{"id":1868,"date":"2017-08-21T14:51:43","date_gmt":"2017-08-21T13:51:43","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=1868"},"modified":"2017-08-21T14:51:43","modified_gmt":"2017-08-21T13:51:43","slug":"xxi-domingo-do-tempo-comum-ano-a","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/xxi-domingo-do-tempo-comum-ano-a\/","title":{"rendered":"XXI Domingo do Tempo Comum (Ano A)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">Pe. Franclim Pacheco<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-1869 aligncenter\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/XXI-Domingo-Tempo-Comum.jpg\" alt=\"\" width=\"530\" height=\"481\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/XXI-Domingo-Tempo-Comum.jpg 474w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/XXI-Domingo-Tempo-Comum-300x272.jpg 300w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/XXI-Domingo-Tempo-Comum-331x300.jpg 331w\" sizes=\"auto, (max-width: 530px) 100vw, 530px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Breve coment\u00e1rio<br \/>\nO texto deste domingo pode dividir-se claramente em duas partes: o di\u00e1logo de Jesus com os disc\u00edpulos que culmina com a solene profiss\u00e3o de Pedro e a declara\u00e7\u00e3o de Jesus acerca de Pedro.<br \/>\nJesus faz uma esp\u00e9cie de sondagem acerca da sua identidade: \u00abQuem dizem os homens que \u00e9 o Filho do Homem?\u00bb. A resposta dos disc\u00edpulos, que referem a opini\u00e3o das pessoas, elenca quatro modelos interpretativos da figura e actividade de Jesus. \u00c9 identificado com Jo\u00e3o, o Baptista, nos ambientes da corte de Herodes Antipas (cf. Mt 14,2); a figura de Elias \u00e9 usada pelo pr\u00f3prio Jesus para apresentar a figura de Jo\u00e3o Baptista (Mt 11,14); o profeta Jeremias, profeta da crise e da destrui\u00e7\u00e3o do primeiro templo, representa o destino de Jesus, o profeta contestado na sua p\u00e1tria (Mt 13,57).<br \/>\nA resposta \u00e0 segunda pergunta de Jesus, que interpela os disc\u00edpulos, \u00e9 dada por \u00abSim\u00e3o Pedro\u00bb, designa\u00e7\u00e3o que prepara a interven\u00e7\u00e3o de Jesus: \u00ab\u00c9s feliz, Sim\u00e3o\u2026 Tu \u00e9s Pedro\u00bb. A declara\u00e7\u00e3o messi\u00e2nica de Pedro j\u00e1 foi em parte antecipada na profiss\u00e3o de f\u00e9 dos disc\u00edpulos que acolhem Jesus no barco depois do misterioso encontro nocturno sobre o lago (Mt 14,33). A formula\u00e7\u00e3o posta na boca de Pedro \u00e9 uma s\u00edntese da f\u00e9 eclesial: Jesus \u00e9 o Cristo e o Filho de Deus vivo. O t\u00edtulo de Cristo (Messias) \u00e9 assim esclarecido com a denomina\u00e7\u00e3o caracter\u00edstica da comunidade de Mateus: \u00abFilho de Deus\u00bb. Ele \u00e9 o Eleito, o enviado definitivo de Deus para realizar o seu projecto salv\u00edfico na hist\u00f3ria. O nome \u00abvivente\/vivo\u00bb, dado a Deus, sublinha este aspecto da presen\u00e7a e ac\u00e7\u00e3o eficaz de Deus na hist\u00f3ria humana (cf. Mt 26,63).<br \/>\nAs palavras dirigidas por Jesus a Pedro partem da sua profiss\u00e3o de f\u00e9 mas dilatam o seu horizonte porque anunciam o papel e o destino futuro do disc\u00edpulo. Pedro \u00e9 chamado \u00abfeliz\u00bb por participar da condi\u00e7\u00e3o dos \u00abpequenos\u00bb e \u00abhumildes\u00bb a quem o Pai revela o seu projecto salv\u00edfico, escondido aos \u00abs\u00e1bios e inteligentes\u00bb. Da\u00ed o contraste entre a condi\u00e7\u00e3o humana e hist\u00f3rica de Pedro, \u00abcarne e sangue\u00bb\u00bb e a iniciativa do Pai que est\u00e1 nos c\u00e9us que lhe revela a identidade profunda de Jesus, Messias e Filho de Deus.