{"id":19291,"date":"2025-08-07T07:07:13","date_gmt":"2025-08-07T06:07:13","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=19291"},"modified":"2025-05-03T19:36:59","modified_gmt":"2025-05-03T18:36:59","slug":"sabes-leitor-20-marca-de-agua-do-livro-de-ignacio-caprile-a-extincao-dos-filhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/sabes-leitor-20-marca-de-agua-do-livro-de-ignacio-caprile-a-extincao-dos-filhos\/","title":{"rendered":"Sabes, leitor&#8230; | 20 | Marca de \u00e1gua do livro de Ignacio Caprile, &#8216;A extin\u00e7\u00e3o dos filhos&#8217;"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: right;\">Rubrica \u2018Sabes, leitor, que estamos ambos na mesma p\u00e1gina\u2019** | <em>Marca de \u00e1gua de livros que deixam marcas profundas<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Parceria:<a href=\"https:\/\/www.federacaopelavida.pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> <em>Federa\u00e7\u00e3o Portuguesa pela Vida<\/em><\/a> e<em> Comiss\u00e3o Diocesana da Cultura<\/em><\/h6>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Lu\u00eds Manuel Pereira da Silva*<\/strong><\/p>\n<pre style=\"padding-left: 80px;\"><strong>O autor e a obra<\/strong><\/pre>\n<h5 style=\"text-align: right; padding-left: 120px;\"><strong>Ignacio Garcia de Le\u00e1niz Caprile, <em>La extinci\u00f3n de los hijos: el retorno del flautista de Hamel\u00edn<\/em>, Madrid, Ediciones Cristiandad, 2023.<\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ignacio de Le\u00e1niz Caprile \u00e9 um autor a conhecer. E, este livro, de tradu\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria para portugu\u00eas\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Ainda n\u00e3o traduzido em portugu\u00eas (n\u00e3o consegui encontrar nenhum dos seus t\u00edtulos nas editoras nacionais), tem j\u00e1 significativa obra publicada (entre livros e artigos) em diversas editoras e revistas espanholas: Laertes, Encuentro (2 livros), Diaz de Santos e Ediciones Cristiandad, revelando, neste livro com que acedi \u00e0 sua escrita (\u2018A extin\u00e7\u00e3o dos filhos\u2019) uma robusta cultura que conjuga conhecimento livresco com o aprofundado conhecimento da realidade contempor\u00e2nea, repercutindo, na sua escrita, a sua experi\u00eancia como acad\u00e9mico (\u00e9 professor associado na Universidade de Alcal\u00e1, Madrid, uma universidade com perto de 20 mil alunos), mas tamb\u00e9m o seu \u2018respirar\u2019 de consultor de empresas. Esta \u00faltima nota \u00e9 particularmente vis\u00edvel neste livro em que se articulam o imagin\u00e1rio liter\u00e1rio e a concretude das propostas de natureza econ\u00f3mica e empresarial. Caprile escreve bem e de forma transparente, com um pensamento l\u00facido, atento, n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 espuma do tempo, mas tamb\u00e9m ao \u2018esp\u00edrito\u2019 que lhe subjaz. \u00c9 desta matriz que se faz \u2018a extin\u00e7\u00e3o dos filhos\u2019, onde se cruzam as estat\u00edsticas e os dados demogr\u00e1ficos com uma leitura em profundidade, interpretativa e solidamente anal\u00edtica. As notas biogr\u00e1ficas que cobrem a badana deste livro ajudam a perceber o \u2018tapete\u2019 que se tece, neste livro: Caprile tem-se dedicado, nos seus livros e nas colunas com que colabora, nos jornais El Mundo e El Debate, \u00e0 reflex\u00e3o sobre filosofia, antropologia, literatura, cinema e, naturalmente, a gest\u00e3o dos recursos humanos, enquanto consultor de empresas. De tudo isso se fazem as p\u00e1ginas deste livro. N\u00e3o apenas para servir um bom, robusto, diagn\u00f3stico, mas, tamb\u00e9m, para formular uma original proposta.