{"id":19660,"date":"2025-09-23T07:07:11","date_gmt":"2025-09-23T06:07:11","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=19660"},"modified":"2025-12-16T13:41:26","modified_gmt":"2025-12-16T13:41:26","slug":"mysterios-lusitanos-contos-texto-e-locucao-16-misterio-na-curva-da-foz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/mysterios-lusitanos-contos-texto-e-locucao-16-misterio-na-curva-da-foz\/","title":{"rendered":"16 | Alberto Ferreyra | Myst\u00e9rios lusitanos [contos &#8211; texto e locu\u00e7\u00e3o] | Mist\u00e9rio na curva da foz"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: right;\"><em>Myst\u00e9rios lusitanos<\/em> | A vinte e tr\u00eas (23) de cada m\u00eas, habitamos o mundo pelo imagin\u00e1rio de Alberto Ferreyra&#8230;<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right;\">(Nos ramos da escrita, repousam, vezes sem conta, as gralhas da distra\u00e7\u00e3o, ocultas, sob m\u00faltiplos disfarces, at\u00e9 que algu\u00e9m as enxote. Alberto Ferreyra contou com o fino olhar da sua amiga Teresa Correia, detentora do segredo da sua identidade, para afastar ou ca\u00e7ar o grasnar das gralhas. Est\u00e1-lhe, por isso, muito grato&#8230;)<\/h6>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Alberto Ferreyra*<\/strong><\/p>\n<p><iframe title=\"16   Mist\u00e9rio na curva da foz\" width=\"640\" height='360' src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mzntMdC7Fb4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Deixa-me intrigada que, com dois olhos, um nariz e uma boca, se fa\u00e7am tantos rostos.<br \/>\n&#8211; E as rela\u00e7\u00f5es geom\u00e9tricas entre eles, a cor da pele, as simetrias e assimetrias e outras vari\u00e1veis? \u2013 Atalhou, prontamente, J., desvalorizando a surpresa da irm\u00e3. E continuava, como em noite de ins\u00f3nia, a acompanhar cada chegada e cada partida. Aquela tarde de ver\u00e3o nutria de acelerados passageiros a pequena esta\u00e7\u00e3o em que desembocava a avenida central da cidade. Diante de J. e M., sentados no \u00fanico banco exterior, uma pequena rotunda homenageava os bombeiros, preenchida de ervas sem flores. A um canto, enrolado sobre si, um homem, cujo odor f\u00e9tido se sentia ao longe. As barbas cobriam-lhe o peito. Sentia-se o calor que exalava daquela pele. Mas o olhar parecia ausente. S\u00f3 barbas e o odor\u2026 Aquele odor!&#8230;<br \/>\n&#8211; Bem sei. Mas n\u00e3o deixo de me admirar. Como um ligeiro desvio na ma\u00e7\u00e3 do rosto pode fazer de algu\u00e9m um \u2018quase-bonito\u2019 ou, de um outro, uma aut\u00eantica Helena de Troia! E quanto se transmite num ligeiro franzir de sobrolho ou no esgar de dor! \u2013 Concluiu M., sem alongar a conversa.<br \/>\nO sil\u00eancio preencheu os espa\u00e7os. E o tempo\u2026<br \/>\nSubitamente, o olhar de ambos prendeu-se ao de duas mulheres. Cada um a uma mulher distinta.<br \/>\nAmbas belas. Ambas sofridas, no olhar.<br \/>\nUma, de olhar negro, sulcos cavados nas redondezas dos olhos, olhava para diante, lenta, sem fixar nada.<br \/>\n&#8211; Como diz o povo, parece uma Madalena ainda n\u00e3o reencontrada! \u2013 Assim rompeu M. aquele demorado sil\u00eancio.<br \/>\nA outra mulher olhava para o mundo com a verdura dos campos. Profunda. Longa. Mas igualmente demorada.<br \/>\n&#8211; Credo! Olha-me estes olhos! \u2013 J. acotovelou a irm\u00e3, que, de imediato, recolheu o bra\u00e7o, em ligeiro movimento de dor. Deslocou o seu olhar da mulher de olhos negros para a que, agora, lhe apontava o irm\u00e3o.<br \/>\n&#8211; Mas tanto sofrimento naquela beleza! \u2013 Rematou.<br \/>\nO caminhar daquelas duas mulheres cruzou-se frente ao banco onde estavam os dois irm\u00e3os, sem que se tenham sabido contempor\u00e2neas. Seguiram o seu rumo, distantes uma da outra, a uma dist\u00e2ncia que s\u00f3 no olhar daqueles irm\u00e3os se anulou.<br \/>\nN\u00e3o mais se viram.