{"id":18822,"date":"2025-06-07T07:07:57","date_gmt":"2025-06-07T06:07:57","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=18822"},"modified":"2025-02-09T23:20:31","modified_gmt":"2025-02-09T23:20:31","slug":"sabes-leitor-18-marca-de-agua-do-livro-de-gabriele-kuby-a-geracao-abandonada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/sabes-leitor-18-marca-de-agua-do-livro-de-gabriele-kuby-a-geracao-abandonada\/","title":{"rendered":"Sabes, leitor&#8230; | 18 | Marca de \u00e1gua do livro de Gabriele Kuby, &#8216;A gera\u00e7\u00e3o abandonada&#8217;"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: right;\">Rubrica \u2018Sabes, leitor, que estamos ambos na mesma p\u00e1gina\u2019** | <em>Marca de \u00e1gua de livros que deixam marcas profundas<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Parceria:<a href=\"https:\/\/www.federacaopelavida.pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> <em>Federa\u00e7\u00e3o Portuguesa pela Vida<\/em><\/a> e<em> Comiss\u00e3o Diocesana da Cultura<\/em><\/h6>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Lu\u00eds Manuel Pereira da Silva*<\/strong><\/p>\n<pre style=\"padding-left: 80px;\"><strong>O autor e a obra<\/strong><\/pre>\n<h5 style=\"padding-left: 200px; text-align: justify;\">Gabriele Kuby, <em>A gera\u00e7\u00e3o abandonada<\/em>, Cascais, Princ\u00edpia Editora, 2021.<\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gabriele Kuby \u00e9 o que designo como uma \u2018autora-pirilampo\u2019. Caracteriza os \u2018autores-pirilampos\u2019 a capacidade de manterem intensa uma luz que lhes \u00e9 pr\u00f3pria mesmo em tempos de densa escurid\u00e3o. E, como os pirilampos, s\u00e3o escassos e correm o risco da extin\u00e7\u00e3o: a polui\u00e7\u00e3o dos tempos e lugares colocam em perigo a sua exist\u00eancia.<br \/>\nDistintamente, por\u00e9m, dos cole\u00f3pteros a que tamb\u00e9m se d\u00e1 o nome de \u2018vaga-lume\u2019, est\u00e3o muito conscientes da fragilidade em que assenta a sua exist\u00eancia.<br \/>\nGabriele Kuby bem o sabe. Est\u00e1 claramente consciente de que os tempos decadentes (e, por isso, de treva) em que vivemos se inebriam com a sua vacuidade e ufanam-se dela, sendo arrogantes e vigorosos. E, por isso, n\u00e3o teme, mas sabe como rugem as vozes que a querem silenciar.<br \/>\nKuby bem sabe de que linhas se fazem os tecidos dos teares de hoje, pois tamb\u00e9m ela, enquanto soci\u00f3loga, moveu as pe\u00e7as que enredam as l\u00e3s do novelo e constroem os h\u00e1bitos com que, hoje, se veste a humanidade.<br \/>\nMas em bom tempo dali se afastou e hoje, ap\u00f3s uma tardia convers\u00e3o ao catolicismo, no final da d\u00e9cada de noventa, tornou-se uma voz que desperta do torpor coletivo que parece ter tomado conta do mundo, em particular do ocidente.<br \/>\nOs seus livros, de que se destaca o seu \u2018a revolu\u00e7\u00e3o sexual global\u2019, secundando por este \u2018a gera\u00e7\u00e3o abandonada\u2019, poderiam ter a forma de um rel\u00f3gio de mesa-de-cabeceira, pois inquietam e acordam consci\u00eancias.<br \/>\nNeste tempo, em que as ret\u00f3ricas tornaram comum e vulgar o que \u00e9 exce\u00e7\u00e3o e pretendem excecional o que \u00e9 comum, a voz de Gabriele Kuby incomoda, porque nos coloca diante da verdade dos factos.<br \/>\nKuby \u00e9 corajosa. Sabemos (e ela tamb\u00e9m o sabe) como ousar questionar as agendas do \u2018politicamente correto\u2019, do \u2018wokismo\u2019, \u00e9 colocar-se a jeito de ser cancelado. Mas, como j\u00e1 vamos ouvindo algumas vozes recordar, se lut\u00e1mos pela liberdade, foi para nos subjugarmos a quem nos quer impor uma ideologia que nega o real e se prop\u00f5e reconstru\u00ed-lo sobre constructos mentais artificiais? Kuby n\u00e3o aceita essa subjuga\u00e7\u00e3o.<br \/>\nOusa questionar, voltar \u00e0 raiz das coisas, aos alicerces da realidade humana.<br \/>\nDesmascara as farsas e arrisca propor caminhos, em nome de uma aut\u00eantica liberdade, de uma genu\u00edna compaix\u00e3o, de uma efetiva solidariedade humana.<br \/>\nComo se, perante os taipais com que se pretende disfar\u00e7ar os efeitos de um tsunami, escolha a autenticidade dos escombros para, diante deles, reconstruir um s\u00f3lido futuro. Os taipais n\u00e3o passar\u00e3o, para Kuby, de um verniz que oculta o caos que \u00e9 preciso olhar de frente para que se possa construir uma realidade robusta.