<\/p>\n<pre style=\"text-align: justify; padding-left: 80px;\"><strong>Marcas de \u00e1gua <\/strong>\r\n\r\n<strong>(o que fica depois de se deixar o livro)<\/strong><\/pre>\n<p style=\"text-align: justify;\">Li, de um f\u00f4lego, entre os dias 27 e 29 de abril de 2025, este belo ensaio de Ignacio Caprile. S\u00e3o 108 p\u00e1ginas, divididas em oito cap\u00edtulos, antecedidos de uma introdu\u00e7\u00e3o e de um ep\u00edlogo escrito \u2018a partir de Hamelin\u2019. O t\u00edtulo e o subt\u00edtulo s\u00e3o, s\u00f3 por si, j\u00e1 um programa\u2026 A capa ilustra, transparentemente, o seu conte\u00fado: sobre um ber\u00e7o vazio, caminha um \u2018flautista de Hamelin\u2019, em cujas vestes se visibilizam as crian\u00e7as roubadas a Hamelin, seduzidas para a cova onde ser\u00e3o escondidas dos pais. Parece ouvir-se a sua maviosa melodia\u2026 O tom cinzento da capa soma-se \u00e0 ilustra\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca. Mas, se de sombras se faz grande parte da reflex\u00e3o, n\u00e3o se pense que este \u00e9 um livro de desespero. \u00c9, como um despertador, a voz que nos acorda da noite, provocando o inc\u00f3modo pr\u00f3prio do momento de se elevar do leito do repouso. O acordar perturba, mas a culpa n\u00e3o \u00e9 do despertador, antes do estado let\u00e1rgico de que custa sair\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como com a lenda de Hamelin, popularizada pelos irm\u00e3os Grimm (curiosamente, autores que s\u00e3o \u2018irm\u00e3os\u2019\u2026 Uma curiosidade significativa, quando se denuncia a ideologia do \u2018filho \u00fanico\u2019\u2026), o flautista que \u2018rouba\u2019 as crian\u00e7as sabem munir-se das melhores melodias para levar avante os sues intentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo das 108 p\u00e1ginas deste ensaio, Caprile percorre um caminho: socorre-se de dados estat\u00edsticos que evidenciam (l\u00e1, em Espanha, como c\u00e1\u2026) um decl\u00ednio demogr\u00e1fico. Decl\u00ednio que deveria preocupar, mas que, como afirma, logo a abrir o livro, \u00e9 mat\u00e9ria proibida, nas discuss\u00f5es pol\u00edticas ocidentais, denunciando que j\u00e1 n\u00e3o estamos perante uma mera factualidade de natureza fatalista (devida a causas que ultrapassam a vontade humana), mas sim perante uma intencional a\u00e7\u00e3o, pretendida e cultivada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caprile encontra as suas ra\u00edzes no cruzamento entre uma vis\u00e3o nihilista, intencionalmente cultivada [que prefere o \u2018nada\u2019 (de n\u00e3o gerar vida) ao \u2018ser\u2019 (que \u00e9 um filho); Caprile cria o termo \u2018nadifica\u00e7\u00e3o\u2019 para designar esta atitude de escolha do \u2018nada\u2019 em vez da \u2018nidifica\u00e7\u00e3o\u2019, a cria\u00e7\u00e3o do ninho para gerar vida\u2026], e ideologias apocal\u00edpticas que, a pretexto de uma suposta sobrelota\u00e7\u00e3o humana do planeta, defendem a extin\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie humana, como meio para a cura de um hipot\u00e9tico mal, de que n\u00e3o s\u00f3 se convenceram os seus pr\u00f3prios defensores, como pretenderam (com bastante sucesso, ali\u00e1s) associar, criando sentimentos de culpa, os demais humanos. Procriar \u00e9, nesta ideologia aqui denunciada, um novo \u2018pecado original\u2019 que lesa o planeta, devendo, no entender dos seus preconizadores, gerar sentimentos de culpa nos que ousam dar origem a novas vidas humanas\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 desta matriz que Caprile parte para, como que numa espiral que se vai desenovelando, constatar o papel que tem o aborto, nesta emerg\u00eancia e consolida\u00e7\u00e3o da ideologia que defende a diminui\u00e7\u00e3o da natalidade e, at\u00e9, a extin\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie humana (Caprile n\u00e3o faz afirma\u00e7\u00f5es gratuitas: retenhamos na mem\u00f3ria nomes como Corinne Maier, Paul Ehrlich ou Alan Weismann ou a designa\u00e7\u00e3o das correntes que defendem o \u2018voluntary childlessness\u2019 ou a \u2018volunt\u00e1ria extin\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie humana\u2019\u2026). Os n\u00fameros deveriam, mais uma vez, l\u00e1 como c\u00e1, fazer pensar e incomodar, mas, como bem recorda, \u2018infelizmente, acostumamo-nos ao aborto. As suas v\u00edtimas, reduzidas e tratadas como restos, como Res\u00edduos S\u00f3lidos Urbanos (RSU), n\u00e3o se veem, ficam no anonimato, sem nome com que figurar em algum registo.