{"id":18188,"date":"2024-07-31T15:03:23","date_gmt":"2024-07-31T14:03:23","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=18188"},"modified":"2024-07-31T15:11:20","modified_gmt":"2024-07-31T14:11:20","slug":"luis-manuel-pereira-da-silva-educacao-moral-e-religiosa-catolica-os-porques-para-alem-do-porque-sim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/luis-manuel-pereira-da-silva-educacao-moral-e-religiosa-catolica-os-porques-para-alem-do-porque-sim\/","title":{"rendered":"Lu\u00eds Manuel Pereira da Silva | Educa\u00e7\u00e3o Moral e Religiosa Cat\u00f3lica: os porqu\u00eas para al\u00e9m do \u2018porque sim\u2019\u2026"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: right;\">Texto originalmente publicado no <a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cv\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Correio do Vouga<\/a><\/h6>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Lu\u00eds Manuel Pereira da Silva*<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Amar \u00e9 muito mais do que tolerar!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cuidar \u00e9 muito mais do respeitar!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contemplar, muito mais do que ver e admirar!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Adorar, muito mais do que apreciar!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acolher o outro como irm\u00e3o, muito mais do que incluir!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Viver na esperan\u00e7a, muito mais do que ter pensamento positivo ou forte desejo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ver o mundo como cria\u00e7\u00e3o e dom, muito mais do que olh\u00e1-lo como casual e an\u00f3nimo correr do tempo e da mat\u00e9ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desse outro modo de olhar as coisas fala a disciplina de Educa\u00e7\u00e3o Moral e Religiosa Cat\u00f3lica, um lugar \u00fanico em todo o contexto escolar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos percebemos que devemos respeitar-nos, incluir, adotar comportamentos respeitadores do ambiente, mas precisamos de perceber porque o deveremos fazer. N\u00e3o basta dizerem-nos que o devemos fazer \u2018porque sim\u2019, ou porque nos devemos tolerar, ou porque os sinais tem\u00edveis est\u00e3o diante de n\u00f3s. O medo, o \u2018porque sim\u2019, o dever imposto a partir da lei escrita podem ser eficazes, mas n\u00e3o nos satisfazem o desejo profundo de encontrar raz\u00f5es s\u00f3lidas e robustas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">EMRC, ao ousar ver o outro como irm\u00e3o, ao procurar as raz\u00f5es para essa original fraternidade, ao lan\u00e7ar uma vis\u00e3o sobre o mundo como cria\u00e7\u00e3o, \u00e9 lugar \u00fanico para problematizar e encontrar as raz\u00f5es s\u00f3lidas que n\u00e3o caem com a primeira ventania.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se n\u00e3o fosse EMRC, no espa\u00e7o escolar, como poder\u00edamos fundar uma aut\u00eantica fraternidade, se n\u00e3o nos refer\u00edssemos a um \u2018Pai\u2019 comum? Como poder\u00edamos alicer\u00e7ar uma genu\u00edna ecologia n\u00e3o baseada no medo do afundamento do mundo (porque as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas nos atemorizam), mas sim no reconhecimento do mundo como dom recebido?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se n\u00e3o fosse EMRC, quem falaria das rela\u00e7\u00f5es entre as pessoas baseadas no \u2018amor\u2019? Quem ousaria desafiar ao cuidado muito para al\u00e9m do mero respeito? Quem nos diria que o mundo \u00e9 para ser contemplado porque \u00e9 transparente de uma realidade para al\u00e9m do vis\u00edvel?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, afinal, quem ousaria despertar os jovens para todos os valores para al\u00e9m do mero princ\u00edpio de que nos devemos respeitar uns aos outros? Quem nos diria que respeitarem-me n\u00e3o tem de significar aceitar tudo o que penso e fa\u00e7o? Quem nos ajudaria a distinguir a pessoa dos seus atos, desafiando ao acolhimento da pessoa, mesmo que rejeitando e recusando o que ela faz?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem nos ajudaria a encontrar o equil\u00edbrio entre o relativismo (que aceita tudo o que se faz em nome da toler\u00e2ncia para com todos) e o absolutismo (que rejeita todos os que seguem ideias ou agem incorretamente), inspirando-se na a\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo que acolhe a mulher ad\u00faltera e recusa o adult\u00e9rio?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando, em tempos confusos, alguns querem propor modelos de sexualidade em que se busca o igual ou se basta em encontrar-se a si mesmo, EMRC desafia a ousar partir de si e construir-se no encontro com o outro diferente do pr\u00f3prio, pois \u00e9 na diferen\u00e7a que se constroem as identidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">EMRC tem uma identidade, uma matriz. \u00c9 uma disciplina que prop\u00f5e o encontro entre a moral e a religi\u00e3o cat\u00f3licas e outras realidades que emergem no contexto escolar. Mas esta matriz n\u00e3o \u00e9 um defeito: \u00e9 uma virtualidade e uma oportunidade. Como poder\u00e1 haver di\u00e1logo sem identidades?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como poder\u00e1 haver \u2018ventos favor\u00e1veis\u2019 se n\u00e3o sabemos para onde queremos ir? Como poderemos discernir entre o bem e o mal, entre o correto e o incorreto se n\u00e3o temos um rumo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">EMRC proporciona espa\u00e7o e contexto para despertar para um rumo, para um caminho, dando conte\u00fado aos desejos que se alimentam na cultura escolar. N\u00e3o seria muito pouco se ao fim dos anos de escolaridade a \u00fanica conclus\u00e3o a tirar fosse a de que se aprendeu, apenas, que cada um deve poder fazer o que quer? E quem nos ensina a buscar o que, autenticamente, devemos querer?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">EMRC, ao abrir ao sentido definitivo da vida, ao inspirar-se no modelo que \u00e9 Jesus Cristo, ao olhar para a longa hist\u00f3ria (tamb\u00e9m de luzes e sombras) do Cristianismo na narrativa da humanidade, ao despertar para um olhar que v\u00ea transparecer, na realidade, a dimens\u00e3o espiritual, cria condi\u00e7\u00f5es para que cada um dos alunos possa descobrir as verdadeiras raz\u00f5es para amar, ter esperan\u00e7a, cuidar, acolher, adorar, contemplar, agradecer\u2026 E, por isso tudo, ser uma pessoa mais feliz e um cidad\u00e3o mais comprometido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto se perderia se EMRC deixasse de ser o pulm\u00e3o de ar puro e renovado das escolas!<\/p>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right;\">*Professor, Presidente da Comiss\u00e3o Diocesana da Cultura<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Autor de &#8216;Bem-nascido&#8230; Mal-nascido&#8230; Do &#8216;filho perfeito&#8221; ao filho humano&#8217;, &#8216;Ensaios <em>de<\/em> liberdade&#8217; e de &#8216;Teologia, ci\u00eancia e verdade: fundamentos para a defini\u00e7\u00e3o do estatuto epistemol\u00f3gico da Teologia, segundo Wolfhart Pannenberg&#8217;<\/h6>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/kalhh-86169\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2551862\">kalhh<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2551862\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto originalmente publicado<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":18189,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[165,146,55],"tags":[],"class_list":["post-18188","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura-devida","category-letra-viva-valores-de-uma-cultura-que-cuida-e-nao-mata","category-luis-manuel-pereira-da-silva"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18188","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18188"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18188\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18193,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18188\/revisions\/18193"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18189"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18188"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18188"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18188"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}