{"id":18722,"date":"2025-04-07T07:07:53","date_gmt":"2025-04-07T06:07:53","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=18722"},"modified":"2025-02-09T12:34:31","modified_gmt":"2025-02-09T12:34:31","slug":"sabes-leitor-16-marca-de-agua-do-livro-de-luis-gonzalez-carvajal-ideas-y-creencias-del-hombre-actual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/sabes-leitor-16-marca-de-agua-do-livro-de-luis-gonzalez-carvajal-ideas-y-creencias-del-hombre-actual\/","title":{"rendered":"Sabes, leitor&#8230; | 16 | Marca de \u00e1gua do livro de Luis Gonz\u00e1lez-Carvajal, &#8216;Ideas y creencias del hombre actual&#8217;"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: right;\">Rubrica \u2018Sabes, leitor, que estamos ambos na mesma p\u00e1gina\u2019** | <em>Marca de \u00e1gua de livros que deixam marcas profundas<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Parceria:<a href=\"https:\/\/www.federacaopelavida.pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> <em>Federa\u00e7\u00e3o Portuguesa pela Vida<\/em><\/a> e<em> Comiss\u00e3o Diocesana da Cultura<\/em><\/h6>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Lu\u00eds Manuel Pereira da Silva*<\/strong><\/p>\n<pre style=\"padding-left: 80px;\"><strong>O autor e a obra<\/strong><\/pre>\n<h5 style=\"padding-left: 200px; text-align: justify;\">Luis Gonz\u00e1lez-Carvajal, <em>Ideas y creencias del hombre actual<\/em>, Santander, Editorial Sal Terrae, 1993.<\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No contexto espanhol, os livros de Luis Gonz\u00e1lez-Carvajal v\u00eam com selo de sucesso. S\u00e3o aut\u00eanticos \u2018acontecimentos\u2019 editoriais. Infelizmente, por\u00e9m, em Portugal, n\u00e3o abundam t\u00edtulos seus traduzidos. Na minha biblioteca pessoal, s\u00f3 encontro \u2018os crist\u00e3os num Estado laico\u2019, editado pela extinta Gr\u00e1fica de Coimbra 2, a que somo t\u00edtulos que traduzo do castelhano: \u2018As bem-aventuran\u00e7as, uma contracultura que humaniza\u2019 (2014), \u2018Not\u00edcias de Deus\u2019 (1997), \u2018Em defesa dos humilhados e ofendidos: os direitos humanos ante a f\u00e9 crist\u00e3\u2019 (2005), \u2018O clamor dos exclu\u00eddos: reflex\u00f5es crist\u00e3s inelud\u00edveis sobre os ricos e os pobres\u2019 (2009) e, naturalmente, \u2018Ideas y creencias del hombre actual\u2019 (Sigo a 3.\u00aa edi\u00e7\u00e3o, de 1993, mas uma consulta r\u00e1pida ao site da <a href=\"https:\/\/gcloyola.com\/p\/salterrae\/presencia-social\/ideas-y-creencias-del-hombre-actual\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">editora Sal Terrae<\/a> permite perceber que o livro j\u00e1 se encontra na 6.\u00aa edi\u00e7\u00e3o. A capa que ilustra esta recens\u00e3o \u00e9 dessa \u00faltima edi\u00e7\u00e3o: muito bem conseguida, por sinal. A condi\u00e7\u00e3o humana, na p\u00f3s-modernidade, est\u00e1 como que pendurada por molas!). Todos editados pela Sal Terrae.<br \/>\nA biografia de Luis Gonz\u00e1lez-Carvajal conjuga uma s\u00f3lida estatura intelectual (\u00e9 doutor em Teologia e professor em diversos centros teol\u00f3gicos, entre os quais se destaca a Universidade Pontif\u00edcia de Comillas) com um experiente envolvimento na realidade onde \u2018acontece\u2019 a vida. \u00c9 engenheiro superior de Minas e foi, secret\u00e1rio-geral da C\u00e1ritas Espanhola, sendo presb\u00edtero cat\u00f3lico. Conjuga, por isso, um enraizamento na vida com uma dedicada e estruturada reflex\u00e3o que se repercute na sua escrita. Quem o l\u00ea reconhece, por um lado, a organiza\u00e7\u00e3o do seu pensamento e a clareza de ideias, associadas a uma repercuss\u00e3o frequente dos dados com que se apresenta a realidade. Os seus livros s\u00e3o sempre enriquecidos pela multiplicidade de fontes que cita (dos contempor\u00e2neos aos cl\u00e1ssicos), mas tamb\u00e9m por dados que nos facultam a sociologia e os relat\u00f3rios de organiza\u00e7\u00f5es que trabalham nos terrenos abordados.