{"id":20156,"date":"2026-02-07T07:07:36","date_gmt":"2026-02-07T07:07:36","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=20156"},"modified":"2025-12-27T11:40:15","modified_gmt":"2025-12-27T11:40:15","slug":"sabes-leitor-26-marca-de-agua-do-livro-identidade-e-familia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/sabes-leitor-26-marca-de-agua-do-livro-identidade-e-familia\/","title":{"rendered":"Sabes, leitor&#8230; | 26 | Marca de \u00e1gua do livro &#8216;Identidade e Fam\u00edlia&#8217;"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: right;\">Rubrica \u2018Sabes, leitor, que estamos ambos na mesma p\u00e1gina\u2019** | <em>Marca de \u00e1gua de livros que deixam marcas profundas<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Parceria:<a href=\"https:\/\/www.federacaopelavida.pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> <em>Federa\u00e7\u00e3o Portuguesa pela Vida<\/em><\/a> e<em> Comiss\u00e3o Diocesana da Cultura<\/em><\/h6>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Lu\u00eds Manuel Pereira da Silva*<\/strong><\/p>\n<pre style=\"padding-left: 80px;\"><strong>O(s) autor(es) e a obra<\/strong><\/pre>\n<h5 style=\"text-align: right; padding-left: 200px;\">Ant\u00f3nio Bag\u00e3o F\u00c9LIX, Paulo OTERO, Pedro AFONSO e Victor GIL (Coord.),<em> Identidade e Fam\u00edlia: entre a consist\u00eancia da tradi\u00e7\u00e3o e as exig\u00eancias da modernidade<\/em>, Alfragide, Oficina do Livro, 2024<sup>3<\/sup>.<\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Identidade e fam\u00edlia: entre a consist\u00eancia da tradi\u00e7\u00e3o e as exig\u00eancias da modernidade\u2019 \u00e9 uma obra coletiva. Re\u00fane, ap\u00f3s uma luminosa introdu\u00e7\u00e3o, 22 artigos de algumas das mais destacadas personalidades nacionais. Qualquer dos nomes dispensa nota curricular. Cada nome \u00e9, por si, um curr\u00edculo. A este m\u00e9rito associa-se a coer\u00eancia da obra; apesar de coletiva e de ter uma tem\u00e1tica comum, surpreende que as abordagens n\u00e3o se sobreponham, dada a originalidade de cada linha de pensamento. M\u00e9rito dos autores, bem certo, mas tamb\u00e9m da coordena\u00e7\u00e3o bem articulada e que resulta, como \u00e9 explicitamente referido, de inten\u00e7\u00e3o de corresponder \u00e0 miss\u00e3o do \u2018Movimento Ac\u00e7\u00e3o \u00c9tica \u2013 Vida, Humanismo e Ci\u00eancia\u2019. O tema exigia, com efeito, que se olhasse a problem\u00e1tica da fam\u00edlia sob m\u00faltiplos prismas.<br \/>\nAcresce a tudo isto uma virtualidade a sublinhar: os artigos dizem muito, argumentam com a clareza exig\u00edvel, em curto espa\u00e7o, equilibradamente definido e respeitado pelos autores.<br \/>\nOra, a tudo isto se deve a \u2018celeuma\u2019 que a sa\u00edda deste livro suscitou, em particular entre os indiv\u00edduos e movimentos que dizem n\u00e3o se identificar com a matriz presente neste livro. E a matriz pode enunciar-se de modo sint\u00e9tico: secundar o reconhecimento de que a fam\u00edlia, institui\u00e7\u00e3o pr\u00e9via ao Estado e que este deve reconhecer e proteger, nasce de uma condi\u00e7\u00e3o natural do ser humano \u2013 nasce-se de um pai e uma m\u00e3e e a essa refer\u00eancia natural dever\u00e1 reportar-se o ponto de partida para a discuss\u00e3o sobre o que \u00e9 ser fam\u00edlia.<br \/>\nEsta s\u00edntese que, h\u00e1 muito poucas d\u00e9cadas, soaria a \u2018lugar-comum\u2019 que rotularia como \u2018banal e vulgar\u2019 qualquer artigo, obviando a dispensa da continuidade da leitura, \u00e9, hoje, fonte de conflitos e prontamente etiquetada no arm\u00e1rio das \u2018conservas\u2019 (sem que se apercebam, por\u00e9m, de que o verdadeiro progresso da humanidade se pode resumir \u00e0 hist\u00f3ria de como conservar o que, de outro modo, se esfumaria: conserv\u00e1mos na escrita a volatilidade da coloquialidade; conserv\u00e1mos em papel, em pergaminho e em tantos outros suportes a volatilidade dos registos; conserv\u00e1mos a energia porque a sua volatilidade nos impedia de poder continuar a beneficiar dela; conserv\u00e1mos os alimentos em arcas e frigor\u00edficos para que a voragem do tempo n\u00e3o nos impedisse de os poder consumir por mais tempo; conserv\u00e1mos, conserv\u00e1mos, conserv\u00e1mos para poder ter futuro\u2026 De outro modo, tudo seria passado! Ir\u00f3nico, pois quem acusam de serem passadistas \u00e9 aos conservadores, mas s\u00e3o eles, afinal, que garantem que possa haver futuro. A n\u00e3o ser assim, todo o presente rapidamente se torna passado. Conservando o que \u00e9 importante, o presente pode aspirar a ter futuro!)