{"id":1894,"date":"2017-08-27T23:06:18","date_gmt":"2017-08-27T22:06:18","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=1894"},"modified":"2017-08-27T23:08:13","modified_gmt":"2017-08-27T22:08:13","slug":"rosto-de-misericordia-pe-joao-monica-da-rocha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/rosto-de-misericordia-pe-joao-monica-da-rocha\/","title":{"rendered":"Rosto de Miseric\u00f3rdia &#8211; Pe. Jo\u00e3o M\u00f3nica da Rocha"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>Rosto de Miseric\u00f3rdia<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">PADRE JO\u00c3O M\u00d3NICA DA ROCHA<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Padre Jo\u00e3o M\u00f3nica da Rocha nasce em Calv\u00e3o em 1941, par\u00f3quia onde \u00e9 baptizado e vive no seio de uma fam\u00edlia amiga e generosa, frequenta os Semin\u00e1rios de Aveiro e dos Olivais, em Lisboa, e termina o curso de teologia, 1965; \u00e9 ordenado presb\u00edtero por D. Manuel de Almeida Trindade neste mesmo ano. Exerce o minist\u00e9rio em Estarreja, nos Semin\u00e1rios de Santa Joana e de Calv\u00e3o, nos Servi\u00e7os de Pastoral da Diocese, na par\u00f3quia da Ponte de Vagos e da Fonte de Ange\u00e3o; colabora com os p\u00e1rocos e \u00e9 director do Col\u00e9gio Diocesano de Nossa Senhora de Apresenta\u00e7\u00e3o que funciona em instala\u00e7\u00f5es pertencentes ao Semin\u00e1rio com o mesmo nome. Vem a falecer a 2 de Setembro de 2009, depois de um tempo atribulado de doen\u00e7a que aproveita para fazer com as suas visitas a pedagogia da outra face da vida. Entretanto, ocorrem acontecimentos de relevo na sociedade e na Igreja que deixam a sua marca na p\u00e1gina da hist\u00f3ria que o P. Jo\u00e3o vai escrevendo \u201centre as tribula\u00e7\u00f5es da vida e as consola\u00e7\u00f5es do Esp\u00edrito\u201d. Este apontamento mem\u00f3ria faz o relato de alguns epis\u00f3dios marcantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sonhos interrompidos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda estudante de filosofia no semin\u00e1rio, come\u00e7a a escrever o que a sua rica imagina\u00e7\u00e3o ia desenhando em sonhos de fantasia. Surge assim o projecto de um romance ocorrido no Brasil, pa\u00eds muito admirado pelo jovem seminarista. O enredo era tecido, ainda sem grandes floreados, por fam\u00edlias emigradas que recebiam visitas de estudantes em tempos de f\u00e9rias. E as cenas hilariantes sucediam-se, bem como o humor picante e olhares de encantar. De repente, o reitor retira-lhe o esbo\u00e7o e f\u00e1-lo desaparecer. Sem qualquer explica\u00e7\u00e3o. Fica-lhe o gosto amargo do projecto sonhado que recorda, de vez em quando, com amargura cicatrizada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era o in\u00edcio de uma \u201cveia\u201d que se revela fecunda na vida adulta, em textos de poesia e de prosa, de narrativas soltas e programadas, a prop\u00f3sito de factos educativos\u00a0 e culturais, de sauda\u00e7\u00f5es e agradecimentos em eventos assinal\u00e1veis, de homilias e outros meios de comunica\u00e7\u00e3o.\u00a0 Textos que valia a pena coligir e publicar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Servi\u00e7os Pastorais<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De Estarreja, vem para Aveiro exercer o minist\u00e9rio como director espiritual dos seminaristas e respons\u00e1vel pelos Servi\u00e7os Pastorais, em fase de reorganiza\u00e7\u00e3o funcional. O ambiente era de recep\u00e7\u00e3o do conc\u00edlio Vaticano II e da implementa\u00e7\u00e3o do Direct\u00f3rio Catequ\u00e9tico Geral, de 1971. A org\u00e2nica pastoral estava ainda com a moldura antiga; por isso, apenas servia de refer\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O esp\u00edrito da reforma vinha a ser estimulado h\u00e1 anos em encontros e assembleias, mas especialmente em cursos de renova\u00e7\u00e3o conciliar. Surge a proposta que vem a ser aprovada por D. Manuel Trindade. Era necess\u00e1rio organizar a sua implementa\u00e7\u00e3o, os respons\u00e1veis concertarem iniciativas convergentes e provocarem a participa\u00e7\u00e3o dos agentes pastorais, padres e leigos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O P. Jo\u00e3o, rec\u00e9m-chegado da vida paroquial, debate-se com dificuldades