{"id":182,"date":"2017-01-18T10:04:04","date_gmt":"2017-01-18T10:04:04","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=182"},"modified":"2017-05-19T14:09:25","modified_gmt":"2017-05-19T14:09:25","slug":"radcliffe-convida-muita-gente-para-o-drama","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/radcliffe-convida-muita-gente-para-o-drama\/","title":{"rendered":"Radcliffe convida muita gente para o drama"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>Radcliffe convida muita gente para o drama,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Jorge Pires Ferreira<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-451\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/iraigrejaporque_120522102703.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"298\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/iraigrejaporque_120522102703.jpg 223w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/iraigrejaporque_120522102703-202x300.jpg 202w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Ir \u00e0 Igreja porqu\u00ea? O drama da eucaristia<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Timothy Radcliffe<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Paulinas | 2010 | 296 p\u00e1ginas<\/p>\n<p>Se um ateu me pedisse para lhe sugerir um livro de introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 f\u00e9, indicava-lhe este: \u201cIr \u00e0 Igreja porqu\u00ea? O drama da Eucaristia\u201d. Se um cat\u00f3lico convicto me fizesse pedido similar, para aprofundar a f\u00e9, indicava-lhe o mesmo. Porqu\u00ea? Entre outros motivos, porque come\u00e7a assim:<\/p>\n<p>\u201cCerto domingo, a m\u00e3e acordou o filho com uma sacudidela e disse-lhe que estava na hora de ir para a igreja. Sem resultado. Dez minutos mais tarde, insistiu:<\/p>\n<p>&#8211; Sai imediatamente da casa e vai par a igreja.<\/p>\n<p>&#8211; \u00d3 m\u00e3e, n\u00e3o me apetece! \u00c9 t\u00e3o aborrecido! Porque \u00e9 que hei de chatear-me?<\/p>\n<p>&#8211; Por duas raz\u00f5es: sabes muito bem que deves ir \u00e0 igreja ao domingo e, em segundo lugar, \u00e9s o bispo da diocese\u201d.<\/p>\n<p>E Radcliffe remata: \u201cN\u00e3o s\u00e3o apenas os bispos que, por vezes, n\u00e3o t\u00eam desejo de ir \u00e0 igreja\u201d.<\/p>\n<p>Este \u00e9, portanto, o primeiro motivo: a assun\u00e7\u00e3o de que tamb\u00e9m os mais destacados respons\u00e1veis da igreja \u2013 os bispos \u2013 t\u00eam d\u00favidas, pregui\u00e7a, frouxid\u00e3o na f\u00e9 ou, como tem dito o Papa e diziam os moralistas cl\u00e1ssicos, ac\u00e9dia. Estamos todos na mesma barca.<\/p>\n<p>O segundo motivo ser\u00e1 a convoca\u00e7\u00e3o do humor para falar de f\u00e9. Humor com base na vida pessoal do dominicano a quem quiseram dar o nome de Cucufate quando fez a profiss\u00e3o religiosa \u2013 teve o bom senso de manter o nome dados pelos pais, que j\u00e1 lembra o ap\u00f3stolo Tim\u00f3teo \u2013 e com o contributo de outros, como Dan Berrigan, que escreveu: \u201cA tua f\u00e9 raramente est\u00e1 onde est\u00e1 a tua cabe\u00e7a ou o teu cora\u00e7\u00e3o. A tua f\u00e9 est\u00e1 onde est\u00e1 o teu traseiro\u201d (p. 17). E agora um exemplo de humor passado com o autor: \u201cFui uma vez abordado, no exterior de Blackfriars [resid\u00eancia de dominicanos em Londres], por dois jovens que realizavam um inqu\u00e9rito. Perguntaram-me se eu acreditava que Jesus era, literalmente, o Filho de Deus. Respondi-lhe que isso dependia daquilo que pretendiam com isso. Se pretendiam dizer que Jesus era o filho do Pai [Deus], tal como eu era filho de meu pai, ent\u00e3o a resposta era \u00abN\u00e3o\u00bb. Mas se estavam a perguntar-me se Ele era verdadeiramente o Filho do Pai, \u00abgerado e n\u00e3o criado\u00bb, ent\u00e3o, \u00abSim\u00bb. Olharam um para o outro, surpreendidos, e um deles disse: \u00abRegista-o a\u00ed como \u201cN\u00e3o sabe\u201d\u00bb\u201d (p. 101). Noutro livro, conta que quando nos aeroportos faz o check-in e lhe perguntam se Londres \u00e9 o seu &#8220;destino final&#8221;, nem sempre resiste \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de dizer: \u00abN\u00e3o, espero que seja o C\u00e9u\u00bb\u201d.