{"id":18072,"date":"2025-04-23T07:00:30","date_gmt":"2025-04-23T06:00:30","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=18072"},"modified":"2025-12-16T13:39:36","modified_gmt":"2025-12-16T13:39:36","slug":"mysterios-lusitanos-contos-texto-e-locucao-11-misterio-na-praia-da-cascalheira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/mysterios-lusitanos-contos-texto-e-locucao-11-misterio-na-praia-da-cascalheira\/","title":{"rendered":"11 | Myst\u00e9rios lusitanos [contos &#8211; texto e locu\u00e7\u00e3o] | Mist\u00e9rio na Praia da Cascalheira"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: right;\"><em>Myst\u00e9rios lusitanos<\/em> | A vinte e tr\u00eas (23) de cada m\u00eas, habitamos o mundo pelo imagin\u00e1rio de Alberto Ferreyra&#8230;<\/h6>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Alberto Ferreyra*<\/strong><\/p>\n<p><iframe title=\"Mist\u00e9rio na Praia da Cascalheira\" width=\"640\" height='360' src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tqVafYS6FDM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na estrada para a Ermida, com o Vouga \u00e0 direita, adivinhava-se o sol brilhante, de que sobravam, sobre as \u00e1guas do rio, alguns escassos raios.<\/p>\n<p>J. e M. divertiam-se, com charadas sobre os nomes das terras que o pai lhes ia apresentando.<\/p>\n<p>Dirigiam-se ao Couto de Esteves, onde haveriam de participar numa boda de casamento de uns primos do pai, depois da celebra\u00e7\u00e3o religiosa, na Matriz de Pessegueiro.<\/p>\n<p>&#8211; Porque teriam as terras os nomes que t\u00eam? \u2013 Perguntava M., curiosa, como sempre. Cabia-lhe fazer as perguntas que todos pareciam reconhecer j\u00e1 ter habitado a sua mente, mas que nunca haviam tido a clarivid\u00eancia de as formular.<\/p>\n<p>&#8211; Os nomes das terras \u2013 melhor, \u2018top\u00f3nimos\u2019 \u2013 t\u00eam uma raz\u00e3o de ser\u2026 &#8211; Atalhou o pai.<\/p>\n<p>Ainda o pai n\u00e3o terminara a frase, o muro da estrada sobranceira \u00e0 nova barragem da Ermida reservava um \u2018o homem \u00e9 maior do que o seu erro\u2019 que o fez estacar e tomar aquele olhar que os filhos reconheciam ser o que sempre se abeirava do lugar do mist\u00e9rio.<\/p>\n<p>&#8211; O que foi, pai? \u2013 Perguntou J., certo de que novidade os esperava.<\/p>\n<p>&#8211; Sabeis onde estamos?<\/p>\n<p>&#8211; A caminho do Couto de Esteves. Do \u2018Couto\u2019, como a m\u00e3e costuma dizer.<\/p>\n<p>&#8211; Sim, bem certo. Mas este lugar n\u00e3o se chama \u2018Couto\u2019. Estamos na Ermida e esta barragem engoliu o que foi, outrora, a Praia da Cascalheira.<\/p>\n<p>&#8211; Como na \u2018Cat\u00e9dral engloutie\u2019, pe\u00e7a musical de Claude Debussy, em que se ouvem as impress\u00f5es musicais que emergem das \u00e1guas de uma barragem sob as quais descansa uma catedral! \u2013 Interrompeu M., evocando as suas mem\u00f3rias musicais de mel\u00f3mana precoce.<\/p>\n<p>&#8211; Parece isso, M., parece! Tantas vezes aqui tomei banho! Gra\u00e7as a um pequeno a\u00e7ude que antecedeu esta robusta barragem, formava-se aqui uma tranquila praia fluvial onde o jogo de luz e sombra criava um convidativo ambiente para se descansar, no corpo e na alma.<\/p>\n<p>&#8211; T\u00e3o po\u00e9tico, pai! \u2013 Segredou a M., que pousou a sua m\u00e3o sobre o ombro do pai. \u2013 Conte, pai, conte. Sabemos que a\u00ed vem hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>&#8211; Esta \u00e9 uma terra de mist\u00e9rios. A vida densifica-se, neste enlear de \u00e1gua, serra, sol e sombra.