weltbundes zum Dokument &#8220;Lehrverteilungen &#8211; kirchentrennend?&#8221;,\u00a0<i>\u00d6kumenische Rundschau,\u00a0<\/i>v. 44, pp. 99-102, 1995; incluindo os posicionamentos que servem de base a essa resolu\u00e7ao, cf.\u00a0<i>Lehrveruteilungen im Gespr\u00e4ch:\u00a0\u00a0<\/i>Die ersten ofiziellen Stellungnahmen aus den evangelischen Kirchen in Deustschland, G\u00f6ttingen, 1983.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a09) Na presente DC a palavra &#8220;Igreja&#8221; reproduz a respectiva autocompreensao das Igrejas participantes, sem que com isso se queira considerar resolvidas todas as questoes eclesiol\u00f3gicas a ela associadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">10) Cf. Relat\u00f3rio de Malta nn. 26-30; Rechtfertigung durch den Glauben, nn. 122-147. Por incumbencia do di\u00e1logo sobre a justifica\u00e7ao nos EUA, os testemunhos neotestament\u00e1rios nao-paulinos foram examinados por John REUMANN, Righteousness in the New Testament, com rea\u00e7oes de Joseph A. FITZMEYER e Jerome D. QUINN (Filad\u00e9lfia\/Nova Iorque, 1982), pp. 124-180. Os resultados deste estudo estao compilados no relat\u00f3rio de di\u00e1logo\u00a0<i>Justification by Faith\u00a0<\/i>[em alemao:\u00a0 Rechtfertigung durch den Glauben], nos nn. 139-142.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">11) Cf. &#8220;Alle unter einem Christus&#8221;, n. 14, in:\u00a0\u00a0<i>Dokumente wachsender \u00dcbereinstimmung,\u00a0<\/i>vol. I, pp. 323-328.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">12) Cf.\u00a0<i>WA\u00a0<\/i>8, 106.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">13) Cf.\u00a0<i>DS\u00a0<\/i>1528.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">14) Cf.\u00a0<i>DS\u00a0<\/i>1530.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">15) Cf. Apologia da Confissao de Ausburgo II, 38-45.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">16) Cf.\u00a0<i>DS<\/i>\u00a01515.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">17) Cf.\u00a0<i>DS\u00a0<\/i>1515.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">18) Cf.\u00a0<i>DS\u00a0<\/i>1545.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">19) Cf.\u00a0<i>DV\u00a0<\/i>5.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">20) Cf.\u00a0<i>DV<\/i>\u00a04.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">21)\u00a0<i>Lehrverurteilungen &#8211; Kirchentrennend?,\u00a0<\/i>32.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>Foto: Papa Francisco com Pastor Luterano em Tallinn, em 25 de setembro de 2018 | recolhida de <a href=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/pt\/vaticano\/news\/2021-01\/doutrina-justificacao-declaracao-conjunta-versao-italiana-atual.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vatican News<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recolhida do Dicast\u00e9rio<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":20252,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[215],"tags":[],"class_list":["post-20251","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ecumenismo-um-olhar-sobre"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20251","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20251"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20251\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20254,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20251\/revisions\/20254"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20252"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20251"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20251"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20251"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}