<\/p>\n<p>O terceiro motivo \u00e9 a convoca\u00e7\u00e3o de uma pl\u00eaiade de autores, livros, filmes, poemas, can\u00e7\u00f5es para auxiliar a busca, ajudar \u00e0 compreens\u00e3o ou pelo menos despertar a aten\u00e7\u00e3o. H\u00e1 quem n\u00e3o goste do estilo, h\u00e1 quem o ache for\u00e7ado, despropositado. Eu gosto. Ajuda-me a pensar em algum aspeto da f\u00e9 crist\u00e3 e, como no caso que vou citar, ajuda-me a olhar para o filme com novo olhar:<\/p>\n<p>\u00ab\u201cThe Shawshank Redemption\u201d [Os Condenados de Shawshank], um filme rodado em 1994 por Frank Darabont, fala-nos de Andy, um banqueiro americano, preso depois de, por engano, ter sido condenado pelo assass\u00ednio da sua mulher. Esfor\u00e7a-se por manter viva a esperan\u00e7a neste mundo deprimente. Tendo-se tornado um preso de confian\u00e7a, com liberdade excecional, um dia, ocupa a torre de controlo e emite pelos altifalantes a m\u00fasica da \u00f3pera As Bodas de F\u00edgaro de Mozart. Todos estacam e se transfiguram. A beleza abriu-lhes um outro mundo em que j\u00e1 n\u00e3o eram simples criminosos, mas podiam atrever-se a esperar, de novo, uma vida humana. Nenhum de n\u00f3s consegue pregar t\u00e3o bem como Mozart, ou mesmo de forma t\u00e3o libertadores como aqueles m\u00fasicos no clube de jazz; \u00e9 por isso que sempre precisaremos de artistas para compartilhar o acontecer da gra\u00e7a. Johann Sebastian Bach celebrou, no seu Orat\u00f3rio de Natal, o nascimento do \u00abmais belo de todos os seres humanos\u00bb. Precisamos de descobrir a m\u00fasica para repartir esta beleza com os nossos contempor\u00e2neos\u00bb (p. 97).<\/p>\n<p>Mas se Radcliffe invoca o filme \u00e9 porque quer sugerir que as celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas \u2013 a missa \u2013 existem para oferecer um vislumbre do mundo aparentemente imposs\u00edvel, como o que a m\u00fasica de Mozart destapou. E assim, com E. M. Forster (autor de de \u201cA Passage to India\u201d), Ford Prefect (de \u201cThe Hitchhiker\u2019s Guide to the Galaxy\u201d), Barbara Taylor Brown, Tenzin Palmo (monja budista), Etty Hillesum (jovem judia que morre em Auschwitz) ou o filme \u201cO Grande Sil\u00eancio\u201d (sobre a vida de La Grande Chartreuse), para s\u00f3 referir os apontados nas p\u00e1ginas 54-55, abertas \u00e0 sorte (duas em quase trezentas), somos levados a encontrar continuidades entre a cultura e a f\u00e9. Ou o contr\u00e1rio. A invoca\u00e7\u00e3o de tantos autores e de tantos dramas ajuda a construir a \u201ctese\u201d deste livro: \u201cA Eucaristia \u00e9, efetivamente, um drama; representa o drama fundamental de toda a exist\u00eancia humana\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Radcliffe convida muita<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":452,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"footnotes":""},"categories":[48,46,9],"tags":[],"class_list":["post-182","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-antonio-jorge-pires-ferreira","category-autores","category-programa-diocesano-de-livros-e-leituras","post_format-post-format-image"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/182","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=182"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/182\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":453,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/182\/revisions\/453"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/452"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=182"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=182"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=182"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}