grandes que lhe proporcionaram ricas oportunidades para crescer na \u201carte\u201d delicada de conviver e encarar os desafios ocorrentes pela positiva. E assim, procedeu, at\u00e9 que o regresso de Madrid do P. Georgino Rocha e o reassumir de fun\u00e7\u00f5es diocesanas, em 1073, criam um novo espa\u00e7o \u00e0 ac\u00e7\u00e3o do P. Jo\u00e3o. E o Semin\u00e1rio de Calv\u00e3o, agora tamb\u00e9m com telescola, surge como campo de miss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Membro da Equipa Educadora e Director do Col\u00e9gio<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma equipa de padres amigos orientava a vida e o funcionamento do Semin\u00e1rio. Nela se integra o P. Jo\u00e3o em esp\u00edrito de servi\u00e7o partilhado, de grande abertura \u00e0 novidade que vai surgindo. Cresce a consciencializa\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os na vida pol\u00edtica, acentua-se a voz da cr\u00edtica \u00e0 situa\u00e7\u00e3o colonial, tamb\u00e9m de sectores da Igreja, designadamente dos movimentos oper\u00e1rios cat\u00f3licos e de alguns padres e bispos, o magist\u00e9rio pontif\u00edcio e conciliar publica documentos de grande alcance, que v\u00eam a ter forte repercuss\u00e3o na Conferencia Episcopal Portuguesa e em n\u00facleos de reflex\u00e3o crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A revolu\u00e7\u00e3o do 25 de Abril constitui o eclodir da nova consci\u00eancia. As suas consequ\u00eancias rapidamente se fazem sentir na reorganiza\u00e7\u00e3o nacional e no ambiente eclesial. A escola, os sindicatos e fam\u00edlia s\u00e3o as \u201calavancas\u201d do processo em curso. A equipa do Semin\u00e1rio sente o abalo. O P. Jo\u00e3o \u00e9 nomeado reitor por D. Manuel e, em breve, come\u00e7a a sonhar outros horizontes: o de transformar a institui\u00e7\u00e3o em Col\u00e9gio Diocesano, sonho que, mais tarde, seria amplamente acompanhado e estimulado por D. Ant\u00f3nio Marcelino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Col\u00e9gio, Escola Cat\u00f3lica de refer\u00eancia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO s\u00edmbolo do Col\u00e9gio integra elementos representativos d sua identifica\u00e7\u00e3o- entidade patronal, nome, localiza\u00e7\u00e3o; do ambiente f\u00edsico em que est\u00e1 situado \u2013 os pinheiros, a areia, o mar; e do Ide\u00e1rio \u2013\u00a0<em>Sapientia et gratia Dei super Illum.<\/em>\u00a0Esta cita\u00e7\u00e3o de Lc 2, 52 refere-se a Jesus que, em Nazar\u00e9, \u00abcrescia em sabedoria, estatura e gra\u00e7a diante de Deus e dos homens\u00bb e constitui a s\u00famula do prop\u00f3sito do Col\u00e9gio para todos os l\u00e1 trabalham, designadamente para os alunos\u201d.<a name=\"_ftnref1\"><\/a><a href=\"#_ftn1\">[1]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O P. Jo\u00e3o movimenta-se na \u00e1rea educativa com grande desenvoltura. E cultiva uma rede de contactos muito apreci\u00e1vel, sobretudo entre os que podem influenciar a marcha dos acontecimentos. A sua experi\u00eancia de autodidacta \u00e9 aprofundada no estudo e na reflex\u00e3o da filosofia e da pedagogia. Mant\u00e9m uma rela\u00e7\u00e3o de proximidade e colabora\u00e7\u00e3o com professores da Universidade de Aveiro que, frequentemente, orientam ac\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o. O Col\u00e9gio vai aumentando a sua capacidade de oferta e de qualifica\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os. E a compet\u00eancia do P. Jo\u00e3o reconhecida a outros n\u00edveis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAqui nasce e daqui se lan\u00e7a o Movimento pela liberdade de ensino e de aprendizagem em Portugal. \u2013 o MOVE, e o P. M\u00f3nica \u00e9 escolhido pelos seus pares, para 1\u00ba Director Nacional\u201d.