<br \/>\n\u2018Ideas e creencias del hombre actual\u2019 foi o primeiro livro que me deu acesso ao seu pensamento. Adquiri-o em 26 de fevereiro de 1994. Diz-mo o registo que fiz, na primeira p\u00e1gina. Era, ainda, recente, a minha descoberta do conceito de \u2018p\u00f3s-modernidade\u2019, ideia que me fora apresentada pelos meus companheiros de descobertas intelectuais, ainda hoje peregrinos, comigo, do saber que se autentica na busca da verdade: o Ant\u00f3nio Jorge e o Pedro Jos\u00e9, hoje, diretor do jornal diocesano, Correio do Vouga, e padre da Diocese de Aveiro, respetivamente.<br \/>\nEntusiasmados com a polissemia do termo que, apesar de j\u00e1 ter mais de uma d\u00e9cada, desde que o transpusera, em 1979, para a filosofia Jean-Fran\u00e7ois Lyotard, no seu \u2018a condi\u00e7\u00e3o p\u00f3s-moderna\u2019, ia demorando a ser recebido pelos diversos \u00e2mbitos da reflex\u00e3o e do pensamento, decidimo-nos a assumi-lo como categoria interpretativa do nosso tempo. E o entusiasmo foi tal que, com o meu amigo Pedro Jos\u00e9, com quem desenovelei in\u00fameras conversas intelectualmente gratificantes, ponderei criar um esbo\u00e7o de site onde o termo fosse pretexto para hiperliga\u00e7\u00f5es (a ideia era ainda muito imberbe e algo ing\u00e9nua; est\u00e1vamos nos prim\u00f3rdios da internet\u2026) para outros temas. O site n\u00e3o surgiu, mas o projeto veio a dar um artigo publicado, a quatro m\u00e3os, no n\u00famero 7 da revista de Teologia, \u2018Dabar\u2019 (em hebraico, significa \u2018Palavra\u2019). O t\u00edtulo era ambicioso: \u2018o essencial sobre a p\u00f3s-modernidade\u2019. N\u00e3o nos prop\u00fanhamos menos. O essencial faz parte da ess\u00eancia de algo, do que define a identidade de um ente. E l\u00e1 est\u00e1, abundantemente, o pensamento de Luis Gonzalez-Carvajal, e, concretamente, o livro que, agora, nos d\u00e1 pretexto para este encontro \u2018na mesma p\u00e1gina\u2019.<\/p>\n<pre style=\"text-align: justify; padding-left: 80px;\"><strong>Marcas de \u00e1gua <\/strong>\r\n\r\n<strong>(o que fica depois de se deixar o livro)<\/strong><\/pre>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Ideas y creencias del hombre actual\u2019 marcou-me, profundamente, como j\u00e1 aludi, acima. E, ao ler-se o \u2018p\u00f3rtico\u2019 com que o autor abre o livro, percebe-se porqu\u00ea. Encontrei, aqui, uma das primeiras e mais luminosas leituras dos \u2018paradigmas\u2019 mentais que condicionam o agir dos nossos contempor\u00e2neos (e, entre eles, bem certo, n\u00f3s mesmos!).<br \/>\nGonz\u00e1lez-Carvajal n\u00e3o esconde ao que vai e o que leva. Di-lo, logo nesse p\u00f3rtico de abertura, como \u00e1trio com que se acede a uma catedral. Escreve da sua perspetiva crist\u00e3 e dirige-se \u00e0queles que pretendem proporcionar um encontro entre cristianismo e cultura contempor\u00e2nea.<br \/>\nNada melhor do que a verdade! Dizer-se ao que se vai esclarece o leitor e coloca-o num registo de honesta rela\u00e7\u00e3o com o livro.<br \/>\nMas, por ser um livro profundamente \u2018situado\u2019, n\u00e3o perde for\u00e7a. Ousaria mesmo dizer que a ganha com essa honestidade, pois assegura as condi\u00e7\u00f5es para que n\u00e3o seja um \u2018livro ass\u00e9tico\u2019, que, de t\u00e3o esterilizado para n\u00e3o ser contaminado, ser torna est\u00e9ril.<br \/>\nCom estes pressupostos, o autor organiza o livro em nove partes que se repartem em tr\u00eas grandes blocos. Uma das partes servir\u00e1 de introdu\u00e7\u00e3o, estabelecendo o estreito nexo entre cristianismo e cultura e associando, a partir da encarna\u00e7\u00e3o, o primeiro ao segundo. A cultura n\u00e3o \u00e9, de todo, indiferente ao cristianismo, religi\u00e3o nascida, precisamente, a encarna\u00e7\u00e3o de Deus: a condi\u00e7\u00e3o humana interessa a Deus!