{"id":18426,"date":"2025-01-07T07:07:22","date_gmt":"2025-01-07T07:07:22","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=18426"},"modified":"2026-06-29T15:42:21","modified_gmt":"2026-06-29T14:42:21","slug":"sabes-leitor-13-marca-de-agua-do-livro-de-gustavo-zagrebelsky-a-crucificacao-e-a-democracia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/sabes-leitor-13-marca-de-agua-do-livro-de-gustavo-zagrebelsky-a-crucificacao-e-a-democracia\/","title":{"rendered":"Sabes, leitor&#8230; | 13 | Marca de \u00e1gua do livro de Gustavo Zagrebelsky, &#8216;A crucifica\u00e7\u00e3o e a democracia&#8217;"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: right;\">Rubrica \u2018Sabes, leitor, que estamos ambos na mesma p\u00e1gina\u2019** | <em>Marca de \u00e1gua de livros que deixam marcas profundas<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Parceria:<a href=\"https:\/\/www.federacaopelavida.pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> <em>Federa\u00e7\u00e3o Portuguesa pela Vida<\/em><\/a> e<em> Comiss\u00e3o Diocesana da Cultura<\/em><\/h6>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Lu\u00eds Manuel Pereira da Silva*<\/strong><\/p>\n<pre style=\"padding-left: 80px;\"><strong>O autor e a obra<\/strong><\/pre>\n<h5 style=\"padding-left: 200px; text-align: justify;\">Gustavo Zagrebelsky, <em>A crucifica\u00e7\u00e3o e a democracia<\/em>, Coimbra, Edi\u00e7\u00f5es Tenacitas, 2004.<\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gustavo Zagrebelsky \u00e9, infelizmente, entre n\u00f3s, um muito ilustre desconhecido. Basta uma r\u00e1pida busca de livros da sua autoria, entre as editoras portuguesas, para percebermos que, com a honrosa exce\u00e7\u00e3o do livro com que nos abeiramos, nesta rubrica, da sua fina intelig\u00eancia, n\u00e3o ter\u00e1 havido outros livros que tenham merecido o labor editorial lusitano.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9, assim, por\u00e9m, no pa\u00eds vizinho, onde as tradu\u00e7\u00f5es da sua obra abundam. T\u00edtulos como \u2018 o direito d\u00factil\u2019, \u2018Livres servos\u2019, \u2018Direitos \u00e0 for\u00e7a\u2019, \u2018Princ\u00edpios e votos\u2019, \u2018A virtude da d\u00favida\u2019, etc. mereceram tradu\u00e7\u00e3o para castelhano. Outros p\u00fablicos, outras ousadias, outros leitores!<br \/>\nMas, entre n\u00f3s, s\u00f3 pela via de \u2018a crucifica\u00e7\u00e3o e a democracia\u2019 nos poderemos abeirar do pensamento fino deste professor catedr\u00e1tico de Direito Constitucional da Universidade de Turim e tamb\u00e9m membro do Tribunal Constitucional italiano, de que foi Presidente em 2004.<br \/>\nNesta edi\u00e7\u00e3o que aqui apresento, a qualidade da reflex\u00e3o \u00e9 emoldurada por uma n\u00e3o menos interessante e luminosa \u2018palavra de apresenta\u00e7\u00e3o\u2019 da autoria de Ant\u00f3nio Maria Barbosa de Melo, Presidente da Assembleia da Rep\u00fablica entre 1991 e 1995 e reconhecido professor de Direito da Universidade de Coimbra. \u2018Palavra\u2019 que \u00e9 um excelente guia para o \u2018percurso\u2019 que nos proporciona o autor entre os meandros da \u2018democracia\u2019 que, pela via da manipula\u00e7\u00e3o das massas, se degrada em \u2018demagogia\u2019.<br \/>\nUm livro oportuno e quase \u2018prof\u00e9tico\u2019, dada a sua capacidade de antecipar, em duas d\u00e9cadas, os sinais de perigo que a manipula\u00e7\u00e3o das massas acr\u00edticas faz emergir e germinar.