<\/p>\n<p>H\u00e1 como que um para\u00edso, no murmurejar da vida quotidiana destas gentes. Um para\u00edso feito, tamb\u00e9m, de todos os dramas do para\u00edso. N\u00e3o apenas da beleza e da harmonia, mas tamb\u00e9m do drama de se cair, de se ser seduzido pelas in\u00fameras serpentes da exist\u00eancia.<\/p>\n<p>&#8211; Ena, pai. O que a\u00ed vem! \u2013 M. n\u00e3o perdia uma oportunidade para se encostar ao esfor\u00e7o do pai de recuperar a mem\u00f3ria. Sabia que valia a pena\u2026<\/p>\n<p>&#8211; A hist\u00f3ria que se cruza com a Praia da Cascalheira come\u00e7a nas serranas encostas \u00e0 nossa esquerda. Dois homens andavam desavindos, por causa de mulheres e n\u00e3o s\u00f3. Um deles desconfiava de que o outro anda envolvido com a sua esposa, mas tamb\u00e9m procurara seduzir a sua filha e pretendia acertar contas (era assim que se fazia, ent\u00e3o! A justi\u00e7a era, tantas vezes, feita por m\u00e3os pr\u00f3prias\u2026). Jos\u00e9 \u2018Vesgo\u2019 n\u00e3o era boa r\u00eas. Metia-se em sarilhos, capaz de gerar confus\u00e3o at\u00e9 numa sala sem gente. E dizia-se que nenhuma mulher podia estar segura, fosse qual fosse a sua idade. O Manuel do Ribeiro andava, por isso, \u00e0 espera do melhor momento para fazer justi\u00e7a; a justi\u00e7a que n\u00e3o podia esperar resposta da administra\u00e7\u00e3o, depois que o cabo Pedro partira para a Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>&#8211; Explique, pai. Explique. \u2013 M. estava impaciente.<\/p>\n<p>&#8211; Estamos no per\u00edodo do Estado Novo. A justi\u00e7a n\u00e3o se fazia no respeito pelo princ\u00edpio da presun\u00e7\u00e3o da inoc\u00eancia e assente nos alicerces de hoje. Governava estas terras um tristemente c\u00e9lebre administrador, que se passeava, montado a cavalo, percorrendo caminhos e atalhos. Ao longe, quando as gentes intu\u00edam o seu aproximar-se, tremiam, temendo-o e ao seu rigor arbitr\u00e1rio. A justi\u00e7a que aplicava era a que lhe convinha, com julgamentos sum\u00e1rios, apenas preocupado em manter o poder seguro, nas suas m\u00e3os. Um dia, juntaram-se vozes e vozes (sempre an\u00f3nimas, bem certo!), queixando-se de um ladr\u00e3o de capoeiras, a quem davam o nome de \u2018riscado\u2019. Importunava quem tinham mais de duas galinhas, alegando querer dar de comer aos seus filhos. Mas os tempos n\u00e3o estavam para compaix\u00f5es. Enchendo-se os ouvidos do administrador de tantos ru\u00eddos, e sem descer da sua montada, passou pela casa do cabo Pedro, batendo-lhe \u00e0 porta com o bast\u00e3o de que se fazia sempre acompanhar.<\/p>\n<p>&#8211; Dizem as vozes que se vai desarriscar quem n\u00e3o nos deixa em sossego.<\/p>\n<p>E seguiu \u00e0 sua vida&#8230; Mas a mensagem estava transmitida.<\/p>\n<p>O cabo Pedro logo saiu para rusga que nem rasto, nem mem\u00f3ria, haveria de deixar.<\/p>\n<p>Em caminho que \u00e9, hoje, estrada para grandes lojas, mas que era, ent\u00e3o, carreiro estreito, dois tiros sem eco nem som deitaram por terra e desarriscaram de vez o terror das galinhas. Diz-se que, incomodado, na alma, dos tiros que nem som nem eco fizeram, o cabo Pedro partiu para a Am\u00e9rica, para n\u00e3o mais voltar, deixando em terras lusas, um filho ainda por nascer. Nas terras de al\u00e9m-Atl\u00e2ntico morreu, diz-se que perturbado, com risco profundo vincado na alma. Do administrador vil dizem as vozes de sempre que continua a vaguear, procurando paz, na quinta que, ainda, hoje, o povo designa como sendo sua: quinta do Pereira\u2026 Porque a justi\u00e7a dos vis faz prender a felicidade \u00e0 pesada opress\u00e3o das terras possu\u00eddas.