{"id":1911,"date":"2017-09-01T15:47:39","date_gmt":"2017-09-01T14:47:39","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=1911"},"modified":"2017-09-01T15:49:14","modified_gmt":"2017-09-01T14:49:14","slug":"domingo-xxii-mt-16-21-27-a-coragem-de-ser-cristao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/domingo-xxii-mt-16-21-27-a-coragem-de-ser-cristao\/","title":{"rendered":"Domingo XXII &#8211; Mt 16, 21-27 &#8211; A coragem de ser crist\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">DOMINGO XXII &#8211; Mt 16, 21-27<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">A CORAGEM DE SER CRIST\u00c3O<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Pe. Georgino Rocha<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O di\u00e1logo de Jesus com Pedro, em Cesareia de Filipe, \u00e9 esclarecedor e persuasivo. Manifesta um choque frontal de crit\u00e9rios em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 miss\u00e3o a realizar. Os de poder e prest\u00edgio, t\u00edpicos ainda do Antigo Testamento. E os da novidade que Jesus anuncia e que convergem no amor que leva \u00e0 doa\u00e7\u00e3o total, ao assumir a cruz da crucifix\u00e3o e morte ignominiosa. Mas afinal, da manh\u00e3 ressuscitadora, da P\u00e1scoa gloriosa.<br \/>\nSer crist\u00e3o disc\u00edpulo exige coragem e ousadia confiante, determina\u00e7\u00e3o e coer\u00eancia. Seguir Jesus \u00e9 abra\u00e7ar a sua mensagem na \u00edntegra. Tamb\u00e9m na luta contra a corrente e na defesa da humanidade, da cria\u00e7\u00e3o e do ambiente. A nossa f\u00e9, diz o Papa Francisco, ensina-nos uma forma de pensar, de sentir e de viver.<br \/>\nAcredita, ama e d\u00e1. Esta \u00e9 a batalha da vida. O mal ganha, dividindo a pessoa humana nas suas apet\u00eancias e destruindo a sua harmonia interior. Deixa-a amargurada no vazio, na pobreza da esterilidade, na sensa\u00e7\u00e3o da derrota. Mas cada um de n\u00f3s pode revoltar-se contra o mal e preferir seguir caminhos de bem, de verdade que liberta e de amor que irradia. Como Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pedro fica perplexo com o que ouve a Jesus. Contrastava tanto com o que havia experimentado. Realmente, era frustrante. Sentia-se desiludido, ele que tinha recebido t\u00e3o rasgado elogio: Feliz \u00e9s tu, filho de Jonas, por teres descoberto que eu sou o Messias; ele, o porta-voz, do grupo apost\u00f3lico, que recebe a promessa de ser o alicerce da constru\u00e7\u00e3o da Igreja e de ficar com as chaves da entrada no Reino; ele, que deixa o nome de fam\u00edlia, e aceita ser chamado de modo novo \u2013 o da miss\u00e3o que lhe \u00e9 confiada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Perante o contraste, o impulso do cora\u00e7\u00e3o leva-o a agir. A simples hip\u00f3tese do sofrimento anunciado e do enfrentamento, com os chefes religiosos e pol\u00edticos, poder conduzir \u00e0 morte de cruz, constitu\u00eda um verdadeiro tormento. Espont\u00e2neo e generoso, como era, resolve aconselhar o Mestre. Toma-o \u00e0 parte e contesta-o abertamente. A s\u00f3s, pensava, seria mais f\u00e1cil dizer-lhe tudo o que entendia ser prudente e sensato, ele que n\u00e3o largava a ideia de um Messias vitorioso, libertador, capaz de desarmar todos os seus inimigos e instaurar a nova ordem anunciada. \u00c0 medida que fala, d\u00e1 conta de que o semblante de Jesus se altera. Parece que transmite irrita\u00e7\u00e3o profunda, f\u00faria incontida. E, de facto, a resposta ouvida \u00e9 t\u00e3o \u00e1spera e dura que o surpreende completamente. Fica em sil\u00eancio, sabe Deus com que amargura, a \u201cgemer\u201d a reprimenda e a tentar ouvir as instru\u00e7\u00f5es que Jesus ia dando aos disc\u00edpulos. E por quanto tempo estas palavras o h\u00e3o-de acompanhar: P\u00f5e-te no teu s\u00edtio, n\u00e3o queiras desviar-me do caminho tra\u00e7ado, tem em conta as coisas de Deus, n\u00e3o sejas ocasi\u00e3o de esc\u00e2ndalo, retira-te, Satan\u00e1s.