<br \/>\nMas n\u00e3o mais deixaram de ser vistas, no olhar de J. e M.<br \/>\n\u2026 e daquele triste e f\u00e9tido homem, sentado no canto da esta\u00e7\u00e3o que se ergueu de um salto, com uma energia que surpreendeu os irm\u00e3os. Sentou-se, junto deles.<br \/>\n&#8211; Admiram-se de tantos rostos se fazerem com t\u00e3o pouco? Ah, quantos rostos se fazem com o mesmo rosto! Quantos rostos j\u00e1 tive eu pr\u00f3prio! E que rosto vedes, agora?<br \/>\nA pergunta n\u00e3o parecia mais do que ret\u00f3rica, mas M. e J. ficaram, por momentos, incomodados, como que surpreendidos pela urg\u00eancia de lhe dar uma resposta.<br \/>\n&#8211; Bem\u2026 Quer mesmo saber? \u2013 Ousou dizer M.<br \/>\nO homem n\u00e3o parecia, por\u00e9m, interessado em ouvir. Fechou os olhos, como quem busca, nas p\u00e1lpebras, as letras de um discurso, e avan\u00e7ou.<br \/>\n&#8211; Conhe\u00e7o estas duas mulheres de as ver e de lhes reconhecer a hist\u00f3ria pelo olhar. Ambas mulheres amadas, desejadas e a quem um dia o amor tornou m\u00e3es.<br \/>\nJ. e M. estavam inquietos. Aquela conversa parecia emergir do nada. Se o homem vinha falar de olhares, era porque tinha estado atento \u00e0 conversa.<br \/>\nRecordaram, rapidamente, todo o conte\u00fado dos seus di\u00e1logos. A ver se alguma coisa os poderia comprometer.<br \/>\nE aquele odor! Incomodava e quase tornava imposs\u00edvel acompanhar, com concentra\u00e7\u00e3o, as palavras. Pareciam flutuar sobre lixo.<br \/>\nEntredentes, M. tartamudeou:<br \/>\n&#8211; Mano, mano, este homem ser\u00e1 de confian\u00e7a? Sabes quem \u00e9?<br \/>\n&#8211; Lembro-me de o ver sair da casa que dizes ser dos megapix\u00e9is, a casa de azulejos pequenos de cores diversas que parece ser uma foto de m\u00e1 qualidade quando ampliada.<br \/>\n&#8211; Bem me lembro. Mas mais parece um sem-abrigo\u2026<br \/>\nO homem deteve o seu discurso, esbugalhou os olhos e fixou-os nos irm\u00e3os.<br \/>\nUm frio g\u00e9lido, indiferente ao calor daquela tarde, percorreu cada osso e m\u00fasculo dos seus corpos. Decidiram-se, num assentimento t\u00e1cito, n\u00e3o mais o interromper at\u00e9 que considerasse chegada a hora de recolocar o selo sobre o pergaminho do seu discurso.<br \/>\nO homem voltou a fechar os olhos.<br \/>\n&#8211; Aqueles negros olhos s\u00e3o de uma m\u00e3e que do seu ventre viu nascer um amado filho. Viu-o crescer. Amou-o e viu-o ser amado at\u00e9 que, numa tarde em que boa not\u00edcia seria n\u00e3o lhe darem not\u00edcias, numa das curvas da foz a morte abrupta por acidente o levou dos seus bra\u00e7os.<br \/>\n&#8211; Regressa, todos os dias, mais de vinte anos volvidos, ao s\u00edtio de onde o levaram de si para sempre. Ali deposita flores e mant\u00e9m viva uma luz. Todos os dias. Todos os dias.<br \/>\nO homem deteve-se, por um momento. Assoou-se, comovido, e prosseguiu.<br \/>\n&#8211; Por aqui passa, dia ap\u00f3s dia. De comboio, desce at\u00e9 \u00e0 cidade dos canais para da\u00ed seguir at\u00e9 \u00e0s dunas do mar, onde recolhe as flores com que leva beleza ao lugar onde tudo, para ela, se fez feio. Assim, sempre. E para sempre.<br \/>\nAs l\u00e1grimas desciam, lentas, pelo rosto de M. e J.<br \/>\nO sil\u00eancio fez-se demora.<br \/>\nAt\u00e9 que M., limpando o rosto, segredou ao ouvido do homem, c\u00famplice na dor.<br \/>\n&#8211; E a mulher de olhos verdes? De que dores fala aquele olhar?<br \/>\nO homem acomodou-se, no banco, como que finalmente recebido, pousou os cotovelos nos joelhos, repousando o queixo sobre as palmas das m\u00e3os. Fixou o olhar na rotunda onde n\u00e3o havia flores. S\u00f3 plantas, mas nenhuma flor.<br \/>\n&#8211; Olhai para o que tendes diante dos vossos olhos. O que vedes?<br \/>\nA pergunta gerou estranheza em J. e M. O homem parecia querer desviar a conversa. Olharam um para o outro\u2026<br \/>\n&#8211; N\u00e3o mais do que uma rotunda e um singelo e justo monumento de homenagem aos bombeiros. \u2013 Ousou dizer J.