<\/p>\n<pre style=\"text-align: justify; padding-left: 80px;\"><strong>Marcas de \u00e1gua <\/strong>\r\n\r\n<strong>(o que fica depois de se deixar o livro)<\/strong><\/pre>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gabriele Kuby mostra, neste livro, grande intelig\u00eancia. Bem sabemos, por\u00e9m, que os seus \u2018n\u00e3o leitores\u2019 dir\u00e3o dela, apenas os chav\u00f5es habituais, assentes nos in\u00fameros preconceitos de quem n\u00e3o quer ousar parar para refletir. A vertigem de andar para diante, sem que saibam onde fica esse \u2018adiante\u2019, \u00e9 que os move. Kuby prop\u00f5e-se questionar se temos andado para diante ou se, pelo contr\u00e1rio, em nome do avan\u00e7ar, do progredir, nos temos desumanizado, cindido e dividido cada vez mais.<br \/>\nA resposta a esta quest\u00e3o fundamental encontramo-la no in\u00edcio e no final do livro.<br \/>\nNas \u00faltimas p\u00e1ginas, encontramos a s\u00edntese de todo o caminho feito: \u2018O mundo em que vivemos \u2013 aquele em que as crian\u00e7as nascem \u2013 pulverizou e exp\u00f4s a arbitrariedade das decis\u00f5es humanas. O que devia estar unido foi separado: o corpo da alma, o homem da mulher, a sexualidade da fertilidade, a procria\u00e7\u00e3o da sexualidade, a crian\u00e7as dos seus pais biol\u00f3gicos. N\u00e3o ter\u00e1 chegado a altura de juntarmos novamente o que deve estar junto \u2013 corpo e alma, homem e mulher, sexualidade e fertilidade, pais e filhos?\u2019 (p. 266)<br \/>\nDiante desta constata\u00e7\u00e3o se define a linha estruturante do livro: denunciar o que tem dividido o ser humano que somos, a realidade humana em que nos fazemos, propondo modos de superar essas cis\u00f5es. No seu livro, a nossa autora percorre temas como o aborto, a educa\u00e7\u00e3o sexual no contexto escolar, a equipara\u00e7\u00e3o dos m\u00faltiplos modelos de agrega\u00e7\u00e3o de pessoas \u00e0 estrutura familiar, as barrigas de aluguer, a procria\u00e7\u00e3o tecnicamente realizada, o impacto da pornografia no crescimento das novas gera\u00e7\u00f5es, as consequ\u00eancias das pol\u00edticas de facilita\u00e7\u00e3o do div\u00f3rcio, as estrat\u00e9gias de manipula\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica ao servi\u00e7o da promo\u00e7\u00e3o da teoria de g\u00e9nero, etc. O seu prisma \u00e9 o de uma autora de contexto alem\u00e3o, mas um leitor portugu\u00eas sentir\u00e1 que, l\u00e1 como c\u00e1, as linhas repetem-se\u2026<br \/>\nOs dados que recolhe (todas as suas afirma\u00e7\u00f5es est\u00e3o blindadas, pois est\u00e1 consciente de quanto os advers\u00e1rios da sua tese far\u00e3o para as descredibilizar) arrepiam. Demonstram como, em nome do individualismo que nos vem isolando cada vez mais, estamos a tornar esta gera\u00e7\u00e3o um joguete nas m\u00e3os de adultos autocentrados e que perderam o sentido da dedica\u00e7\u00e3o e do sacrif\u00edcio pelos mais novos. Importa a satisfa\u00e7\u00e3o pessoal, mesmo que ela custe o direito a ter pai e m\u00e3e ou a ser crian\u00e7a, ou a ser amado, ou a ser respeitado no direito a saber donde se vem, ou, ou, ou\u2026<br \/>\nAs p\u00e1ginas deste livro lacrimejam: vertem as l\u00e1grimas n\u00e3o derramadas, de t\u00e3o secos os sacos lacrimais de todas as v\u00edtimas de ideologias que rompem o que \u00e9 humanamente desej\u00e1vel \u2013 o direito a nascer-se num quadro de amor, seguran\u00e7a e estabilidade.<br \/>\nKuby retoma quest\u00f5es a que \u00e9 preciso regressar como na primeira hora em que se tomou de assalto a convic\u00e7\u00e3o de que eram incontorn\u00e1vel seguir a resposta ent\u00e3o adotada: como poder\u00e1 pensar-se o aborto como um direito quando em causa est\u00e1 a vida de um desprotegido humano? Como poder\u00e1 deixar-se sobrepor o direito dos pais \u00e0 felicidade no amor sem acautelar o direito dos filhos \u00e0 felicidade de viverem a seguran\u00e7a de uma fam\u00edlia originariamente constitu\u00edda? Como poder\u00e1 pretender-se assegurar um putativo direito a ter filhos quando, originariamente, deveria, sim, reconhecer-se um direito dos filhos a encontrarem nos seus pais biol\u00f3gicos o amor e o cuidado? Como poder\u00e1 pretender-se que se, tecnicamente, \u00e9 poss\u00edvel gerar um filho assim ser\u00e1 de se fazer, sem acautelar as condi\u00e7\u00f5es \u00e9tico-morais em que a possibilidade t\u00e9cnica dever\u00e1 ser concretizada? Poder fazer \u00e9 sin\u00f3nimo de ser leg\u00edtimo?<br \/>\nKuby ousa olhar para as consequ\u00eancias do que foram sendo decis\u00f5es vertiginosas, tantas vezes tomadas em contextos de press\u00e3o medi\u00e1tica e estrategicamente bem estruturadas para que n\u00e3o se tivesse tempo de pensar.<br \/>\nE olha-as sob o prisma da grande v\u00edtima de todas estas decis\u00f5es ditas \u2018progressistas\u2019: as crian\u00e7as, os filhos! Eles s\u00e3o, com efeito, a gera\u00e7\u00e3o abandonada de quem se deixou compadecer Kuby e que nos convida a que nos associemos \u00e0 sua compaix\u00e3o.