\u2019 (p. 26)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recordemos os n\u00fameros, para que falem por si (deixemos Caprile falar\u2026):<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Qualquer aproxima\u00e7\u00e3o intelectual ao tema da extin\u00e7\u00e3o dos filhos que pretenda ser honrada n\u00e3o pode iludir o grave tema, o <em>punctum dolens<\/em> da realidade do aborto na nossa cultura atual.\u2019 Da sua magnitude d\u00e3o conta as cifras certamente calafriantes da sua pr\u00e1tica: no nosso pa\u00eds [Espanha] o n\u00famero de abortos volunt\u00e1rios n\u00e3o desce dos 90000 por ano. Na Fran\u00e7a, as cifras atingem mais de 222000; no Reino Unido, 215000. Nos Estados Unidos, com mais de 900000, uma em cada gravidez desemboca num aborto volunt\u00e1rio. Na China, desde que come\u00e7ou a pol\u00edtica do filho \u00fanico em 1979, registaram-se mais de 336 milh\u00f5es de abortos legais, cifra que supera a popula\u00e7\u00e3o atual dos Estados Unidos. \u00c9 ocioso dizer que se esses seres humanos tivessem chegado a nascer estar\u00edamos perto da taxa de reposi\u00e7\u00e3o comentada de 2,1 filhos por mulher e, ao menos no nosso pa\u00eds, os nascimentos estariam equilibrados com as mortes, dado que n\u00e3o se reflete no discurso pol\u00edtico atual, como comprovava Blair.\u2019 (p. 25-26)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Soma \u00e0 an\u00e1lise sobre o contributo que o aborto tem neste destruir da vida humana e o seu robusto impacto num\u00e9rico e de mentalidade na crise demogr\u00e1fica uma outra linha. No terceiro cap\u00edtulo do ensaio, evidencia como est\u00e1 organizada a estrat\u00e9gia para que os fins sejam efetivos: os humanos s\u00e3o culpabilizados por terem filhos. Para a concretiza\u00e7\u00e3o deste desiderato, muito contribu\u00edram livros como <em>No kid. 40 boas raz\u00f5es para n\u00e3o ter filhos <a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><strong>[1]<\/strong><\/a>(2008)<\/em> e <em>O mundo sem n\u00f3s (2007)<\/em>. Se havia d\u00favidas sobre a intencionalidade que assiste a este processo, este cap\u00edtulo n\u00e3o as deixa sobreviver\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do mesmo modo acontece com um facto observ\u00e1vel: a prolifera\u00e7\u00e3o dos animais de estima\u00e7\u00e3o e a (quase diretamente proporcional) invers\u00e3o no n\u00famero de filhos. Caprile n\u00e3o deixa escapar essa verifica\u00e7\u00e3o: \u2018H\u00e1 uma clara correla\u00e7\u00e3o entre o decl\u00ednio demogr\u00e1fico e o aumento exponencial da aquisi\u00e7\u00e3o de animais dom\u00e9sticos, preferencialmente c\u00e3es e gatos. De facto, no nosso pa\u00eds (Espanha) h\u00e1 6265153 crian\u00e7as menores de 14 anos, enquanto o n\u00famero de animais de estima\u00e7\u00e3o registados ascende a 13 milh\u00f5es no ano em que menos nascimentos temos tido desde h\u00e1 80 anos.\u2019 (p. 53)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sua an\u00e1lise, em rela\u00e7\u00e3o aos motivos, \u00e9 particularmente interessante. \u00c9 que um animal (aparentemente) n\u00e3o desilude; um filho pode desiludir. E esse \u00e9 o risco de gerar filhos: eles s\u00e3o eles, n\u00e3o o que queremos que sejam. Um animal, enquanto ser previs\u00edvel e entregue ao instinto, n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es para a autonomia e autodetermina\u00e7\u00e3o. Mas quanto de geneticamente ou educacionalmente nosso h\u00e1 num c\u00e3o ou num gato? Quanto da depress\u00e3o coletiva pode ficar a dever-se a esta morte do futuro que redunda de termos desistido de ter filhos para os substituir por animais que nada t\u00eam de nosso?