<\/p>\n<pre style=\"text-align: justify; padding-left: 80px;\"><strong>Marcas de \u00e1gua <\/strong>\r\n\r\n<strong>(o que fica depois de se deixar o livro)<\/strong><\/pre>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Come\u00e7o esta abordagem com um elogio. \u00c0s edi\u00e7\u00f5es Tenacitas devemos a tradu\u00e7\u00e3o para portugu\u00eas de algumas obras e autores que, de outro modo, nos ficaria vedado conhecer. Nomes como Robert George, George Weigel, entre outros, mereceram tradu\u00e7\u00e3o para portugu\u00eas de obras que permitem ler, de forma fina e acutilante, a realidade que se nos apresenta, muito para al\u00e9m da espuma de tanta literatura que repete em c\u00edrculo o pensar vulgarizado.<br \/>\nEntre essas \u2018raridades\u2019 contamos este \u2018A crucifica\u00e7\u00e3o e a democracia\u2019.<br \/>\n\u00c9 pena, por\u00e9m, que a bel\u00edssima capa que reproduz um \u2018ecce homo\u2019 de autor an\u00f3nimo do s\u00e9culo XV possa ter inibido o acesso de leitores que, tomados pelo \u2018preconceito\u2019 de que pudesse tratar-se de um livro de natureza religiosa ou piedosa, desviaram o olhar para outras capas mais sedutoras.<br \/>\nA capa \u00e9, por\u00e9m, decorrente de uma interpreta\u00e7\u00e3o correta do livro, dado que o nosso autor faz uma abordagem sobre o que dever\u00e1 ser uma democracia madura (ele chama-lhe \u2018democracia cr\u00edtica\u2019) e do que s\u00e3o democracias d\u00e9beis (ele chama-lhes \u2018c\u00e9ticas\u2019 e \u2018dogm\u00e1ticas\u2019) tomando por refer\u00eancia o processo hist\u00f3rico de julgamento de Jesus Cristo, \u00e0s m\u00e3os da multid\u00e3o manipulada pelos l\u00edderes pol\u00edticos e religiosos de ent\u00e3o.<br \/>\nSuperado o \u2018preconceito\u2019, o leitor \u00e9 surpreendido com uma escrita entusiasmante e entusiasmada que envolve e favorece a leitura voraz. A tese fundamental \u00e9 a de que as democracias s\u00e3o realidades vulner\u00e1veis, suscet\u00edveis de instrumentaliza\u00e7\u00e3o, pelo que, dada esta natureza fr\u00e1gil, devem amadurecer no sentido da supera\u00e7\u00e3o das \u2018certezas\u2019 das leituras dogm\u00e1ticas ou c\u00e9ticas que lhes atribuem o direito de poderem legislar sobre tudo o que respeita ao cidad\u00e3o, inclusive sobre a vida e a morte destes.<br \/>\nAs consequ\u00eancias desta tese s\u00e3o facilmente constat\u00e1veis. Mat\u00e9rias que concernem a decis\u00f5es irrevers\u00edveis como o aborto, eutan\u00e1sia, pena de morte, etc., excedem os limites que deveriam admitir-se as democracias maduras (as \u2018cr\u00edticas\u2019, que sabem que o poder tende a absolutizar-se, sendo vulner\u00e1vel \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o que conduz a formas totalit\u00e1rias).<br \/>\nOlhando para um processo com 2000 anos, Zagrebelsky n\u00e3o deixa de constatar a \u2018perman\u00eancia\u2019 dos \u2018tiques autorit\u00e1rios e totalit\u00e1rios\u2019 que percorrem a hist\u00f3ria da consolida\u00e7\u00e3o da democracia.<br \/>\nHoje, por\u00e9m, dizemo-lo n\u00f3s, ap\u00f3s tantos sinais e ind\u00edcios que deveriam conduzir a processos de \u2018autolimita\u00e7\u00e3o\u2019 das democracias, os sinais n\u00e3o parecem dar-nos motivos para tranquilizarmos. As democracias que pens\u00e1vamos ter amadurecido, assentes numa atitude \u2018cr\u00edtica\u2019 (consciente da sedu\u00e7\u00e3o maviosa do poder), est\u00e3o, afinal, vez ap\u00f3s vez, renovadamente tomadas pelos tiques \u2018demag\u00f3gicos\u2019 que transformam o \u2018povo\u2019 numa \u2018massa\u2019 instrumentaliz\u00e1vel e dispon\u00edvel ao servi\u00e7o de desejos m\u00faltiplos que se congregam em tornou do saboroso paladar do \u2018poder\u2019.