{"id":19848,"date":"2025-12-07T07:07:40","date_gmt":"2025-12-07T07:07:40","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=19848"},"modified":"2025-10-10T12:25:18","modified_gmt":"2025-10-10T11:25:18","slug":"sabes-leitor-24-marca-de-agua-do-livro-de-simone-troisi-e-cristiana-paccini-nascemos-e-jamais-morreremos-vida-de-chiara-corbella-petrillo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/sabes-leitor-24-marca-de-agua-do-livro-de-simone-troisi-e-cristiana-paccini-nascemos-e-jamais-morreremos-vida-de-chiara-corbella-petrillo\/","title":{"rendered":"Sabes, leitor&#8230; | 24 | Marca de \u00e1gua do livro de Simone Troisi e Cristiana Paccini, &#8216;Nascemos e jamais morreremos: vida de Chiara Corbella Petrillo&#8217;"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: right;\">Rubrica \u2018Sabes, leitor, que estamos ambos na mesma p\u00e1gina\u2019** | <em>Marca de \u00e1gua de livros que deixam marcas profundas<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Parceria:<a href=\"https:\/\/www.federacaopelavida.pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> <em>Federa\u00e7\u00e3o Portuguesa pela Vida<\/em><\/a> e<em> Comiss\u00e3o Diocesana da Cultura<\/em><\/h6>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Lu\u00eds Manuel Pereira da Silva*<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<pre><strong>O autor e a obra e as Marcas de \u00e1gua <\/strong>\r\n\r\n<strong>(o que fica depois de se deixar o livro: a verdadeira autora deste livro \u00e9 Chiara Petrillo. Simone e Cristiana, os autores que encimam a capa, s\u00e3o os amigos de todas as horas, diante de quem se desenrolou a hist\u00f3ria que decidiram verter para as letras repousadas sobre as folhas\u2026)<\/strong>\r\n\r\n<\/pre>\n<p style=\"text-align: right;\">Simone Troisi e Cristiana Paccini,<em> Nascemos e jamais morreremos: vida de Chiara Corbella Petrillo<\/em>, Braga, Editorial A.O., 2023<sup>6<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Come\u00e7o esta nota com uma confiss\u00e3o. Demorei a decidir-me a fazer a recens\u00e3o deste livro. N\u00e3o porque nada tenha a dizer; antes, pelo grandeza do que nele se conta, pela dimens\u00e3o do que h\u00e1 a dizer. Temo pela inefic\u00e1cia das minhas palavras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, come\u00e7o por onde deveria terminar: leia, car\u00edssimo leitor, este livro e deixe-se tomar pelo que nele se conta. Melhor, deixe-se habitar pela vida que nele fulge.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E prepare-se! Este livro incomoda, inquieta, avassala-nos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o pela especial verve liter\u00e1ria, mas pela for\u00e7a das decis\u00f5es de Chiara Petrillo, a biografada. Sim, este livro \u00e9 uma biografia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou, melhor. Este livro \u00e9 vida! N\u00e3o apenas \u2018palavras sobre uma vida\u2019, \u00e9, antes, vida que se socorre de palavras para poder continuar a contar-se.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria de Chiara Petrillo \u00e9 impressionante, como impressionam as vidas dos que, nas decis\u00f5es quotidianas, se revelam her\u00f3is.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Verdadeiramente, Chiara levou at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias a consci\u00eancia de que \u2018ser m\u00e3e\u2019, \u2018ser pai\u2019 \u00e9, n\u00e3o s\u00f3 dar vida, mas, principalmente, quando tal se exige, \u2018dar a vida\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E isso desconcerta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se desconcerta!..<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de o mundo da \u2018defesa da vida\u2019 ser a minha vida desde h\u00e1 muito, terei de revisitar a hist\u00f3ria de Gianna Molla para reencontrar uma t\u00e3o densa narrativa de vida como esta que encontrei neste livro que, em boa hora, uma amiga do \u2018mundo da defesa da vida\u2019 partilhou comigo. Confesso que, em muitos momentos, me comovi, parei, limpei l\u00e1grimas para poder prosseguir com a leitura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chiara Petrillo e o seu marido, Enrico, s\u00e3o luzeiros de esperan\u00e7a, confian\u00e7a e f\u00e9 na vida que n\u00e3o se acaba.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Casaram em 2008, tendo-lhes nascido, pouco mais de um ano depois, a sua primeira filha: Maria Grazia Letizia. Os nomes s\u00e3o significativos. \u2018Maria da Gra\u00e7a Alegria\u2019!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O precoce diagn\u00f3stico de anencefalia logo foi fonte de press\u00f5es para que abortasse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a vida de um filho n\u00e3o \u00e9 uma posse: \u00e9 um convite ao amor e a ser amado. Por isso, a gravidez desenvolveu-se e o parto, contrariamente ao previsto, foi natural e Maria Grazia Letizia nasceu para, poucas horas depois, e j\u00e1 batizada, morrer nos bra\u00e7os dos seus amados pais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Loucura?