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o interroga\u00e7\u00f5es impl\u00edcitas na an\u00e1lise de Caprile que n\u00e3o podemos deixar de enfrentar\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desta, o nosso autor encaminha-se para constata\u00e7\u00e3o com profundo impacto nas rela\u00e7\u00f5es mais significativas da nossa condi\u00e7\u00e3o: esta op\u00e7\u00e3o pela extin\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie humana est\u00e1 a conduzir-nos a uma sociedade sem passado nem futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Obviamente, uma sociedade sem filhos \u00e9 uma sociedade sem pai, sem m\u00e3e, sem irm\u00e3os e, naturalmente, sem av\u00f3s. Curiosa e paradoxalmente, apesar de ser uma sociedade que conseguiu prolongar o tempo de vida, mas que est\u00e1, por decis\u00e3o sua, a impedir que esse prolongamento seja feito de humanidade e significado\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sua an\u00e1lise encaminha-se, no pen\u00faltimo cap\u00edtulo, para uma an\u00e1lise de natureza teol\u00f3gica, ao constatar que a recusa da paternidade, da filia\u00e7\u00e3o repercute a recusa da vis\u00e3o crist\u00e3 de Deus, revelado como Pai e Filho\u2026 Uma observa\u00e7\u00e3o a que o nosso autor acrescenta um desafio: o de que os discursos pastorais retomem o tema da procria\u00e7\u00e3o e da fecundidade como contributo para a realiza\u00e7\u00e3o humana, denunciando, ali\u00e1s, que \u2018o desaparecimento progressivo deste discurso nas pr\u00f3prias esferas religiosas nas \u00faltimas d\u00e9cadas, sem d\u00favida contribuiu com o seu sil\u00eancio para a grande encruzilhada em que nos encontramos.\u2019 (p. 107-108) Um repto a ter em conta\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, n\u00e3o se bastando com uma an\u00e1lise pertinente que nos exp\u00f5e um diagn\u00f3stico inquietante, Ignacio Le\u00e1niz dedica o \u00faltimo cap\u00edtulo \u00e0 formula\u00e7\u00e3o de uma proposta que, tendo em conta o seu saber como consultor, tem em conta o <em>modus cogitandi<\/em> pr\u00f3prio do mundo empresarial: sugere que, dando como certo que a demografia se repercute na criatividade empresarial e nos modelos de organiza\u00e7\u00e3o das empresas, \u00e9 preciso introduzir o crit\u00e9rio do \u2018contributo da empresa para a natalidade\u2019 como um dos crit\u00e9rios de aprecia\u00e7\u00e3o e financiamento destas\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma proposta a considerar\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que das covas onde foram escondidas as nossas crian\u00e7as possam estas ser resgatadas das \u2018garras sedutoras\u2019 dos novos flautistas de Hamelin.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou j\u00e1 teremos sido todos associados \u00e0 sua orquestra de sopros?<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Editado, em portugu\u00eas, pela Guerra e Paz, 2008.<\/p>\n<pre style=\"text-align: justify; padding-left: 80px;\"><strong>Na mesma p\u00e1gina que o autor (cita\u00e7\u00f5es)<\/strong><\/pre>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018\u00abAs civiliza\u00e7\u00f5es morrem por suic\u00eddio, n\u00e3o por assassinato.\u00bb\u2019 Arnold Toynbee (citado em ep\u00edgrafe, p. 11)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Foi j\u00e1 h\u00e1 alguns anos. Li uma entrevista ao antigo primeiro-ministro brit\u00e2nico Tony Blair, na qual declarava que havia um tema proibido na alta pol\u00edtica que, como um tabu, n\u00e3o se podia mencionar salvo em voz baixa nas cimeiras de chefes de Estado ocidentais. E se se tentava sac\u00e1-lo \u00e0 cola\u00e7\u00e3o, calavam-no educadamente. O assunto ocultado n\u00e3o era outro sen\u00e3o o do suic\u00eddio demogr\u00e1fico ocidental, que tanto alarmava j\u00e1 o pol\u00edtico brit\u00e2nico convertido posteriormente ao catolicismo. Aquela confiss\u00e3o e den\u00fancia sua pareceu-me muito significativa e, a partir da\u00ed, prestei mais aten\u00e7\u00e3o a esse fen\u00f3meno singular na Hist\u00f3ria como \u00e9 o da dr\u00e1stica queda da natalidade no nosso tempo. Esta queda sup\u00f5e um facto extraordin\u00e1rio, j\u00e1 n\u00e3o s\u00f3 no Ocidente mas no mundo inteiro: cada vez mais gente renuncia, volunt\u00e1ria e premeditadamente, a ter filhos. N\u00e3o s\u00f3 um ou dois descendentes, mas <em>nenhum<\/em>.