<br \/>\nMas a diversidade das origens dos autores e a lucidez das suas reflex\u00f5es exigem que se seja mais prudente em t\u00e3o pronta \u2018etiquetagem\u2019.<br \/>\nApesar, por\u00e9m, do nosso desejo sincero de que assim seja (que n\u00e3o se arrede da vista um livro conotado\u2026), estamos em tempos em que se pretende ver a \u2018bula\u2019 do rem\u00e9dio para a sede de leitura antes de o ingerir. E j\u00e1 n\u00e3o o lemos \u2018virgens\u2019 de preconceitos, porque de preconceitos nos pretend\u00edamos dispensar e libertar.<br \/>\n\u00c9 este um dos maiores paradoxos do nosso tempo: de tanto se pretender despreconceituoso, nunca tanto deles dependemos e por eles nos dispens\u00e1mos de ler o que caiu sob o r\u00f3tulo de que deles enfermava.<br \/>\nSabendo bem disso, os que perceberam perigo neste livro prontamente se encarregaram de sobre ele lan\u00e7ar a \u2018lama\u2019 de que seria um livro padecente de preconceitos para que, contaminado, dele n\u00e3o se abeirassem os que, por seu efeito, pudessem vir a ficar \u2018enfermi\u00e7os\u2019.<br \/>\nMas a obra ficou\u2026 A qualidade est\u00e1 ao alcance da leitura e do reconhecimento que aceite conferir-lhe o leitor honesto.<\/p>\n<pre style=\"text-align: justify; padding-left: 80px;\"><strong>Marcas de \u00e1gua <\/strong>\r\n\r\n<strong>(o que fica depois de se deixar o livro)<\/strong><\/pre>\n<p style=\"text-align: justify;\">A leitura, ap\u00f3s a pol\u00e9mica que se gerou em torno deste livro, recordou-me o mito cl\u00e1ssico de Cassandra.<br \/>\nSobre Cassandra impende uma b\u00ean\u00e7\u00e3o e uma maldi\u00e7\u00e3o. Tem o poder de prever o futuro (um dom reservado a muito poucos\u2026), mas est\u00e1 amaldi\u00e7oada pela impossibilidade de ser ouvida e seguida pelos que a ouvirem. Previu que os gregos entrariam em Troia e avisou que o cavalo de madeira \u2018estacionado\u2019 junto \u00e0s muralhas da cidade seria o instrumento com que aqueles entrariam e destruiriam a cidade, mas a sua vision\u00e1ria den\u00fancia s\u00f3 recebeu indiferen\u00e7a. N\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o lhe ligaram como arrastaram para o interior da cidade o cavalo, tomando-o por \u2018coroa de gl\u00f3ria\u2019 dos deuses\u2026<br \/>\nA den\u00fancia de que a fam\u00edlia, que pede o ordenamento internacional que seja protegida, vive \u2018sob amea\u00e7a\u2019 por efeito de uma \u2018liquidifica\u00e7\u00e3o\u2019 do conceito (express\u00e3o minha, mas que corresponde \u00e0 abordagem defendida ao longo do livro) e por a\u00e7\u00e3o de ideologias que, por meios muito eficazes, t\u00eam conduzido aos resultados que est\u00e3o diante de todos \u2013 crise demogr\u00e1fica, dilui\u00e7\u00e3o dos la\u00e7os familiares, aumento do n\u00famero de nascimentos fora do contexto da estabilidade matrimonial, diminui\u00e7\u00e3o da taxa de nupcialidade e aumento da de divorcialidade, etc. \u2013 parece soar a discurso de uns \u2018irredut\u00edveis gauleses\u2019 que, mais cedo do que tarde, ser\u00e3o vencidos. Mas os n\u00fameros n\u00e3o se referem a quest\u00f5es marginais, antes \u00e0 pr\u00f3pria solidez da condi\u00e7\u00e3o humana como seres intrinsecamente relacionais e \u00e0 garantia dos liames que estruturam a sociedade. Em causa est\u00e1 que, a diluir-se, em definitivo, a estrutura familiar, nos reduzamos \u2018\u00e0 imensa solid\u00e3o das multid\u00f5es\u2019 (Manuel Monteiro), pois \u2018numa sociedade em que a fam\u00edlia perde o valor central, n\u00e3o h\u00e1 habitantes, mas, sim, gente.\u2019 (Manuela Ramalho Eanes)<br \/>\n\u00c9 por isso que este livro n\u00e3o \u00e9, apenas, um livro: \u00e9 um candelabro erguido sobre o monte em noite sem luar.<br \/>\nDram\u00e1tico?<br \/>\nVerdadeiramente dram\u00e1tico \u00e9 nascer-se \u00f3rf\u00e3o de uma orfandade legitimada pela lei que, para atender a putativos direitos dos adultos a terem filhos como um objeto que se pode obter, se seja impedido de saber quem \u00e9 o pai ou a m\u00e3e.<br \/>\nDram\u00e1tico \u00e9 n\u00e3o poder ver respeitado o direito a nascer numa fam\u00edlia com a presen\u00e7a do pai e da m\u00e3e porque a lei liquefez os v\u00ednculos e permitiu que fosse mais f\u00e1cil romper la\u00e7os do que constru\u00ed-los.<br \/>\nDram\u00e1tico \u00e9 nascer-se e permanecer-se filho \u00fanico porque um idealismo quase plat\u00f3nico nos impede de aceitar que possamos n\u00e3o dar todas as coisas para que possamos dar muito mais daquilo que n\u00e3o se reduz \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de coisa: a possibilidade de construir uma fraternidade.