<br \/>\nContra os que nos querem vender a ideia de que os compassivos s\u00e3o os que querem mudar as leis em nome de abstratas inclus\u00f5es, Gabriele Kuby fala de uma genu\u00edna compaix\u00e3o que sofre as dores reais das crian\u00e7as reais, filhas e filhos reais de fam\u00edlias reais. Fala da realidade que leis inumanas, sustentadas no individualismo e num entendimento solipsista da liberdade, fragilizaram e fragmentaram. E, de forma corajosa e gr\u00e1vida de esperan\u00e7a, Gabriele Kuby desafia como que \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o da paci\u00eancia do ourives que trabalha a filigrana: os cacos j\u00e1 se quebraram em peda\u00e7os pr\u00f3ximos da pulveriza\u00e7\u00e3o, mas, paulatinamente, ser\u00e1 poss\u00edvel reunir o que se quebrou. Este livro \u00e9 um passo importante para que tal se torne poss\u00edvel. Assim seja acompanhada a sua publica\u00e7\u00e3o com profusa leitura. Os muitos leitores de Kuby poder\u00e3o tornar-se, eles mesmos, \u2018leitores-pirilampos\u2019. E a escurid\u00e3o clarear\u00e1\u2026<\/p>\n<pre style=\"text-align: justify; padding-left: 80px;\"><strong>Na mesma p\u00e1gina que o autor (cita\u00e7\u00f5es)<\/strong><\/pre>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Na nossa sociedade, as crian\u00e7as s\u00e3o vistas em grande medida como um fardo. E ter e educar crian\u00e7as n\u00e3o \u00e9, de facto, um conto infantil. \u00c9 tarefa s\u00e9ria da vida. V\u00eam no mesmo pacote grandes alegrias e grandes sacrif\u00edcios. Durante a grande prosperidade, foi contada uma mentira a toda uma gera\u00e7\u00e3o: que o divertimento \u00e9 o sentido da vida, e que esse divertimento vem sem sacrif\u00edcio ou sofrimento. De um momento para o outro, dar \u00e0 luz destr\u00f3i esta mentida. Eis nas nossas m\u00e3os um pequenino embrulho de humanidade, completamente indefeso, totalmente dependente de amor e cuidados.\u2019 (p. 18)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Numa sociedade que coloca as necessidades dos adultos no centro, as crian\u00e7as n\u00e3o se saem muito bem.<br \/>\n\u2022 As crian\u00e7as s\u00e3o evitadas.<br \/>\n\u2022 As crian\u00e7as s\u00e3o mortas antes do nascimento se forem indesejadas.<br \/>\n\u2022 As crian\u00e7as s\u00e3o produzidas em laborat\u00f3rio se forem desejadas.<br \/>\n\u2022 As crian\u00e7as s\u00e3o enganadas sobre a sua linhagem.<br \/>\n\u2022 As crian\u00e7as s\u00e3o congelas como embri\u00f5es e usadas para investiga\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u2022 As crian\u00e7as crescem em \u00fateros de aluguer.<br \/>\n\u2022 As crian\u00e7as s\u00e3o compradas e educadas por casais do mesmo sexo.<br \/>\n\u2022 As crian\u00e7as s\u00e3o entregues nas m\u00e3os de estranhos desde a inf\u00e2ncia.<br \/>\n\u2022 As crian\u00e7as s\u00e3o sexualizadas logo desde o jardim-de-inf\u00e2ncia.<br \/>\n\u2022 As crian\u00e7as s\u00e3o confundidas sobre a sua identidade sexual.<br \/>\n\u2022 As crian\u00e7as s\u00e3o doutrinadas sexualmente desde a escola prim\u00e1ria.<br \/>\n\u2022 As crian\u00e7as s\u00e3o encorajadas a \u00abmudar\u00bb de g\u00e9nero.<br \/>\n\u2022 As crian\u00e7as s\u00e3o expostas aos smartphones.<br \/>\n\u2022 As crian\u00e7as s\u00e3o expostas \u00e0 pornografia.<br \/>\n\u2022 Imensas crian\u00e7as s\u00e3o v\u00edtimas de abuso sexual.<br \/>\n\u2022 As crian\u00e7as ficam \u00f3rf\u00e3s pelo div\u00f3rcio.<br \/>\n\u2022 As crian\u00e7as t\u00eam de crescer em fam\u00edlias destro\u00e7adas.<br \/>\n\u2022 As crian\u00e7as ficam tristes.<br \/>\n\u2022 As crian\u00e7as ficam doentes.<br \/>\n\u2022 As crian\u00e7as s\u00e3o \u00abdopadas\u00bb com Ritalina.<br \/>\n\u2022 As crian\u00e7as s\u00e3o despojadas da sua inf\u00e2ncia.<br \/>\nAs crian\u00e7as s\u00e3o o nosso futuro. As crian\u00e7as s\u00e3o humanas. As crian\u00e7as t\u00eam dignidade \u2013 logo desde o in\u00edcio.<br \/>\nVamos devolver a inf\u00e2ncia \u00e0s crian\u00e7as, e o futuro novamente a todos.\u2019 (pp. 20-21)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018O ato de procria\u00e7\u00e3o d\u00e1 prazer quer a animais, quer a seres humanos. O homem e a mulher s\u00e3o atra\u00eddos um pelo outro com uma for\u00e7a que pode ultrapassar a vontade e a raz\u00e3o, para constitu\u00edrem uma uni\u00e3o biol\u00f3gica. Mas existe uma grande diferen\u00e7a entre animais e pessoas: nos animais, essa for\u00e7a irresist\u00edvel surge durante um ciclo anual de reprodu\u00e7\u00e3o. Nas pessoas, a atra\u00e7\u00e3o sexual \u00e9 independente de um instinto imperativo de procria\u00e7\u00e3o. Isto d\u00e1 liberdade para o amor esfusiante, a alegria do desejo, os dramas de partir o cora\u00e7\u00e3o ente amor e desejo, e os abismos da pervers\u00e3o.