\u2019 (p. 11)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Voltando a Espanha, as proje\u00e7\u00f5es demogr\u00e1ficas estabelecem que 40% dos jovens n\u00e3o ter\u00e3o filhos e meta n\u00e3o ser\u00e3o av\u00f3s.\u2019 (p. 13)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Um filho \u00e9 a ant\u00edtese do nada; ao nascerem homens e mulheres novos afasta-se de alguma maneira o n\u00e3o-ser [\u2026]\u2019 (p. 17)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[\u2026] o nosso s\u00e9culo XX mudou profunda e sigilosamente aquele grande pressuposto compartilhado de que o ser \u2013 neste caso, um filho \u2013 \u00e9 prefer\u00edvel e mais estim\u00e1vel do que o nada, a aus\u00eancia de ser. E \u00e9 este princ\u00edpio imemori\u00e1vel que combate e destr\u00f3i Nietzsche na segunda metade do s\u00e9culo XIX. O seu nihilismo tornar-se-\u00e1 dono do mundo ocidental na cent\u00faria seguinte.\u2019 (p. 18)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Na troca de sermos donos do nosso destino, e esta \u00e9 a grande muta\u00e7\u00e3o ocorrida, unicamente nos fica, para al\u00e9m dos deveres e fins, uma \u2018voca\u00e7\u00e3o para o nada\u2019 que sup\u00f5e o vazio que aparece quando os alicerces que sustentavam a nossa cultura ocidental se tornam ilus\u00f3rios. Mas a <em>nadifica\u00e7\u00e3o<\/em> do mundo e da vida humana atentam, como estamos a comprovar agora, contra o desejo e dever procriador, que ficam portanto em suspenso.\u2019 (p. 18-19)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018O que esta ideologia comporta n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o empobrecimento da vida humana, mas tamb\u00e9m a amea\u00e7a da sua pr\u00f3pria extin\u00e7\u00e3o.\u2019 (p. 19)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Qualquer aproxima\u00e7\u00e3o intelectual ao tema da extin\u00e7\u00e3o dos filhos que pretenda ser honrada n\u00e3o pode iludir o grave tema, o <em>punctum dolens<\/em> da realidade do aborto na nossa cultura atual.\u2019 Da sua magnitude d\u00e3o conta as cifras certamente calafriantes da sua pr\u00e1tica: no nosso pa\u00eds [Espanha] o n\u00famero de abortos volunt\u00e1rios n\u00e3o desce dos 90000 por ano. Na Fran\u00e7a, as cifras atingem mais de 222000; no Reino Unido, 215000. Nos Estados Unidos, com mais de 900000, uma em cada gravidez desemboca num aborto volunt\u00e1rio. Na China, desde que come\u00e7ou a pol\u00edtica do filho \u00fanico em 1979, registaram-se mais de 336 milh\u00f5es de abortos legais, cifra que supera a popula\u00e7\u00e3o atual dos Estados Unidos. \u00c9 ocioso dizer que se esses seres humanos tivessem chegado a nascer estar\u00edamos perto da taxa de reposi\u00e7\u00e3o comentada de 2,1 filhos por mulher e, ao menos no nosso pa\u00eds, os nascimentos estariam equilibrados com as mortes, dado que n\u00e3o se reflete no discurso pol\u00edtico atual, como comprovava Blair.\u2019 (p. 25-26)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Infelizmente, acostumamo-nos ao aborto. As suas v\u00edtimas, reduzidas e tratadas como restos, como Res\u00edduos S\u00f3lidos Urbanos (RSU), n\u00e3o se veem, ficam no anonimato, sem nome com que figurar em algum registo.