<br \/>\nDram\u00e1tico \u00e9 confundir desejos com direitos. Nem todo o desejo \u00e9, s\u00f3 por si, direito. Um direito nunca o poder\u00e1 ser sobre a pessoa do outro. Dram\u00e1tico \u00e9, por isso, a redu\u00e7\u00e3o dos outros \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de objetos gerados para satisfa\u00e7\u00e3o de desejos individuais. Essa \u00e9 a rampa que despersonaliza e desumaniza. E parece que j\u00e1 nos decidimos, coletivamente, a deixarmo-nos deslizar por ela.<br \/>\nEste livro \u00e9, por\u00e9m, nas suas propostas, tamb\u00e9m um luzeiro de esperan\u00e7a. S\u00e3o in\u00fameras as sugest\u00f5es a tomar como sementes de futuro: da difus\u00e3o do selo de reconhecimento de empresas familiarmente respons\u00e1veis \u00e0 regulamenta\u00e7\u00e3o do cuidador informal, dos modos de articula\u00e7\u00e3o entre gera\u00e7\u00f5es \u00e0 \u2018receita\u2019 maternal contra o individualismo, s\u00e3o muitas as vias para que se opere a revolu\u00e7\u00e3o que a fam\u00edlia permitir\u00e1 consumar.<br \/>\nPorque, como \u00e9 recordado, cumprir-se-\u00e1 Portugal quando se cumprir a fam\u00edlia! (Cfr. Gon\u00e7alo Portocarrero de Almada)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<pre style=\"text-align: justify; padding-left: 80px;\"><strong>Na mesma p\u00e1gina que o autor (cita\u00e7\u00f5es)<\/strong><\/pre>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2019Como disse o Conselho Pontif\u00edcio Justi\u00e7a e Paz, \u00aba fam\u00edlia encontra a sua legitima\u00e7\u00e3o na natureza humana e n\u00e3o no reconhecimento do Estado. A fam\u00edlia n\u00e3o \u00e9, portanto, para a sociedade e para o Estado, antes a sociedade e o Estado s\u00e3o para a fam\u00edlia\u00bb.\u2019 (Introdu\u00e7\u00e3o, p. 14)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018A fam\u00edlia tem sabido, com mais ou menos obst\u00e1culos, conjugar tr\u00eas aspetos nucleares: evolu\u00e7\u00e3o, plasticidade e unidade. Sendo o bar\u00f3metro social que melhor transmite a tens\u00e3o e a transi\u00e7\u00e3o dos tempos, o seu ideal e a sua aspira\u00e7\u00e3o n\u00e3o mudaram, por\u00e9m, na sua ess\u00eancia.\u2019 (Introdu\u00e7\u00e3o, p. 15)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Ultimamente, posi\u00e7\u00f5es radicais e mediaticamente potenciadas pretendem desdenhar da institui\u00e7\u00e3o familiar, vista at\u00e9 como uma institui\u00e7\u00e3o ultrapassada. Existe uma indisfar\u00e7\u00e1vel press\u00e3o ideol\u00f3gica e econ\u00f3mica para for\u00e7ar o indiv\u00edduo a uma desvincula\u00e7\u00e3o familiar, retirando-lhe todo o sentido da perten\u00e7a. O lema \u00e9 \u00abtu poder ser aquilo que tu queres\u00bb.<br \/>\nEste radicalismo individualista \u00e9 levado ao limite atrav\u00e9s da chamada ideologia de g\u00e9nero. Sem qualquer base cient\u00edfica, esta ideologia defende que o g\u00e9nero \u00e9 constru\u00eddo apenas pela identidade psicol\u00f3gica de g\u00e9nero do indiv\u00edduo, negando ou relativizando totalmente a identidade biol\u00f3gica. Esta, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 atribu\u00edvel, antes \u00e9 parte integrante do indiv\u00edduo na sua diversidade e especificidade. Estamos assim perante um movimento ideol\u00f3gico com impacto na fam\u00edlia, na educa\u00e7\u00e3o, na socializa\u00e7\u00e3o, na comunica\u00e7\u00e3o. A ideologia de g\u00e9nero n\u00e3o \u00e9 promotora da liberdade ou acolhedora da diferen\u00e7a, mas impositora de um novo modelo de pensamento \u00fanico, comprometendo o desenvolvimento humano fundado em valores, formado na liberdade e autonomia e vocacionado para a felicidade.\u2019 (Introdu\u00e7\u00e3o, p. 16)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Esta obra tem tudo para constituir um livro-semente. Um livro que, queremos, fa\u00e7a despertar, sobretudo nas gera\u00e7\u00f5es jovens, desassossegos virtuosos em vez de indiferentismos viciosos. Um livro que nos ajude a germinar perguntas e a colher respostas. Um livro para sempre e n\u00e3o um livro de momento, t\u00e3o mais significativo quando (sic) vivemos tempos de presentismo obsessivo e descart\u00e1vel.\u2019 (Introdu\u00e7\u00e3o, p. 17)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018O ataque \u00e0 fam\u00edlia tradicional \u00e9 uma estrat\u00e9gia pol\u00edtica comum a todas as tiranias, j\u00e1 que a fam\u00edlia fomenta uma rela\u00e7\u00e3o harmoniosa e solid\u00e1ria entre os seus membros que se propaga na sociedade, contrariando os prop\u00f3sitos dos regimes totalit\u00e1rios. Fragilizar a fam\u00edlia \u00e9 comprometer a estabilidade social e a promo\u00e7\u00e3o de um bem comum.