\u2019 (p. 26)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Como pode a humanidade \u2013 n\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 a humanidade, s\u00e3o os influenciadores das tend\u00eancias ideol\u00f3gicas \u2013 comprar a ideia de que a maternidade \u00e9 um mero incidente para as mulheres, algo que se pode esquecer sem mais, e sacrificar no altar da carreira e da liberdade sexual?\u2019 (p. 30)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Se as m\u00e3es forem respeitadas, tamb\u00e9m os seus filhos ser\u00e3o respeitados. Mas esta alega\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas motivo de tro\u00e7a e rid\u00edculo entre as feministas sem filhos que lutam pelo direito ao aborto. Na Alemanha, 67% das jornalistas n\u00e3o t\u00eam filhos. N\u00e3o admira que peguem nos megafones feministas. Elas nunca foram desafiadas por filhos para deixarem de estar autocentradas. Isso n\u00e3o se aprende no redemoinho dos escrit\u00f3rios editoriais, mas no processo de afina\u00e7\u00e3o do casamento e da responsabilidade parental.\u2019 (p. 31)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Vivemos numa \u00e9poca em que a liberdade individual se tornou a virtude mais importante. Queremos reinar sobre a vida e a morte, e consideramos que isso \u00e9 absolutamente indispens\u00e1vel para a nossa liberdade. Sou eu quem decide se e quando tenho um filho \u2013 e quando n\u00e3o tenho. Os meus direitos e necessidades est\u00e3o primeiro lugar. N\u00e3o h\u00e1 nenhum ser mais importante do que eu.\u2019 (p. 33)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018A miss\u00e3o de vida da americana Margaret Sanger (1879-1966) foi controlar a fertilidade feminina. A sua motiva\u00e7\u00e3o era evitar que as classes baixas \u2013 especialmente a negra \u2013 se reproduzissem, porque a sua taxa de natalidade era mais alta do que a da classe alta branca.<br \/>\nA isso, \u00e0 ideia de tomar medidas ao n\u00edvel biol\u00f3gico para \u00abmelhorar\u00bb a ra\u00e7a humana, chama-se eugenia. Legalizar a contrace\u00e7\u00e3o e o aborto foi a miss\u00e3o de vida de Margaret Sanger. Em 1921, Sanger fundou a American Birth Control League, que em 1942 passou a denominar-se International Planned Parenthood Federation (IPPF).<br \/>\nHoje em dia, Margaret Sanger seria afastada e legalmente punida pelo seu racismo. Mas os seus m\u00e9todos e o seu desrespeito pela dignidade humana foram adotados pela IPPF, uma organiza\u00e7\u00e3o internacional que tenta reduzir a popula\u00e7\u00e3o mundial atrav\u00e9s do aborto de milh\u00f5es de crian\u00e7as. \u2019 (pp. 39-40)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018O sofrimento da conce\u00e7\u00e3o indesejada pode ser devastador. Uma mulher nesse sofrimento precisa de ajuda, e pode encontr\u00e1-la.<br \/>\nNuma cultura de um individualismo extremo, em que tudo gira em torno dos direitos e desejos das pessoas, h\u00e1 uma tenta\u00e7\u00e3o desmesurada para procurar uma sa\u00edda: \u00abLivra-te simplesmente dele, \u00e9 s\u00f3 um punhado de c\u00e9lulas, o seguro de sa\u00fade paga as despesas, depois de uns dias tudo terminou e a vida pode continuar normalmente.<br \/>\nA s\u00e9rio?<br \/>\nEis as estat\u00edsticas: todos os anos, em todo o mundo, mais de 50 milh\u00f5es de mulheres decidem matar uma crian\u00e7a no seu \u00fatero. Na Alemanha, segundo Gabinete Federal de Estat\u00edstica, 101000 mulheres fizeram-no em 2018.\u2019 (p. 50)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018A 28 de maio de 1993, o Tribunal Constitucional Federal declarou [\u2026] que:<br \/>\n\u00abO embri\u00e3o desenvolve-se enquanto pessoa, n\u00e3o para ser uma pessoa.\u00bb\u2019 (p. 53)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018A senten\u00e7a que prescreve que o aborto \u00e9 \u00abilegal mas isento de consequ\u00eancias\u00bb esvazia o Estado de Direito.\u2019 (p. 55)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Com racionaliza\u00e7\u00f5es bonitas mas sofisticadas, os tribunais de todo o mundo justificam o abandono da obriga\u00e7\u00e3o absoluta do Estado de proteger as vidas dos seus cidad\u00e3os.\u2019 (p. 56)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018A ferramenta mais importante para a confus\u00e3o mental e moral \u00e9 a distor\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica da linguagem para manipular a consciencializa\u00e7\u00e3o das pessoas.