<br \/>\nO sofrimento de Pedro situava-se, sobretudo, a n\u00edvel moral e espiritual: sentir-se enganado, ver o futuro hipotecado, ser envolvido numa empresa com fal\u00eancia anunciada, ouvir den\u00fancias claras de desvio religioso, de n\u00e3o estar em sintonia com Deus, mas de servir as pretens\u00f5es de Satan\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus entende bem esta situa\u00e7\u00e3o e vem ilumin\u00e1-la com os ensinamentos aos disc\u00edpulos de todos os tempos. A cruz da vida \u00e9 a marca da exist\u00eancia e o distintivo do crist\u00e3o fiel. Importa compreend\u00ea-lo e saber gerir o seu potencial de energias que nos humanizam. A partir desta convic\u00e7\u00e3o, quantas pessoas n\u00e3o fizeram um percurso de aprofundamento no seu mundo interior e relacional, na descoberta e valoriza\u00e7\u00e3o das capacidades, no aproveitamento do tempo e na auto-estima, no voluntariado de todos os tipos e na entrega a Deus, no servi\u00e7o humilde das fam\u00edlias e comunidades?! A humanidade, inclusivamente o patrim\u00f3nio liter\u00e1rio, art\u00edstico e cultural, fica mais rica com a sabedoria apreendida no sofrimento e expressa nas mais diversas formas hist\u00f3ricas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cruz da vida faz parte da nossa condi\u00e7\u00e3o humana. Querer evit\u00e1-la a todo o custo \u00e9 pretender o imposs\u00edvel e renunciar a ser pessoa no desabrochar das suas potencialidades. Tantas \u00e1rvores ficam raqu\u00edticas porque n\u00e3o tiveram um vento temperado que as fustigasse para lan\u00e7arem ra\u00edzes profundas, engrossarem o tronco e expandirem a ramagem! H\u00e1 sofrimentos que representam a medida de uma vida verdadeiramente humana; constituem o companheiro inc\u00f3modo do nosso caminhar. H\u00e1 cruzes que surgem tamb\u00e9m quando damos as m\u00e3os em ac\u00e7\u00f5es e projectos que pretendem defender a vida e promover a sua qualidade para todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Saber sofrer por uma causa justa \u00e9 desafio de aprendizagem constante. A educa\u00e7\u00e3o sem o realismo da vida n\u00e3o alcan\u00e7a o seu objectivo fundamental: ajudar a pessoa a ser pessoa em todas as dimens\u00f5es. As t\u00e9cnicas est\u00e3o ao servi\u00e7o da pessoa integral. Quem quiser alcan\u00e7\u00e1-lo, ainda que progressivamente, tem de aprender a sabedoria de gerir o peso inevit\u00e1vel da cruz e o avan\u00e7o das ci\u00eancias que tendem a suavizar ou eliminar a dor.<br \/>\nUma certeza acompanha os seres humanos, disc\u00edpulos de Jesus: A pessoa amadurece na medida em que sabe renunciar \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o imediata e caprichosa dos seus desejos e impulsos, em benef\u00edcio de valores que d\u00e3o sentido nobre a um projecto de vida, coerente e solid\u00e1rio. Tomar a cruz da vida com amor de doa\u00e7\u00e3o \u00e9 garantia segura de ser crist\u00e3o a s\u00e9rio, de acolher o jeito de ser pessoa humana como Jesus, de percorrer os caminhos de Deus que nem sempre brilham nas sendas do mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DOMINGO XXII &#8211;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1912,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,13,50,14],"tags":[],"class_list":["post-1911","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-olhares","category-pe-georgino-rocha","category-temas-para-debate","post_format-post-format-image"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1911","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1911"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1911\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1914,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1911\/revisions\/1914"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1912"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1911"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1911"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1911"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}