{"id":1860,"date":"2017-08-13T21:26:59","date_gmt":"2017-08-13T20:26:59","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=1860"},"modified":"2017-08-13T21:26:59","modified_gmt":"2017-08-13T20:26:59","slug":"xx-domingo-do-tempo-comum-ano-a","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/xx-domingo-do-tempo-comum-ano-a\/","title":{"rendered":"XX Domingo do Tempo Comum (Ano A)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">Pe. Franclim Pacheco<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1861 aligncenter\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/XX-Domingo-Tempo-Comum.jpg\" alt=\"\" width=\"714\" height=\"453\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/XX-Domingo-Tempo-Comum.jpg 714w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/XX-Domingo-Tempo-Comum-300x190.jpg 300w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/XX-Domingo-Tempo-Comum-600x381.jpg 600w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/XX-Domingo-Tempo-Comum-473x300.jpg 473w\" sizes=\"auto, (max-width: 714px) 100vw, 714px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Breve coment\u00e1rio<br \/>\nPara melhor entendermos este epis\u00f3dio, devemos ter em conta que o evangelho segundo Mateus se dirige a uma comunidade de crist\u00e3os de origem judaica, com toda a sua carga hist\u00f3rica e religiosa, e que vive em ambiente palestinense, no meio dos outros judeus que n\u00e3o aceitaram a Boa Nova.<br \/>\nNa linha da tradi\u00e7\u00e3o, muitos crist\u00e3os consideravam o povo de Israel como a estirpe eleita e santa, \u00fanico herdeiro da salva\u00e7\u00e3o de Deus. Outros mostravam alguma abertura, admitindo que os israelitas eram os primeiros destinat\u00e1rios da salva\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o os \u00fanicos. De facto, Jesus Ressuscitado tinha sido claro na sua ordem de envio: \u00abIde, fazei disc\u00edpulos todos os povos\u2026\u00bb (Mt 28,19) e esta quest\u00e3o mereceu a aten\u00e7\u00e3o do 1\u00ba Conc\u00edlio da Igreja nascente (Act 15).<br \/>\nA vida p\u00fablica de Jesus desenrolou-se praticamente em territ\u00f3rio judaico e a sua miss\u00e3o quase se limitou \u00ab\u00e0s ovelhas perdidas da casa de Israel\u00bb. Mas h\u00e1 alguns gestos da parte de Jesus que s\u00e3o um prel\u00fadio e an\u00fancio do universalismo da salva\u00e7\u00e3o. \u00c9 neste ambiente que Mateus nos refere o epis\u00f3dio da mulher cananeia.<br \/>\nAs duas cidades, Tiro e S\u00eddon, situadas na linha costeira a norte de Israel, sempre foram consideradas na tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica como representantes dos povos pag\u00e3os. Para os israelitas, povo pag\u00e3o \u00e9 sin\u00f3nimo de inimigo de Deus e do povo, da\u00ed serem tratados por \u00abc\u00e3es\u00bb.<br \/>\nO evangelista Mateus foi colher este epis\u00f3dio ao evangelho de Marcos mas apresenta-o duma forma mais dramatizada, apresentando Jesus numa atitude t\u00e3o dura que at\u00e9 os disc\u00edpulos interv\u00eam para se verem livres daquela mulher que, por seu lado, n\u00e3o desanima.<br \/>\nA mulher era doutra ra\u00e7a e doutra religi\u00e3o. Come\u00e7a por suplicar a cura da filha que estava possu\u00edda por um esp\u00edrito impuro. Os pag\u00e3os n\u00e3o tinham problemas em recorrer aos judeus, mas o mesmo n\u00e3o acontecia com os judeus em rela\u00e7\u00e3o aos pag\u00e3os. Era-lhes proibido pela Lei entrar em contacto com uma pessoa doutra religi\u00e3o ou ra\u00e7a.