<\/p>\n<p>&#8211; Meu Deus, pai. Que hist\u00f3ria incr\u00edvel!<\/p>\n<p>&#8211; Regressemos, pois ao Jos\u00e9 \u2018Vesgo\u2019 e ao Manuel do Ribeiro. Como vos dizia, a justi\u00e7a estava \u00e0 deriva e entregue a quem n\u00e3o procurava ser justo, mas apenas assegurar o poder. N\u00e3o se esperasse, por isso, que, perante crimes hediondos, fosse reposto o bem e devolvida a justa harmonia. A tenta\u00e7\u00e3o era a de fazer, por m\u00e3os pr\u00f3prias, a reposi\u00e7\u00e3o dessa perdida melodia dos primeiros e paradis\u00edacos tempos. Manuel do Ribeiro andava perdido e cego. Estudara os caminhos e percursos do Jos\u00e9 \u2018Vesgo\u2019. (O seu olho direito fixo, depois de tiro perdido em noite cerrada de emboscada, dava-lhe o nome.) Espera-o, por isso, adentrado no bosque, perto do lugar do Sobral. Sabe que ali passar\u00e1, vindo da vila, para, descendo o Constantino, se encaminhar em dire\u00e7\u00e3o a casa, nas imedia\u00e7\u00f5es da escola velha, num lugar a que viria a dar-se o nome de \u2018Feira Nova\u2019. Jos\u00e9 \u00e9 \u2018Vesgo\u2019 de olho e de moradia: na sua casa, n\u00e3o moram dois; \u2018um s\u00f3 j\u00e1 \u00e9 gente a mais\u2019, como tantas vezes dizia, vociferando para com todos os que o perseguiam, de cada vez que voltava aos seus ataques violentos.<\/p>\n<p>Manuel do Ribeiro \u00e9 um bom cora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o pretende matar Jos\u00e9 \u2018Vesgo\u2019, mas amea\u00e7\u00e1-lo. Pretende dar-lhe um aviso. Acredita na mudan\u00e7a das pessoas. Mas quer que o susto seja real. Aguarda, pacientemente.<\/p>\n<p>&#8211; A noite cai e, com ela, as sombras feitas da luz que refulge do lado lunar da vida. No cimo do monte, uma emboscada coloca, frente a frente, dois homens. A natureza associa-se, com sil\u00eancio perturbador, \u00e0quele momento. Manuel do Ribeiro pensava que a surpresa lhe asseguraria o resultado esperado, julgando obter, assim, o desejado sossego da ilus\u00e3o de uma justi\u00e7a tardia, mas devida. Jos\u00e9 \u2018Vesgo\u2019 era, por\u00e9m, homem prevenido, pois nem pela morte aceitava ser surpreendido. Quando Manuel lhe assomou ao caminho, como sombra da pr\u00f3pria noite, Jos\u00e9 \u2018Vesgo\u2019 pegou numa longa l\u00e2mina que sempre trazia colada \u00e0 pele de uma das pernas. Tenta atacar Manuel que cai, desamparado. Este ergue-se, de um salto, vendo, tremeluzente, no tronco de uma \u00e1rvore pr\u00f3xima, uma outra pe\u00e7a contundente. Cerca Jos\u00e9 \u2018Vesgo\u2019, de modo a que este n\u00e3o se aperceba do seu movimento. Na posse da pretendida arma, atira-se, com raiva, sobre o seu advers\u00e1rio. O som oco de dois derradeiros sopros de vida contrasta com o sil\u00eancio da noite fria. Duas corujas soltam um piar letal. Os dois corpos sustentam-se, im\u00f3veis, presos pelas compridas l\u00e2minas com que se finaram um ao outro. Ao lugar deu-se o nome de \u2018homens mortos\u2019 que, ainda agora, se conserva, sin\u00f3nimo de uma justi\u00e7a feita de pressa e ilus\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; Mas, oh, pai, n\u00e3o percebo onde entra a Praia da Cascalheira, em toda esta hist\u00f3ria\u2026 &#8211; M. era perspicaz. Lia nas costas das linhas da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>&#8211; Rel\u00ea a hist\u00f3ria. Manuel n\u00e3o ia munido de arma para atacar o seu advers\u00e1rio. S\u00f3 o pretendia amea\u00e7ar e assustar. A quem se devia o aparecimento de uma arma, t\u00e3o inadvertidamente?