<br \/>\nA tese deste experiente professor de direito e juiz deveria continuar a servir de alerta, em tempos em que a decis\u00e3o sobre a vida e a morte, j\u00e1 n\u00e3o de abstratos cidad\u00e3os, mas sobre os pr\u00f3prios filhos ainda n\u00e3o nascidos ou sobre os pais acamados, enfermos, dementes, est\u00e1 a ser envolvida sob o manto de um putativo direito a reconhecer pelos Estados que atingem, assim, um limite que parecia nunca poder aceitar-se: j\u00e1 n\u00e3o s\u00f3 o de os Estados, pela m\u00e3o de alguns seus representantes, poderem exercer esse hipot\u00e9tico direito, mas de ele ser reconhecido a cada um. O salto parece abismal, mas adivinha-o Zagrebelsky na ced\u00eancia \u00e0s degeneresc\u00eancias da democracia.<br \/>\nServir\u00e3o as suas palavras de alerta? Ainda ir\u00e3o a tempo?<br \/>\nOu voltaremos a crucificar o inocente, deixando, de modo demagogicamente intencional, o real culpado entre os que assistem \u00e0 execu\u00e7\u00e3o do seu \u2018substituto\u2019?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<pre style=\"text-align: justify; padding-left: 80px;\"><strong>Na mesma p\u00e1gina que o autor (cita\u00e7\u00f5es)<\/strong><\/pre>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018A verdade e a falsidade, o bem e o mal, n\u00e3o podem [\u2026] depender do n\u00famero e das opini\u00f5es\u2019 (p. 19)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Se se considerar a condena\u00e7\u00e3o de Jesus sob a perspetiva do conjunto de factores que a determinou, torna-se evidente que tanto o dogma como o cepticismo podem conviver com a democracia desde que quer um quer o outro a instrumentalizem. Tanto o dogm\u00e1tico como o c\u00e9ptico se podem apresentar como amigos da democracia, mas apenas como falsos amigos. O dogm\u00e1tico pode aceitar a democracia s\u00f3 se e enquanto ela servir como for\u00e7a, uma for\u00e7a dirigida a impor a verdade. O c\u00e9ptico, por seu lado, como n\u00e3o acredita em nada, n\u00e3o encontrar\u00e1 nenhuma raz\u00e3o para preferir a democracia \u00e0 autocracia. Ou melhor: encontrar\u00e1 uma raz\u00e3o, n\u00e3o na f\u00e9 em qualquer princ\u00edpio, mas sim numa conveni\u00eancia. Isto \u00e9: poder\u00e1 ser democr\u00e1tico, enquanto o for, n\u00e3o por idealismo mas por realismo do pr\u00f3prio interesse, ou seja, por oportunismo.\u2019 (pp. 19-20)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018A estes dois modos de pensar \u2013 opostos nos fundamentos mas convergentes na instrumentaliza\u00e7\u00e3o \u2013 uma teoria da democracia como fim, e n\u00e3o apenas como um meio, deve saber contrapor um outro, que n\u00e3o presuma possuir a verdade e a justi\u00e7a mas muito menos considere insensata a sua busca. \u00c9 este pensamento da possibilidade, que \u00e9 pr\u00f3prio daqueles que rejeitam tanto a arrog\u00e2ncia da verdade possu\u00edda quanto a ren\u00fancia da realidade aceite. O pensamento da possibilidade cont\u00e9m sempre \u2013 e de novo \u2013 a abertura \u00e0 procura e o seu postulado \u00e9 a estrutural plurival\u00eancia de todas as situa\u00e7\u00f5es nas quais nos venhamos a encontrar. A sua exig\u00eancia \u00e9tica n\u00e3o \u00e9 a verdade ou a justi\u00e7a absolutas, como para o esp\u00edrito dogm\u00e1tico, mas, entre todas as possibilidades, a procura orientada do melhor, uma exig\u00eancia que somente o esp\u00edrito radicalmente c\u00e9ptico poder\u00e1 negar, em nome de uma tenta\u00e7\u00e3o absolutista de sinal contr\u00e1rio. S\u00f3 pra o pensamento da possibilidade, a democracia, al\u00e9m de um meio, pode tamb\u00e9m ser um fim e, por isso, al\u00e9m de servir, deve tamb\u00e9m ser servida. \u00c0 democracia que assume como pr\u00f3pria esta atitude do esp\u00edrito d\u00e1-se o nome de democracia cr\u00edtica.