{"id":19569,"date":"2025-07-22T14:29:56","date_gmt":"2025-07-22T13:29:56","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=19569"},"modified":"2025-07-22T14:30:12","modified_gmt":"2025-07-22T13:30:12","slug":"comissao-diocesana-da-culturaaveiro-manifesto-por-uma-cultura-da-autentica-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/comissao-diocesana-da-culturaaveiro-manifesto-por-uma-cultura-da-autentica-paz\/","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o Diocesana da Cultura|Aveiro &#8211; Manifesto por uma cultura da aut\u00eantica paz"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\">Nota da Comiss\u00e3o Diocesana da Cultura | Aveiro<\/h3>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Perante um mundo em guerra e de guerras&#8230; <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Manifesto por uma cultura da aut\u00eantica paz<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tomar nas m\u00e3os um mapa do mundo contempor\u00e2neo e nele identificar os lugares onde a guerra tem a palavra deve inquietar-nos. A guerra \u00e9 real em mais de cinquenta lugares do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com custos imediatos de vidas perdidas, de inseguran\u00e7a, intranquilidade\u2026 Assomam-nos ao esp\u00edrito as l\u00e1grimas de inocentes, os seus choros e gritos perdidos, os olhares vazios\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Irm\u00e3os e irm\u00e3s como n\u00f3s a quem matam a vida, a mem\u00f3ria, o presente e o amanh\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018A guerra \u00e9 a fal\u00eancia da humanidade\u2019, recordava Francisco, em outubro de 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As suas palavras continuam a ecoar como voz de inc\u00f3modo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Le\u00e3o XIV chama-lhe a \u00abbarb\u00e1rie da guerra\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A guerra \u00e9 a resist\u00eancia a humanizarmo-nos. \u00c9 o regresso sempre repetido \u00e0 fase anterior \u00e0quela em que come\u00e7\u00e1mos a mostrar-nos humanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Cardeal Tolentino de Mendon\u00e7a recordava, no seu discurso de 10 de junho de 2020, a que deu o belo t\u00edtulo de \u2018o que \u00e9 amar um pa\u00eds\u2019, que o primeiro sinal de humanidade foi um f\u00e9mur cicatrizado. Um f\u00e9mur cicatrizado \u00e9 o s\u00edmbolo pungente de n\u00e3o deixarmos para tr\u00e1s ningu\u00e9m, e muito menos o mais fr\u00e1gil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os sinais de regresso ao momento anterior ao da cicatriza\u00e7\u00e3o do f\u00e9mur devem perturbar-nos e levar-nos a pretender tudo fazer para construir uma cultura da aut\u00eantica paz. A paz que n\u00e3o \u00e9 mera aus\u00eancia de guerra, mas baseada, primeiramente, na justi\u00e7a (dar a cada um o que lhe \u00e9 devido) e, quando esta j\u00e1 \u00e9 insuficiente, sustentada no reconhecimento de que o outro \u00e9 um irm\u00e3o, sustent\u00e1culo da genu\u00edna fraternidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para esse reconhecimento, muito se espera das religi\u00f5es (infelizmente, tantas vezes instrumentalizadas para a guerra), origem expl\u00edcita do reconhecimento de que, por via da f\u00e9 num Pai comum, todos nos tornamos irm\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Comiss\u00e3o Diocesana da Cultura|Aveiro une-se, por isso, a todas as vozes que se deixam comover, no cora\u00e7\u00e3o e atrav\u00e9s das suas m\u00e3os, para a constru\u00e7\u00e3o de uma realidade verdadeiramente humanizada e n\u00e3o inumana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa como\u00e7\u00e3o de cora\u00e7\u00e3o, devem envolver-se todos os agentes, desde os legisladores, passando pelos decisores econ\u00f3micos, promotores dos mais diversos \u00e2mbitos da vida comum, promovendo uma aut\u00eantica cultura da vida e da paz, desde o in\u00edcio, passando pelas realidades mais fr\u00e1geis, at\u00e9 ao seu fim n\u00e3o provocado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem o respeito pela vida de todos, todos, todos, a cultura da humanidade ser\u00e1, sempre, injusta, porque alguns deixar\u00e1 de fora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta comiss\u00e3o apela, por isso, \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma cultura do acolhimento, do respeito, do reconhecimento de que ao outro sempre nos caber\u00e1 amar e n\u00e3o repudiar ou rejeitar. O outro \u00e9 condi\u00e7\u00e3o de constru\u00e7\u00e3o de cada eu. \u00c9 perante o outro que nos reconhecemos sujeitos. O outro n\u00e3o \u00e9 fonte do mal (poder\u00e1, pelo contr\u00e1rio, em muitas situa\u00e7\u00f5es, ser, mesmo, sua v\u00edtima\u2026). O outro pode ser o filho ainda n\u00e3o nascido, o imigrante fragilmente chegado, o refugiado de todos os pontos repudiado, o desempregado desolado, o preso abandonado, o sujeito estereotipado, etc., etc. O outro, humano como eu, merece reconhecimento; n\u00e3o a presun\u00e7\u00e3o da legitimidade de poder ser repudiado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os tempos desafiam, por isso, a uma vis\u00e3o da paz que perpasse em todas as condi\u00e7\u00f5es da realidade: da fam\u00edlia \u00e0 escola, da economia \u00e0 pol\u00edtica, da diplomacia \u00e0 interculturalidade, do ecumenismo ao di\u00e1logo inter-religioso, de\u2026 a\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem cultiva a viol\u00eancia por ela ser\u00e1 devorado, talvez mais cedo do que tarde.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem promove a paz recolhe os frutos dessa sementeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A paz constr\u00f3i-se sobre alicerces s\u00f3lidos, numa espiral virtuosa, do princ\u00edpio ao fim, superando l\u00f3gicas de conflito permanente por l\u00f3gicas fermentadas na disponibilidade para nos colocarmos nos \u2018sapatos do outro\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ousemos. Ousemos sofrer a dor do outro. E nascer\u00e1 da\u00ed um amanh\u00e3 de vit\u00f3rias comuns. Os nossos advers\u00e1rios n\u00e3o s\u00e3o os outros humanos, mas os desafios que decorrem da pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o fr\u00e1gil que nos define como humanos. Perdemos tempo no combate contra os outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por cada \u2018outro\u2019 perdido s\u00e3o mundos de esperan\u00e7a que se desvanecem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Construamos uma aut\u00eantica cultura de humanidade: humanos fr\u00e1geis que unem as suas fragilidades para delas fazerem for\u00e7as\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No respeito pela verdade e autenticidade, pela justi\u00e7a e busca do bem comum, sedimentado na solidariedade e no respeito pelas capacidades de cada um, rumo a uma sociedade de desenvolvimento integral, de todos, em todas as suas dimens\u00f5es, e para todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 h\u00e1 paz se, verdadeiramente, ousarmos confiar uns nos outros. Se a desconfian\u00e7a for a base, n\u00e3o se espere que a paz possa emergir da amea\u00e7a de nos explodirmos uns aos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ser\u00e1 um sonho desejar um mundo assim?<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Aveiro, 22 de julho de 2025<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>A Comiss\u00e3o Diocesana da Cultura|Aveiro<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem: <a href=\"https:\/\/commons.wikimedia.org\/w\/index.php?curid=165713269\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The Knotted Arm<\/a> | \u00a0Carl Fredrik Reutersw\u00e4rd [1934-2016]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nota da Comiss\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19570,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,146],"tags":[],"class_list":["post-19569","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","category-letra-viva-valores-de-uma-cultura-que-cuida-e-nao-mata"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19569","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19569"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19569\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19572,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19569\/revisions\/19572"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19570"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19569"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19569"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19569"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}