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos di-lo-\u00e3o, uns em surdina, outros explicitamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, se a vida \u00e9 dom, como poderia ser de outro modo sen\u00e3o permitir-se que nas\u00e7a e se deixe a natureza humana decidir? Seremos n\u00f3s, pais, os senhores dos nossos filhos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A situa\u00e7\u00e3o vem a repetir-se, j\u00e1 n\u00e3o por anencefalia, mas por malforma\u00e7\u00f5es singulares, ainda n\u00e3o designadas pela medicina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nova gravidez com sobressalto, mas levada at\u00e9 ao final. Nasce Davide Giovanni, \u2018David Jo\u00e3o\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018David\u2019, como o rei israelita que venceu Golias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Golias dos nossos medos e resist\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nasceu, foi acolhido e batizado. Os funerais destes filhos foram lugares de f\u00e9, esperan\u00e7a, confian\u00e7a e alegria. A alegria de quem reconhece que a vida que se recebe n\u00e3o se possui, pois, o \u2018contr\u00e1rio do amor n\u00e3o \u00e9 o \u00f3dio, mas a posse\u2019, como tantas vezes repete Chiara.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Terceira gravidez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desta feita, Francesco, o filho que se aguarda, n\u00e3o apresenta nenhuma malforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pai, Enrico, sempre envolvendo o amor com o humor, perguntava o que faltaria a este terceiro filho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desta vez, a surpresa era outra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muito cedo, na gravidez, Chiara descobre que tem um tumor maligno a que ela chama \u2018um drag\u00e3o\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Faz uma interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica que n\u00e3o interfere com o desenvolvimento do seu filho. Prop\u00f5em-lhe uma outra, mais invasiva, mas que pode colocar em risco a vida do filho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Decide-se pela vida do seu filho e adia, o mais que pode, e s\u00f3 para depois do parto, essa segunda interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Francesco nasce\u2026 As interven\u00e7\u00f5es sucedem-se, mas o que mais desconcerta \u00e9 o amor e a confian\u00e7a nunca perdida. N\u00e3o a confian\u00e7a numa cura, mas a certeza de o amor vencer. O amor que n\u00e3o possui, mas que acolhe a vida, com os seus fulgores e dores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com cerca de um ano de Francesco, Chiara morre, entre os seus in\u00fameros amigos, dando a todos confian\u00e7a, seguran\u00e7a, esperan\u00e7a, conforto, quando a mais necessitada era, afinal, ela mesma. Os outros eram, sempre, em cada passo da sua hist\u00f3ria, o centro. Pois, como diz em carta que dedicou ao seu filho, para que a lesse quando maiorzinho, \u2018\u2019no pouco que percebi neste anos, apenas te posso dizer que o Amor \u00e9 o centro da nossa vida, porque nascemos de um ato de amor, vivemos para amar e para ser amados, e morreremos para conhecer o amor verdadeiro de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O objetivo da nossa vida \u00e9 amar e estar sempre prontos para aprender a amar os outros como s\u00f3 Deus te pode ensinar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O amor consome-te, mas \u00e9 t\u00e3o bonito morrer consumidos, exatamente como uma vela que se apaga quando atinge o seu objetivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o importa o que far\u00e1s, mas o que quer que venhas a fazer s\u00f3 ter\u00e1 sentido se o fizeres em fun\u00e7\u00e3o da vida eterna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se estiveres realmente a amar, aperceber-te-\u00e1s disso pelo facto de que nada te pertence realmente, porque tudo \u00e9 um dom.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como diz S. Francisco: o contr\u00e1rio do amor \u00e9 a posse!\u2019<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 por acaso que, tendo falecido em junho de 2012, com apenas 28 anos, Chiara Petrillo seja j\u00e1 invocada, pela Igreja Cat\u00f3lica, desde 21 de setembro de 2018, como \u2018serva de Deus\u2019 e esteja em andamento o seu processo de beatifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta n\u00e3o \u00e9 uma hist\u00f3ria de um culto do sacrif\u00edcio, de um culto da dor m\u00f3rbida. Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 a hist\u00f3ria da n\u00e3o desist\u00eancia da vida e do amor por ela, apesar das dores e sacrif\u00edcios que am\u00e1-la possa comportar. Porque a verdadeira natureza do sacrif\u00edcio est\u00e1, precisamente, em \u2018tornar sagrado\u2019 o que, sem esse acolhimento amoroso, seria meramente \u2018profano\u2019 e sem sentido. Sacrif\u00edcio diz, mesmo, \u2018tornar sagrado\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chiara amou, acolheu a vida sem reservas. E isso desarma-nos. Este livro faz-nos deixar cair todas as armas defensivas com que recusamos receber o dom da vida, a vida que \u00e9 um dom.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste livro, colocam-se, frente a frente, duas vis\u00f5es sobre a vida: a dos que a consideram uma posse e sobre ela tudo se admitem fazer por se entenderem seus donos; e a de quem se reconhece um grato recetor de um dom e tudo faz por merecer o dom recebido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fechado o livro, o sil\u00eancio toma conta de n\u00f3s e pergunta-nos, sussurrando, ao ouvido: de que lado est\u00e1s?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<pre style=\"text-align: justify; padding-left: 80px;\"><strong>Na mesma p\u00e1gina que o autor (cita\u00e7\u00f5es)<\/strong><\/pre>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Amar n\u00e3o \u00e9 possuir. \u00c9 querer o bem do outro\u2019 (Lu\u00edsa Viterbo, pref\u00e1cio \u00e0 edi\u00e7\u00e3o portuguesa, p. 6)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Uma pessoa morre como viveu. Chiara morreu de uma maneira incr\u00edvel, sorrindo diante da morte. Muito mais do que serena: feliz. Estar a seu lado foi ver o viver e o morrer de um filho de Deus\u2019. (p. 17)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Nascemos e jamais morreremos. Essa frase est\u00e1 ligada \u00e0 imagem de Chiara, mas Chiara nunca a pronunciou, ainda que seja perfeita para ela. Pronunciou-a Enrico. \u00c9 uma frase que ouviu a um respons\u00e1vel da comunidade \u2018Ges\u00f9 Risorto\u2019, doente terminal de cancro nos ossos. Enrico tinha cerca de 15 anos e ficou muito impressionado. Repetiu-a muitas vezes, e n\u00f3s sab\u00edamos que ele a queria escrever numa <em>t-shirt<\/em>, porque achava que era uma boa not\u00edcia para dar a todos.\u2019 (p. 22)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Chiara passou da convic\u00e7\u00e3o de que tinha direito ao Enrico \u00e0 compreens\u00e3o de que o outro \u00e9 um dom de Deus e, portanto, \u00e9 necess\u00e1rio primeiro aceitar perd\u00ea-lo para depois o encontrar.\u2019 (p. 32)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018O que mais assusta Chiara \u00e9 ela e Enrico estarem casados h\u00e1 poucos meses e n\u00e3o saber como poder\u00e1 ele reagir \u00e0 not\u00edcia de que a sua filha n\u00e3o est\u00e1 bem (era portadora de anencefalia) e morrer\u00e1 logo ap\u00f3s o nascimento. Tem medo de descobrir o que Enrico pode ter no cora\u00e7\u00e3o, teme que possa deixar de a amar. Pensa: \u00abEsta cruz, o meu marido vai pegar nela comigo ou terei de carrega-la sozinha? Ele vai entender-me ou\u2026?\u00bb<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[\u2026] Quando Enrico fala, Chiara ouve as palavras que tanto tinha desejado ouvir: \u00abN\u00e3o te preocupes. \u00c9 nossa filha: acompanh\u00e1-la-emos at\u00e9 onde pudermos\u00bb. Tamb\u00e9m ele n\u00e3o pensa nem por um momento em rejeitar este dom. Para Chiara este n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um momento inesquec\u00edvel. \u00c9 \u00abo primeiro milagre\u00bb.\u2019 (pp. 42.44)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Para muitos m\u00e9dicos, o aborto \u00e9, neste caso, uma escolha evidente. Infelizmente, tamb\u00e9m o \u00e9 para muitos dos que se dizem cat\u00f3licos. Poucos s\u00e3o os crist\u00e3os que apoiam Chiara e Enrico. O facto de Maria Grazia Letizia crescer sem c\u00e9rebro faz com que muitos ponham em quest\u00e3o que a sua seja , de facto, vida; e alguns p\u00f5em em quest\u00e3o se interromper uma gravidez destas \u00e9, na verdade, um aborto, como se a beb\u00e9 nem sequer existisse. E este \u00e9, para Chiara e Enrico, o maior sofrimento: o peso do julgamento daqueles que os rodeiam, os conselhos daqueles que at\u00e9 \u00e0quele momento lhes eram pr\u00f3ximos.\u2019 (p. 45)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Tendo decidido levar a gravidez at\u00e9 ao fim, na verdade, Chiara e Enrico levaram para a frente uma ideia acerca da vida que muitos consideram inc\u00f3moda. Mas \u00e9 precisamente aquela defendida pela Igreja. A ideia de uma vida que vale por si mesma, prescindindo da intelig\u00eancia, da capacidade de racioc\u00ednio e da beleza. Uma ideia de vida que rejeita todos os crit\u00e9rios do mundo que sugerem se uma pessoa deve sair para a rua ou ficar em casa, se deve levantar a m\u00e3o para falar ou n\u00e3o, ou levantar-se da cama de manh\u00e3 ou ficar a dormir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 ainda uma ideia de vida segundo a qual o outro n\u00e3o vem para nos roubar nada, mas enriquece-nos com a sua presen\u00e7a.