\u2019 (Pedro Afonso, p. 22)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018[\u2026] a educa\u00e7\u00e3o tem de ser realizada com base em tr\u00eas aspetos essenciais: amor, coer\u00eancia e valores.\u2019 (Pedro Afonso, p. 24)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018A fam\u00edlia \u00e9 a primeira escola das virtudes sociais: onde se estabelecem rela\u00e7\u00f5es de interdepend\u00eancia e solidariedade geracional. Ela tamb\u00e9m \u00e9 um porto seguro em per\u00edodos de crise, de doen\u00e7a ou de qualquer infort\u00fanio, oferecendo um apoio s\u00f3lido, desinteressado e incondicional. Por isso \u00e9 que a fam\u00edlia deve ser valorizada e protegida pelo Estado, pois uma sociedade que n\u00e3o protege a fam\u00edlia compromete o seu futuro.\u2019 (Pedro Afonso, p. 31)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Do latim dignitas, dignitatis, que significa substancialmente merecimento, valor, nobreza, o termo dignidade refere-se ao valor em si que uma entidade tem, n\u00e3o equipar\u00e1vel, sem equivalente, portanto n\u00e3o transacion\u00e1vel. Este mesmo significado foi, ali\u00e1s, sublinhado pelo Papa Francisco, poucos meses depois da sua elei\u00e7\u00e3o, ao dizer aos m\u00e9dicos de todo o mundo que \u00abas coisas t\u00eam um pre\u00e7o e podem ser vendidas, mas as pessoas t\u00eam uma dignidade, valem mais do que as coisas e n\u00e3o t\u00eam pre\u00e7o\u00bb.<br \/>\nJ\u00e1 a Comiss\u00e3o Teol\u00f3gica Internacional, em documento publicado em finais de Abril de 2019, se refere a este \u00abvalor em si, nunca transacion\u00e1vel, contido na no\u00e7\u00e3o de dignidade humana: \u00abNum sentido muito geral, a dignidade remete para a inalien\u00e1vel perfei\u00e7\u00e3o do ser-sujeito na ordem ontol\u00f3gica, moral ou social. A no\u00e7\u00e3o emprega-se na ordem moral das rela\u00e7\u00f5es intersubjetivas [e, portanto, tamb\u00e9m dentro da fam\u00edlia] para designar aquilo que possui um valor em si mesmo e, portanto, n\u00e3o pode jamais ser tratado como se fosse um simples meio. A dignidade \u00e9 assim uma propriedade inerente \u00e0 pessoa enquanto tal.\u00bb\u2019 (Jo\u00e3o Duarte Bleck, pp. 37-38)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Uma crian\u00e7a que cresce a ser \u00abquerida\u00bb vai internalizar um sentimento de perten\u00e7a e de autoestima que lhe dar\u00e1 ferramentas para enfrentar as fases da vida que se seguem e que poder\u00e3o trazer algumas prova\u00e7\u00f5es\u2026\u2019 (Pureza de Mello, p. 45)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Compreender a import\u00e2ncia da fam\u00edlia na forma\u00e7\u00e3o da identidade \u00e9, pois, uma exig\u00eancia n\u00e3o negoci\u00e1vel e n\u00e3o transmiss\u00edvel, que nenhum poder pol\u00edtico pode ignorar ou corromper.\u2019 (Manuel Monteiro, p. 53)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018[\u2026] a rela\u00e7\u00e3o do Estado com as fam\u00edlias deve nortear-se pelo princ\u00edpio da subsidiariedade. A defesa deste princ\u00edpio n\u00e3o implica, como \u00e9 \u00f3bvio, a retirada do Estado de um dos fins que justifica a sua exist\u00eancia \u2013 o bem-estar social \u2013 implica apenas que o Estado saiba que pode melhor alcan\u00e7ar esse fim se deixar as fam\u00edlias agir como fam\u00edlias. N\u00e3o se trata de lhes dar, bem pelo contr\u00e1rio, trata-se somente de lhes restituir o que nunca lhes deveria ter sido retirado: a liberdade com compromisso e com sentido de responsabilidade. \u00c9 certo que esta atitude obriga a mudan\u00e7as de pensamento, mas n\u00e3o \u00e9 menos certo que sem essa mudan\u00e7a de pensamento todos continuaremos a caminhar para a imensa solid\u00e3o das multid\u00f5es.\u2019 (Manuel Monteiro, p. 55)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018[\u2026] tudo isso que constitui a cultura como heran\u00e7a n\u00e3o-biol\u00f3gica do Homem \u00e9 na fam\u00edlia que primordialmente cada um a recebe; e \u00e9 em fam\u00edlia que consequentemente cada um explora dialogicamente essa cultura, cada um come\u00e7a a participar na transforma\u00e7\u00e3o interactiva dessa cultura interactivamente, ao passo que a sua consci\u00eancia cognoscente e constituinte a vai sustentando criticamente em equa\u00e7\u00e3o com os seus par\u00e2metros axiol\u00f3gicos e \u00e9ticos.