<\/p>\n<p>&#8211; Julguei que fosse estrat\u00e9gia liter\u00e1ria, pai! \u2013 Riu-se M., sempre criativa.<\/p>\n<p>&#8211; Um outro homem entrou nesta hist\u00f3ria. Um homem que n\u00e3o deixou aqueles dois corpos levantados. Retirou, das suas entranhas, as facas que os mantinham im\u00f3veis, sustentados um no outro. Desceu at\u00e9 ao rio, onde lavou as facas, as m\u00e3os e a alma. Do seu sangue e das f\u00edmbrias da sua alma, rolaram pedras em forma de cascalho que se soltaram pela margem do rio. Negras, muito negras\u2026<\/p>\n<p>&#8211; Dali, partiu para a resid\u00eancia paroquial, onde procurou o senhor abade (Sim, por estas terras, o p\u00e1roco \u00e9 tratado por \u2018senhor abade\u2019, aludindo \u00e0 exist\u00eancia de mosteiros que a hist\u00f3ria soterrou\u2026). Pediu para se confessar.<\/p>\n<p>&#8211; \u2018Perdoai-me, padre, porque pequei\u2026\u2019<\/p>\n<p>&#8211; O que te traz, meu filho?<\/p>\n<p>&#8211; Hoje, ajudei a matar um homem.<\/p>\n<p>O sil\u00eancio pareceu anteceder a Hora, o ju\u00edzo final\u2026.<\/p>\n<p>&#8211; O Manuel do Ribeiro queria dar uma li\u00e7\u00e3o ao Jos\u00e9 \u2018Vesgo\u2019.<\/p>\n<p>&#8211; Ah, esse! Deus o encaminhe, que anda perdido, errante.<\/p>\n<p>&#8211; Esperava-o, no alto do Sobral. Queria \u2013 sei l\u00e1! \u2013 dar-lhe uma sova, pregar-lhe um susto. Mas adivinhei que o Jos\u00e9 \u2018Vesgo\u2019 viria prevenido. N\u00e3o quis, por isso, que a justi\u00e7a se tornasse palco de injusti\u00e7a. Deixei, \u00e0 m\u00e3o de semear, um cutelo com que o Manuel do Ribeiro se defendeu. Mas a coisa virou para o torto e est\u00e3o os dois j\u00e1 mortos.<\/p>\n<p>&#8211; Pretendeste a morte do Vesgo?<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o sei se pretendi. Pretendi que a li\u00e7\u00e3o lhe ficasse para a vida. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o suportaria que ele levasse de vencida a sua. O Manuel do Ribeiro n\u00e3o merece o que ele lhe tem feito. Mas o que ser\u00e1 da minha alma, senhor Abade? \u2013 Chorou, convulsivamente.<\/p>\n<p>&#8211; Um homem que deseja a justi\u00e7a est\u00e1 tomado por um desejo com que Deus lhe faz habitar a alma. Quero ter a certeza de uma coisa: pretendeste mat\u00e1-lo?<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o posso dizer que n\u00e3o o pretendi, mas deixei o cutelo \u00e0 m\u00e3o que para que n\u00e3o perdesse o inocente.<\/p>\n<p>&#8211; Vejo, nas tuas palavras, o reconhecimento de uma culpa que ainda n\u00e3o consigo confirmar. O teu desejo era o de que n\u00e3o se cometesse uma injusti\u00e7a, e n\u00e3o o de que se fizesse justi\u00e7a por pr\u00f3prias m\u00e3os. A leg\u00edtima defesa \u00e9 defesa de uma vida que se perderia se n\u00e3o fosse defendida. Por isso, parece-me certo que o perd\u00e3o de Deus misericordioso te assiste, nesta hora dura. Arrependido que est\u00e1s de ter dado um impulso para que um homem morresse, mas certo de que a sua morte foi para se proteger, ainda que em v\u00e3o, a vida de outrem que ele atacava, dou-te a absolvi\u00e7\u00e3o. A tua penit\u00eancia \u00e9 lavares-te nas \u00e1guas da Ermida, para que te regeneres como homem novo.<\/p>\n<p>O dia p\u00f4s-se e um vulto mergulhou nas \u00e1guas do Vouga. Sob o seu peso, soltaram-se pequenas pedras que rolaram, inicialmente negras e progressivamente brancas e l\u00edmpidas. Do cascalho sa\u00eddo da alma nasceu o nome da praia: \u2018Cascalheira\u2019!