\u2019 (p. 20)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Contra a habitual representa\u00e7\u00e3o do homem t\u00edbio, d\u00e9bil, cobarde e aprisionado ao seu interesse mesquinho, pode colocar-se a compreens\u00e3o de Pilatos como pol\u00edtico puro, aquele para quem o poder e o governo s\u00e3o a finalidade; e tudo o resto, incluindo a verdade e a justi\u00e7a, desce \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de puro meio, \u00fatil, in\u00fatil ou pernicioso consoante as circunst\u00e2ncias. Quase um maquiav\u00e9lico ante litteram.\u2019 (p. 91)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018O crucifica-o! foi um alarido un\u00e2nime. No seio da multid\u00e3o em frente ao Pret\u00f3rio n\u00e3o havia lugar a dissens\u00f5es. O medo mantinha-a unida como um corpo compacto.<br \/>\nSe uma voz, entre tantas, se tivesse levantado para se fazer escutar e tivesse conseguido abrir um debate; se, nesse caso, se tivessem formado diferentes grupos, talvez a decis\u00e3o se tivesse orientado de outra maneira, talvez se produzisse uma mudan\u00e7a radical ou a procura de uma solu\u00e7\u00e3o de compromisso. Talvez. Falta a contraprova. Mas, tal como os Evangelhos relatam o desenrolar dos factos, o povo actuou verdadeiramente como uma massa que se dirige cegamente para o precip\u00edcio, impedindo a qualquer for\u00e7a contr\u00e1ria o mero acto de se manifestar.<br \/>\nHaveria poss\u00edveis dissidentes? Provavelmente sim, talvez uma minoria. Mas estavam atemorizados.\u2019 (p. 103)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018A turba n\u00e3o agiu. Apenas reagiu. N\u00e3o se tratou de uma reuni\u00e3o de homens senhores de si pr\u00f3prios, mas de uma massa manipulada por outros. Essa multid\u00e3o n\u00e3o era um sujeito, mas um objeto.\u2019 (p. 106)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Agir depressa! N\u00e3o havia tempo. A rapidez era a tend\u00eancia natural daquela multid\u00e3o emocional e n\u00e3o racional. Mas era tamb\u00e9m a inten\u00e7\u00e3o dos que a incitavam.\u2019 (p. 107)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Quem se atribua o direito de decidir sobre a vida e a morte, de alguma forma, conscientemente ou n\u00e3o, quer valer tanto como Deus. Pilatos e o Sin\u00e9drio, pondo em \u00faltima e definitiva inst\u00e2ncia a vida de Jesus nas m\u00e3os da multid\u00e3o, adularam-na, divinizando-a. Precisamente: vox populi, vox dei.\u2019<br \/>\nIsto expressa um conceito totalit\u00e1rio da democracia como for\u00e7a, e como for\u00e7a absoluta; um conceito que nos remete para muitas das caracter\u00edsticas que vimos na decis\u00e3o popular contra Jesus. Sobretudo, a aus\u00eancia de procedimentos e garantias a favor das vozes potencialmente discordantes.\u2019 (p. 111)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Na democracia cr\u00edtica, a democracia \u00e9 fun\u00e7\u00e3o de si pr\u00f3pria. E, dado que sempre se coloca a si mesma as suas finalidades, \u00e9 ao mesmo tempo meio e fim. E sendo portanto \u00e0 vez meio e fim, n\u00e3o pode criar-se uma contradi\u00e7\u00e3o para sair da qual possamos vermo-nos na alternativa de salvar os fins renunciando \u00e0 democracia como meio, ou salvaguardar a democracia como meio renunciando aos fins.\u2019 (pp. 114-115)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Na democracia cr\u00edtica, a autoridade do povo n\u00e3o depende, de modo nenhum, das suas supostas qualidades sobre-humanas, como a omnipot\u00eancia e a infalibilidade. Depende, ao inv\u00e9s, do motivo exactamente oposto, quer dizer, do facto de assumir que todos os homens e o povo no seu conjunto s\u00e3o necessariamente limitados e fal\u00edveis.