\u2019 (Jos\u00e9 Carlos Seabra Pereira, p. 63)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Este ataque \u00e0 fam\u00edlia n\u00e3o \u00e9 virtual, pois as consequ\u00eancias est\u00e3o j\u00e1 bem \u00e0 vista: queda dr\u00e1stica da taxa matrimonial, que em Portugal de 1999 a 2019 caiu para metade, descida da taxa de natalidade e, mais significativo, subida espantosa da percentagem de nascimento fora do casamento, que em 1980 era 9%, em 2000 22%, mas j\u00e1 estava acima dos 60% em 2022. \u00c9 isto, e n\u00e3os os esfor\u00e7os das \u00abideologias de g\u00e9nero\u00bb, que representa o verdadeiro descalabro da fam\u00edlia.<br \/>\nA verdade, por\u00e9m, \u00e9 que os seres humanos, dentro de si, est\u00e3o exatamente iguais ao que sempre foram; e nada daquilo que o exterior nos possa dar consegue substituir o amor, o calor, o conforto da fam\u00edlia. A fam\u00edlia n\u00e3o precisa de defesa, porque ela \u00e9 nuclear, indispens\u00e1vel, insubstitu\u00edvel. Aquilo que temos de nos esfor\u00e7ar por defender \u00e9 a sanidade e equil\u00edbrio de tantos dos nossos que, deslumbrados pela ilus\u00e3o urbana, destroem o seu cora\u00e7\u00e3o. Quem precisa da nossa ajuda s\u00e3o, n\u00e3o as fam\u00edlias, mas os pobres tontos que lutam contra e, por isso, contra si mesmos.\u2019 (Jo\u00e3o C\u00e9sar das Neves, p. 71)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Nas chamadas \u00abculturas urbanas\u00bb, sobretudo no mundo ocidental, encontramos ainda tr\u00eas outras atitudes que confrontam a no\u00e7\u00e3o de fam\u00edlia tradicional. 1.\u00aa \u2013 A exist\u00eancia e a promo\u00e7\u00e3o de \u00abfam\u00edlias alternativas\u00bb, ou seja, por op\u00e7\u00e3o, sem pai ou sem m\u00e3e, ou com dois pais ou duas m\u00e3es, ou ainda conjuga\u00e7\u00f5es mais complexas. 2.\u00aa \u2013 A no\u00e7\u00e3o ou convic\u00e7\u00e3o de que tudo o que a t\u00e9cnica \u00e9 capaz de fazer (por exemplo, a cirurgia pl\u00e1stica e a engenharia gen\u00e9tica\u2026) se poder fazer. [\u2026] 3.\u00aa \u2013 Tende a instalar-se a ideologia de g\u00e9nero, como um dogma que n\u00e3o se pode contradizer. Por\u00e9m, esta ideologia, embora seja apresentada como cura de traumas bio-psico-sociais n\u00e3o resolvidos, desvaloriza e rejeita a realidade biol\u00f3gica, propondo identidade subjetiva, emotiva, que levam a viver na mentira. Como se o sexo e o corpo fossem coisas que se tem e n\u00e3o um modo pr\u00f3prio de ser. N\u00e3o temos corpo, somos corporais; n\u00e3o temos sexo, somos sexuados e em processo de matura\u00e7\u00e3o desde o pensamento \u00e0 mais pequena c\u00e9lula onde os cromossomas se mant\u00eam, masculinos ou femininos, apesar das maiores pl\u00e1sticas e de sofisticadas cirurgias e adapta\u00e7\u00f5es ps\u00edquica e sociais.\u2019 (Vasco Pinto de Magalh\u00e3es, pp. 76-77)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018A fam\u00edlia daqueles que me-amam-na-verdade \u00e9 o lugar em que a identidade humana se desenvolve.\u2018 (Isabel Almeida e Brito, p. 88)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018\u00c9 na Fam\u00edlia que tem origem o princ\u00edpio da personaliza\u00e7\u00e3o, como evolu\u00e7\u00e3o do ser humano para um ser pessoal. Numa sociedade em que a fam\u00edlia perde o valor central, n\u00e3o h\u00e1 habitantes, mas, sim, gente. A Fam\u00edlia aporta seguran\u00e7a, liberdade e felicidade aos seus membros, por esta ordem, porque n\u00e3o h\u00e1 felicidade sem liberdade, nem liberdade sem seguran\u00e7a.\u2019 (Manuela Ramalho Eanes, p. 92)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018\u00abAs m\u00e3es s\u00e3o o ant\u00eddoto mais forte contra o propagar-se do individualismo ego\u00edsta. \u201cIndiv\u00edduo\u201d quer dizer \u201cque n\u00e3o se pode dividir\u201d. As m\u00e3es, ao contr\u00e1rio, \u201cdividem-se\u201d, a partir do momento que hospedam um filho para o dar \u00e0 luz e fazer crescer.\u00bb\u2019 (Papa Francisco, A fam\u00edlia gera o mundo. Catequeses sobre a fam\u00edlia, Lisboa, Paulus, 2016, p. 13) \u2013 Citado por Manuel Clemente, p. 100.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018O Papa \u00e9 muito sens\u00edvel a este ponto e questiona: \u00ab\u2026pergunto-me se a chamada teoria do g\u00e9nero n\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m express\u00e3o de uma frustra\u00e7\u00e3o e resigna\u00e7\u00e3o que visa anular a diferen\u00e7a sexual porque n\u00e3o se sabe confrontar com ela. Sim, corremos o risco de dar um passo atr\u00e1s. Com efeito, a remo\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a \u00e9 o problema, n\u00e3o a solu\u00e7\u00e3o. Ao contr\u00e1rio, para resolver a suas problem\u00e1ticas de rela\u00e7\u00e3o, o homem e a mulher devem falar mais entre si, ouvir-se e conhecer-se mais, amar-se mais.