\u2019 (p. 26)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Em 2008 uma psic\u00f3loga e m\u00e3e francesa, Corinne Maier, escreveu um livro emblem\u00e1tico que n\u00e3o tardou a ser traduzido em mais de 15 idiomas: <em>No kid. 40 boas raz\u00f5es para n\u00e3o ter filhos<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><strong>[1]<\/strong><\/a><\/em>. O dito manifesto de \u00abboas raz\u00f5es\u00bb contr\u00e1rias \u00e0 natalidade deu lugar \u00e0 expans\u00e3o, no Ocidente, do movimento anglo-sax\u00f3nico <em>voluntary childlessness<\/em>, \u00absem filhos voluntariamente\u00bb, capitaneado por mulheres que tinham decidido n\u00e3o ter filhos. Maier destaca como uma poderosa raz\u00e3o para tal decis\u00e3o a \u00abpegada contaminante de carbono\u00bb que sup\u00f5e a procria\u00e7\u00e3o, pegada que no nosso pa\u00eds (Espanha) sup\u00f5e de tr\u00eas a quatro toneladas de CO<sub>2<\/sub> por ano por pessoa.\u2019 (p. 39)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018A origem desta conce\u00e7\u00e3o podemos dat\u00e1-la no aparecimento, em 1968, do livro de grande impacto <em>The Population Bomb<\/em>, do bi\u00f3logo e divulgador Paul R. Ehrlich, onde se avan\u00e7ava o apocalipse ambiental e, portanto de toda a nossa civiliza\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o se reduzissem drasticamente as taxas de fertilidade. Com o \u00eaxito estrondoso do livro, o termo \u00abexplos\u00e3o demogr\u00e1fica\u00bb, carregado de dramatismo nada inocente, passava ao acervo cultural do Ocidente. Pouco depois, o Club de Roma fez suas as teses de Ehrlich no seu famoso relat\u00f3rio de 1972, t\u00e3o difundido em todos os meios, com a sua afirma\u00e7\u00e3o de que a Terra era finita e a popula\u00e7\u00e3o devia reduzir-se drasticamente. [\u2026] Mais recentemente, o bem-sucedido aparecimento em 2007 do livro de Alan Weisman <em>O mundo sem n\u00f3s<\/em> torna vis\u00edvel na imagina\u00e7\u00e3o do leitor as vantagens ambientais, especialmente no ar, fauna e flora que o fim da humanidade constituiria para o planeta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao abrigo desta nova dial\u00e9tica restritiva da nossa fertilidade, surgiu um novo conceito ps\u00edquico que d\u00e1 nome a um forte sentimento associado: o da ecoansiedade entendida como uma in\u00e9dita forma de ansiedade ligada \u00e0 inquieta\u00e7\u00e3o e ang\u00fastia que nos produz no nosso mundo emocional o desgaste e risco ambiental. [\u2026] daqui surgiu nos nossos dias uma lei demogr\u00e1fica fundamental: quanto mais consciente estiver uma pessoa sobre o impacto ambiental, maior ser\u00e1 o seu sentimento de culpa pela situa\u00e7\u00e3o em que se encontra o planeta e de rejei\u00e7\u00e3o da humanidade; de tal maneira que para procurar evitar o peso desta culpa \u2013 como se fosse um novo pecado original -, n\u00e3o gerar\u00e1 filhos contaminantes em favor da natureza.\u2019 (pp. 40-41)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018H\u00e1 uma clara correla\u00e7\u00e3o entre o decl\u00ednio demogr\u00e1fico e o aumento exponencial da aquisi\u00e7\u00e3o de animais dom\u00e9sticos, preferencialmente c\u00e3es e gatos. De facto, no nosso pa\u00eds (Espanha) h\u00e1 6265153 crian\u00e7as menores de 14 anos, enquanto o n\u00famero de animais de estima\u00e7\u00e3o registados ascende a 13 milh\u00f5es no ano em que menos nascimentos temos tido desde h\u00e1 80 anos.\u2019 (p. 53)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018O desaparecimento dos filhos parece ter ativado um mecanismo de substitui\u00e7\u00e3o a favor do animal dom\u00e9stico, que ocupa n\u00e3o s\u00f3 novos espa\u00e7os p\u00fablicos mas tamb\u00e9m que protagoniza a nossa esfera conversacional na rua e nos pequenos grupos.\u2019 (p. 54)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018A paternidade e maternidade aparecem diante da autonomia do animal de estima\u00e7\u00e3o como um disp\u00eandio de grande quantidade de energia exigida dia e noite durante os primeiros anos da crian\u00e7a. Pelo contr\u00e1rio, o animal de companhia na sua sufici\u00eancia tranquila sem prantos outorga-nos al\u00edvio, afeto e descanso. A quantidade de energia que nos exige \u00e9 m\u00ednima em compara\u00e7\u00e3o com a do filho. Digamo-lo deste modo, o animal de estima\u00e7\u00e3o d\u00e1-me enquanto o filho me pede.