<br \/>\n&#8211; Como os rostos falam, tamb\u00e9m pode ser muito sonoro o sil\u00eancio do mundo em que nos fazemos gente. Olhai com mais aten\u00e7\u00e3o.<br \/>\nM. arregalou os olhos de espanto, quando lhe pareceu perceber o que aquele homem pretendia mostrar-lhes.<br \/>\n&#8211; Vejo plantas que deveriam estar floridas, mas que n\u00e3o o est\u00e3o.<br \/>\n&#8211; Achais que \u00e9 porque n\u00e3o podem florir? Digo-vos que n\u00e3o. N\u00e3o florescem porque n\u00e3o as deixam florir. A mulher dos olhos verdes p\u00f4de, um dia, florescer. Foi, tamb\u00e9m ela, amada, at\u00e9 que, num dia que rapidamente se fez noite, uma flor come\u00e7ou a florescer no seu ventre. \u2018Desmancha-te!\u2019 \u2013 disseram-lhe. \u2018Desmancha-te!\u2019. Ainda resistiu, uns dias, mas a malfadada lei que diziam proteg\u00ea-la por ser mulher, desprotegeu-a de ser m\u00e3e. N\u00e3o conseguiu resistir e foi ao desmancho, como lhe diziam. Nesse dia, a mulher que ela era continuou a s\u00ea-lo, mas a m\u00e3e que ela fora morreu no filho que as vozes lhe pediam que desmanchasse. Nesse dia, essa m\u00e3e morreu com o seu filho. Sonha, todas as noites, nas noites da sua solid\u00e3o, com o filho que n\u00e3o deixou nascer. V\u00ea-lhe um rosto, sente-lhe o cheiro, ouve-o chorar. Ele assalta-lhe os sonhos como pesadelo e \u00e9 neste canteiro que ela vem desmanchar a sua perda. Nenhuma flor aqui voltar\u00e1 a brotar enquanto ela n\u00e3o renascer no seu cora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nM. sentiu-se revoltada\u2026 Revoltada\u2026 Queria gritar contra as vozes \u2013 sempre essas vozes, sem rosto nem nome; vozes sem olhar: o vazio! &#8211; e contra os que lhe tinham assegurado que, pela for\u00e7a das leis, a estavam a proteger. Mas a frieza das leis deixara-a abandonada \u00e0 sua solid\u00e3o. Nunca se perdoara ter impedido aquele filho de ver a luz. Deixara-o, para sempre, na noite, a escurid\u00e3o da inexist\u00eancia, o abandono da morte.<br \/>\nM. desejava poder deter-se diante do profundo daquele olhar vencido. Ergu\u00ea-la da derrota de um dia para, restaurada, a fazer assomar ao olhar de outras mulheres que, como ela, se enrolaram de medo, aturdidas pelas vozes que repetiam, maviosamente: \u00abVai ao desmancho\u00bb! \u00abLivra-te disso!\u00bb<br \/>\nEsta revolta cansou-a. Deixou-a perturbada, umbigada no mais profundo de si. Ela mesma, M., sentia que podia ter sido aquele filho rejeitado, recusado, \u2018desmanchado\u2019. Tomava conta do seu esp\u00edrito uma certeza: &#8211; Se de um s\u00f3 pode depender-se assim, na fragilidade dos nossos primeiros dias, todos, ent\u00e3o, sobrevivemos da nossa pr\u00f3pria morte arbitrariamente evitada e vivemos vidas de um luto definitivo.<br \/>\nM. solu\u00e7ava, \u00e0 medida que estes pensamentos lhe preenchiam a alma.<br \/>\nRecomposta, exteriorizou uma pergunta com que cruzou o seu olhar com o daquele homem de sujas barbas at\u00e9 ao peito:<br \/>\n&#8211; Se sabe tudo isso, porque n\u00e3o diz a estas duas m\u00e3es que h\u00e1 uma dor comum \u00e0s duas?<br \/>\n&#8211; A dor da perda une-as, mas afasta-as um abismo. Uma era a m\u00e3e que queria ser e o fado impediu de continuar a s\u00ea-lo; outra foi a m\u00e3e que j\u00e1 o sendo desistiu de continuar a s\u00ea-lo. Antes de se encontrarem uma com a outra, ter\u00e3o de se encontrar cada uma consigo mesma.<br \/>\nM. adivinhara, nas suas err\u00e2ncias, esta resposta.<br \/>\nO homem desenrolado de si concluiu:<br \/>\nMas, &#8211; Digo-vos! \u2013 h\u00e1 um segredo, neste canteiro. Entre as plantas, cresce uma biloba \u2013 era-lhe dif\u00edcil o nome de \u2018ginkgo biloba\u2019! -. Mesmo que sempre a cortem, ela voltar\u00e1 a brotar, vezes sem conta. At\u00e9 ao dia em que dar\u00e1 fruto, ainda que sem flores.<br \/>\n&#8211; Sempre te disse, J., que a gra\u00e7a \u00e9 o humor do Amor que Deus \u00e9. Nos abismos mais est\u00e9reis da exist\u00eancia, h\u00e1 sempre lugar para a esperan\u00e7a.