\u00bb\u2019 (Manuel Clemente, p. 102)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Perante tudo isto, o Papa acabar\u00e1 por conclamar: \u00abChegou a hora de os pais e as m\u00e3es voltarem do seu ex\u00edlio \u2013 porque se autoexilaram da educa\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios filhos \u2013 e recuperarem a sua fun\u00e7\u00e3o educativa\u00bb (p. 70).\u2019 (Manuel Clemente, p. 103)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Tal como a infelicidade, a felicidade tem as suas hist\u00f3rias. Tal como a transgress\u00e3o, a conformidade tem muitas variantes. As fam\u00edlias felizes n\u00e3o s\u00e3o todas iguais nem s\u00e3o felizes da mesma maneira.\u2019 (Jaime Nogueira Pinto, p. 110)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Ref\u00e9ns do subjetivismos contempor\u00e2neo, pode parecer-nos que estamos de m\u00e3os e p\u00e9s atados. Mas talvez a fam\u00edlia possa ser mais que o mero lugar em que a crise cultural aparece. Ela tem em si mesma, estou tamb\u00e9m eu seguro disso, o dinamismo de um caminho que pode proporcionar um novo grito \u2013 um novo c\u00e2ntico! \u2013 do humano. \u00c9 que, nela, se mostra a ess\u00eancia do Homem e o pr\u00f3prio rosto de Deus.\u2019 (Nuno Br\u00e1s da Silva Martins, p. 118)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018A evid\u00eancia do tempo que passa deixa cada vez mais claro que vivemos uma \u00e9poca solteira de afectos, vi\u00fava de emo\u00e7\u00f5es e cada vez mais divorciada de compromissos.\u2019 (Fernando Ventura, p. 121)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Teimamos em afirmar que a minha liberdade termina, quando come\u00e7a a liberdade do outro\u2026 Ser\u00e1 que nos damos conta, agora mais do que nunca, que \u00e9 preciso ir mais longe? A ser assim, e a ser s\u00f3 assim, o outro \u00e9 s\u00f3 uma barreira para a minha liberdade, algu\u00e9m que de uma forma ou outra eu tenho de destruir, tenho de matar para ser livre\u2026.<br \/>\nQuando um dia entendermos que a nossa liberdade se pode alargar sempre que for unida \u00e0 liberdade do outro, teremos entendido o mundo como um mosaico de diferentes cada um com as suas riquezas e os seus limites e, a\u00ed sim, poderemos ver nascer um mundo organizado no respeito pelo outro, que comigo \u00e9 constru\u00e7\u00e3o de uma liberdade sem fim.\u2019 (Fernando Ventura, pp. 123-124)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018A solid\u00e3o maior n\u00e3o \u00e9 a de n\u00e3o termos ningu\u00e9m que goste de n\u00f3s\u2026 a solid\u00e3o maior \u00e9 a de n\u00f3s n\u00e3o termos ningu\u00e9m a quem amar, ningu\u00e9m a quem dizer todos os dias, pelo menos, eu gosto de ti.\u2019 (Fernando Ventura, p. 125)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018A sociedade democr\u00e1tica pressup\u00f5e a liberdade e a igualdade, a igualdade e a diferen\u00e7a e o valor inviol\u00e1vel da dignidade humana. Essa realidade inicia-se na fam\u00edlia, encarada como institui\u00e7\u00e3o mediadora por excel\u00eancia, fator de paz e de di\u00e1logo.\u2019 (Guilherme D\u2019Oliveira Martins, p. 130)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018O social privado e o social p\u00fablico obrigam \u00e0 considera\u00e7\u00e3o de mediadores sociais, capazes de regular os conflitos e de garantir uma fun\u00e7\u00e3o emancipadora, sendo a fam\u00edlia reino do amor e a cidade reino do direito, devendo as duas realidades convergir e completar-se.\u2019 (Guilherme D\u2019Oliveira Martins, p. 133)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Se \u00e9 verdade que todos os crist\u00e3os, e todos os homens de boa vontade, se devem sentir comprometidos com esta guerra de paz, \u00e9 sobretudo \u00e0 fam\u00edlia que compete cerrar fileiras e avan\u00e7ar, sem medo, no caminho das reformas que se imp\u00f5em. Neste sentido, hoje, mais do que nunca, h\u00e1 que promover o associativismo familiar, a participa\u00e7\u00e3o c\u00edvica dos pais, bem como a interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos representantes das fam\u00edlias.<br \/>\nA fam\u00edlia \u00e9, verdadeiramente, a revolu\u00e7\u00e3o que falta. [\u2026]<br \/>\nNesta hora dif\u00edcil para a institui\u00e7\u00e3o familiar, a ningu\u00e9m \u00e9 l\u00edcita uma passiva cumplicidade com as injusti\u00e7as existentes, porque os tempos actuais s\u00e3o de ac\u00e7\u00e3o e n\u00e3o de omiss\u00e3o.<br \/>\nFalta cumprir a fam\u00edlia, falta cumprir Portugal!