\u2019 (p. 56)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Um dos [efeitos antropol\u00f3gicos], e n\u00e3o menos, \u00e9 o aumento exponencial do filho \u00fanico, que comporta a extin\u00e7\u00e3o paulatina da figura do irm\u00e3o e, portanto, da viv\u00eancia biogr\u00e1fica do que a \u2018irmandade\u2019 sup\u00f5e. [\u2026] Em 1975, o n\u00famero de filhos por mulher, em Espanha, era de 2,8, o que supunha uma m\u00e9dia de tr\u00eas descendentes por fam\u00edlia. Hoje, o indicador de fecundidade em Espanha \u00e9 de 1,19, o que implica fam\u00edlias de filho \u00fanico, que atingem j\u00e1 uma percentagem de 27,6%.\u2019 (pp. 65-66)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018O desaparecimento dos filhos comporta outra diminui\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m n\u00e3o se menciona. Sem eles, extingue-se tamb\u00e9m a figura dos av\u00f3s, precisamente num momento hist\u00f3rico em que o papel do av\u00f4 se pode exercer durante muitos anos, merc\u00ea do presente da longevidade que amplia as idades do homem.\u2019 (p. 77)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018[\u2026] a crise atual da figura do pai, que explica em grande medida o atual desaparecimento dos filhos, \u00e9 uma crise da pr\u00f3pria ideia do Deus crist\u00e3o, ou, para o dizer de outro modo, sinal da sua perda. Mas tamb\u00e9m \u00e9 a crise da figura do filho, que j\u00e1 n\u00e3o consegue reconhecer a pr\u00e9-exist\u00eancia e bondade do pai, muitas vezes ausente, replica\u00e7\u00e3o do esquecimento do Filho de Deus encarnado em Jesus Cristo.\u2019 (p.90)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Face a tal declive demogr\u00e1fico que p\u00f5e em quest\u00e3o o futuro dos modelos das empresas, talvez tenha chegado o momento de ampliar a sustentabilidade organizacional, incluindo nos crit\u00e9rios ESG (principalmente nos sociais) um tipo de \u00abcontributo para a sustentabilidade populacional\u00bb que ajude a corrigir a atual configura\u00e7\u00e3o da pir\u00e2mide demogr\u00e1fica, a gravidade da sua crise e que fixe metas e objetivos com vista \u00e0 distante raz\u00e3o de reposi\u00e7\u00e3o de 2,1 que assegure a sobreviv\u00eancia. Recordemos a este prop\u00f3sito que o \u00abS\u00bb de social do ESG inclui o impacto que uma determinada empresa tem no seu contexto social, na sua comunidade, e determina com os outros crit\u00e9rios a decis\u00f5es finais dos investidores que se regem, cada vez mais pelo investimento sustent\u00e1vel e respons\u00e1vel (ISR de acordo com sigla em ingl\u00eas).\u2019 (p. 100)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018No nosso passeio, deparamo-nos agora com a <em>Bungelosenstrasse<\/em>: a rua sem tambores. Conta a tradi\u00e7\u00e3o que foi o \u00faltimo lugar por onde passou o flautista com as crian\u00e7as a 26 de junho de 1284. Da\u00ed que nela n\u00e3o se possa tocar nenhum instrumento, nem cantar ou rir, em mem\u00f3ria das crian\u00e7as roubadas \u00e0 cidade, como um luto perp\u00e9tuo, que nos refere as perdas que sup\u00f5e a extin\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as e as suas tristezas associadas. Hoje o Ocidente \u00e9 uma imensa <em>Bungelosenstrasse<\/em>, sem rufar de tambores, silenciosa e inerte, que atravessa obscuramente uma das \u00e9pocas <em>Kali<\/em> mortas, que nos ensino Ortega na sua conhecida alus\u00e3o \u00e0 mitologia hindu.