<br \/>\nUm exemplo disso \u00e9 a palavra \u00abigualdade\u00bb. Entre que pessoas \u00e9 que o aborto promove a igualdade? Entre a mulher e o homem, que n\u00e3o pode dar \u00e0 luz? A crian\u00e7a seguramente n\u00e3o obt\u00e9m a igualdade porque a vida humana lhe foi retirada.<br \/>\nE \u00ababorto\u00bb &#8211; que palavra t\u00e3o estranha! Opera como um tranquilizante mental para mascarar a realidade de uma crian\u00e7a ser morta no \u00fatero. Algo \u00e9 \u00abremovido\u00bb, a gravidez \u00e9 \u00abinterrompida\u00bb como se pudesse recome\u00e7ar, ou \u00e9 \u00abterminada\u00bb, r\u00e1pida, indolor e sem consequ\u00eancias \u2013 ou assim se faz acreditar \u00e0 mulher.<br \/>\nA cessa\u00e7\u00e3o da gravidez \u00e9 apenas uma meia-verdade. Ela cessa porque termina violentamente a vida da crian\u00e7a.<br \/>\nO \u00abtecido da gravidez\u00bb ou o \u00abpunhado de c\u00e9lulas\u00bb \u00e9 descartado. Para os pais que querem um filho, o \u00abpunhado de c\u00e9lulas\u00bb \u00e9 desde o in\u00edcio um direito ao filho. Eles celebram quando o teste de gravidez \u00e9 positivo. Radiantes de felicidade, contam \u00e0 fam\u00edlia e aos amigos que vem a caminho uma crian\u00e7a. E observam extasiados as rea\u00e7\u00f5es dos irm\u00e3os mais velhos do beb\u00e9, quando recebem a not\u00edcia \u2013 h\u00e1 d\u00fazias de v\u00eddeos no Youtube a dar conta disso. Eles mostram entusiasticamente a primeira imagem da ecografia do seu beb\u00e9: E at\u00e9 poder\u00e3o coloc\u00e1-la na porta do frigor\u00edfico, onde os filhos possam ver todos os dias o novo irm\u00e3o. Nunca lhes ocorre falar de \u00abtecido da gravidez\u00bb. E como \u00e9 intenso o sofrimento de toda a gente quando esse beb\u00e9 se perde por um aborto espont\u00e2neo!<br \/>\nA organiza\u00e7\u00e3o na Alemanha que mata estes beb\u00e9s no \u00fatero a troco de lucro, com apoio governamental, chama-se Pro Familia, apesar de na verdade, destruir as fam\u00edlias.\u2019 (pp. 58-59)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Na psicologia da comunica\u00e7\u00e3o, esta t\u00e9cnica denomina-se \u00abreenquadrar\u00bb. Quando algo \u00e9 colocado num novo enquadramento, as pessoas avaliam-no de forma diferente. O que \u00e9 negativo parece subitamente positivo. Por exemplo, um ato que pese na consci\u00eancia de algu\u00e9m com culpa \u00e9 colocado no enquadramento do \u00abdireito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o\u00bb e da \u00abescolha aut\u00f3noma\u00bb. Mas isso s\u00f3 dura at\u00e9 o ato ser realizado. O que acontece a seguir \u00e9 o que foi bem descrito por Goethe no seu livro Os anos de Aprendizagem de Wilhem Meister: \u00abDespeja-se a culpa na desafortunada pessoa e a seguir deixa-se que ela sofra a dor\u00bb. Isto caracteriza a s\u00edndrome p\u00f3s-aborto (SPA), a grave consequ\u00eancia do aborto.\u2019 (pp. 59-60)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Com a descoberta da fertiliza\u00e7\u00e3o in vitro, tornou-se tecnicamente poss\u00edvel e legalmente permitido roubar volunt\u00e1ria e intencionalmente o parentesco a uma pessoa.\u2019 (p. 73)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018A mulher, ou o casal, que recorra aos m\u00e9todos de reprodu\u00e7\u00e3o artificial embarca no que pode ser uma viagem de um ano numa montanha-russa de esperan\u00e7a, ansiedade, humilha\u00e7\u00e3o, alegria e medo, que em quatro de cada cinco casos acaba numa desilus\u00e3o profunda.\u2019 (p. 79)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Para crian\u00e7as TRA [tecnologia reprodutiva artificial], o risco de esquizofrenia e de psicose era 27% mais elevado, de ansiedade e outras perturba\u00e7\u00f5es neur\u00f3ticas como a anorexia, 37% mais elevado, de perturba\u00e7\u00f5es comportamentais, como PHDA, 40%, e de perturba\u00e7\u00f5es do desenvolvimento mental, como o autismo, 22%, quando comparadas com crian\u00e7as geradas por meios naturais.\u2019 (p. 84)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Uma crian\u00e7a gerada numa barriga de aluguer cresce sozinha e n\u00e3o \u00e9 amada num \u00fatero alugado. Anteriormente, o \u00fatero duma mulher era um local id\u00edlico e seguro, que imprimia no cora\u00e7\u00e3o humano um irreprim\u00edvel anseio por uma unidade perfeita. Para a crian\u00e7a gerada por uma barriga de aluguer, o \u00fatero \u00e9 uma masmorra escura em que n\u00e3o entra um \u00fanico raio de amor ou de antecipa\u00e7\u00e3o, porque a m\u00e3e sabe que tem de entregar a crian\u00e7a a estranhos imediatamente ap\u00f3s o nascimento. Ela tem de se formar a n\u00e3o ter qualquer relacionamento com a crian\u00e7a que freme dentro dela. Tem de refrear a alegre afei\u00e7\u00e3o, porque ela se transformaria inevitavelmente numa grande dor depois do nascimento.