\u2019 (Gon\u00e7alo Portocarrero de Almada, pp. 142.143)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Diz [a Constitui\u00e7\u00e3o]: \u00abOs pais t\u00eam o direito e o dever de educa\u00e7\u00e3o dos filhos.\u00bb E acrescenta: \u00abIncumbe ao Estado para protec\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia cooperar com os pais na educa\u00e7\u00e3o dos filhos.\u00bb E remata: \u00abOs pais e as m\u00e3es t\u00eam direito \u00e1 protec\u00e7\u00e3o da sociedade e do Estado na realiza\u00e7\u00e3o da sua insubstitu\u00edvel ac\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos filhos, nomeadamente quanto \u00e0 sua educa\u00e7\u00e3o.\u00bb Qual \u00e9 a d\u00favida? Quanto \u00e0 educa\u00e7\u00e3o dos filhos, o primado \u00e9 dos pais. \u00c9 um direito natural constitucionalmente protegido. O Estado tem, na educa\u00e7\u00e3o, uma fun\u00e7\u00e3o subsidi\u00e1ria.\u2019 (Jos\u00e9 Ribeiro e Castro, p. 148)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018[\u2026] a concilia\u00e7\u00e3o entre a vida familiar e o trabalho constitui um factor fundamental do crescimento individual de cada colaborador assim como do sucesso das organiza\u00e7\u00f5es.\u2019 (Rui Diniz, p. 159)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018H\u00e1 evid\u00eancia cient\u00edfica, como sabemos, de que a solid\u00e3o mata mais do que muitas doen\u00e7as; de que as redes sociais n\u00e3o substituem a presen\u00e7a, a express\u00e3o dos afetos, o olhar e o toque, embora, em tempos de pandemia, tenham ajudado a aproximar os que estavam longe; enfim\u2026 n\u00e3o pode ser delegada na tecnologia a substitui\u00e7\u00e3o de quem quer que seja e a verdadeira proximidade.\u2019 (Margarida Cordo, p. 164)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Os cuidadores informais, que s\u00e3o milhares no nosso pa\u00eds e a quem expressamos o nosso reconhecimento, n\u00e3o podem tornar-se invis\u00edveis para os sistemas de sa\u00fade. Depende de todos n\u00f3s, como sociedade, garantir que possam cumprir o seu papel com o apoio necess\u00e1rio e correcto. Importa que saibam e sintam que n\u00e3o est\u00e3o sozinhos.<br \/>\nN\u00e3o nos cansaremos de repetir que s\u00f3 uma sociedade que cuida dos mais fr\u00e1geis e dos que deles cuidam se pode afirmar como uma sociedade avan\u00e7ada e moderna. Oxal\u00e1 assim possa ser.\u2019 (Isabel Galri\u00e7a Neto, pp. 174-175)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018A fam\u00edlia \u00e9 a primeira e mais b\u00e1sica das institui\u00e7\u00f5es sociais, antes de mais porque assegura a renova\u00e7\u00e3o das gera\u00e7\u00f5es. Podemos dizer que a primeira fun\u00e7\u00e3o de qualquer comunidade \u00e9 assegurar a sua pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia e renova\u00e7\u00e3o.\u2019 (Pedro Vaz Patto, p. 180)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018A fam\u00edlia assente na riqueza da diferen\u00e7a e complementaridade entre as dimens\u00f5es masculina e feminina, que s\u00f3 em conjunto comp\u00f5em a riqueza integral do humano. Esta \u00abunidade na diversidade\u00bb (a unidade a partir da mais b\u00e1sica e fundamental das diferen\u00e7as) marca a fam\u00edlia e, a partir dela e atrav\u00e9s da sua miss\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o das novas gera\u00e7\u00f5es, deve marcar toda a sociedade, que, toda ela, deve beneficiar da riqueza da diferen\u00e7a e complementaridade das dimens\u00f5es masculina e feminina do humano.\u2019 (Pedro Vaz Patto, p. 181)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018N\u00e3o se vence a crise demogr\u00e1fica sem vencer a crise da fam\u00edlia. A rejei\u00e7\u00e3o do casamento como doa\u00e7\u00e3o total e compromisso definitivo n\u00e3o pode deixar de traduzir-se na rejei\u00e7\u00e3o da natalidade. A fuga diante de escolhas definitivas, o viver projectado apenas no imediato, sem um projecto que envolva toda a vida, leva tamb\u00e9m \u00e0 recusa da que \u00e9, talvez, a mais irrevers\u00edvel das op\u00e7\u00f5es: a de ter filhos.\u2019 (Pedro Vaz Patto, p. 183)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Para superar a crise demogr\u00e1fica, importa, pois, contrariar a mentalidade que acentua o individualismo e rejeita os inc\u00f3modos e sacrif\u00edcios que os filhos necessariamente acarretam. Mas h\u00e1 tamb\u00e9m uma mentalidade de aparente altru\u00edsmo que importa contrariar. A que se nota em express\u00f5es como esta: \u00abAos meus filhos quero dar o melhor, e s\u00f3 posso dar o melhor a um.