<a name=\"_ftnref2\"><\/a><a href=\"#_ftn2\">[2]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Integra a direc\u00e7\u00e3o nacional da Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa da Escola Cat\u00f3lica (APEC) e, por ocasi\u00e3o da realiza\u00e7\u00e3o do I Congresso\u00a0 A 2003, a 2003, escreve sobre os objectivos a que se prop\u00f5e: \u201caprofundar o conhecimento da Doutrina Social da Igreja sobre a Escola Cat\u00f3lica; confrontar com esta Doutrina as realidades e pr\u00e1ticas da Escola Cat\u00f3lica em Portugal; assumir a renova\u00e7\u00e3o e os desafios que a fidelidade implica; partilhar, com outras vis\u00f5es e sistemas educativos, o nosso projecto de Escola Cat\u00f3lica, constituindo-se assim, para todos, proposta e desafio\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ponte de Vagos: A par\u00f3quia em fam\u00edlia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta par\u00f3quia nasce \u00e0 sombra do Col\u00e9gio e, praticamente, os seus p\u00e1rocos s\u00e3o directores do Col\u00e9gio. Acontece com o P. Jo\u00e3o durante muitos anos. A rela\u00e7\u00e3o de proximidade e de coopera\u00e7\u00e3o torna-se not\u00e1vel. Com m\u00fatua conveni\u00eancia. O jeito de ser pastor evidencia-se de novo. Iniciado em Estarreja atinge uma moldura muito apreci\u00e1vel em Ponte de Vagos. Jeito apoiado no trabalho pastoral das Irm\u00e3s Salesianas e em equipas de leigos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A par\u00f3quia cresce em rela\u00e7\u00f5es humanas e ambiente familiar, em participa\u00e7\u00e3o e comunidade, em aflu\u00eancia \u00e0 assembleia dominical e interesse pelo aprofundamento das raz\u00f5es da f\u00e9 eclesial. Surge a constru\u00e7\u00e3o do novo templo. Redefinem-se os \u00f3rg\u00e3os de coopera\u00e7\u00e3o. A vida, sobretudo na sua express\u00e3o jovem, adquire novo dinamismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A doen\u00e7a do P. Jo\u00e3o surge como factor de coes\u00e3o paroquial, de interesse comum, de esp\u00edrito mission\u00e1rio. E a liga\u00e7\u00e3o ao P. Ant\u00f3nio Baptista, iniciador da obra que estava na base do actual Col\u00e9gio e com fama de \u201cvirtude\u201d heroica, mais acentuava. O doente precisava do benef\u00edcio de quem podia interceder. Uma cadeia de ora\u00e7\u00e3o perpassa em muitas fam\u00edlias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conta comigo: Conto contigo. Com alegria<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este \u00e9 o lema do \u00faltimo programa escolar que o P. Jo\u00e3o elabora com a equipa respons\u00e1vel pela direc\u00e7\u00e3o do Col\u00e9gio. \u00c9 tamb\u00e9m a mensagem que se conserva, como mem\u00f3ria agradecida, na l\u00e1pide da sua sepultura. Condensa o ideal de vida que sempre o animou. Aponta a sua miss\u00e3o no C\u00e9u.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSou sua enfermeira e farei tudo o que puder por si. Confie. Sou cat\u00f3lica, catequista e ministro extraordin\u00e1rio da comunh\u00e3o. Por isso compreendo a sua situa\u00e7\u00e3o. Quero cooperar consigo at\u00e9 onde for poss\u00edvel\u201d. \u201cEst\u00e1 bem, est\u00e1 bem\u201d \u2013 balbucia ele, prestes a apagar-se. \u00c9 a \u00faltima escrita da p\u00e1gina da hist\u00f3ria da sua vida. Nela, a miseric\u00f3rdia reveste tons admir\u00e1veis: de alegria de servir, de disponibilidade para a mudan\u00e7a, de criatividade, de ousadia de sonhar e empreender, de confiar. \u201cConta comigo. Conto contigo. Com alegria\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn1\"><\/a><a href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a>\u00a0Paulo S\u00e9rgio MARGARIDO FERREIRA (coord) De Gelfa a Calv\u00e3o, p. 288<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn2\"><\/a><a href=\"#_ftnref2\">[2]<\/a>\u00a0Idem, o. c., 291<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rosto de Miseric\u00f3rdia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1895,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,13,50,15],"tags":[],"class_list":["post-1894","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-olhares","category-pe-georgino-rocha","category-rostos-de-misericorida"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1894","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1894"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1894\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1898,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1894\/revisions\/1898"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1895"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1894"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1894"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1894"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}