<br \/>\nO homem ergueu-se do banco. Deu tr\u00eas passos e voltou-se. Olhou, fixamente, primeiro, o olhar de M., e, depois, o de J. e rematou:<br \/>\n&#8211; Muitas s\u00e3o as curvas com que se chega a uma foz. Mas esse n\u00e3o \u00e9, ainda, o lugar do fim. Todo o rio leva ao mar.<br \/>\nE subiu, tr\u00f4pego, pela avenida, deitando um ligeiro olhar sobre o canteiro reverdejante.<br \/>\nM. e J. acompanharam-no, silenciosos, at\u00e9 que o perderam de vista.<br \/>\nFecharam os olhos.<br \/>\nNo ar, um suave perfume de flores!<br \/>\n\u2026e um subtil odor a maresia\u2026<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/tumisu-148124\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=4203628\">Tumisu<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=4203628\">Pixabay<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align: justify;\">*Alberto Ferreyra diz que as suas letras habitam a mente e saem da m\u00e3o de algu\u00e9m nascido em terras gaulesas, ainda que afirme, em sussurro, que o seu real nascimento ocorreu nas margens do Antu\u00e3, em abril de 2024. \u00c9, por isso, um prematuro autor liter\u00e1rio, germinado da inspira\u00e7\u00e3o que a realidade proporciona quando se tem a companhia, nos livros, de g\u00e9nios como Jorge Luis Borges, Miguel Torga, Gabriel Garc\u00eda Marquez ou personagens como Poirot ou Padre Brown.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Na sua escrita, cruzam-se o real e o imaginado, o fict\u00edcio e o hist\u00f3rico, numa embrenhada teia em que o leitor continua a ler, mesmo j\u00e1 depois de fechado o conto. O real continua a fecundar hist\u00f3rias na mente de quem l\u00ea Ferreyra. Cada conto, feito dos mist\u00e9rios desvelados, aproxima o tempo e distancia o espa\u00e7o, esticando-o at\u00e9 ao eterno e ao infinito. Ao ler Ferreyra, faz-se &#8216;sil\u00eancio&#8217; (&#8216;myst\u00e9rio&#8217; alude \u00e0 etimologia grega da palavra, que remete para o &#8216;fazer sil\u00eancio&#8217;, &#8216;emudecer-se&#8217;&#8230;) para que possam ecoar as palavras, para que possa desenovelar-se o enredo sucintamente desvelado.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">J. e M., protagonistas de cada um dos contos, acompanhados, em alguns deles, pelo seu periquito &#8216;branquinho&#8217;, fazem emergir, do real em que se enredam, hist\u00f3rias que, nascendo da imagina\u00e7\u00e3o de Ferreyra, permanecem como realidades poss\u00edveis, deixando a suspeita de terem mesmo ocorrido.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Se n\u00e3o foi real, Ferreyra o criar\u00e1, inspirado numa cosmovis\u00e3o que tanto deve \u00e0quela religi\u00e3o que fez do encarnado a condi\u00e7\u00e3o fundamental do existir.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A vinte e tr\u00eas (23) de cada m\u00eas, habitaremos o mundo pelo imagin\u00e1rio de Alberto Ferreyra&#8230;<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Myst\u00e9rios lusitanos |<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17814,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[208,209],"tags":[],"class_list":["post-19660","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-alberto-ferreyra","category-mysterios-lusitanos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19660","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19660"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19660\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20099,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19660\/revisions\/20099"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17814"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19660"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19660"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19660"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}