{"id":19421,"date":"2025-06-09T11:55:18","date_gmt":"2025-06-09T10:55:18","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=19421"},"modified":"2025-06-09T11:55:18","modified_gmt":"2025-06-09T10:55:18","slug":"s-paulo-vi-porque-e-que-o-discurso-sobre-a-arte-em-torno-ao-cristianismo-tem-de-ser-interrompido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/s-paulo-vi-porque-e-que-o-discurso-sobre-a-arte-em-torno-ao-cristianismo-tem-de-ser-interrompido\/","title":{"rendered":"S. Paulo VI | Porque \u00e9 que o discurso sobre a arte em torno ao cristianismo tem de ser interrompido?"},"content":{"rendered":"<div class=\"col-xs-12 col-sm-12 col-md-8 col-lg-8\">\n<h6 style=\"text-align: right;\">Artigo recolhido de <a href=\"https:\/\/www.snpcultura.org\/porque_o_discurso_sobre_a_arte_em_torno_ao_cristianismo_tem_de_ser_interrompido.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">SNPC<\/a><\/h6>\n<\/div>\n<div class=\"col-xs-12 col-sm-12 col-md-8 col-lg-8\">\n<h1 style=\"text-align: center;\">S. Paulo VI<\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos convictos de que, ainda hoje, a obra de arte, nada sacrificando da justa autonomia que lhe compete e que j\u00e1 S. Tom\u00e1s lhe reconhecia (S. Thomae,\u00a0<em>Summa Theologiae<\/em>, I-II\u00e6, q. 57, a. 4, c.;\u00a0<em>Ibid<\/em>. a. 3, c.) \u00e9 ve\u00edculo potencial de uma mensagem religiosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando, depois, a mensagem religiosa \u00e9 a crist\u00e3, que fala de um Deus que se incarnou tomando forma humana e vivendo e morrendo como homem, ent\u00e3o a sua tradu\u00e7\u00e3o art\u00edstica apresenta-se, por assim dizer, espont\u00e2nea e conatural. Prova disso \u00e9 a necessidade percecionada desde logo pelos membros da comunidade crist\u00e3 primitiva ao entregar em s\u00edmbolos e figuras aquela f\u00e9 que traziam no cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Precisamente aqui em Roma, nas catacumbas de Priscila, Domitila, Calisto e Pretestato, conservamos algumas das mais antigas (\u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo II e primeiras do III) representa\u00e7\u00f5es figuradas dos mist\u00e9rios crist\u00e3os. Com o passar dos s\u00e9culos \u00e9 todo um discurso que floresce entre as m\u00e3os dos artistas crist\u00e3os, evocando as v\u00e1rias etapas da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque \u00e9 que este discurso tem hoje de ser interrompido? Ser\u00e1 que os mist\u00e9rios da nossa reden\u00e7\u00e3o deixaram de falar \u00e0 sensibilidade do artista moderno? Ou ser\u00e1 que a intui\u00e7\u00e3o art\u00edstica perdeu hoje a capacidade nativa de entrar em contacto, atrav\u00e9s do fulgor do Belo, com a dimens\u00e3o transcendente do Ser, testemunhando a abertura do esp\u00edrito humano ao chamamento do Absoluto?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o acreditamos nisso. E \u00e9 por isso que, passam agora tr\u00eas anos, abrimos espa\u00e7o nos Museus do Vaticano a uma Cole\u00e7\u00e3o de Arte religiosa moderna, convictos de que \u00abcontinua a existir, existe tamb\u00e9m neste nosso \u00e1rido mundo secularizado e at\u00e9 fraturado por profana\u00e7\u00f5es obscenas e blasfemas, uma capacidade prodigiosa (\u2026) de exprimir, para al\u00e9m do humano aut\u00eantico, o religioso, o divino, o crist\u00e3o\u00bb (Paulo VI, 23.6.1973).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E exprim\u00edamos ent\u00e3o o desejo de que aquela iniciativa servisse para confirmar \u00abno cora\u00e7\u00e3o dos artistas a convic\u00e7\u00e3o de que a Igreja cat\u00f3lica continua a ser e ser\u00e1 sempre sua apreciadora, fautora e protetora\u00bb, que efetivamente ela \u00abespera sobre o ampl\u00edssimo horizonte do mundo contempor\u00e2neo o florescimento de uma primavera nova da arte religiosa p\u00f3s-conciliar\u00bb (Paulo VI, 23.6.1973).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos certos de que a vossa indaga\u00e7\u00e3o vos levar\u00e1 a descobrir em muitas obras de arte inclusive modernas (\u2026) a necessidade insuprim\u00edvel de algo, melhor, de Algu\u00e9m, que d\u00ea sentido ao ef\u00e9mero, al\u00e9m de absurda agita\u00e7\u00e3o do ser humano no tempo e no espa\u00e7o deste mundo finito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Oh, quanto desejamos fazer chegar a todos os artistas que neste momento sofrem a ang\u00fastia de dar express\u00e3o sens\u00edvel \u00e0s inexprim\u00edveis intui\u00e7\u00f5es do seu esp\u00edrito, uma palavra de sincero respeito e de viva simpatia. Eles est\u00e3o, mesmo que talvez n\u00e3o o saibam, na estrada que conduz a Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuemos portanto a caminhar sem nos deixarmos desencorajar pelas asperezas da vida, e com as suas obras impulsionem tamb\u00e9m outros a dirigirem-se com eles rumo a um encontro, que s\u00f3 pode ser verdadeiramente pleno para quem, como o ser humano, \u00e9 na sua constitui\u00e7\u00e3o, quer o saiba ou n\u00e3o, um peregrino do Absoluto.<\/p>\n<\/div>\n<hr \/>\n<div class=\"col-xs-12 col-sm-12 col-md-8 col-lg-8\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"autor\">Paulo VI<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/paul-vi\/it\/speeches\/1976\/documents\/hf_p-vi_spe_19760721_seminario-arte-americana.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Discurso aos participantes no Semin\u00e1rio sobre &#8220;A influ\u00eancia da inspira\u00e7\u00e3o religiosa na arte americana&#8221;, 21.7.1976<\/a><br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o: Rui Jorge Martins<br \/>\n<\/span><\/div>\n<div>\n<hr \/>\n<p>Imagem: <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ficheiro:Good_shepherd_01_small.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Centro do teto do cub\u00edculo &#8220;Velatio&#8221;: o Bom Pastor<\/a> (tamb\u00e9m ovelhas e pombas com ramos de oliveira nas \u00e1rvores). Localiza\u00e7\u00e3o: Catacumba de Priscila, It\u00e1lia, Roma. Data: Segunda metade do s\u00e9culo III.<\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo recolhido de<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19422,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-19421","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19421","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19421"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19421\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19423,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19421\/revisions\/19423"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19422"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19421"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19421"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19421"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}