\u2019 (p. 115)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Do ponto de vista de uma vis\u00e3o da democracia sem ilus\u00f5es, devem rejeitar-se como insensatos e portadores de insidiosas tenta\u00e7\u00f5es todos os conceitos de democracia que atribuam ao povo a capacidade de nunca se equivocar, de sempre se basear intrinsecamente no justo.\u2019 (p. 116)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Na democracia cr\u00edtica, todas as decis\u00f5es h\u00e3o-de ser revog\u00e1veis e revis\u00edveis. As decis\u00f5es definitivas, de facto ou de direito, n\u00e3o s\u00e3o admitidas porque o car\u00e1cter definitivo pressup\u00f5e a infalibilidade e nelas o esp\u00edrito da possibilidade fica anulado. [\u2026] a democracia cr\u00edtica n\u00e3o rejeita apenas a pena de morte. \u00c9 tamb\u00e9m incompat\u00edvel com muitas outras decis\u00f5es, seja por estas serem irrevers\u00edveis, ou por implicarem consequ\u00eancias irrevers\u00edveis.\u2019 (pp. 120-121)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Retornemos, uma vez mais, ao processo de Jesus. A multid\u00e3o que gritava o crucifica-o! era exactamente o contr\u00e1rio daquilo que a democracia cr\u00edtica pressup\u00f5e: tinha pressa, estava fragmentada mas era totalit\u00e1ria, n\u00e3o tinha institui\u00e7\u00f5es nem procedimentos, era inst\u00e1vel, emotiva, e, por isso, extremista e manipul\u00e1vel \u2013 uma multid\u00e3o terrivelmente parecida com o \u201cpovo\u201d, a quem a \u201cdemocracia\u201d podia confiar o seu destino no futuro pr\u00f3ximo. Essa turba condenava \u201cdemocraticamente\u201d Jesus e assim acabava por refor\u00e7ar o dogma do Sin\u00e9drio e o poder de Pilatos.\u2019 (p. 129)<\/p>\n<hr \/>\n<h5 style=\"text-align: right;\"><strong>**(T\u00edtulo retirado de Daniel Faria, <em>Dos l\u00edquidos<\/em>, Porto, Edi\u00e7\u00e3o Funda\u00e7\u00e3o Manuel Le\u00e3o, 2000, p. 137)<\/strong><\/h5>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right;\">*Professor, Presidente da Comiss\u00e3o Diocesana da Cultura<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Autor de &#8216;Ensaios <em>de<\/em> liberdade&#8217;, &#8216;Bem-nascido&#8230; Mal-nascido&#8230; Do &#8216;filho perfeito&#8221; ao filho humano&#8217; e de &#8216;Teologia, ci\u00eancia e verdade: fundamentos para a defini\u00e7\u00e3o do estatuto epistemol\u00f3gico da Teologia, segundo Wolfhart Pannenberg&#8217;<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Imagem recolhida de http:\/\/www.tenacitas.pt\/producto\/a-crucificacao-e-a-democracia\/<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rubrica \u2018Sabes, leitor,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":18686,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[55,198],"tags":[],"class_list":["post-18426","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-luis-manuel-pereira-da-silva","category-sabes-leitor-que-estamos-ambos-na-mesma-pagina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18426","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18426"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18426\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18688,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18426\/revisions\/18688"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18686"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18426"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18426"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18426"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}