<\/p>\n<p>Na via que nos leva ao \u2018Couto\u2019, pode continuar a ler-se, num esmaecido rumor feito pedra: \u2018O homem \u00e9 maior do que o seu erro\u2026\u2019<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Alberto Ferreyra<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/tumisu-148124\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=4203628\">Tumisu<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=4203628\">Pixabay<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align: justify;\">*Alberto Ferreyra diz que as suas letras habitam a mente e saem da m\u00e3o de algu\u00e9m nascido em terras gaulesas, ainda que afirme, em sussurro, que o seu real nascimento ocorreu nas margens do Antu\u00e3, em abril de 2024. \u00c9, por isso, um prematuro autor liter\u00e1rio, germinado da inspira\u00e7\u00e3o que a realidade proporciona quando se tem a companhia, nos livros, de g\u00e9nios como Jorge Luis Borges, Miguel Torga, Gabriel Garc\u00eda Marquez ou personagens como Poirot ou Padre Brown.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Na sua escrita, cruzam-se o real e o imaginado, o fict\u00edcio e o hist\u00f3rico, numa embrenhada teia em que o leitor continua a ler, mesmo j\u00e1 depois de fechado o conto. O real continua a fecundar hist\u00f3rias na mente de quem l\u00ea Ferreyra. Cada conto, feito dos mist\u00e9rios desvelados, aproxima o tempo e distancia o espa\u00e7o, esticando-o at\u00e9 ao eterno e ao infinito. Ao ler Ferreyra, faz-se &#8216;sil\u00eancio&#8217; (&#8216;myst\u00e9rio&#8217; alude \u00e0 etimologia grega da palavra, que remete para o &#8216;fazer sil\u00eancio&#8217;, &#8216;emudecer-se&#8217;&#8230;) para que possam ecoar as palavras, para que possa desenovelar-se o enredo sucintamente desvelado.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">J. e M., protagonistas de cada um dos contos, acompanhados, em alguns deles, pelo seu periquito &#8216;branquinho&#8217;, fazem emergir, do real em que se enredam, hist\u00f3rias que, nascendo da imagina\u00e7\u00e3o de Ferreyra, permanecem como realidades poss\u00edveis, deixando a suspeita de terem mesmo ocorrido.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Se n\u00e3o foi real, Ferreyra o criar\u00e1, inspirado numa cosmovis\u00e3o que tanto deve \u00e0quela religi\u00e3o que fez do encarnado a condi\u00e7\u00e3o fundamental do existir.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A vinte e tr\u00eas (23) de cada m\u00eas, habitaremos o mundo pelo imagin\u00e1rio de Alberto Ferreyra&#8230;<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Myst\u00e9rios lusitanos |<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17814,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[208,209],"tags":[],"class_list":["post-18072","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-alberto-ferreyra","category-mysterios-lusitanos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18072","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18072"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18072\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20093,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18072\/revisions\/20093"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17814"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18072"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18072"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18072"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}