\u2019 (p. 87)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018A \u00cdndia, que em tempos foi a f\u00e1brica de beb\u00e9s do mundo, com 3000 cl\u00ednicas de reprodu\u00e7\u00e3o, baniu a maternidade comercial atrav\u00e9s de barrigas de aluguer em 2019, e a Tail\u00e2ndia em 2015. Mas o neg\u00f3cio \u00e9 florescente na Ucr\u00e2nia e na Rep\u00fablica Checa.\u2019 (p. 89)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Nenhuma pessoa tem direito a um filho; o filho \u00e9 que tem direito aos seus pais biol\u00f3gicos.\u2019 (p. 94)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018As mulheres podem agradecer \u00e0 \u00abliberta\u00e7\u00e3o das mulheres\u00bb o facto de apenas valerem o que o seu emprego lhes paga. Cuidar de crian\u00e7as n\u00e3o conta como trabalho. A mulher que o faz n\u00e3o recebe nenhum reconhecimento, nenhuma ajuda financeira, e nenhuma pens\u00e3o de reforma adequada, mesmo estando a fazer o trabalho mais importante de todos. N\u00e3o s\u00f3 ela d\u00e1 a vida a crian\u00e7as que v\u00e3o financiar as pens\u00f5es duma popula\u00e7\u00e3o cada vez mais envelhecida, como dela dependem o futuro de toda a sociedade, a sua mera exist\u00eancia, o desenvolvimento das duas capacidades e a sua personalidade.\u2019 (p. 113)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Cada resist\u00eancia \u00e0 doutrina\u00e7\u00e3o sexual das crian\u00e7as em idade escolar \u00e9 abafada pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, ou atribu\u00edda ao mundo obscuro dos resistentes que perderam o comboio do p\u00f3s-modernismo.\u2019 (p. 164)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018A assun\u00e7\u00e3o fundamental da nova educa\u00e7\u00e3o sexual \u00e9 a ideia de que uma crian\u00e7a \u00e9 um ser humano que desde o in\u00edcio tem direito \u00e0 atividade sexual e a experi\u00eancia de lux\u00faria tal como os adultos t\u00eam. Qualquer que seja o documento sobre educa\u00e7\u00e3o sexual abrangente [\u2026] em que se pegue, todos defendem o mesmo: uma nova pessoa sexualizada sem identidade de g\u00e9nero ou identidade familiar. Essa pessoa pode mudar de g\u00e9nero. Ele\/ela\/diverso reduz a sexualidade \u00e0 lux\u00faria f\u00edsica, desconhece limites morais para a atividade sexual, evita a procria\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da contrace\u00e7\u00e3o e do aborto, e encara o casamento de um homem com uma mulher como uma rel\u00edquia do tempo patriarcal.\u2019 (p. 164)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018A International Planned Parenthood Federation tem 151 organiza\u00e7\u00f5es filias e representa\u00e7\u00f5es em 180 pa\u00edses, e por isso imenso poder para implementar os seus programas em todo o mundo.\u2019 (p. 169)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018A \u00abliberdade de escolha\u00bb de matar um beb\u00e9 no \u00fatero da m\u00e3e \u00e9 apresentada \u00e0s mulheres e aos jovens com outra express\u00e3o codificada: \u00absa\u00fade e servi\u00e7os reprodutivos\u00bb. No obscuro jarg\u00e3o da ONU e da EU, o acesso universal aos contracetivos, o aborto e a educa\u00e7\u00e3o sexual nas escolas s\u00e3o globalmente apresentados como \u00abos n\u00edveis mais elevados de cuidados de sa\u00fade\u00bb. Mas as promessas revelam-se novamente ciladas em prol das estrat\u00e9gias dos revolucion\u00e1rios sexuais, que fazem o oposto do prometido.<br \/>\nSexo seguro \u00e9 algo que n\u00e3o existe. O sexo prom\u00edscuo levou a uma epidemia de doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis \u2013 um quarto de todas as adolescentes americanas sexualmente ativas j\u00e1 as contraiu. A gravidez tamb\u00e9m n\u00e3o pode ser evitada a 100% como um efeito secund\u00e1rio, indesej\u00e1vel do sexo, mas produz novos clientes para a ind\u00fastria abortiva.\u2019 (p. 169-170)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Os educadores sexuais normalmente chegam de fora e d\u00e3o a impress\u00e3o de serem \u00abespecialistas\u00bb, mais competentes portanto do que os professores ou os pais. Simultaneamente, apresentam-se aos estudantes como amigos, pessoas de confian\u00e7a e defensoras contra pais severos e as suas ideias morais fora de moda. Eles desviam as crian\u00e7as e os adolescentes, cujo desejo sexual foi prematuramente estimulado, para os seus objetivos contrarrevolucion\u00e1rios. Eis os seus m\u00e9todos:<br \/>\n\u2022 Descrever a sexualidade permissiva como normal e generalizada: \u00abToda a gente o faz\u00bb;<br \/>\n\u2022 Criar press\u00e3o no grupo de crian\u00e7as da mesma