{"id":18405,"date":"2024-11-29T07:00:10","date_gmt":"2024-11-29T07:00:10","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=18405"},"modified":"2024-11-22T11:46:50","modified_gmt":"2024-11-22T11:46:50","slug":"e-tu-em-que-perguntas-te-demoras-1-e-tu-que-historias-contam-as-tuas-raizes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/e-tu-em-que-perguntas-te-demoras-1-e-tu-que-historias-contam-as-tuas-raizes\/","title":{"rendered":"\u00abE tu? Em que perguntas te demoras?\u00bb | [1] | E tu? Que hist\u00f3rias contam as tuas ra\u00edzes?"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: right;\">\u00abE tu? Em que perguntas te demoras?\u00bb<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\"><em>O lugar onde a realidade se revisita, demorada e longamente. Como s\u00f3 a arte permite!&#8230;<\/em> | Rubrica de L\u00edgia Rodrigues, artista pl\u00e1stica<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: center;\"><strong>Imagem:<\/strong> L\u00edgia Rodrigues | \u201cO caminho da Luz\u201d | T\u00e9cnica : Pastel de \u00f3leo sobre papel | Dimens\u00e3o 25 x 14 cm<\/h6>\n<div>\n<hr \/>\n<\/div>\n<h4 style=\"text-align: center;\">L\u00edgia Rodrigues*<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apare\u00e7o por aqui como uma \u00e1rvore nascida do nada, sem o tempo permitido para as ra\u00edzes crescerem, sem semente no seu processo de morte, nem tempo de germina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apare\u00e7o e pronto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estou aqui como primavera de encontros entre cores e perfumes, sabores e sons. Florida de prop\u00f3sito para contar hist\u00f3rias das noites e dos dias, de tempos estivos e plan\u00edcies geladas, do espa\u00e7o entre o tudo e o nada, esse de como quando se caminha na orla do precip\u00edcio porque se ama a vida, essa dimens\u00e3o onde nascem as perguntas e se inventa o papel branco para as prolongar, para as entregar, como seres da cria\u00e7\u00e3o com vida pr\u00f3pria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o digo-vos que venho de ra\u00edzes enxertadas mais no c\u00e9u e no vento, mais do sol do que da terra fixa&#8230;ra\u00edzes el\u00e1sticas acostumadas a erradicar-se continuamente para se implantar novamente em qualquer outro lugar&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o conhe\u00e7o o tempo para hist\u00f3rias paradas de ritmos previstos. Sou dessa gera\u00e7\u00e3o de encontros com povos diferentes, de pores-do-sol que mais parecem tomates gigantes esborrachados a contaminar o c\u00e9u fazendo-o duvidar da beleza de si mesmo sem eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sou desses tempos em que as ra\u00edzes precisam de correr atr\u00e1s de uma nova hist\u00f3ria, procurando contactos debaixo do solo, sabendo-se continuar por ali fora por outras ra\u00edzes, noutros troncos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sou desses todos seres infinitos, porque terminando em n\u00f3s continuamos noutra hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Venho de uma vida incr\u00edvel de descobertas noturnas onde as ra\u00edzes se alongam sedentas de mist\u00e9rio &#8211; esse alter &#8211; enquanto os ramos se esticam ao sol aberto, revelando deles pedacinhos, sem dizer tudo, para que lhe prestemos aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, aten\u00e7\u00e3o. A vida s\u00f3 tem validade quando se lhe presta aten\u00e7\u00e3o. De outra forma como descobrimos o que lhe est\u00e1 por detr\u00e1s?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi assim que descobri que aquele menino preto, depois de chorar, era feito da mesma mat\u00e9ria que eu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi assim que quis desenraizar-me para entrar em todos os buracos negros das ra\u00edzes e contar hist\u00f3rias de copas floridas e de aromas e de frutos e de p\u00e1ssaros e de sons e de bater de asas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 uma beleza diferente, estranha, na hip\u00f3tese de Pin\u00f3quio n\u00e3o ter voltado para a casa do pai porque, tornado menino, lhe valeria a liberdade de descobrir que a casa estava em todos os lugares. Mais aventura e ingenuidade, raposas e gatos&#8230;do que certezas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez o gosto pela aventura e pelos povos seja um deles, feito de ra\u00edzes dispersas e buracos negros dos quais aprender a sair. Povos, esses, todos contidos num s\u00f3 menino negro, depois de chorar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, h\u00e1 sempre um ritmo, um m\u00e9todo para o retorno \u00e0 sa\u00edda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dos lados sombrios da hist\u00f3ria sai-se mais luminoso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, eu sei, \u00e9 b\u00e1sico, mas indo em profundidade dentro da vida tenho que agradecer os momentos de luz aos momentos de sombra e a nova compreens\u00e3o \u00e9 que a sombra \u00e9 t\u00e3o real como a luz, igualmente am\u00e1vel, igualmente amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0s meninas e aos meninos de todas as cores e tamanhos, desenraizados, que dormem nas ruas frias das nossas cidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aten\u00e7\u00e3o ao rapaz que ficou tetrapl\u00e9gico h\u00e1 tr\u00eas meses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aten\u00e7\u00e3o aos buracos negros dos deprimidos, \u00e0s rea\u00e7\u00f5es absurdas dos feridos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esticar ra\u00edzes, mais fundo, ainda mais fundo, at\u00e9 tocar a pontinha da raiz da \u00e1rvore vizinha, e no segredo da escurid\u00e3o, sussurrar a cor das flores e falar do sabor dos frutos daquele ver\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E tu? Que hist\u00f3rias contam as tuas ra\u00edzes?<\/p>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right;\">* Artista pl\u00e1stica<\/h6>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abE tu? 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