<br \/>\nAs seis partes seguintes constituem a segunda parte do livro, toda ela dedicada \u00e0 an\u00e1lise da modernidade, que ele faz gravitar em torno de seis vetores fundamentais: a seculariza\u00e7\u00e3o, a mentalidade cient\u00edfico-t\u00e9cnica, a vontade emancipat\u00f3ria, a f\u00e9 no progresso, a toler\u00e2ncia e o esp\u00edrito capitalista-burgu\u00eas.<br \/>\nPor fim, nas duas \u00faltimas partes, descreve a sua an\u00e1lise sobre o que ser\u00e1 a p\u00f3s-modernidade.<br \/>\nSurpreendeu-me, ent\u00e3o, neste livro, n\u00e3o apenas a enorme coes\u00e3o interna do livro, desenvolvido como que em espiral, em que as partes se desenrolam como novelo coerente, mas principalmente a tipifica\u00e7\u00e3o da modernidade e, em contraste, a p\u00f3s-modernidade. Antes de olharmos para o modo como a faz esta tipifica\u00e7\u00e3o, \u00e9 digno de constata\u00e7\u00e3o o cuidado que ele tem em assegurar-nos que as tipifica\u00e7\u00f5es que faz s\u00e3o \u2018abstra\u00e7\u00f5es\u2019. Como ele mesmo diz, \u2018em nenhum lugar do mundo existem indiv\u00edduos modernos ou p\u00f3s-modernos em toda a sua pureza conceptual. A descri\u00e7\u00e3o que pretendo fazer corresponde ao que Mas Weber chamou tipos ideais\u2019. (p.10) Esta ideia revisitei-a, muitas vezes, e germinou, em mim, criando as condi\u00e7\u00f5es para conceber o que, mais tarde, \u2018tipifiquei\u2019, inspirado em Thomas Khun, nos \u2018paradigmas bio\u00e9ticos\u2019: quadros mentais que servem de matriz orientadora para as decis\u00f5es e op\u00e7\u00f5es fundamentais coletivas e individuais. Ora, \u00e9 a estas \u2018abstra\u00e7\u00f5es\u2019 que Gonz\u00e1lez-Carvajal se dedica, ao longo deste livro, tra\u00e7ando as marcas identificativas da modernidade e p\u00f3s-modernidade no viver contempor\u00e2neo. Bem certo que, nas ruas percorridas pelos nossos contempor\u00e2neos, deslizam rios de modernidade e p\u00f3s-modernidade, muitas vezes misturados, mas perceb\u00ea-los ajudada a melhor compreender para onde se encaminham e de que \u00e1guas se far\u00e1 a sua foz.<br \/>\n\u00c0 clareza dos seis tra\u00e7os com que tipificou a modernidade (que acima enunciei) somei uma descoberta que n\u00e3o mais deixei de revisitar: o salto da modernidade para a p\u00f3s-modernidade pode concentrar-se em torno de um pulo aglutinador \u2013 da racionalidade moderna para a \u2018sensibilidade\u2019 e afetividade p\u00f3s-moderna.<br \/>\nRecordo-me de qu\u00e3o luminoso senti que era esta s\u00edntese que o autor aglutina em torno de dois mitos cl\u00e1ssicos fundamentais: o homem moderno \u00e9 como Prometeu (luta, revolta-se, angustia-se\u2026); o homem p\u00f3s-moderno desistiu de lutar, de se revoltar e angustiar; como Narciso, desistiu da luta e inebria-se com a sua imagem. Deslocou o seu foco do que lhe dizia a Raz\u00e3o para se bastar em seguir o que lhe apontam os afetos, a sua sensibilidade. De Prometeu a Narciso\u2026 A\u00ed estamos! E, vinte anos volvidos, a an\u00e1lise de Carvajal \u00e9 mais atual do que nunca. Narciso desalojou Prometeu e habita, satisfeito, as moradas onde j\u00e1 n\u00e3o deixa morar qualquer ang\u00fastia. Se alguma quiser ousar emergir, ele encarrega-se de a afogar nas \u00e1guas onde se reflete o seu rosto com que se satisfaz.<\/p>\n<pre style=\"text-align: justify; padding-left: 80px;\"><strong>Na mesma p\u00e1gina que o autor (cita\u00e7\u00f5es)<\/strong><\/pre>\n<p>\u2018Richard Niebuhr prop\u00f5e cinco modelos de rela\u00e7\u00e3o entre a f\u00e9 e a cultura. Talvez possamos reduzi-los a tr\u00eas:<\/p>\n<ol>\n<li>A f\u00e9 despreza a cultura.