<br \/>\nA mulher toma a iniciativa e chama Jesus como \u00abfilho de David\u00bb. O epis\u00f3dio est\u00e1 inserido na chamada sec\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es pelo facto de a palavra \u00abp\u00e3o\u00bb surgir v\u00e1rias vezes. O t\u00edtulo dado a Jesus faz lembrar o programa messi\u00e2nico do rei David: assegurar a todos os filhos de Israel uma ra\u00e7\u00e3o de p\u00e3o a cada um (2Sm 6,19). Garantir o p\u00e3o equivale a dar a vida. A mulher pede a cura &#8211; a vida &#8211; para a sua filha.<br \/>\nA mulher grita mas Jesus n\u00e3o responde, mostra-se insens\u00edvel. \u00c9 uma atitude estranha mesmo para os disc\u00edpulos que come\u00e7am a ficar cansados da insist\u00eancia da mulher: \u00abDespede-a, porque ela vem atr\u00e1s de n\u00f3s a gritar\u00bb. Mas Jesus n\u00e3o escuta nem quer escutar. Defende-se com a Lei e com o objectivo da sua miss\u00e3o: \u00abN\u00e3o fui enviado sen\u00e3o \u00e0s ovelhas perdidas da casa de Israel\u00bb. \u00c9 o mesmo que dizer que o Pai, que o enviou, n\u00e3o quer que ele escute aquela mulher.<br \/>\nA mulher n\u00e3o se deixa vencer. Prostrou-se aos p\u00e9s de Jesus e suplica: \u00abSenhor, socorre-me\u00bb. O verbo \u00abprostrar-se\u00bb \u00e9 muito importante e atravessa todo o evangelho de Mateus. \u00c9 um gesto de submiss\u00e3o, de reconhecimento da import\u00e2ncia de quem se tem \u00e0 frente, \u00e9 um gesto de adora\u00e7\u00e3o. A esta segunda tentativa, Jesus permanece fiel aos princ\u00edpios judaicos, fazendo uso duma par\u00e1bola tirada da vida familiar que inclui um insulto cl\u00e1ssico dos judeus em rela\u00e7\u00e3o aos povos pag\u00e3os: \u00abN\u00e3o \u00e9 bem tomar o p\u00e3o dos filhos para o lan\u00e7ar aos cachorros\u00bb. Nas casas pobres, ent\u00e3o como agora, havia muitos filhos e muitos c\u00e3es, pelo que o p\u00e3o era reservado apenas aos filhos.<br \/>\nA mulher aceita o insulto, transformando-o num novo desafio lan\u00e7ado a Jesus. Admite que n\u00e3o \u00e9 digna de participar no banquete do Reino, mas leva a compara\u00e7\u00e3o at\u00e9 ao fim, mostrando que na casa dos pobres os cachorros comem as migalhas que caem da mesa, inclusive as migalhas atiradas pelas crian\u00e7as. Jesus, em crian\u00e7a, deve ter feito o mesmo. Por isso, a mulher espera que na nova \u00abcasa\u00bb inaugurada por Jesus, isto \u00e9, na comunidade crist\u00e3, haja alguma migalha ou peda\u00e7o que tenha sobrado.<br \/>\nDesde o n\u00e3o ligar coisa alguma, o apresentar a supremacia do povo de Israel, at\u00e9 ao insulto, chamando \u00abcadela\u00bb \u00e0 mulher que implora a cura da filha, de tudo isto se serve Jesus para p\u00f4r \u00e0 prova a f\u00e9 daquela mulher que ele mesmo acaba por reconhecer, numa frase jamais dirigida a um membro do povo Israel: \u00ab\u00d3 mulher, \u00e9 grande a tua f\u00e9! Fa\u00e7a-se como desejas\u00bb. A cura da filha obtida por meio da f\u00e9 humilde e constante da mulher pag\u00e3 \u00e9 um sinal antecipador do novo caminho, aberto tamb\u00e9m aos pag\u00e3os, para aceder \u00e0 mesa dos filhos e fazer parte de pleno direito da casa de Israel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. 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