<br \/>\nA segunda palavra de Jesus a Pedro \u00e9 uma promessa a respeito do futuro. Este an\u00fancio prof\u00e9tico apoia-se na imagem da \u00abpedra\u00bb, \u00e0 qual \u00e9 associada a da \u00abconstru\u00e7\u00e3o\u00bb. O Sim\u00e3o \u00abPedro\u00bb ser\u00e1 a base e alicerce para a constru\u00e7\u00e3o da comunidade messi\u00e2nica, a igreja.<br \/>\nO voc\u00e1bulo grego ekkl\u0113sia, donde vem a nossa palavra Igreja, atrav\u00e9s do latim, traduz habitualmente a palavra hebraica q\u0101h\u0101l, a assembleia ou convoca\u00e7\u00e3o do povo de Deus libertado do Egipto e unido a Deus pela Alian\u00e7a. O que era a \u00abigreja do Senhor ou de Deus\u00bb torna-se a Igreja de Cristo, a comunidade messi\u00e2nica, da qual Pedro \u00e9 constitu\u00eddo o alicerce, que toma o lugar de Israel e na qual entrar a fazer parte todos aqueles que reconhecem Jesus como Messias, Filho de Deus vivo.<br \/>\nA esta comunidade messi\u00e2nica, fundada sobre a rocha-Pedro, Jesus promete a indefectibilidade perante os assaltos das \u00abportas do Inferno\u00bb. Em Cesareia de Filipe, actual Banias (deturpa\u00e7\u00e3o de \u00abPanias\u00bb), encontrava-se o maior centro pag\u00e3o do Israel antigo, incluindo o templo dedicado ao deus Pan \u00e0 frente duma enorme gruta, donde surge o rio Jord\u00e3o. Os judeus da \u00e9poca acreditavam que essa gruta era a entrada do mundo das trevas, a porta do inferno. A express\u00e3o refere-se, pois, \u00e0s for\u00e7as do mal, representadas pelo advers\u00e1rio ou maligno que se op\u00f5e \u00e0 ac\u00e7\u00e3o de Deus e \u00e0 perseveran\u00e7a dos crentes. Num e noutro caso, a promessa de Jesus garante \u00e0 sua comunidade a estabilidade espiritual e hist\u00f3rica, simbolizada pela rocha, alicerce sobre a qual \u00e9 constru\u00edda.<br \/>\nA terceira palavra anuncia a sua tarefa futura, representada pela imagem das chaves do reino dos c\u00e9us, a seguir desenvolvida e esclarecida com a senten\u00e7a sobre \u00abligar e desligar\u00bb. Na tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica o s\u00edmbolo das chaves indica autoridade e responsabilidade; da\u00ed que Pedro recebe a responsabilidade em rela\u00e7\u00e3o a entrar ou a ser exclu\u00eddo do reino. Por outro lado, os rabinos estavam convencidos de possu\u00edrem as chaves da Torah, isto \u00e9, toda a autoridade sobre a interpreta\u00e7\u00e3o da Sagrada Escritura e sobre as leis de Deus.<br \/>\nAo longo do evangelho de Mateus torna-se claro que Jesus leva a cumprimento a Lei e os profetas, na linha da vontade de Deus. O poder das chaves, transmitido a Pedro, diz respeito \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o autorizada da vontade de Deus como a revelou e realizou Jesus. Pedro, como s\u00e1bio disc\u00edpulo do Reino dos C\u00e9us, tem a tarefa de interpretar de modo autorizado a vontade de Deus revelada pelas palavras e gestos de Jesus.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. 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