idade;<br \/>\n\u2022 Destruir o sentido do pudor brincando com p\u00e9nis de pl\u00e1stico, vaginas de peluche, preservativos, verbalizar processos sexuais em toda a turma, bem como pap\u00e9is sexualmente orientados e exerc\u00edcios f\u00edsicos;<br \/>\n\u2022 Descrever pormenorizadamente o comportamento sexual, por palavras, imagens e filmes;<br \/>\n\u2022 Descrever as doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis juntamente com a gravidez, como efeitos indesejados do sexo;<br \/>\n\u2022 N\u00e3o mencionar o casamento e a fam\u00edlia;<br \/>\n\u2022 Descrever estruturas familiares degeneradas como iguais;<br \/>\n\u2022 Educa\u00e7\u00e3o parit\u00e1ria: treinar e utilizar adolescentes da mesma idade para a educa\u00e7\u00e3o sexual.<br \/>\nQue ningu\u00e9m se deixe enganar pela propaganda que se refere a esta educa\u00e7\u00e3o sexual como moderna, esclarecida, \u00abcient\u00edfica\u00bb e amiga dos jovens, e aos seus oponentes como resistentes fundamentalistas.\u2019 (p. 171)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018As elites pol\u00edticas dos pa\u00edses ocidentais est\u00e3o a promover a dissolu\u00e7\u00e3o da identidade de g\u00e9nero: o Presidente americano Barack Obama disparou o foguete da fase seguinte do LGBTIQ no dia seguinte ao da legaliza\u00e7\u00e3o do \u00abcasamento\u00bb entre pessoas do mesmo sexo pelo Supremo Tribunal, a 26 de junho de 2015. E deu in\u00edcio \u00e0 \u00abbatalha das casas de banho\u00bb ao ordenar \u00e0s escolas que permitissem aos alunos transsexuais a utiliza\u00e7\u00e3o da casa de banho ou do vesti\u00e1rio que preferissem. Isto significava que um rapaz que alegasse ser uma rapariga podia meter-se no chuveiro com as raparigas, por decreto presidencial.\u2019 (p. 173)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Antes e depois da transforma\u00e7\u00e3o, a taxa de suic\u00eddio para as pessoas transg\u00e9nero \u00e9 oito vezes mais alta do que para a m\u00e9dia da popula\u00e7\u00e3o \u2013 41% versus 5%.\u2019 (p. 175)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Como \u00e9 poss\u00edvel que no per\u00edodo de apenas uns anos a destrui\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria identidade de g\u00e9nero duma pessoa \u2013 com consequ\u00eancias graves para toda a vida \u2013 se tenha tornado uma moda entre os jovens, e seja apoiada pelo Governo e pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o social? Como \u00e9 poss\u00edvel que nem os tribunais nem as autoridades m\u00e9dicas tenham intervindo, e evitado os graves preju\u00edzos para as crian\u00e7as?<br \/>\nNum manual de 65 p\u00e1ginas redigido por uma das maires firmas de advogados do mundo, juntamente com a Funda\u00e7\u00e3o Thomson Reuters (comunica\u00e7\u00e3o social) e uma organiza\u00e7\u00e3o da juventude LGBTIQ, foram delineadas estrat\u00e9gias e t\u00e1ticas para alterar a consci\u00eancia das massas, os direitos dos pais \u00e0 educa\u00e7\u00e3o dos filhos, e a legisla\u00e7\u00e3o. O documento intitula-se Only Adults? Good Practises in Legal Gender Recognition of Youth.<br \/>\nUm grande obst\u00e1culo ao direito \u00e0 livre escolha do g\u00e9nero pelas crian\u00e7as e pelos jovens s\u00e3o os direitos dos pais que recusem o seu consentimento. O manual explica t\u00e1ticas experimentadas para os grupos de lobbying evitarem o surgimento de resist\u00eancia, e a forma de implementar leis antes que a opini\u00e3o p\u00fablica saiba sequer que elas existem:<br \/>\nAjam mais depressa do que o Governo e publiquem propostas legislativas progressistas antes que o Governo o fa\u00e7a;<br \/>\nEscondam a vossa campanha atr\u00e1s da cortina de fumo doutra campanha que tenha aceita\u00e7\u00e3o em geral. Por exemplo: direitos transg\u00e9neros para as crian\u00e7as no \u00e2mbito da campanha a favor dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo;<br \/>\nEvitem relat\u00f3rios na comunica\u00e7\u00e3o social; em vez disso, fa\u00e7am lobby junto dos pol\u00edticos.<br \/>\nSe o debate entre os grupos de interesse em causa for substitu\u00eddo por estrat\u00e9gias de manipula\u00e7\u00e3o sofisticadas, e os pol\u00edticos e os ju\u00edzes estiverem dispostos a ler pela mesma cartinha, ent\u00e3o a democracia ser\u00e1 esvaziada de dentro para fora at\u00e9 que, finalmente, deixe de existir direito \u00e0 diferen\u00e7a de opini\u00e3o ou de atua\u00e7\u00e3o.\u2019 (pp. 177-178)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018\u00abse n\u00e3o lhe pedem para pagar o produto, voc\u00ea \u00e9 o produto.\u00bb\u2019 (p. 208)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018O div\u00f3rcio despeda\u00e7a as funda\u00e7\u00f5es.