\u2019 (p. 46)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Todas as m\u00e3es geram filhos que n\u00e3o lhes pertencem. Ser pais significa exatamente isto. Mas para Chiara a consci\u00eancia disto \u00e9 maior. A sua miss\u00e3o e a de Enrico \u00e9 a de acompanhar imediatamente esta menina ao encontro com Deus, e ela quer estar preparada o melhor poss\u00edvel para que isto aconte\u00e7a, para que tudo se realize segundo o seu des\u00edgnio.\u2019 (p. 52)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Chiara e Enrico est\u00e3o verdadeiramente felizes. Tinham-se preparado para o pior, n\u00e3o para tanta beleza. \u00abO momento em que a vimos foi um momento que nunca esquecerei: percebi que est\u00e1vamos ligadas para toda a vida. N\u00e3o pensava no facto de que estaria pouco tempo connosco. Foi uma meia hora inesquec\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se tivesse feito um aborto, n\u00e3o creio que poderia recordar o dia do aborto como um dia de festa, um dia em que me teria libertado de alguma coisa. Teria sido um momento que procuraria esquecer, um momento de grande sofrimento.\u2019 (p. 55)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Aquilo que quero dizer \u00e0s m\u00e3es que perderam filhos \u00e9 isto: n\u00f3s fomos m\u00e3es, recebemos este dom. N\u00e3o importa o tempo: um m\u00eas, dois meses, poucas horas\u2026 o que conta \u00e9 termos recebido este dom\u2026 e n\u00e3o \u00e9 uma coisa que se possa esquecer.\u2019 (p. 56)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018[\u2026] o contr\u00e1rio do amor n\u00e3o \u00e9 o \u00f3dio, mas o possuir [\u2026]\u2019 (p. 61)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Fazer um aborto \u00e9 rejeitar um dom.\u2019 (p. 65)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018[\u2026] o objetivo mais importante da vida \u00e9 ser amados. O importante n\u00e3o \u00e9 fazer coisas, mas nascer e deixar-se amar\u2019. (p. 81)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018\u00abNo pouco que percebi nestes anos, apenas te posso dizer que o Amor \u00e9 o centro da nossa vida, porque nascemos de um ato de amor, vivemos para amar e para ser amados, e morremos para o conhecer o amor verdadeiro de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O objetivo da nossa vida \u00e9 amar e estar sempre prontos para aprender a amar os outros como s\u00f3 Deus te pode ensinar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O amor consome-te, mas \u00e9 t\u00e3o bonito morrer consumidos, exatamente como uma vela que se apaga quando atinge o seu objetivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o importa o que far\u00e1s, mas o que quer que venhas a fazer s\u00f3 ter\u00e1 sentido se o fizeres em fun\u00e7\u00e3o da vida eterna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se estiveres realmente a amar, aperceber-te-\u00e1s disso pelo facto de que nada te pertence realmente, porque tudo \u00e9 dom.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como diz S\u00e3o Francisco: o contr\u00e1rio do amor \u00e9 a posse!\u00bb\u2019 (p. 164 \u2013 da carta escrita por Chiara ao seu filhinho Francesco)<\/p>\n<hr \/>\n<h5 style=\"text-align: right;\"><strong>**(T\u00edtulo retirado de Daniel Faria, <em>Dos l\u00edquidos<\/em>, Porto, Edi\u00e7\u00e3o Funda\u00e7\u00e3o Manuel Le\u00e3o, 2000, p. 137)<\/strong><\/h5>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right;\">*Professor, Presidente da Comiss\u00e3o Diocesana da Cultura<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Autor de &#8216;Ensaios <em>de<\/em> liberdade&#8217;, &#8216;Bem-nascido&#8230; Mal-nascido&#8230; Do &#8216;filho perfeito&#8221; ao filho humano&#8217; e de &#8216;Teologia, ci\u00eancia e verdade: fundamentos para a defini\u00e7\u00e3o do estatuto epistemol\u00f3gico da Teologia, segundo Wolfhart Pannenberg&#8217;<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Foto recolhida do site da <a href=\"https:\/\/www.paulinas.pt\/produto\/nascemos-e-jamais-morreremos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Editora Paulinas<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rubrica \u2018Sabes, leitor,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19849,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[55,198],"tags":[],"class_list":["post-19848","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-luis-manuel-pereira-da-silva","category-sabes-leitor-que-estamos-ambos-na-mesma-pagina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19848","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19848"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19848\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19850,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19848\/revisions\/19850"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19849"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19848"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19848"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19848"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}