\u00bb O melhor que se pode dar aos filhos \u00e9, por\u00e9m, a possibilidade de conviver com v\u00e1rios irm\u00e3os, e assim beneficiar da melhor escola de socialidade (com as dificuldades inerentes a qualquer socialidade \u2013 \u00e9 certo).<br \/>\nSaber que a vida \u00e9 sempre um dom que compensa todos os sacrif\u00edcios \u2013 s\u00f3 com esta consci\u00eancia pode ser vencida a crise de natalidade.\u2019 (Pedro Vaz Patto, p. 184)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018[\u2026] Direito \u00e9 \u00c9tica devem complementar-se [\u2026]\u2019 (Raquel Br\u00edzida Castro, p. 192)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018N\u00e3o ser\u00e1 exagero afirmar que as rela\u00e7\u00f5es intrafamiliares nos preparam para a viv\u00eancia em sociedade, tal como as disfuncionalidades intrafamiliares criam cicatrizes na identidade ps\u00edquica dos indiv\u00edduos que se projetam na sua conduta social.<br \/>\nA fam\u00edlia torna-se, em suma, fonte da identidade de cada um: se a identidade biol\u00f3gica nos torna homens ou mulheres, a fam\u00edlia modela os afetos, a educa\u00e7\u00e3o e, por absor\u00e7\u00e3o ou antagonismo, os padr\u00f5es axiol\u00f3gicos de conviv\u00eancia social.\u2019 (Paulo Otero, p. 200)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Se destruir o modelo tradicional de fam\u00edlia \u00e9 a bandeira de certos grupos pol\u00edticos apostados na instaura\u00e7\u00e3o de uma nova ordem mundial de cariz totalit\u00e1rio, usando at\u00e9 o sistema educativo para doutrinar ou instrumentalizando a lei penal para criminalizar quem pensa diferente, defender esse modelo de fam\u00edlia, denunciando as manobras atentat\u00f3rias, e lutar pela sua dignifica\u00e7\u00e3o como \u00abn\u00facleo natural e fundamental da sociedade\u00bb \u00e9 imperativo de todos os Estados e uma vincula\u00e7\u00e3o de cada um de n\u00f3s.<br \/>\nPela salvaguarda de um tal modelo de fam\u00edlia passa hoje a leg\u00edtima defesa da nossa identidade e da nossa civiliza\u00e7\u00e3o \u2013 o pr\u00f3prio direito de resist\u00eancia pode ser chamado a intervir, se a obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia n\u00e3o for suficiente.\u2019 (Paulo Otero, p. 202)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Uma ci\u00eancia e uma tecnologia que deixem de estar ao servi\u00e7o da dignidade da pessoa humana, sem limites \u00e9ticos, arrisca-se a tornar-se coveira da pr\u00f3pria identidade humana e, por essa via, da nossa inser\u00e7\u00e3o no contexto da \u00abfam\u00edlia humana\u00bb &#8211; aqui reside, provavelmente, o maior desafio dos tempos modernos a esta nova forma de totalitarismo recriador de mitos hitlerianos.\u2019 (Paulo Otero, p. 207)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h5 style=\"text-align: right;\"><strong>**(T\u00edtulo retirado de Daniel Faria, <em>Dos l\u00edquidos<\/em>, Porto, Edi\u00e7\u00e3o Funda\u00e7\u00e3o Manuel Le\u00e3o, 2000, p. 137)<\/strong><\/h5>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right;\">*Professor, Presidente da Comiss\u00e3o Diocesana da Cultura<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Autor de &#8216;Ensaios <em>de<\/em> liberdade&#8217;, &#8216;Bem-nascido&#8230; Mal-nascido&#8230; Do &#8216;filho perfeito&#8221; ao filho humano&#8217; e de &#8216;Teologia, ci\u00eancia e verdade: fundamentos para a defini\u00e7\u00e3o do estatuto epistemol\u00f3gico da Teologia, segundo Wolfhart Pannenberg&#8217;<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Foto recolhida da <a href=\"https:\/\/www.almedina.net\/identidade-e-fam-lia-1709345047.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Almedina<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rubrica \u2018Sabes, leitor,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":20157,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[55,198],"tags":[],"class_list":["post-20156","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-luis-manuel-pereira-da-silva","category-sabes-leitor-que-estamos-ambos-na-mesma-pagina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20156","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20156"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20156\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20158,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20156\/revisions\/20158"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20157"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20156"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20156"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20156"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}