\u2019 (p. 222)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Porque \u00e9 que a nossa sociedade s\u00f3 considera a \u00abfelicidade\u00bb dos pais, e n\u00e3o os sofrimentos dos filhos?\u2019 (p. 222)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Porque \u00e9 que a sociedade n\u00e3o v\u00ea mal nenhum no facto de os pais esperarem que os seus filhos aguentem tudo isto, e exigirem que eles o aceitem sem se queixar? Viver doravante com apenas um progenitor; trocar de casa de duas em duas semanas; ser o pneu sobressalente numa fam\u00edlia patchwork; ter de aceitar o novo parceiro da m\u00e3e ou a nova parceira do pais mesmo quando isso lhe rasga o cora\u00e7\u00e3o\u2026<br \/>\nA resposta \u00e9 t\u00e3o simples como dissimulada: para que o problema da culpa nunca seja levantado. Muitos estados norte-americanos eliminaram o princ\u00edpio do div\u00f3rcio culposo por volta de 1970. Na Alemanha, basta que um casal viva separado durante um ano; depois disso, um dos parceiros pode obter o div\u00f3rcio mesmo contra a vontade do outro.\u2019 (p. 223)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Se olharmos para o contexto da fam\u00edlia nos grupos de risco, a imagem \u00e9 ainda mais dr\u00e1stica. A grande maioria dessas crian\u00e7as e desses adolescentes em sofrimento vem de fam\u00edlias sem pai:<br \/>\n63% de suic\u00eddios juvenis;<br \/>\n76% de abandono escolar;<br \/>\n74% de gravidez na adolesc\u00eancia;<br \/>\n90% de fugas de casa e de crian\u00e7as sem casa;<br \/>\n70% de adolescentes em estabelecimentos estatais;<br \/>\n85% de jovens a partilharem casa;<br \/>\n75% de jovens em centros de reabilita\u00e7\u00e3o do consumo de drogas;<br \/>\n88% de crian\u00e7as e adolescentes com problemas de inser\u00e7\u00e3o.\u2019 (p. 238)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018A fam\u00edlia \u00e9 anterior ao Estado. O Estado depende da fam\u00edlia, e n\u00e3o o contr\u00e1rio.\u2019 (p. 248)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Qualquer fam\u00edlia saud\u00e1vel \u00e9 luz e sal no mundo. Qualquer jovem saud\u00e1vel \u00e9 uma pedra viva para o futuro.\u2019 (p. 251)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018O mundo em que vivemos \u2013 aquele em que as crian\u00e7as nascem \u2013 pulverizou e exp\u00f4s a arbitrariedade das decis\u00f5es humanas. O que devia estar unido foi separado: o corpo da alma, o homem da mulher, a sexualidade da fertilidade, a procria\u00e7\u00e3o da sexualidade, a crian\u00e7as dos seus pais biol\u00f3gicos. N\u00e3o ter\u00e1 chegado a altura de juntarmos novamente o que deve estar junto \u2013 corpo e alma, homem e mulher, sexualidade e fertilidade, pais e filhos?\u2019 (p. 266)<\/p>\n<hr \/>\n<h5 style=\"text-align: right;\"><strong>**(T\u00edtulo retirado de Daniel Faria, <em>Dos l\u00edquidos<\/em>, Porto, Edi\u00e7\u00e3o Funda\u00e7\u00e3o Manuel Le\u00e3o, 2000, p. 137)<\/strong><\/h5>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right;\">*Professor, Presidente da Comiss\u00e3o Diocesana da Cultura<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Autor de &#8216;Ensaios <em>de<\/em> liberdade&#8217;, &#8216;Bem-nascido&#8230; Mal-nascido&#8230; Do &#8216;filho perfeito&#8221; ao filho humano&#8217; e de &#8216;Teologia, ci\u00eancia e verdade: fundamentos para a defini\u00e7\u00e3o do estatuto epistemol\u00f3gico da Teologia, segundo Wolfhart Pannenberg&#8217;<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Foto recolhida do site da <a href=\"https:\/\/www.principia.pt\/product\/a-geracao-abandonada\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Princ\u00edpia Editora<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rubrica \u2018Sabes, leitor,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":18823,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[55,198],"tags":[],"class_list":["post-18822","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-luis-manuel-pereira-da-silva","category-sabes-leitor-que-estamos-ambos-na-mesma-pagina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18822","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18822"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18822\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18824,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18822\/revisions\/18824"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18823"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18822"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18822"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18822"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}