{"id":1969,"date":"2017-09-11T10:30:15","date_gmt":"2017-09-11T09:30:15","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=1969"},"modified":"2017-09-11T10:30:15","modified_gmt":"2017-09-11T09:30:15","slug":"viver-a-alianca-refeita-a-alegria-do-casal-no-dia-a-dia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/viver-a-alianca-refeita-a-alegria-do-casal-no-dia-a-dia\/","title":{"rendered":"Viver a alian\u00e7a refeita &#8211; a alegria do casal no dia-a-dia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>VIVER A ALIAN\u00c7A REFEITA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>A ALEGRIA DO CASAL NO DIA-A-DIA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Pe. Georgino Rocha<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cS\u00f3 quem n\u00e3o conhece a fragilidade humana, designadamente na rela\u00e7\u00e3o conjugal, \u00e9 que se admira do n\u00famero crescente de div\u00f3rcios e separa\u00e7\u00f5es entre os recasados ou situa\u00e7\u00f5es similares\u201d, diz-me um colega versado na pastoral familiar, em tom de leve censura a quem vem a p\u00fablico mostrar a sua estranheza. Sinto-me atingido tamb\u00e9m e apresento-lhe algumas raz\u00f5es subjacentes a este facto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lembro a experi\u00eancia inicial da rela\u00e7\u00e3o, certamente feliz, o sonho lindo de que essa experi\u00eancia seja definitiva, a capacidade de superar diverg\u00eancias de opini\u00e3o, a paci\u00eancia adquirida com a toler\u00e2ncia de momento, a abertura ao outro e ao seu bem maior, a gera\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o dos filhos, quando os h\u00e1, as expectativas dos pais, a promessa de amor m\u00fatuo feita no registo civil e o selo sacramental da celebra\u00e7\u00e3o na Igreja e a aprendizagem de saber lidar com o insucesso ocorrente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 medida que ia enumerando factores positivos, dava conta que o meu amigo se distanciava psicologicamente de mim, chegando mesmo a interromper-me e a mostrar outras raz\u00f5es. Traz \u00e0 conversa a fragilidade de toda a op\u00e7\u00e3o humana, especialmente quando envolve a decis\u00e3o livre de outra pessoa, a verdade do casamento assente no conhecimento consciente do que est\u00e1 em causa, a instabilidade emocional fomentada pelo ambiente sociocultural e profissional, a precariedade da alian\u00e7a assumida, para n\u00e3o mencionar, diz-me, o significado do matrim\u00f3nio crist\u00e3o como casar na Igreja que nos faz testemunhas singulares do amor de Deus. E conclui: Sem aptid\u00e3o comprovada para realizar actos humanos, n\u00e3o existe a verdade do casamento, ainda que se realizem cerim\u00f3nias de \u201cpartir\u201d o cora\u00e7\u00e3o e os amigos vibrem de alegria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto falava, lancei a mem\u00f3ria para o ba\u00fa de recorda\u00e7\u00f5es da minha vida pastoral e surgiram os di\u00e1logos com noivos no atendimento paroquial e nos cursos de prepara\u00e7\u00e3o para o matrim\u00f3nio, os jovens \u00e0 procura da op\u00e7\u00e3o de vida, sobretudo nos movimentos de apostolado e no centro universit\u00e1rio, as pessoas com crises de relacionamento conjugal, o testemunho de casais felizes no meio da turbul\u00eancia ocorrida, e tantos outros. Fixei-me na mensagem colhida na rede virtual e que se relaciona com pessoas conhecidas. Surpreendidas pelo cancro da esposa, renovam as suas promessas de doa\u00e7\u00e3o m\u00fatua, recordam a sua decis\u00e3o de serem um do outro \u201cnas horas de alegria e de tristeza\u201d e garantem o apoio incondicional, citando a can\u00e7\u00e3o do grupo Madredeus \u201cestou aqui, haja o que houver\u2026 Eu sei, eu sei quem \u00e9s para mim\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estive presente no seu casamento civil realizado numa quinta de lavrador. Presidiu \u00e0 cerim\u00f3nia a delegada do Not\u00e1rio, fun\u00e7\u00e3o que desempenhou muito bem. Na altura da entrega das alian\u00e7as, noto um burburinho entre as amigas da noiva. Dou conta que h\u00e1 surpresa perturbadora. A delegada faz observa\u00e7\u00f5es \u201ccr\u00edticas\u201d \u00e0 alian\u00e7a da noiva por n\u00e3o satisfazer os requisitos devidos. E, entretanto, procura-se uma sa\u00edda airosa. Dizia a delegada: a alian\u00e7a deve ser circular, lisa e c\u00f3moda. Sem adornos. Vale por si. Pois quer transmitir que a op\u00e7\u00e3o dos noivos feita no tempo \u00e9 para sempre; que a decis\u00e3o n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es, \u00e9 transparente; que o casamento, como vida a dois, gera uma nova confian\u00e7a e apoio, e faz convergir o seu olhar no mesmo foco: a felicidade comum. Gostei sinceramente da explica\u00e7\u00e3o. E concordo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As Equipas de Nossa Senhora apresentam como guia de reuni\u00f5es para 2017\/18 o op\u00fasculo intitulado \u201cA miss\u00e3o do Amor\u201d. Belo texto que, repetidamente, traz o apelo do Papa Francisco para que este movimento ponha ao servi\u00e7o dos divorciados recasados a riqueza do seu carisma e da sua experi\u00eancia. E relembra experi\u00eancias em curso que estimulam a novas ousadias. E como as equipas, outros grupos e servi\u00e7os sentem a urg\u00eancia desta causa. \u00a0Tudo leva a crer que chegou a hora de uma resposta organizada e mobilizadora. \u00c9 a Igreja que est\u00e1 em sa\u00edda mission\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A aventura do casal em segundas n\u00fapcias diz respeito especialmente aos c\u00f4njuges. S\u00e3o eles que no dia-a-dia tecem a trama da harmonia procurada, da m\u00fatua doa\u00e7\u00e3o, do reconhecimento das leg\u00edtimas e enriquecedoras diferen\u00e7as, da progressividade nos passos a dar para a maturidade desejada. Mas a comunidade eclesial tem a miss\u00e3o de acolher, encorajar, acompanhar, discernir e integrar. O meio mais adequado ser\u00e1 sempre a presen\u00e7a amiga e o testemunho sol\u00edcito de quem vive a realidade matrimonial. E o apelo de \u201cA Alegria do Amor\u201d urge uma resposta efectiva e acess\u00edvel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VIVER A ALIAN\u00c7A<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1970,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,13,50,14],"tags":[],"class_list":["post-1969","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-olhares","category-pe-georgino-rocha","category-temas-para-debate"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1969","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1969"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1969\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1971,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1969\/revisions\/1971"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1970"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1969"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1969"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1969"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}