<\/li>\n<\/ol>\n<p>[\u2026]<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>A f\u00e9 identifica-se com a cultura.<\/li>\n<\/ol>\n<p>[\u2026]<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li>A f\u00e9 dialoga com a cultura. (Na minha opini\u00e3o, o \u00fanico correto)<\/li>\n<\/ol>\n<p>[\u2026]<\/p>\n<p>O di\u00e1logo entre a f\u00e9 e a cultura deve inspirar-se na encarna\u00e7\u00e3o do Verbo. Com efeito, com aquele acontecimento, que poder\u00edamos chamar \u00abfundacional\u00bb da nossa f\u00e9, inaugurou-se uma nova economia salvadora baseada no encontro e no interc\u00e2mbio.<\/p>\n<p>A encarna\u00e7\u00e3o consta de um duplo movimento, de descida e de subida: o Filho de Deus faz-se homem (descida), n\u00e3o para que haja mais um homem, mas antes para que os homens se tornem filhos de Deus (subida); [\u2026].\u2019 (pp. 26-29)<\/p>\n<p>\u2018[\u2026] a f\u00e9 crist\u00e3 n\u00e3o pode ligar a sua sorte em exclusivo a uma cultura hist\u00f3ria sem o risco de desaparecerem juntas.\u2019 (p. 32)<\/p>\n<p>\u2018[\u2026] \u00e9 isto aquilo a que cham\u00e1mos seculariza\u00e7\u00e3o: a tarefa de legitimar a autoridade passou \u00abda Igreja para o mundo\u00bb.\u2019 (p. 45)<\/p>\n<p>\u2018[\u2026] aceitamos a seculariza\u00e7\u00e3o mas repudiamos o secularismo; entendendo por \u00absecularismo\u00bb uma seculariza\u00e7\u00e3o que foi mais longe do que \u00e9 devido.\u2019 (p. 50)<\/p>\n<p>\u2018Suponho que n\u00e3o seja necess\u00e1rio torn\u00e1-lo claro, mas fa\u00e7o-o para alguma eventualidade: uma coisa \u00e9 lamentar a mutila\u00e7\u00e3o a que nos conduziu o positivismo, e outra coisa muito distinta repudiar a ci\u00eancia moderna.\u2019 (p. 74)<\/p>\n<p>\u2018Durante muito tempo, foi um lugar-comum afirmar que a modernidade constitu\u00eda a \u00abera da raz\u00e3o\u00bb. Mas essa \u00abraz\u00e3o\u00bb n\u00e3o \u00e9 j\u00e1 a raz\u00e3o dos fil\u00f3sofos, sem sequer a dos homens que cultivam a ci\u00eancia pura, mas sim a raz\u00e3o dos t\u00e9cnicos; essa que Horkheimer batizou como \u00abraz\u00e3o instrumental\u00bb. [\u2026] assim \u00e9 o homem tecnol\u00f3gico: um homem sem interroga\u00e7\u00f5es, sem perguntas \u00faltimas. Basta-lhe saber onde est\u00e1 o bot\u00e3o.\u2019 (p. 77)<\/p>\n<p>\u2018[\u2026] a raz\u00e3o instrumental fez estragos tamb\u00e9m no \u00e2mbito da f\u00e9. Que lugar ter\u00e3o a ora\u00e7\u00e3o, a contempla\u00e7\u00e3o e a vida interior numa civiliza\u00e7\u00e3o utilit\u00e1ria e pragm\u00e1tica?\u2019 (p. 82)<\/p>\n<p>\u2018O que propugnamos \u00e9, simplesmente, o controlo do homem sobre a t\u00e9cnica. A t\u00e9cnica \u00e9 um meio e, como tal, suscet\u00edvel de ser posta ao servi\u00e7o de fins muito diversos: bons ou maus. Por isso se p\u00f4de falar do \u00abelemento demon\u00edaco da t\u00e9cnica\u00bb que n\u00e3o radica na pr\u00f3pria t\u00e9cnica, mas sim na insuficiente educa\u00e7\u00e3o para o uso racional e controlado da mesma. [\u2026]\u2019 (p. 83)<\/p>\n<p>\u2018Algu\u00e9m disse que os antigos tinham fins, mas n\u00e3o meios; enquanto n\u00f3s temos meios, mas n\u00e3o fins.\u2019 (p. 83)<\/p>\n<p>[\u2026] como que parece que a t\u00e9cnica deixou de ser um conjunto de meios para se converter num fim em si mesma.\u2019 (p. 84)<\/p>\n<p>\u2018O juda\u00edsmo, primeiro, e o cristianismo, depois, com a sua conce\u00e7\u00e3o linear do tempo, estabeleceram as bases para que pudesse desenvolver-se a no\u00e7\u00e3o de progresso. A hist\u00f3ria j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 condenada a repetir-se infinitas vezes, mas percorre-se uma s\u00f3 vez, tendo um momento inicial (cria\u00e7\u00e3o) e um momento final (parusia).\u2019 (p. 113)<\/p>\n<p>\u2018O bem e o mal crescer\u00e3o juntos at\u00e9 que o ju\u00edzo final os separe.