\u2019 (p. 106)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018[\u2026] n\u00e3o basta o desalento quando se trata da sobreviv\u00eancia de uma civiliza\u00e7\u00e3o e talvez de toda a esp\u00e9cie humana, por mais que o desafio seja formid\u00e1vel. \u00c9 necess\u00e1rio para isso inaugurar novos cursos de a\u00e7\u00e3o que reposicionem a natalidade no gonzo do Ocidente, que era at\u00e9 agora o eixo do mundo. Algumas a\u00e7\u00f5es que poder\u00edamos iniciar bem poderiam come\u00e7ar por ser tomar consci\u00eancia plena da gravidade da nossa crise demogr\u00e1fica e do que est\u00e1 em jogo, informar-se sobre a sua profundidade e alcance, e falar pelo menos em privado dela. [\u2026] J\u00e1 apont\u00e1mos no \u00faltimo cap\u00edtulo poss\u00edveis a\u00e7\u00f5es que se podem implantar progressivamente no mundo empresarial. A principal, como j\u00e1 dissemos, seria incorporar a natalidade necess\u00e1ria no conjunto de crit\u00e9rios de sustentabilidade organizacional [\u2026].\u2019 (pp. 106-107)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018O desaparecimento progressivo deste discurso nas pr\u00f3prias esferas religiosas nas \u00faltimas d\u00e9cadas, sem d\u00favida contribuiu com o seu sil\u00eancio para a grande encruzilhada em que nos encontramos.\u2019 (p. 107-108)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Entretanto, continuamos o passeio imagin\u00e1rio pela cidade alem\u00e3 com o livro de contos dos irm\u00e3os Grimm entre m\u00e3os. Sentamo-nos junto ao Weser e relemos as suas p\u00e1ginas sobre o flautista e a sua lenda: elas referem-nos que as crian\u00e7as de Hamelin desapareceram dentro de uma cova na montanha pr\u00f3xima da cidade, Poppenberg, que ao fundo divisamos para l\u00e1 das muralhas. E acrescentam os autores irm\u00e3os de forma premonit\u00f3ria: \u00abEsta cova ainda existe\u00bb. Fechamos, pensativos, o livrito dos Grimm junto ao velho rio. Talvez tudo consista nessa precisa tarefa: descer \u00e0 cova da nossa hipermodernidade e lan\u00e7ar cordas para recuperar as crian\u00e7as perdidas, e repovoar assim o mundo minguante do Ocidente, enquanto prevenimos as consequ\u00eancias do m\u00fasico inquietante que est\u00e1 a deixar t\u00e3o desertos os nossos parques infantis, a cidade e n\u00f3s mesmos.\u2019 (p. 108)<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Editado, em portugu\u00eas, pela Guerra e Paz, 2008.<\/p>\n<hr \/>\n<h5 style=\"text-align: right;\"><strong>**(T\u00edtulo retirado de Daniel Faria, <em>Dos l\u00edquidos<\/em>, Porto, Edi\u00e7\u00e3o Funda\u00e7\u00e3o Manuel Le\u00e3o, 2000, p. 137)<\/strong><\/h5>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right;\">*Professor, Presidente da Comiss\u00e3o Diocesana da Cultura<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Autor de &#8216;Ensaios <em>de<\/em> liberdade&#8217;, &#8216;Bem-nascido&#8230; Mal-nascido&#8230; Do &#8216;filho perfeito&#8221; ao filho humano&#8217; e de &#8216;Teologia, ci\u00eancia e verdade: fundamentos para a defini\u00e7\u00e3o do estatuto epistemol\u00f3gico da Teologia, segundo Wolfhart Pannenberg&#8217;<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Foto recolhida do site das <a href=\"https:\/\/www.edicionescristiandad.es\/product\/la-extincion-de-los-hijos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ediciones Cristiandad<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rubrica \u2018Sabes, leitor,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19292,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[55,198],"tags":[],"class_list":["post-19291","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-luis-manuel-pereira-da-silva","category-sabes-leitor-que-estamos-ambos-na-mesma-pagina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19291","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19291"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19291\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19294,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19291\/revisions\/19294"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19292"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19291"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19291"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19291"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}