<\/p>\n<p>O crist\u00e3o, por isso, deve tornar-se porta-voz das v\u00edtimas do progresso e proclamar nos alegres sal\u00f5es aos quais aludia Taine que nem tudo vai bem.\u2019 (p. 124)<\/p>\n<p>\u2018A toler\u00e2ncia \u00e9 boa, n\u00e3o porque n\u00e3o haja verdade objetiva e porque as decis\u00f5es a tomar devam ser necessariamente um compromisso entre uma variedade de opini\u00f5es, mas sim porque h\u00e1 verdade objetiva, e o melhor modo de se acercar dela \u00e9 o di\u00e1logo livre.\u2019 (p. 135)<\/p>\n<p>\u2018O esp\u00edrito capitalista-burgu\u00eas caracteriza-se [\u2026] por uma mentalidade calculadora que procura reduzir o mundo a cifras, com uma certa tend\u00eancia para confundir o grande com o grandioso.\u2019 (p. 142)<\/p>\n<p>\u2018Podemos dizer que a individualidade foi a grande conquista da burguesia, e o individualismo o seu grande pecado.\u2019 (p. 145)<\/p>\n<p>\u2018Os homens modernos gostavam de se identificar com Prometeu, que, desafiando a ira de Zeus, trouxe \u00e0 terra o fogo do c\u00e9u, desencadeando o progresso da humanidade. [\u2026] Os p\u00f3s-modernos, esquecendo-se da sociedade, concentram todas as suas energias na realiza\u00e7\u00e3o pessoal. Hoje \u00e9 poss\u00edvel vier sem ideais. [\u2026] Com toda a raz\u00e3o, fizeram notar muitos observadores que o s\u00edmbolo da p\u00f3s-modernidade j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 Prometeu nem S\u00edsifo, mas sim Narciso, o que, enamorado de si mesmo, n\u00e3o tem olhos para o mundo exterior.\u2019 (p. 161.162.163)<\/p>\n<p>\u2018[\u2026] a p\u00f3s-modernidade \u00e9 uma rea\u00e7\u00e3o unilateral diante das unilateralidades que tinha a modernidade.\u2019 (p. 179)<\/p>\n<p>\u2018[\u2026] o sujeito p\u00f3s-moderno reduz-se a pura maquilhagem, sem identidade pessoal.\u2019 (p. 185)<\/p>\n<p>\u2018A sensibilidade p\u00f3s-moderna convida-nos a recuperar as dimens\u00f5es festivas da f\u00e9.\u2019 (p. 189)<\/p>\n<hr \/>\n<h5 style=\"text-align: right;\"><strong>**(T\u00edtulo retirado de Daniel Faria, <em>Dos l\u00edquidos<\/em>, Porto, Edi\u00e7\u00e3o Funda\u00e7\u00e3o Manuel Le\u00e3o, 2000, p. 137)<\/strong><\/h5>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right;\">*Professor, Presidente da Comiss\u00e3o Diocesana da Cultura<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Autor de &#8216;Ensaios <em>de<\/em> liberdade&#8217;, &#8216;Bem-nascido&#8230; Mal-nascido&#8230; Do &#8216;filho perfeito&#8221; ao filho humano&#8217; e de &#8216;Teologia, ci\u00eancia e verdade: fundamentos para a defini\u00e7\u00e3o do estatuto epistemol\u00f3gico da Teologia, segundo Wolfhart Pannenberg&#8217;<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Foto recolhida do site da <a href=\"https:\/\/gcloyola.com\/p\/salterrae\/presencia-social\/ideas-y-creencias-del-hombre-actual\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Editorial Sal Terrae<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rubrica \u2018Sabes, leitor,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":18723,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[55,198],"tags":[],"class_list":["post-18722","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-luis-manuel-pereira-da-silva","category-sabes-leitor-que-estamos-ambos-na-mesma-pagina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18722","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18722"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18722\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18818,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18722\/revisions\/18818"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18723"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18722"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18722"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18722"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}